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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Eu gosto de homem

A frase acima é perigosa, é como uma faca de dois gumes. Ela atrai um monte de tarados. Os homens irão entrar neste blog achando que sou uma mulher solteira interessada em sexo. E, há uma onda de mulheres que atacam os homens e acham que não pode falar de macho ou pior, deve odiar, e se afastar dessa classe.
Lá do blog do meu escritor preferido: http://eziobazzo.blogspot.com.br/2015/08/passeatas-na-europa-ou-o-odio-das.html
Também há os maliciosos. Esses dispensam qualquer explicação.
Esses dias, alguém publicou um meme no Facebook dizendo que faz muito bem para uma mulher não ficar falando muito em homem. Por quê? 
Por que não assumir que uma mulher gosta de homem, se ela por acaso adora? Se ela pensa vinte e quatro horas nisso e quer falar? Ou se ela pensa naquele momento e quer dizer? Livre nós somos não? Liberação feminina, Oi?
Em tempos de se sair do armário para se assumir como lésbicas como gays, em tempos de você assumir sua religião, ok.

Mas para algumas coisas você leva sete pedras, não é mesmo?
Se você diz que é ateu, tem gente torcendo o nariz.
Se você diz que não quer ter filhos, sempre tem uma mulherzinha com invejinha porque você tem seu ventre livre.
Você mãe é livre, tem seu filho ponto. Eu sou livre para ter minha vida, ok.
Mas não. 

Ninguém aceita a liberdade do outro.

Por que não deixa a mulher amar homem, se esfregar em todos os caras que ela quiser. 
O machismo não passa por aí. O machismo é uma submissão ensinada, reforçada pelos homens da sociedade, pelas mães e professores na escola, não tem a ver com gostar de sexo e gostar do masculino. 

Sou feminista e gosto de homem. Poderia ser lésbica e não ter nada contra os homens, ser amiga deles, assim pensam também muitas feministas, como tenho constatado.  Pois a interação entre os sexos é uma coisa natural, envolve amizade e outros sentimentos saudáveis. Envolve paixão, sedução. E, sedução, para os inteligentes, nem sempre tem a ver com sexo.

Só acho idiota essa coisa de: "Ai tenho mais amigos homi do que mulheres". Isso sim é coisa de mulherzinha. Amizade não tem sexo. É universal. Não percebem que separar por sexo é preconceito??
Há muito tempo quero falar sobre isso. É constrangedor quando me colocam em grupos feministas e as primeiras regras é: não fiquem defendendo homem, não fiquem falando de homem, etc.
Então, me sinto tolhida, pois de tantas contribuições que tenho a fazer, muitas delas são do mundo masculino que, me perdoem, adoro.
Muitas referências, literatura, contribuições, publicações em conjunto, inclusive.

E quem acompanha meu blog e minhas publicações já sabe. Eu defendo mulher, óbvio. Mas tenho influências literárias de muito homem, macharedo mesmo. 
A literatura está cheia de nomes maravilhosos. Acho mesquinho essa ideia de sectarizar.
E tem muito macho que defende mulher! Ou que critica, mas... e daí ouvir uma crítica que não seja do nosso gueto ou umbigo? 
Esses tempos uma mulher me disse: "Ah mas esse material é fake pois provavelmente foi feito por um homem". Só que o conteúdo era ótimo. E aí, vamos matar o mensageiro, mesmo sendo um material de qualidade e útil para as mulheres?

Não posso ficar eternamente catando milho e publicando só o que as pessoas consideram certinho e bonitinho até porque eu sou desobediente e mais, odeio essa mania de colocar o x nas letras onde definem o  masculino e feminino nas palavras. Já escrevi sobre isso aqui no blog: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/11/gordofobia-e-magrofobia-quando-as.html

O preconceito está entranhado na cabeça e não na ponta dos dedos. 

