Bazzo é meu escritor preferido! Ele é minha influência direta, é óbvio para quem lê qualquer texto meu. Eu adoro seus livros, tenho todos, ou quase todos, aqui na estante. São indescritíveis, suas notas de rodapé ocupam às vezes meia página, são ricos em detalhes, geniais em cada linha, suas referências são aprendizados para mim. Suas críticas, suas palavras afiadas, apontadas para todos os lados e para si mesmo, a liberdade total com relação a tudo e todos.
O libertário, panfletário, o livre pensar, o encantador e poético, o viajante, o erótico, o desbocado, tudo em um só livro e em todos os livros. Quando o conheci, não achava seus livros em lugar algum, suas publicações eram independentes, ele era um escritor underground, desconhecido por aqui, e eu sempre fiz questão de levá-lo comigo onde quer que eu fui, o escritor, a ideia, as citações, divulgar ao máximo o que ele tem a dizer.
Todos os seus livros e publicações podem ser conferidas aqui http://eziobazzo.blogspot.com.br/ e ontem tive a honra de ser convidada para o lançamento de seu último livro, Inventário de Cretinices. Abaixo está um pedacinho do livro, que terei em breve na minha estante, com muito orgulho.
"Voltar a escrever um livro ainda dá, mas uma orelha...
Isto é sempre deprimente e terrível. É por aqui que o leitor (esse ser
híbrido, bizarro e de outro mundo) começa a julgar-nos... e a
amaldiçoar-nos.
O que esse bosta pensa que é? e o que está querendo dizer-nos? Já li as mesmas presunções no seu livro anterior! Nos acha uma cambada de dementes? E se estiver certo?!
Pensa que nos nutrimos apenas de estupidez? Que somos ocos, um poço de
aleivosia e que, além de tripas, não levamos mais nada em nosso
interior? Que eticamente estamos todos liquidados, sem exceção? Ou pensa
que está numa romaria de cegos? E se estiver certo?!
E vejam
como sempre quer se disfarçar com os roupões da modéstia! Como finge ser
mais humilde do que os cães que estão nas gaiolas dos pets à espera de
alguém que os adote... ao mesmo tempo em que escreve como se estivesse
açoitando, como se quisesse ser considerado o sol negro dos trópicos!
Que ardil canino e de bordel o desse sujeito! e que indignidade para um
homem com mais de 40 anos! E dizem que já tem 64!
Desde quando,
afinal, se inventou esse costume vulgar de escrever estas ditas orelhas
nos livros? São resenhas? iscas? arapucas comerciais, sínteses ou
engana-trouxas? Observem como elas levam sempre a assinatura de um
sem-vergonha... de um poeta ou de um bacharel em qualquer coisa...
Anões? O que nos deve contar sobre eles neste Inventário de cretinices
que cada um de nós já não saiba à exaustão? O prazer de jogar pérolas
aos porcos? Claro que, para ele, os porcos somos nós! Sempre nos fala de
desgraças! De onde lhe surgem essas macabras inspirações? Será um dos
nossos ou um intruso que veio para confundir-nos? Para fazer-nos ferver o
sangue? E baixar a crista?
Bem que os livreiros escondem seus
livros! E que na sua presença os editores se mostram exaustos... Mas
ainda respira. É necessário colocar-lhe um freio nas ventas, pregos
novos nas ferraduras... um dedo no nariz...
No passado se
apoiou em Samuel Rawet, em João do Rio, em Vargas Vila... agora não para
de citar e de mencionar Albino Forjaz de Sampaio e Fialho d’Almeida... O
que nos deixa cientes de que não tem amor pela humanidade. De que não
ama ao próximo como a si mesmo... e de que muito provavelmente seja
ateu. Que destino trágico para a pátria, para a espécie e para a suposta
literatura!" Ezio Flavio Bazzo em seu novo livro Inventário de Cretinices
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sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Lançamento do livro Inventário de Cretinices, de Ezio Flavio Bazzo
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quarta-feira, 15 de agosto de 2012
A poesia de um livro que merece ser lido todos os dias
Peguei ao acaso um livro na estante e abri ao acaso. A frase que li dizia: "Só se devem ler os livros que merecem ser lidos todos os dias"
Este livro chama-se Elogio do Crápula e é uma obra antiga do escritor Ezio Flavio Bazzo, de 1977.
