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quinta-feira, 10 de maio de 2018

O livro roubado

A Caverna é o livro que iniciou minha paixão pela literatura de José Saramago, e ela tem uma longa história. Vou contar porque é bonita.

A Caverna, como começou
Logo que meu pai morreu eu sonhei com ele. Nesse sonho meu pai me disse para ler um livro do José Saramago e então quando acordei, procurei descobrir quem era esse escritor.
Ao falar com uma amiga, ela me emprestou A caverna, e eu comecei a ler. Porém na época, como era de se esperar, não consegui me concentrar em seu modo de leitura. Saramago tem um jeito peculiar de escrever, misturados a gírias, expressões portuguesas, modos e estilos. É um tipo de texto que é necessário atenção para que seja compreendido em plenitude.
Pois bem, desisti. Mas, logo pensei que não deveria desistir do escritor, pois sonhei, e levo meus sonhos à sério.

Comecei a leitura de outros livros, o primeiro é o Memorial do Convento e daí se seguiu História do Cerco de Lisboa, Todos os Nomes, Ensaio Sobre a Cegueira, entre outros... Montei minha biblioteca com alguns de seus livros, o melhor, até hoje? O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
No ano passado fui visitar uma linda praia e fiquei hospedada em uma casa que ficava na beira do mar.
Nesta casa havia uma biblioteca abandonada, os livros jogados de qualquer maneira, a leitora não residia na casa, e os atuais residentes descuidavam desse espaço.
Tenho essa mania de querer ver as coisas em ordem. Tenho esse espírito virginiano de achar que, em melhorando o espaço, as coisas todas se ordenam. Pois fui organizar os livros, desempoeirá-los, colocar todos em uma ordem, a minha.
Quando percebi, havia muitos livros do Saramago, e entre eles, A Caverna.
Era o livro simbólico, por onde tudo começou. Decidi começar sua leitura.
Nos braços do meu então companheiro, bastava eu olhar pela janela que ali estaria o mar. E então, muitas lágrimas caíram pois o livro era outro! Não era o mesmo livro de difícil leitura de muitos anos atrás. Era sim, uma literatura que queria me dizer algo. Assim eu supunha, pois havia sonhado com o escritor, e procurei saber o que este livro tem a me dizer.
Como tenho essa tendência a deixar as coisas pela metade, larguei o livro de mão logo e voltei para a vida na capital .
Mas o livro veio junto comigo e ficou ali à espera de sua leitura. Prometi para mim que o devolveria após sua leitura, mas sinceramente, não sei como irei fazer isso. Um dos motivos é que ainda não o terminei.
Por incrível que pareça, o livro ainda está sendo lido. E, na época de sua partida da estante, jamais imaginaria que um dia estaria cursando Letras na federal, que estaria cursando a faculdade para a qual talvez (talvez) eu tenha sido destinada e que hoje é como um alívio para meu mundo.
Quando escolhi fazer a cadeira Estudos de José Saramago, percebi que uma das leituras obrigatórias é este livro. E estou em plena leitura, faltando apenas algumas páginas para seu final.
Agora, minha visão sobre seu significado é completamente outro. E a curtição é muito maior.

A História

O livro conta a história de um pai e uma filha. Ele é um oleiro e tem uma filha, um genro e logo encontra um cão. A filha neste ponto do livro está grávida. O conflito acontece em torno do Centro Comercial, que é um espaço que praticamente o obriga a questionar seu modo de vida, pois sua profissão agora se torna obsoleta. As pessoas trocaram os utensílios de barro pelos objetos plásticos e descartáveis.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Meus pés me levam para o nada - todo meu ódio ao trabalho

Hoje meus pés me levaram para a fuga. Como a minha vó, a muito tempo. Longe de sua casa, só pensava em partir, de qualquer jeito à procura de ir-se. Saía de minha casa como um bicho. Achava que era por ali. E ia. Estava acostumada a andar de pés descalços. E, ali, onde avistava um pouco de mato, pensava: deveria ser o lugar onde a levaria para sua terra. Saía de minha minha casa a pé.
Só que ela morava próximo à Serra Gaúcha, a quilômetros de distância, e minha mãe tinha que ir atrás dela, buscá-la para a razão, para este mundo insólito e perverso.

