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terça-feira, 4 de julho de 2017

Encontrar as palavras certas

Estou cursando a faculdade de Letras, quase domino um novo idioma, porém, como é difícil comunicar-me. Escrever, é fácil, ser lido, do mesmo modo também é. Mas, na comunicação individual, onde reina o sentimento, minhas palavras são parcas, eu não consigo me expressar.
Nasci com o dom da escrita, eu sei. Sempre foi tão fácil organizar as palavras, quanto pensar, ou respirar. Sempre foi tão perfeito ler, entender e simplesmente amar o lido. Porém, diante do amor, as palavras são insuficientes, os idiomas não valem para nada, eu fico muda.

Escrevi uma carta de amor, mas, por ser de amor, ainda tenho minhas dúvidas se disse tudo o que deveria dizer. Ou se escrevi demais, ou se não falei o essencial.
Para falar dos sentimentos nunca fui boa.

Diante de minha mãe morta, não consegui dizer-lhe que a amava.
Diante do amado, nenhuma palavra jamais saiu. Eu só sabia escrever, cometer torpezas, falar com os gestos, fugir como uma condenada, de um sentimento que me arrebatava.

Eu tenho consciência de que esta vida é curta, e perco meus dias por nada dizer. Perco minhas horas por estar aqui, em minha auto suficiência de escritora, em apenas escrever o contrário do que sinto. Se estou tão viva, citarei a morte, se estou tão feliz, citarei a melancolia.

E, de metáforas tortas, vou fazendo, além da escrita, minha vida.




terça-feira, 15 de novembro de 2016

Poesia, Literatura, Amor - Legião Urbana e a Professora de Português

O mundo anda tão complicado

Não lembro quando comecei a gostar de escrever, mas sim dos momentos em que colocar no papel o que eu sentia ou pensava era algo que me possibilitava um bem estar sem igual. Nada das minhas outras atividades era como ler e escrever.
Eu tinha uma professora de Português e Literatura que um dia fez uma atividade com música. Tínhamos que ouvir e escrever tudo o que ela representava para cada um.

Eu sinto que naquele dia algo despertou em mim. Um clique e tomei conhecimento de que escrever liberta os pensamentos, organiza aquelas ideias mais profundas, dá formas à coisas disformes.

A música era 'O mundo anda tão complicado' e eu, naquela época, nem tinha vivido tudo o que hoje sei sobre a letra dessa canção. Eu só tinha a melodia, a composição seca. Sem vivência, era uma criança, apenas fui deixando-me levar pelo fluxo carinhoso da história. E me recordo de muito escrever, sem parar, até a música acabar.

Eu não sabia o que era ver o outro dormir, mudar-se para a casa de alguém, ou trazer alguém para meu lar, viver o cotidiano amoroso. A minha vida, naquela época, era mais um misto de tristeza e vazio. Depois, não muito tempo depois (eu estava na quinta série, acho) eu fui descobrir que o outro é este ser fascinante, que se deseja como a si mesmo. Aquele ser amado, com o qual queremos estar na mesma casa, na mesma vida. Ou não...mas eu queria.

Mas naquela época meio criança, meio adolescente, eu não tinha ideia do que era amar.

Meninos e Meninas

O Renato Russo foi aquele amor adolescente impossível, entre tantos que eu tive. Tudo o que ele dizia era sagrado para mim. Uma palavra estranha, e eu corria para o dicionário. Ele era o conforto poético para este mundo sem solução.
Quando hoje, retorno a estudar o Português para o meu segundo vestibular, vêm à mente aquela frase, como todas, genial:

"Eu canto em Português errado,
Acho que o Imperfeito não Participa do Passado
Troco as Pessoas, troco os Pronomes."

Esse ano, por força de um destino, uma breve paixão, decidi fazer minha segunda faculdade e primeira vocação. Até agora não consigo entender por que neguei por tanto tempo que isso era meu caminho. Eu só posso explicar com uma frase: eu fujo do amor e das coisas que amo, por medo de perdê-las depois.
Só que o amor não foge de mim, ele está aqui o tempo todo. E não irá embora. E não sei se isso é bom.


Se fiquei esperando meu amor passar

Até hoje, algumas frases dessa música são enigmáticas para mim. Eu simplesmente não as entendi.
Mas, nesse momento de minha vida, eu estou caminhando muito e ouvindo Legião Urbana regularmente. Um dia, ao voltar dessas caminhadas, sozinha, eu pensava justamente sobre o amor e nem me dei conta de que tocava essa música no meu MP3.
E uma das frases brilhou para mim. Eu acho que entendi, pelo menos o que pode ser uma interpretação minha...
Eu sempre quis entender o verbo amar, fazer a palavra amor ter um sentido. E no fim das contas percebi que o sentimento está sempre aqui dentro, não importa como está, nem por quem está. Ele nunca saiu, nunca passou. Eu sei que não é fácil encontrar o eco lá fora para as coisas que estão no coração, eu sempre sonhei com um espelho, o qual parece que ainda está longe de mim.