É curiosamente um livro de poemas, mas com muita prosa de boa qualidade.
O livro foi escrito na época em que seu gato morreu.
Um livro para levantar o ânimo, se é que este caiu, ou para ser degustado como algo gostoso de se ler.
Estava aqui. Veio com as compras, acho que ganhei do escritor, ou comprei pelo seu site.
Abaixo transcrevo um poema, mas o livro deve ser lido inteiro, pois cada página é uma surpresa e um conteúdo novo.
"a ironia pressupõe uma formação intelectual inteiramente específica, muito rara em cada geração" Soeren Kierkegaard
a noite desfalece em cultivo aos falecidos
na harmonia das estrêlas que mussitam
um mantra inspirado no peyote mexicano!
espreito pela janela aberta
o ar viciado que desemboca
justamente na boca vazia
do Zé da esquina
que reza para viver até a próxima inflação...
hoje é um chiado de vozes
amanhã será um chiado de consciência
(graças a transmutação universal)
pensei:
estou competindo em vida
com samambaias de charco
e tenho remorsos pela morte brusca
de meu gato...
seus dois olhos azuis
a Catia que projetava afeto
e tinha dois olhos pretos
como jabuticabas...
uma nuvem imbecil cobriu-lhe a vida!
corri os olhos pelo 'despertar dos mágicos'
porque não pude ir a Bogotá
no festival bruxeiro...
vi aquilo que qualquer um vê:
o passo delicado do Senhor Mefisto
a barriga curiosa de Fausto
entrei pelado na prisão de Elena
porque sabia-a desejosa de santidade!
ora!ora!
como poderia eu contemporizar
um velhote como Goethe...
secular comedor de carne?
não
a vida não tem mais delírios a inventar
nada mais justifica as ilusões.
adeus as ilusões!
mulheres
viagens
terapias cósmicas
caminhadas saáricas...
tudo a-energético
aceno e monista.
os risos e as tensões não são coisas da face
mas sim da mente
é necessário saber quando
onde
e para quem!
londrina 1976
foto:fac.unb.br
Este livro chama-se Elogio do Crápula e é uma obra antiga do escritor Ezio Flavio Bazzo, de 1977.
É curiosamente um livro de poemas, mas com muita prosa de boa qualidade.
O livro foi escrito na época em que seu gato morreu.
Um livro para levantar o ânimo, se é que este caiu, ou para ser degustado como algo gostoso de se ler.
Estava aqui. Veio com as compras, acho que ganhei do escritor, ou comprei pelo seu site.
Abaixo transcrevo um poema, mas o livro deve ser lido inteiro, pois cada página é uma surpresa e um conteúdo novo.
"a ironia pressupõe uma formação intelectual inteiramente específica, muito rara em cada geração" Soeren Kierkegaard
a noite desfalece em cultivo aos falecidos
na harmonia das estrêlas que mussitam
um mantra inspirado no peyote mexicano!
espreito pela janela aberta
o ar viciado que desemboca
justamente na boca vazia
do Zé da esquina
que reza para viver até a próxima inflação...
hoje é um chiado de vozes
amanhã será um chiado de consciência
(graças a transmutação universal)
pensei:
estou competindo em vida
com samambaias de charco
e tenho remorsos pela morte brusca
de meu gato...
seus dois olhos azuis
a Catia que projetava afeto
e tinha dois olhos pretos
como jabuticabas...
uma nuvem imbecil cobriu-lhe a vida!
corri os olhos pelo 'despertar dos mágicos'
porque não pude ir a Bogotá
no festival bruxeiro...
vi aquilo que qualquer um vê:
o passo delicado do Senhor Mefisto
a barriga curiosa de Fausto
entrei pelado na prisão de Elena
porque sabia-a desejosa de santidade!
ora!ora!
como poderia eu contemporizar
um velhote como Goethe...
secular comedor de carne?
não
a vida não tem mais delírios a inventar
nada mais justifica as ilusões.
adeus as ilusões!
mulheres
viagens
terapias cósmicas
caminhadas saáricas...
tudo a-energético
aceno e monista.
os risos e as tensões não são coisas da face
mas sim da mente
é necessário saber quando
onde
e para quem!
londrina 1976
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