Não tenho vocação para enfiar meus pés nestas sapatilhas, nestes uniformes, não tenho saco. Não tenho modos para quase nada.
Eu, no fundo, apenas suporto, o ser humano, as coisas. Tolero os cinismos, as falsidadezinhas, as pequenezas que vou percebendo nas pessoas neste dia à dia transitório, de "trabalho". E meu alívio é pensar que tudo é temporário, como eu mesma sou com minhas vontades.

Sinceramente, e daí? Na verdade é um grande transtorno daquelas pessoas. É problema delas. Que devem ter uma vida de merda, suportarem-se umas às outras, com conflitos eternos. Egos 'mensos' e mente muito estreita.

Meu corpo, meus pés, me levaram para longe. Eu me perdi. Perdi a hora, fui indo para acolá e quase perdi o ônibus. Voltei como uma idiota e peguei o camburão para o inferno. Um trabalho legal, num ambiente bonito, com pessoas normais.

Por quê?
Por que eu não obedeci as ordens expressas do meu corpo, da minha mente e de meu coração?
Por que eu não segui em frente, tendo em mente que meus pés me levariam para o mar, para o verde, azul, roxo oceano, para minhas ilusões, assim como minha nona (avó) imaginou que aconteceria, mesmo eu sabendo que apenas chegaria a um muro e dobraria a esquina, talvez chegasse a um bar e tomaria um café, chá ou mesmo teria a coragem de até mesmo -
comprar uma passagem para uma viagem?

Não, preferi aderir ao cinismo, ao pusilânime, à ordem. O medo do futuro incerto. A imortalidade infantilmente ilusória, pois vivemos acumulando para o nada. Trabalhando para outras pessoas enriquecerem.

Detesto quando me questionam sobre trabalho. É como se você tivesse obrigação de estender seu currículo sobre a mesa e mostrar seus prodígios, e ai de ti se não for um sucesso.

Eu, que tenho até livros publicados em meu c. v., onde ali tem desde curso de datilografia junto com minhas publicações de artigos de opinião, sempre me esqueço e acabo dizendo o meu trabalho mais simpleszinho. Como se houvesse uma voz interior dizendo: olha, sou uma pessoa e não as coisas que produzi no passado.
E, dependendo de quem está do outro lado, sinto aquela cara de quem tenta decifrar o que exatamente faço.
E tem aquela tia com cara de pena, tipo: tadinha dela que não está milionária depois de ter feito faculdade!
Pode crer que tem malandro velho que ainda acredita que faculdade é alguma coisa e que se você fez algum curso, necessariamente deve trabalhar nele.  No exterior, o curso universitário é apenas uma formação, o sujeito sai de lá e vai fazer o que gosta. Vai ser carpinteiro, vai ser escritor, ele estudou pois queria se aprimorar intelectualmente, não porque precisava pagar as contas. Lembre-se que em certos países o nível de vida é muito melhor do que aqui.
Mas neste país, vivemos numa situação em que é necessário concluir um curso superior para ser qualquer coisa. Pelo menos na época em que comecei minha faculdade era assim. Hoje, nesta época de pleno emprego, não faria faculdade. Dedicaria meu tempo e meu dinheiro em leituras, viagens e livros.

E eu digo: meu trabalho é um mistério, pode ser um ou dois ao mesmo tempo ou quiçá nenhum. E deve me fazer feliz, senão jogo-o ao ar. Mas mais fácil é falar (ou escrever, que aí sim é um dom.).

Minha única vocação ou quem sabe vontade, é para a escrita. Eu amo ler e escrever e é só isso que importa.
Nada mais, nem mesmo viver.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Rádios e livros - paixões com olhos, dedos e ouvidos

