Artigo de Ezio Flavio Bazzo
É uma pena não poder ouvir a opinião dos Beagles a respeito de toda a pantomima que se está armando ao redor e sobre eles. Devem estar apavorados com tanta demência e com tanta loucura que testemunharam tanto lá no interior do famoso laboratório como aqui fora...
A tragédia histórica dos cães foi terem caído na lábia dos humanos e terem se convertido passivamente à vida doméstica. Na realidade, nunca foram muito bem quistos. Quem é que não lembra que na Idade Média quando se queria punir ou humilhar alguém se o obrigava a andar com um cão às costas pelas ruas? Ou então, que para agravar a desonra e o castigo de um condenado se costumava enforcar um cão no mesmo patíbulo?
E a mistificação dos laboratórios? Observem como os que condenam a "libertação" dos cães querem dar ao laboratório em questão uma importância que ele não tem. Perdeu-se uma década de pesquisas! Cacarejam em estribilho empoleirados nas cercas do canil pátrio! E mais, sobre o câncer! Câncer! O câncer foi transformado num sinônimo cristão de demônio, de satanás, de Belzebu! Pesquisar as causas do câncer tornou-se uma espécie de missão sagrada e, claro, a chave para todos os tipos de verbas públicas.
Ora, o país está infestado de "laboratórios de pesquisa" e, principalmente depois que se descobriu o caminho das pedras que conduz a milionários financiamentos. Com um avental branco e uma aura de sacerdote se pode passar um século brincando com microscópios e "pesquisando" sem agregar nada a nada e mesmo assim manter-se no topo das prioridades científicas nacionais. Descobriram o quê, afinal? Desvendaram o quê de verdadeiramente relevante (de verdadeiramente relevante!) nos últimos cinquenta anos, sem contar com.., por exemplo, as variações de pasta de dentes, com os "complementos alimentares" e com as novidades no mundo dos shampoos? Todo mundo sabe que os milhares de medicamentos amontoados nas farmácias poderiam ser reduzidos a uns trinta ou quarenta sem prejuízo algum para a espécie. Mas... mas... e fazer o quê com a máfia das nacionais e das multinacionais? E a ignorância da turba? Mas e os placebos? E a mitologia das doenças? E a mitologia da saúde? E os fabricantes de angústia? E a hipocondria generalizada? E a arte de anomalizar o corpo! E as chantagens administradas através dos medicamentos?
Ora, é necessário pensar! O cérebro não foi feito apenas para ser protegido por um solidéu ou por um boné! E depois, é até cômico saber que inclusive o fermento Royal do pão que estou ruminando neste momento, já era conhecido pela avó de Sófocles. Que a aspirina já era usada pelos beduínos, que os fumadores de ópio da Birmânia já conheciam a anestesia, que os remédios para pressão eram colhidos nos jardins de Epicuro, que os povos primitivos faziam correções de miopia com estiletes de bambu e que os efeitos do viagra já eram muito bem conhecidos pelos apreciadores das raízes da Mandrágora...
Enfim: Pois é, prá quê?
Ouça em completo com a bela música em:
http://eziobazzo.blogspot.com.br/2013/10/e-se-os-beagles-falassem.html
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terça-feira, 29 de outubro de 2013
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Dicas para saber quando (apesar do teatro) uma sociedade está condenada - Do site de Ezio Flávio Bazzo
Postado por Ezio Flavio Bazzo em seu site http://eziobazzo.blogspot.com.br/
Intrigado, por um lado, com todo o cinismo, a roubalheira, o descaramento, a prostituição das palavras, a monarquização da república, as cumplicidades veladas, as apropriações secretas e indevidas, as vis conciliações, as astúcias partidárias, a bandidagem, a velhacaria e a trapaça política, a lengalenga dos idiotas que se consideram acima do bem e do mal... e por outro, com a passividade social, com a complacência das massas, dos pobres, fodidos e humilhados, dos classe semi média, explorados, de joelhos, pisoteados, tratados como dementes e - paradoxalmente - loucos pelo amor e pelo reconhecimento dos mafiosos... um correspondente enviou-me este pensamento da filósofa Ayn Rand:
“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.
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