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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Gordofobia e magrofobia - quando as palavras segregam

A solidariedade bate em um muro chamado dicionário.
Quando você sofre preconceito e quer ser solidária com outras mulheres, mas é segregada por elas, é discriminada por causa de detalhes, de ranços, teorias que saem do plano prático e beiram ao delírio. Para mim chega. Esses dias eu li numa postagem de alguém que magrofobia não existe. Abaixo os comentários eram debochados, perversos. Pensei: "Ih, acho que entrei no Clube da Luluzinha errado. Aqui é para gordas, eu não posso falar".

No post Eu também sou gorda, que você pode ler aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2013/10/eu-tambem-sou-gorda.html eu escrevo sobre o que passei na adolescência, e sobre como me identifico com o problema que muitas meninas passam hoje, a discriminação. Pelo visto, nada mudou. Continuo sendo a magra, discriminada. Não tenho direito de abrir minha boca. Parece que magra não pode falar.
Nesta outra postagem, falo sobre as dietas: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/08/gordofofia-se-combate-com-sabedoria.html
Sobre os problemas com a baixa auto estima, que não é exclusividade só de alguns tipos físicos escolhidos por deus, você pode ler aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/06/alta-e-baixa-estima.html.
Quando um segmento feminino toma para si os problemas do mundo e acha que ninguém mais tem o direito de tê-los, a coisa torna-se complicada.
Só as gordas sofrem? Homem não pode ter o direito de se aliar às mulheres? Ou seja, o 'inimigo' deverá ser eternamente o inimigo. As magras, estão condenadas a serem as 'eleitas', mesmo sofrendo em silêncio.

Quem nunca leu um livro feminista não sabe que não é bem assim. Naomi Wolf, antes de inventarem o Facebook, já incluía as magras no sistema de exploração da beleza.
Eu estou, no momento, lendo só as feministas veganas. Não acredito em tudo o que vejo, nem em tudo o que está escrito.
Já conheci feminista com preconceito contra as travestis! Que idiota. Minorias contra minorias...

Magrofobia, gordofobia e outros termos (recentes) do gênero: 
Algumas feministas dizem que não existe o termo magrofobia. Talvez não exista porque alguém chegou [antes] e deu um nome para algo mais evidente dentro da sociedade de consumo atual, que valoriza a magra bonita, mas não a magra feia e, para o resto, deu o nome de bullying.
Então você ignora que exista magrofobia? O que dizer então sobre o bullying contra crianças magras por exemplo, que foi o que eu sofri a infância inteira e adolescência? Vamos fingir que isso não existiu e não existe mais, só por que sua dor é mais importante?
Na escola, muitas formas de discriminação são praticadas hoje, contra meninas gordas e magras. Palavras novas, como tais, ainda precisam ser pensadas. Vamos deixar os meninos de lado? A infância precisa ser dividida?
Na minha época, havia preconceito na escola contra as magras, pois o padrão de beleza era ligeiramente diferente. Existia sim, o culto à beleza 'magra' em alguns setores sociais, mas existia um culto à beleza curvilínea. As 'secas' como eu, eram ridicularizadas. Eu era uma criança, e já sofria isso.
E, se um segmento não quer compartilhar a dor com ninguém, algo está errado.
E aí parece que a 'magra' precisa ser excluída, o 'homem' precisa ser execrado.
Puxa, eu sei bem o que sofri, quis ser solidária com uma feminista que estava escrevendo sobre o fato de ser gorda, mas não fui 'aceita'. Pois parece que não existe sofrimento no mundo das magras.
Que torpe isso.
É por essa razão que a mulher continua sendo dividida para ser explorada, assim como toda a mercadoria a ser manipulada pelo sistema que os 'libertários' querem combater com "palavras", "termos", mas não com união e sabedoria.