Na livraria Erico Verissimo encontrei rádios, livros e outras antiguidades.
Minha paixão são os rádios. Livros são apenas ferramentas para as palavras. Não tenho fetiche, não guardo nem compro. Apenas tenho os livros dos escritores, raros, que admiro e quero tê-los eternamente junto a mim. Prefiro dar livros do que emprestar. A pessoa lê quando quiser e não fica naquele compromisso. E raramente vi livro que eu emprestei voltar.
Passeando pela cidade, neste meu exercício de vagabundear, entrei nesta biblioteca com meu marido e nunca mais parei de olhar as coisas. Os livros eu conferi depois. Perguntei para a atendente que, super simpática, me auxiliou na busca de um livro de terror muito raro que procuro a anos... mas que ainda não encontrei.
A maldade dos adultos: quando eu era criança ouvia que eu mexia nas coisas com os dedos.
Hoje eu olho com os dedos. É um dedo no clique da câmera. Não no celular. Ainda estou no tempo do telefone de disco, como diz aquele que me acompanha, no mesmo bom ritmo. Mas estou muito à frente no que se refere ao contato. E isso é um progresso para quem ontem, estava em uma ilha.
Essas coisas antigas são lembranças para mim. Para quem guardou, significam um mundo de cuidado e capricho. Para quem chega e presencia, uma viagem no passado.
Uma balança de armazém - onde eu comprava doces com poucas moedas, como o Chaves do Oito.
 Eu tive essa máquina de escrever. Depois, quando ela já era obsoleta. Ganhei de presente, justamente por valorizar muito as coisas. É a velha diferença entre os muitos significados da palavra materialista, que para os reacionários, dominados pela moral cristã, só tem um sentido. Não é o meu. Não ligo. Sou livre. Valorizo.
A história da máquina que eu ganhei: ela foi comprada, trocada por vários jogos de mesas e cadeiras pois valia tanto, depois estava abandonada num galpão. Ganhei de presente. Usei-a para escrever poesias, cheguei a usar para realizar provas para meus alunos. Depois fazia cópias do papel original e eles adoravam. No fim dessa história essa máquina foi deixada para trás, por coisas do 'destino'. Destino que eu escolhi. Hoje eu não sei qual o seu paradeiro. Mas na minha mente ela está fotografada, com certeza.
Rádios. Estes sim são meus sonhos. Amo os antigos. Tenho os novos modernos. São coisas que as pessoas não valorizam. Quem hoje ouve rádio só ouve o bastantão. Mas há mais o que escutar. Amo Ondas Curtas, AM, etc, vou buscando conhecer este mundo.
Fiz esta foto para guardar a beleza das rosas e o icônico das imagens dos santos que me atrai. Estudo essas coisas, por me interessar por simbologia, semiótica, etc.

Nesta livraria encontrei diversos rádios antigos, alguns funcionando, outros não. Relógios de parede de todos os tipos, detalhes espalhados de forma delicada e organizada. Já visitei muitas livrarias, cada uma tem um jeito.
 É como a sala de alguém. Bagunçada, livre, cheia, vazia - particular.
O Transglobe é este rádio raro e lindo, que aparece nesta foto ao lado do quadro de mulher. Tenho a honra de ter ele aqui em casa. Foi presente da minha sogra que também ama rádio. Ele é tão raro que provoca suspiros quando é citado entre quem saca. O cara da eletrônica onde a sogra mandou para revisar fez mil propostas por ele. Mas ele já era meu! E funciona que é uma beleza.
Sinais: amo luzes, lamparinas, marcas de luz na escuridão. Adoro todo o tipo de lampadinhas de casa, aquelas escandalosas que piscam, coloridas... para os vizinhos verem também!
 Adoro espelhos, especialmente os antigos, os ovais, que minha mãe também adorava, e os de madeira. Quanto mais aparentarem aquele aspecto de velho, mais bonito e mais sombrio.
 As máquinas de costura lembram a minha mãe. Foi o que ela levou de casa quando se casou: uma máquina de costura Singer manual e uma panela de ferro. Carregou pesos nas costas a vida inteira, ao casar, não poderia ser diferente.
 E para terminar esta viagem a esta livraria, que de libros, quase não falei, deixo estes dois últimos rádios. Imaginem ele tocando, naquele tom de rádio antiga. Ainda existem rádios internacionais e até nacionais que funcionam neste mesmo padrão antigo. Aproveitem que o tempo é agora.
A livraria fica na Jerônimo Coelho, 377.
Ellen Augusta

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Lançamento do livro Inventário de Cretinices, de Ezio Flavio Bazzo