Também ninguém é obrigada a gostar. Eu entendo perfeitamente a mulher que odeia homem e sou solidária pois bem sei o que é. O fato de eu ter minha opinião não me impede de refletir o outro lado. 
E não me venha com papo esquerdóide "Ai tu não pode falar porque____ lugar de fala, etc"  Posso falar sim pois tu não sabe da minha vida particular! Teria sim todo o motivo do mundo para odiar os homens e até matá-los, mas não.
Eu não gosto de todos os homens. Assim como também não gosto de todas as mulheres. Só me atrai algumas pessoas. As melhores.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Lançamento do livro Inventário de Cretinices, de Ezio Flavio Bazzo

Bazzo é meu escritor preferido! Ele é minha influência direta, é óbvio para quem lê qualquer texto meu. Eu adoro seus livros, tenho todos, ou quase todos, aqui na estante. São indescritíveis, suas notas de rodapé ocupam às vezes meia página, são ricos em detalhes, geniais em cada linha, suas referências são aprendizados para mim. Suas críticas, suas palavras afiadas, apontadas para todos os lados e para si mesmo, a liberdade total com relação a tudo e todos.
O libertário, panfletário, o livre pensar, o encantador e poético, o viajante, o erótico, o desbocado, tudo em um só livro e em todos os livros. Quando o conheci, não achava seus livros em lugar algum, suas publicações eram independentes, ele era um escritor underground, desconhecido por aqui, e eu sempre fiz questão de levá-lo comigo onde quer que eu fui, o escritor, a ideia, as citações, divulgar ao máximo o que ele tem a dizer.
Todos os seus livros e publicações podem ser conferidas aqui http://eziobazzo.blogspot.com.br/ e ontem tive a honra de ser convidada para o lançamento de seu último livro, Inventário de Cretinices. Abaixo está um pedacinho do livro, que terei em breve na minha estante, com muito orgulho.
"Voltar a escrever um livro ainda dá, mas uma orelha... Isto é sempre deprimente e terrível. É por aqui que o leitor (esse ser híbrido, bizarro e de outro mundo) começa a julgar-nos... e a amaldiçoar-nos.

O que esse bosta pensa que é? e o que está querendo dizer-nos? Já li as mesmas presunções no seu livro anterior! Nos acha uma cambada de dementes? E se estiver certo?!

Pensa que nos nutrimos apenas de estupidez? Que somos ocos, um poço de aleivosia e que, além de tripas, não levamos mais nada em nosso interior? Que eticamente estamos todos liquidados, sem exceção? Ou pensa que está numa romaria de cegos? E se estiver certo?!

E vejam como sempre quer se disfarçar com os roupões da modéstia! Como finge ser mais humilde do que os cães que estão nas gaiolas dos pets à espera de alguém que os adote... ao mesmo tempo em que escreve como se estivesse açoitando, como se quisesse ser considerado o sol negro dos trópicos! Que ardil canino e de bordel o desse sujeito! e que indignidade para um homem com mais de 40 anos! E dizem que já tem 64!

Desde quando, afinal, se inventou esse costume vulgar de escrever estas ditas orelhas nos livros? São resenhas? iscas? arapucas comerciais, sínteses ou engana-trouxas? Observem como elas levam sempre a assinatura de um sem-vergonha... de um poeta ou de um bacharel em qualquer coisa...

Anões? O que nos deve contar sobre eles neste Inventário de cretinices que cada um de nós já não saiba à exaustão? O prazer de jogar pérolas aos porcos? Claro que, para ele, os porcos somos nós! Sempre nos fala de desgraças! De onde lhe surgem essas macabras inspirações? Será um dos nossos ou um intruso que veio para confundir-nos? Para fazer-nos ferver o sangue? E baixar a crista?

Bem que os livreiros escondem seus livros! E que na sua presença os editores se mostram exaustos... Mas ainda respira. É necessário colocar-lhe um freio nas ventas, pregos novos nas ferraduras... um dedo no nariz...