Eu não pertenço a nada - o título feminista ali em cima do blog é para provocar algumas feministas que sempre me olham na rua de cima a baixo, e ficam procurando na minha roupa, cabelo e corpo, algo para me enquadrar, e também para provocar o povo de direita que fica puto da vida com minhas ideias -

Quando assisto de longe essa situação, essas mulheres cumprindo estereótipos, brigando entre si, e me corrigindo toda a vez que eu vou falar algo, desabafar, ser solidária, manifestar meu feminismo natural e justo, eu vejo, nitidamente, como nos tempos de colégio, os velhos grupos de meninas divididos entre si.
As gordas contra as magras, brigando por causa de meninos, por causa de comida, por causa de inveja, por causa de notas ou atenção de professores. Eu vejo apenas mudados os ambientes, mas a mesma infantilidade, nesse ar de reprovação, de negação, em que as mulheres se reprovam umas às outras.

O uso exagerado de palavras inventadas não me convence pois separam, provocam o mesmo efeito que querem combater.
Palavras novas não me convencem, quando as atitudes de segregação, ainda são as mesmas. É o velho jogo de meninas. 
Não me interessa saber sobre as origens das palavras, dos termos, pois simplesmente detesto apegos ao dicionário, polícia das palavras, vigia dos vocábulos, colocar o X ali ou acolá me parece neura ou TOC. Acho ridículo alguém ir buscar nas grades de sua cela a liberdade, e querer usar os cadeados como peças de libertação. Me cansa ver alguém mudando as palavras de lugar o tempo todo, como se isso fosse garantia de alguma liberdade, e não apenas um teatro de sua inutilidade frente a um mundo opressor, que ri de tudo isso. O dicionário, assim como qualquer tipo de controlador da linguagem ou do que quer que seja, é um objeto repressor tão forte quanto qualquer outro, e é apenas mais um, controlador!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Cara de qual carne?

Capsicum annuum var. annuum ‘Peter ‘ ( Penis Pepper) .
artigo de Ellen Augusta publicado na ANDA http://www.anda.jor.br
Minha coluna pode ser lida, com atualizações mensais, neste link: ColunaDesobediênciaVegana