Nos meus sonhos ele aparece, bizarramente, como uma jaguatirica que mordeu o meu braço. Eu senti a carne sendo perfurada por aqueles dentes terríveis, sem sangue desta vez, mas aquele ser era tão lindo, que eu deixei.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Juliana

Um perfume de uma mulher.
Havia um espírito sensível dentro de olhos lacrimosos.
Nos conhecemos através das palavras.
Eu estudava a Antiguidade dos animais e ela a História dos ambientes.
Nos anos em que convivemos, a experiência foi completamente literária.
Livros e poesia, também amizade, em meio à Arqueologia daquele tempo.
Ela foi, mas sua marca sempre ficou.
Como ficam para sempre, as pessoas especiais na vida de qualquer um.
Uma mulher, quando é especial, é como um perfume. Seu efeito é imediato quando suas notas aparecem.
A lembrança é referência, como livros, leituras e símbolos, do mundo das letras.
Um mundo, que obviamente mantive dentro de mim através da escrita.
E carreguei em meu coração através do amor.
Para Juliana Soares

Ellen Augusta

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Sarau Garagem dos Livros de 12/09/14, em Porto Alegre - mais momentos de poesia e leitura

Sarau Garagem dos Livros de 12/09/14, em Porto Alegre
Ellen Augusta (eu) recitando o poema O frio a faz respirar
Marcio de Almeida Bueno (meu marido) fazendo acompanhamento musical para meu poema
Arthur Adams cantou uma música antiga
Homero Bueno (meu sogro) recita seu poema 'A Pedra', vencedor do Concurso Literário Mansueto Bernardi 2012

Juliana Soares minha amiga, que tive o prazer de reencontrar, faz a leitura de um texto de seu irmão.
Gerci Oliveira Godoy recita um de seus poemas
Beatriz Barbisan recitando um de seus poemas

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

As mulheres e a poesia

Participei de um encontro de escritoras poetas no MARGS.
O recital era destinado à apresentação dos poemas da Beatriz Barbisam, mas todos tiveram a oportunidade de declamar seus poemas e até eu!

Encontrei a poeta que admiro bastante, chamada Gerci Oliveira Godoy.
Essas duas poetas participam de um grupo de escritores e são super receptivos, e pude recitar um poema que fiz para minha amiga, poeta e escritora, Maria Helena Sleutjes.
Eu estava muito tímida, portanto o tom do texto ficou totalmente diferente do que deveria estar, mas valeu para uma primeira recitação poética... Eu que estou acostumada a falar em público, já fui professora por mais de dez anos... mas para um poema, fiquei trêmula. O poder do outro.
Todos os poemas recitados eram, em sua maioria, doces, cotidianos, nessa linha. Quando entrou o meu, eu senti que era o sombrio que entrava pela janela. E gostei. Já anoitecia, de qualquer forma. Amo a poesia das sombras. Adoro o singelo, mas chamo o obscuro. E admiro os poetas que mesclam as coisas lindas e frescas com a morte e a solidão, como Mário Quintana, que muita gente ainda não entendeu.


Recitei o poema A alma do farol em homenagem à Maria Helena Sleutjes. Ao meu lado está a escritora poeta Beatriz Barbisam, o encontro era dedicado a ela e seus poemas.

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sábado, 16 de agosto de 2014

O mago que sonhava com sua máquina de escrever

Fui ver o filme sobre a vida de Paulo Coelho, Não Pare Na Pista - A melhor história de Paulo Coelho.
Na volta do cinema, na feira de legumes e frutas da capital, um feirante me contou que tem boa parte dos livros dele na estante.
Numa época em que os livros são baratos e são para todos, muita gente adoraria viver no tempo dos escribas. É o esnobismo intelectual. Não suportam a ideia de um feirante lendo.
Observo a forma como as pessoas criticam Paulo Coelho, sem nunca terem lido
um de seus livros. Por que essa perseguição?
Eu os li em minha adolescência.
Eu leio compulsivamente e não gosto de comparar escritores. São como o chá. Cada um tem um aroma e um sabor.
Os críticos se consideram superiores e entendidos.
Os invejosos, os ressentidos, fazem desses escritores fantásticos, alvos eternos.
Não pare na pista, conta a vida deste fenômeno que vende milhões de livros, usando palavras simples, cristianismo, simbologia, cativando o mundo inteiro.
Hoje eu detesto esoterismo e passo longe do que cheira à mística ou religião, mas amo simbolismos e Paulo Coelho sempre foi bom nisso.
Estudando artigos sobre as famosas acusações de plágios, francamente, não formei opinião. Nem me interessa formar nada. Tenho pavor de posições.
Sou mais da reflexão de Ezio Flavio Bazzo que diz "É importante lembrar e
tomar consciência de que, principalmente no chamado mundo artístico, onde todo mundo vive persecutoriamente se acusando de plágio, de cleptomania e de roubo de idéias, quase
nada é de autoria originária e legítima de alguém. Todos se nutrem dos mais variados furtos
intelectualóides, cuja propriedade e cujos direitos autorais, se fosse o caso, quase sempre
pertenceriam a remotos e esquecidos cadáveres."
O encontro dos dois malucos foi o ponto alto do filme. Não sou muito de ouvir Raul Seixas, mas as melhores canções vem de suas parcerias com Paulo Coelho. O que amei mesmo foi ter visto Paulo Coelho adolescente, sonhando como todos os escritores, desejando sua primeira máquina de escrever.

Para ler mais sobre plágio aqui vai a dica:
http://eziobazzo.blogspot.com.br/2009/01/psicopatologia-do-plgio.html
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