Bazzo é meu escritor preferido! Ele é minha influência direta, é óbvio para quem lê qualquer texto meu. Eu adoro seus livros, tenho todos, ou quase todos, aqui na estante. São indescritíveis, suas notas de rodapé ocupam às vezes meia página, são ricos em detalhes, geniais em cada linha, suas referências são aprendizados para mim. Suas críticas, suas palavras afiadas, apontadas para todos os lados e para si mesmo, a liberdade total com relação a tudo e todos.
O libertário, panfletário, o livre pensar, o encantador e poético, o viajante, o erótico, o desbocado, tudo em um só livro e em todos os livros. Quando o conheci, não achava seus livros em lugar algum, suas publicações eram independentes, ele era um escritor underground, desconhecido por aqui, e eu sempre fiz questão de levá-lo comigo onde quer que eu fui, o escritor, a ideia, as citações, divulgar ao máximo o que ele tem a dizer.
Todos os seus livros e publicações podem ser conferidas aqui http://eziobazzo.blogspot.com.br/ e ontem tive a honra de ser convidada para o lançamento de seu último livro, Inventário de Cretinices. Abaixo está um pedacinho do livro, que terei em breve na minha estante, com muito orgulho.
"Voltar a escrever um livro ainda dá, mas uma orelha... Isto é sempre deprimente e terrível. É por aqui que o leitor (esse ser híbrido, bizarro e de outro mundo) começa a julgar-nos... e a amaldiçoar-nos.

O que esse bosta pensa que é? e o que está querendo dizer-nos? Já li as mesmas presunções no seu livro anterior! Nos acha uma cambada de dementes? E se estiver certo?!

Pensa que nos nutrimos apenas de estupidez? Que somos ocos, um poço de aleivosia e que, além de tripas, não levamos mais nada em nosso interior? Que eticamente estamos todos liquidados, sem exceção? Ou pensa que está numa romaria de cegos? E se estiver certo?!

E vejam como sempre quer se disfarçar com os roupões da modéstia! Como finge ser mais humilde do que os cães que estão nas gaiolas dos pets à espera de alguém que os adote... ao mesmo tempo em que escreve como se estivesse açoitando, como se quisesse ser considerado o sol negro dos trópicos! Que ardil canino e de bordel o desse sujeito! e que indignidade para um homem com mais de 40 anos! E dizem que já tem 64!

Desde quando, afinal, se inventou esse costume vulgar de escrever estas ditas orelhas nos livros? São resenhas? iscas? arapucas comerciais, sínteses ou engana-trouxas? Observem como elas levam sempre a assinatura de um sem-vergonha... de um poeta ou de um bacharel em qualquer coisa...

Anões? O que nos deve contar sobre eles neste Inventário de cretinices que cada um de nós já não saiba à exaustão? O prazer de jogar pérolas aos porcos? Claro que, para ele, os porcos somos nós! Sempre nos fala de desgraças! De onde lhe surgem essas macabras inspirações? Será um dos nossos ou um intruso que veio para confundir-nos? Para fazer-nos ferver o sangue? E baixar a crista?

Bem que os livreiros escondem seus livros! E que na sua presença os editores se mostram exaustos... Mas ainda respira. É necessário colocar-lhe um freio nas ventas, pregos novos nas ferraduras... um dedo no nariz...

No passado se apoiou em Samuel Rawet, em João do Rio, em Vargas Vila... agora não para de citar e de mencionar Albino Forjaz de Sampaio e Fialho d’Almeida... O que nos deixa cientes de que não tem amor pela humanidade. De que não ama ao próximo como a si mesmo... e de que muito provavelmente seja ateu. Que destino trágico para a pátria, para a espécie e para a suposta literatura!" Ezio Flavio Bazzo em seu novo livro Inventário de Cretinices

sábado, 16 de agosto de 2014

O mago que sonhava com sua máquina de escrever

Fui ver o filme sobre a vida de Paulo Coelho, Não Pare Na Pista - A melhor história de Paulo Coelho.
Na volta do cinema, na feira de legumes e frutas da capital, um feirante me contou que tem boa parte dos livros dele na estante.
Numa época em que os livros são baratos e são para todos, muita gente adoraria viver no tempo dos escribas. É o esnobismo intelectual. Não suportam a ideia de um feirante lendo.
Observo a forma como as pessoas criticam Paulo Coelho, sem nunca terem lido
um de seus livros. Por que essa perseguição?
Eu os li em minha adolescência.
Eu leio compulsivamente e não gosto de comparar escritores. São como o chá. Cada um tem um aroma e um sabor.
Os críticos se consideram superiores e entendidos.
Os invejosos, os ressentidos, fazem desses escritores fantásticos, alvos eternos.
Não pare na pista, conta a vida deste fenômeno que vende milhões de livros, usando palavras simples, cristianismo, simbologia, cativando o mundo inteiro.
Hoje eu detesto esoterismo e passo longe do que cheira à mística ou religião, mas amo simbolismos e Paulo Coelho sempre foi bom nisso.
Estudando artigos sobre as famosas acusações de plágios, francamente, não formei opinião. Nem me interessa formar nada. Tenho pavor de posições.
Sou mais da reflexão de Ezio Flavio Bazzo que diz "É importante lembrar e
tomar consciência de que, principalmente no chamado mundo artístico, onde todo mundo vive persecutoriamente se acusando de plágio, de cleptomania e de roubo de idéias, quase
nada é de autoria originária e legítima de alguém. Todos se nutrem dos mais variados furtos
intelectualóides, cuja propriedade e cujos direitos autorais, se fosse o caso, quase sempre
pertenceriam a remotos e esquecidos cadáveres."
O encontro dos dois malucos foi o ponto alto do filme. Não sou muito de ouvir Raul Seixas, mas as melhores canções vem de suas parcerias com Paulo Coelho. O que amei mesmo foi ter visto Paulo Coelho adolescente, sonhando como todos os escritores, desejando sua primeira máquina de escrever.