Recentemente uma pessoa famosa foi vista com um casaco de pele. A pele era falsa, mas como a celebridade é alvo de fofoca, só depois foi confirmado o fato. Até então, os mesmos que espalharam o boato, não se furtaram de usar seus sapatos e artefatos de couro – que é pele sem pelos – nem deixaram de tomar leite, nem de praticar toda a extensão do mal que causam aos animais. Mas julgam-se defensores, gritam em nome de uma justiça que talvez não sejam capazes de fazer.
O que a celebridade incentivou, na verdade, foi a indústria têxtil que não utiliza peles de animais.
O que essas pessoas ‘críticas’ incentivam, é a indústria do couro e o cinismo, de que se pode comer e utilizar uns, e sacralizar outros. É muito mais nocivo usar algo de origem animal, mesmo escondido, do que usar um produto que poupe os animais. Lembrando que os curtumes de couro podem poluir até muito mais, pois é mais comum. Nas lojas, vendedoras mal informadas dizem: couro é caro. Mentira. Existem couros animais de todos os tipos, vagabundos. A carne e o couro brasileiro nem são aceitos em alguns países pela sua baixa qualidade, exploração do trabalho e poluição.
O purismo de evitar as comidas veganas que ‘lembram’ carne beira a ingenuidade, já que o sabor é independente do formato e da origem. O sabor defumado da carne, soja ou glútem, bem como embutidos, vem da fumaça, basicamente. É um método antigo e era aplicado até mesmo ao chá na China.
É preciso deixar de endeusar a carne e esse é um erro que até mesmo veganos cometem quando se recusam a comer coisas veganas, só porque se parecem com carne. Não se desapegaram, é preciso desencanar. Desprezam a criatividade dos chefs, os avanços da indústria e mercado, que criam sabores atribuídos erroneamente à carne. Ficar implicando porque algo parece ovo ou lembra o gosto de queijo é preciosismo, pois animais estão morrendo de verdade e as pessoas os comem muito mais por vício, lobby e imposição social. É um resquício da visão especista achar que livrando-se da forma, liberta-se do conteúdo.
Os alimentos práticos foram criados para o dia a dia. A salsicha, por exemplo, era feita de tripas de animais. Foi substituída por celulose vegetal. Os veganos substituem seu conteúdo por produtos vegetais. A salsicha tem praticidade semelhante à banana, uma fruta que nem precisa ser lavada e pode ser consumida em qualquer parte. O leite vegetal, o (‘milk’)-shake vegetal, o pão, tudo é prático e não queremos deixar de comê-los. Queremos deixar de explorar os animais.
Toda a alimentação vegana corresponde à alimentação que ‘lá fora’ é de origem animal. A pizza vegana, é uma versão da pizza que, comumente é feita com ingredientes de origem animal. Um cogumelo (Reino Fungi) que, botanicamente falando, não é nem do Reino Vegetal nem do Reino Animal, tem sabores que lembram carnes na maior parte das vezes. Ele é saboroso e nutritivo. Até mesmo um inocente azeite aromático que eu preparo em casa com alho e manjericão, tem gosto de linguiça! Pois a base do tempero da linguiça é praticamente a mesma.
Algumas coisas, ao contrário, eram originalmente vegetais, e foram adaptadas à culinária tradicional por misturas culturais e as pessoas nem sabem, mas se recusam a comer a versão vegana. Há sabores únicos na culinária vegana, porém, pode-se criar pratos comuns, como os que lembram as coisas da infância, trazendo para perto da filosofia vegana, muitas pessoas.
O argumento de que a carne é nojenta não coloca em dúvida o ato de comer ou não animais. Questões particulares não se aplicam ao todo. A carne e derivados de origem animal, ovos, leite, queijo, couros-peles, são símbolos de exploração, porém atribuir nojo como o único argumento para o não consumo de carne não sensibiliza quem come carne e não sente nojo algum, pois este não foi o motivo que fez a maioria das pessoas a parar de comer carne. Nem mesmo o argumento de que ela faz mal para a saúde é convincente, já que há pessoas saudáveis a consumir animais.
O incômodo para elas é de outra natureza. Há pesquisas aos montes comprovando a longevidade e saúde dos veganos, do nascimento à velhice. Mas o ser vegano é um estilo de vida baseado na ética, pois somos contrários à exploração de animais ‘felizes’ e às ditas galinhas saudáveis e vacas verdes, já que é o mesmo que bater com permissão ou com anestesia.
Não há um selo que consagra à pecuária e à carne e derivados de origem animal a detenção dos direitos sobre os sabores, formatos e até mesmo os nomes para alimentos e para o nosso paladar. Então é preciso acordar para o fato de que não existe patente requerida para o sabor.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

La perla del Pacífico

Uma saudade, A melancolia
O espectro de sombra, O amigo soturno
no mar deixado para sempre.
Para lá jamais regressado.


O silêncio, A agonia
te entendo tanto
A luz solar de uma cidade antiga
tão linda, está tão longe
de mim.
Guayaquil Ecuador
Um Sol guardado por dentro,
Um mar sangrando no escuro,
A saudade de sentir a calçada,
Pois a muito o som de tudo me deixou longe.
A voz da espanhola me chamou e me encantou de saudade.
De um lugar que jamais conheci.
Ele estava no canto do mundo, escondido de tantas palavras.
Ellen Augusta