No passado se apoiou em Samuel Rawet, em João do Rio, em Vargas Vila... agora não para de citar e de mencionar Albino Forjaz de Sampaio e Fialho d’Almeida... O que nos deixa cientes de que não tem amor pela humanidade. De que não ama ao próximo como a si mesmo... e de que muito provavelmente seja ateu. Que destino trágico para a pátria, para a espécie e para a suposta literatura!" Ezio Flavio Bazzo em seu novo livro Inventário de Cretinices

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Desa-bafo sobre o álcool

Eu parei de beber. Mas não está sendo fácil.

A ideia de mudar, saber dizer não, lidar com a intolerância ou com a surpresa das pessoas é um conflito.
Para qualquer coisa, drogas ilícitas, dieta ou cigarro, você recebe todo o apoio da sociedade. Mas quando se trata do álcool as pessoas relativizam: "mas para quê parar se não te faz mal?".
O motivo para eu não querer mais beber: nenhum. Ou seja, parei de beber por que quis.
Não foi por religião, não foi por ser vegana (embora muitas bebidas não sejam veganas) e não foi por tomar remédios nem por dieta. Não foi por que era amargo ou por que doía.
Foi por puro querer.
Quando você fala que não bebe, as pessoas acham que algo está errado com você.
Já me perguntaram se eu fui alcoólatra. Se você não 'tem um problema' você fica meio sozinho. Ninguém te dá apoio para parar de beber.
O que me motiva a querer parar de beber foram questões políticas e libertárias.
Meu marido nunca bebeu. Eu admiro sua atitude. Passar pela vida, por todas as pessoas que te oferecem bebida, sobretudo na adolescência, ter atitude, ter integridade e a simplicidade de simplesmente dizer não.
Isso é liberdade. E o vício é um condicionante, apenas isso.
O vinho tem um sabor gostoso, não vou dizer aqui o contrário pois não sou cínica. Há aquela ideia de que é unanimidade que a bebida seja gostosa e que todos gostem de beber. Mas conheço quem não goste do gosto nem suporte o cheiro.


Beber é super aceito na sociedade. E faz parte das engrenagens do sistema, é um dos truques, para manter as mentes presas e ainda faz as pessoas pensarem que estão sendo criativas e livres.
Quem teve a ideia de considerar o vinho um alimento aqui no Rio Grande do Sul foi um deputado, através de uma lei. Simples e fácil.
É sabido as propriedades medicinais da uva, jabuticaba e outras frutas roxas e escuras, mas a uva ganhou o status por causa do vinho. Os fermentados em geral (Kefir de água, por exemplo) possuem efeitos positivos para a saúde, não só o vinho. E essa história de vinho x saúde é baseada, entre outros estudos, em testes em animais, e com o aval de políticos e entidades produtoras de vinhos. Ok, mas isso interessa para quem quer beber, não para mim. Não me interessa essa coisa de beber com moderação.
Nem falei aqui das outras bebidas e das propagandas machistas, etc... a lista é longa.

O que mais me chocou foi ver uma senadora falar descaradamente contra uma proposta de lei que restringe a propaganda de álcool como já é feito com o cigarro.
O álcool causa acidentes de trânsito, mortes, violência contra a mulher, crianças, homens, animais, exploração do trabalho, poluição. E ainda deixa marcas no organismo. Nenhum médico se arrisca a endossar o consumo de álcool.

Na adolescência conheci por fanzine um pessoal do chamado movimento Straight Edge associado ao Punk.
O movimento defende a total e perene abstinência em relação a entorpecentes (tabaco, álcool e as chamadas drogas ilícitas). Além disso muitos deles são veganos. O princípio punk que amo e sigo - Faça Você Mesmo - gritado, cantado e seguido pelo meu ídolo Renato Russo, está presente neste estilo. Que admiro muito.
Lembrando: não pertenço a nada. Admiro muitas coisas de diversos movimentos.
Se o consumo de álcool e tabaco já considero o cartão ponto para ser um robozinho do sistema, as outras drogas então, nem se fala.
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