Quando nasce de dentro essa sensação.
O imago ressurge do espaço nuvem do meu espírito
um companheiro cruel, que nunca me deixou,
trazendo o mal estar da saudade tão sofrida, de lembranças doloridas.
Lembrar é igual a viver
o sentimento sonhado é igual ao deixado, ao perdido,
feito farrapo por mãos iludidas,
por palavras alternadas entre o pensar e o falar, negar e permitir.
Sonhar é como morrer
E eu, que já estou morta, estou farta de sonhos,
mórbidos, em que o passado,
vem, vem, como um fantasma,
assombra-me de novo e sempre....
o anjo denso como um esqueleto
que carrego fechado dentro de mim.
Este, que já não está, não vive na casa da minha mente, não existe....
só viveu no passado, só existiu na trégua da dor,
só atormenta meu ser, quando preciso sofrer...
Mas há, há algo de sua névoa, que sempre aparece,
e quando dói, é como qualquer coisa que crava a pele,
é como se rasgasse uma mortalha
com a sombra da vida.
Ellen Augusta
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domingo, 3 de janeiro de 2016
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Das mil vidas escoadas como flores em lençóis escuros
Há lá dentro do ser, incompleto por si mesmo,
um esqueleto, o imago, um ser espelhado.
Idealizado em estado de um brilho que voa,
mas permanece enraizado.
Ao passo que ainda há outro esqueleto venerável
A Santa Morte,
A Santissima Niña Blanca, que, se não está internalizada,
anda a rondar, como a poderosa, que é em si mesma.
O poema impronunciável, não pode ser nem mesmo recitado, pois suas palavras
embargam a voz.
Ele é mesmo um retrato. De tantos, de tudo, de cegos e de visionários.
Ellen Augusta
Agora, o soneto, eu o recito sempre a poucos que conheço, mas... já não mais consigo recitar, pois começo a chorar...
Soneto XVII
Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha…
E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada…
Arde um toco de vela, amarelada…
Como o único bem que me ficou!
Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!”
Mario Quintana
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