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Nordestina

Seguindo com a ideia de não pertencer a nada e ser de todo lugar, hoje senti saudade da viagem que fiz ao Nordeste, tempos atrás. Foi apenas 15 dias. Visitei parte de Recife e João Pessoa.
É praticamente um país dentro deste e é bem Brasil. Percebi que tinha sotaque lá.
"Pares de olhos tão profundos, que amargam as pessoas que fitar. Mas que bebem sua vida, sua alma, na altura que mandar."
Essa frase da música de Zé Ramalho traduz bem como é o povo sofrido do Nordeste e eu fui uma turista que chorou por lá.
As plantas e o centro histórico de João Pessoa são inesquecíveis. Tenho poucas fotos de lá. Mas está tudo bem vivo na memória. Fui numa exposição do Arnaldo Baptista lá mesmo, em uma das raras igrejinhas que visitei. Acho que a própria exposição foi uma raridade...
Teve várias coisas que não gostei no turismo do Nordeste. Pessoas mal intencionadas, preços caros, turismo que suga o turista e o meio ambiente, e vice-versa - turistas mal intencionados, que só querem chupar os lugares e deixar o rastro do seu uso e abuso. Um ar de que o que importa é tirar grana dos trouxas que entram no país. Basta olhar para a cara do ingênuo e dizer o preço. Assim que me senti lá. Mas, toda a viagem vale a pena por trazer em si os tesouros do conhecer, mesmo as coisas ruins.
 Lamento não ter ido numa festa de forró, o que considero o melhor ritmo do país. Não há nada melhor que o forró.
O CD Antologia acústica de Zé Ramalho com Dominguinhos, foi um presente que ganhei de um amigo do Nordeste, que, quando fui conhecê-lo, ele ficou com vergonha e fugiu de mim. A gente se conhecia desde os tempos de fanzine, mas acho que ele tinha namorada e na época, ela deve é ter ficado com ciúme. Não lembro o nome dele, e nem importa. O que importa é que foi um lindo presente pois esse CD representa, na minha opinião, a essência do Nordeste, a beleza e a poesia daquela região. A música Taxi Lunar, foi escrita na beira da praia, os malucos tinham na cabeça um som parecido com o refrão 'ta xi pa'... desse som esquisito saiu esta frase meio profética...
A música beira mar é quase uma oração.



Tive a felicidade de poder levar e ouvir esse CD na viagem e levo comigo até hoje a lembrança daqueles lugares, os faróis, trens, ruas, coqueiros e coisas bonitas de lá, que existem somente lá, e em todos os lugares.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Viajando na própria cidade - Porto Alegre está cheia de turistas...

O centro está repleto de turistas! No ônibus encontrei uma família de alemães. Reconheci que não eram daqui, pela linda blusa turquesa que a senhora estava usando, bem diferente das nossas roupas...
Ela veio sorridente pedir se eu falava inglês. Disse que não. Ela me mostrou o mapa, através dele nos comunicamos.
 É a segunda vez que falo com alguém por meio de mapas. No albergue de Porto de Galinhas, falei com uma coreana através de mapas, cada uma dizendo onde morava, para onde ia, quanto tempo ficou em cada lugar, se eram bonitos ou feios. Há coisas universais na linguagem!
No Nordeste o turista é tratado conforme o que carrega no bolso. Eu fui bem tratada em alguns lugares. Em outros, conforme nosso sotaque (que era bem evidente, embora eu pensasse até então que não falava com sotaque), o preço das coisas triplicavam. E recebi muitas informações erradas e tentativas de pilantragem. Acho que no mundo inteiro tem essas coisas. E além de tudo, no exterior, grande parte odeia os turistas, especialmente se forem latinos ou de outras etnias, que bem sabemos, sofrem preconceitos.
Dr Chapatin - bagunça no avião
Chapolin Colorado em Acapulco - quem não viu?
Que vergonha eu não saber falar nem muito obrigada em inglês! E houve uma ocasião em que uns africanos estavam em meu ônibus e eu não podia falar em francês onde era o banheiro! Que pouca vergonha, pois fiz curso de inglês e francês, embora nunca tenha terminado os dois. O Espanhol eu adoro, entendo bastante, leio e ouço. Embora fique embaraçada com os sotaques locais, que variam.

Chapolin vai ao hotel ajudar os hóspedes que não têm grana para pagar a conta.
O turista dá a maior bandeira, tudo nele está escrito: sou turista e não conheço nada aqui. Eu acho isso perigoso, pois estamos frágeis diante de possíveis pessoas mal intencionadas... Mas isso não pode ser obstáculo para os corajosos que querem descobrir o mundo.
A comida para os veganos no exterior deve ser um grande obstáculo, mas nada que uma pesquisa básica não ajude muito. Pois no resto do mundo o veganismo é muito mais comum do que aqui. E as pessoas não fazem cara de outro planeta quando você fala que é vegano..
O querido Super Sam e Chapolin passam a noite no mesmo quarto, sem que um visse o outro, num dos melhores episódios: Hospedaria Sem Estrelas!
Eu sou muito medrosa. Meu sonho é conhecer Portugal. Mas antes disso preciso perder muitos medos, sobretudo o de avião!
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