Para ler mais sobre plágio aqui vai a dica:
http://eziobazzo.blogspot.com.br/2009/01/psicopatologia-do-plgio.html

quinta-feira, 9 de maio de 2013

'Toaletes e Guilhotinas - Uma epistemologia da merda e da vingança'

"...vou me dando conta de como é impressionante o estágio de indiferença em que nos encontramos. Como é possível viver no meio de uma chacina e de um genocídio animal desses sem desesperar-se? Frangos, porcos, vacas, peixes, patos, rãs, camarões, coelhos, faisões, ovelhas, nenhuma espécie escapa à fome sanguinária dos homens, desses barrigudos inúteis que saem dos restaurantes de Montmartre palitando os dentes e arrotando. ..." Trecho do livro 'Toaletes e Guilhotinas - Uma epistemologia da merda e da vingança' de Ezio Flavio Bazzo


Para outros livros http://ezioflaviobazzo.mercadoshops.com.br/
Para artigos incríveis do autor http://eziobazzo.blogspot.com.br/

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A amizade dos escritores é eterna

Adoro esta frase, pois admiro aqueles que conseguem ser amigos de verdade, aqueles que o tempo torna salgados, como dizia Baltasar Gracián, autor da frase acima.

Minha amiga e escritora, Maria Helena Sleutjes mandou-me uma caixinha com livros, revistas, coisas fofas, sabonetes, e um caderninho de anotações (estava mesmo precisando)... E já está bem usado com poemas, anotações, número de telefones importantes e outros...
O seu novo livro, Exercício de Olhar, tem o prefácio escrito por Ezio Flavio Bazzo, escritor que sou fã! É um livro de poesias maravilhoso. O convite para a noite de autógrafos ela fez com uma foto minha, olhem como ficou bonita!

Obrigada Maria Helena, por usar minha foto, por mandar essas coisas lindas, por ser uma amiga eterna...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A poesia de um livro que merece ser lido todos os dias

Peguei ao acaso um livro na estante e abri ao acaso. A frase que li dizia: "Só se devem ler os livros que merecem ser lidos todos os dias"

Este livro chama-se Elogio do Crápula e é uma obra antiga do escritor Ezio Flavio Bazzo, de 1977.
É curiosamente um livro de poemas, mas com muita prosa de boa qualidade.
O livro foi escrito  na época em que seu gato morreu.
Um livro para levantar o ânimo, se é que este caiu, ou para ser degustado como algo gostoso de se ler.
Estava aqui. Veio com as compras, acho que ganhei do escritor, ou comprei pelo seu site.
Abaixo transcrevo um poema, mas o livro deve ser lido inteiro, pois cada página é uma surpresa e um conteúdo novo.


"a ironia pressupõe uma formação intelectual inteiramente específica, muito rara em cada geração" Soeren Kierkegaard

a noite desfalece em cultivo aos falecidos
na harmonia das estrêlas que mussitam
um mantra inspirado no peyote mexicano!
espreito pela janela aberta
o ar viciado que desemboca
justamente na boca vazia
do Zé da esquina
que reza para viver até a próxima inflação...
hoje é um chiado de vozes
amanhã será um chiado de consciência
(graças a transmutação universal)
pensei:
estou competindo em vida
com samambaias de charco
e tenho remorsos pela morte brusca
de meu gato...
seus dois olhos azuis
a Catia que projetava afeto
e tinha dois olhos pretos
como jabuticabas...
uma nuvem imbecil cobriu-lhe a vida!
corri os olhos pelo 'despertar dos mágicos'
porque não pude ir a Bogotá
no festival bruxeiro...
vi aquilo que qualquer um vê:
o passo delicado do Senhor Mefisto
a barriga curiosa de Fausto
entrei pelado na prisão de Elena
porque sabia-a desejosa de santidade!
ora!ora!
como poderia eu contemporizar
um velhote como Goethe...
secular comedor de carne?
não
a vida não tem mais delírios a inventar
nada mais justifica as ilusões.
adeus as ilusões!
mulheres
viagens
terapias cósmicas
caminhadas saáricas...
tudo a-energético
aceno e monista.
os risos e as tensões não são coisas da face
mas sim da mente
é necessário saber quando
onde
e para quem!

londrina 1976

foto:fac.unb.br

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Saramago enche a vida de poesia!

José Saramago apareceu em minha vida em um sonho. Sério. Eu sonhei com o nome dele em um jornal. Ao acordar, perguntei à minha amiga quem era o tal nome. E a partir daí tornei-me leitora, amiga de seus livros, admiradora de sua obra.
Ele é daqueles escritores que não te deixam respirar até o próximo ponto final. Geralmente quando chegamos ao ponto, temos que parar para assimilar a genialidade do que foi dito.

Já li vários livros dele. O primeiro que li, A caverna, não o li até o final, pois ainda não estava acostumada com seu português-português, se é que me entendem.
Ele publica seus livros em português de Portugal e pede que as editoras mantenham assim.
Dessa forma é muito mais emocionante entrar no mundo de suas histórias profundas e bonitas. Extremamente locais e universais, ao mesmo tempo.

O segundo livro que li, Memorial do convento, é uma obra prima de sensibilidade. Os personagens estão ainda dentro de mim como seres que depois de descobertos ficam para sempre na memória. Blimunda e Sete Sóis, a capacidade de captar o que há dentro de cada um. A passarola e outras histórias dentro da história.

O Ensaio sobre a cegueira foi lido numa sexta-feira à noite. Só quem leu sabe. Ainda não vi o filme.

Outros livros dele passaram por mim. Como História do cerco de Lisboa, que são duas histórias em uma, contadas ao mesmo tempo. Todos os nomes, e outros. Pretendo ler toda sua obra, pois é garantia de mergulho em águas profundas.

Ganhei de presente do meu marido, o que é considerado um dos melhores livros dele.
O evangelho segundo Jesus Cristo.
Já comecei a leitura. Sempre tive curiosidade para saber como Saramago escreveria este livro. E agora ele está em minhas mãos.
Já tive que ouvir (de pessoal da área de Letras) gente que não gosta de Saramago. Pois minha opinião sobre isso (com base nas pessoas que me disseram isso) é que a pessoa não leu de verdade o autor, não entendeu o que leu, ou tem preconceito pelo fato de ele ser ateu.

Saramago deve ser lido com atenção, pois seu estilo de escrita não é convencional. Há detalhes que vão sendo construídos ao longo da leitura, então o gaiato que lê uma página ou a aba do livro, vai achar péssimo.
E também há um rico diálogo com o leitor. Ele escreve várias histórias em uma, personagens que fazem chorar de tão humanos. Reflexões bombásticas em meio a sutilezas.
Sugestão de leitura imperdível.
Ellen Augusta

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Dicas para saber quando (apesar do teatro) uma sociedade está condenada - Do site de Ezio Flávio Bazzo

Dicas para saber quando (apesar do teatro) uma sociedade está condenada...

Postado por Ezio Flavio Bazzo em seu site http://eziobazzo.blogspot.com.br/

Intrigado, por um lado, com todo o cinismo, a roubalheira, o descaramento, a prostituição das palavras, a monarquização da república, as cumplicidades veladas, as apropriações secretas e indevidas, as vis conciliações, as astúcias partidárias, a bandidagem, a velhacaria e a trapaça política, a lengalenga dos idiotas que se consideram acima do bem e do mal... e por outro, com a passividade social, com a complacência das massas, dos pobres, fodidos e humilhados, dos classe semi média, explorados, de joelhos, pisoteados, tratados como dementes e - paradoxalmente - loucos pelo amor e pelo reconhecimento dos mafiosos... um correspondente enviou-me este pensamento da filósofa Ayn Rand:
“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.
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