domingo, 21 de dezembro de 2014

Creme Vegetal para o natal

Fotos Marcio de Almeida Bueno
Recebi amostras do creme de arroz Isola Bio. Conheci a marca no supermercado, quando ia fazendo minhas leituras de rótulos e xeretando para lá e para cá, encontrei um estande de degustação desta marca.
Foto Isola Bio
Encontrei para vender os leites vegetais desta marca. Resolvi experimentar também este creme. Ele é extremamente suave. É ideal para preparo de molhos e eu usei no pão e no cachorro quente. Para nós veganos é ideal. Os dados da embalagem: não contém glúten, sem lactose, sem OGM, sem soja. Meu interesse é apenas que não possua ingredientes de origem animal, o que inclui, obviamente não conter traços de qualquer elemento de origem animal, pois não sou ingênua. E esta marca está ok.
Eles tem também uma linha de cereais antigos. Muitos cereais são plantados para alimentar o gado, (bem ali, onde deveria ser plantada a comida de todos para alimentar a alguns poucos que você a essas alturas já deve saber quem é), e deixaram de ser consumidos pelo ser humano. Ou simplesmente foram esquecidos, trocados pela mesmice do dia à dia.
A marca possui certificação orgânica, para quem se preocupa com essa questão. Não é o meu caso. Antes disso tenho outras questões. Consumo orgânicos sempre que dá. Quando não dá, não devo explicações. Até por que minha vida é bastante frugal, e a maioria dos que falam em 'orgânicos' não os consomem.
 Agora vejam alguns pratos que meu marido preparou com o creme vegetal de arroz Isola Bio



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Blasfêmia! A arte urbana e os atos contra as divindades

 Um Anônimo saiu por determinada região da cidade colando estes recados. Qual seria sua intenção?
 Eu fiz algumas fotos, pois sempre ando fotografando arte urbana.
 Curiosamente, semanas depois, na mesma área, alguém com boa unha, havia arrancado todos eles.
 Outros tipos de arte urbana, até mais "perigosas" não são arrancadas. Mas a blasfêmia ainda continua sendo o mais terrível pecado que alguém possa cometer. Talvez por que ninguém entenda nada de política e ignore totalmente qualquer coisa sobre Direitos Humanos, é que outros cartazes ferinos ainda estejam colados às paredes.
  Mas uma simples frase escrita a caneta, contra um deus, provoca a ira de qualquer um, que chega a sair à rua com as unhas afiadas, facas, qualquer coisa, a fim de limpar o santo nome de seu deus.
 Cuidado, antes de profanar contra as divindades. Elas, não farão nada contra vocês. Mas quem sabe o que farão os seu fiéis, tomados pelo ódio. 
Estes mesmos que disfarçam sua raiva sob a capa de gente "zen", de paz com a vida, cheio de boa vontade, coisa mais linda. Mas que vive surtando com todo mundo. E que não aceita que você tenha sua opinião sobre religião ou sobre qualquer coisa.
  Esse sujeito, essa mulher, que escreveu essas coisas aí, lhes parece meio desequilibrado? Para mim não. Não me parece nada mais diferente de muitas pessoas com quem conversei, que me falam coisas parecidas, mas com um véu muito mais "coerente" e mais bonito. Mas isso é conversa para anjos dormirem.
 E não pensem que eu escapo disso não. Também tenho meus delírios sim. Mas sei bem que eles não passam disso. E os coloco no seu lugar, no seu precioso e lírico lugar.
Puxa! Eu adoro telefones públicos. Tenho cartão telefônico e uso quando encontro um que ainda funciona. Que lástima este estar desta forma!!!! Como é lamentável a cabeça do brasileiro quando trata as coisas públicas desta maneira...Ninguém aqui entendeu o conceito de Estado. E age como se ele fosse ainda um Pai, o velho patriarcado.
Alguém disse que talvez seja apenas um deboche, um maluco que tenha dado boas risadas com tudo isso. A "maldade" está realmente, nos olhos de quem vê.
 





 Adesivos encontrados na região do Shopping Total - Porto Alegre.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O que aprendi com Chaves - Las Posadas Mexicanas

As pinhatas - parte essencial das posadas, são feitas de barro e dentro possuem frutas e doces. Uma pessoa com os olhos vendados quebra-a com um pedaço de pau, e as frutas caem para que todos, especialmente as crianças, possam pegá-las.

Quem é fã do Chaves e viu o episódio "A festa da Amizade", deve ter visto o mesmo episódio em espanhol, "Sin piñata no hay posada".

A dublagem brasileira, infelizmente não respeitou a informação mais marcante do episódio. O costume mexicano das posadas natalinas. Uma festa que acontece antes do natal, lá no México.

As posadas iniciam a partir do dia 16 de dezembro.
Os mexicanos realizam as festas de diversas formas. Em alguns episódios de Chespirito que assisti, as mulheres e homens se dividem em salas separadas e cantam uns para os outros, bonitas canções para pedir posada e receber posada, como as trovas nordestinas.
Conforme a tradição, os participantes saem nas ruas pedindo posadas nas casas, e as pessoas respondem com músicas.

Um exemplo de canção de posada

    Afuera: En el nombre del cielo os pido posada pues no puede andar mi esposa amada.

    Adentro: Aquí no es mesón sigan adelante yo no debo abrir no sea algún tunante.

    Afuera: No seas inhumano tenos caridad que el Dios de los cielos te lo premiará.

    Adentro: Ya se pueden ir y no molestar porque si me enfado os voy a apalear.

    Afuera: Venimos rendidos desde Nazaret, yo soy carpintero de nombre José.

    Adentro: No me importa el nombre déjenme dormir pues que ya les digo que no hemos de abrir.

    Afuera: Posada te pido amado casero por sólo una noche la Reina del Cielo.

    Adentro: Pues si es una reina quien lo solicita ¿Cómo es que de noche anda tan solita?

    Afuera: Mi esposa es María, es Reina del Cielo, y madre va a ser del Divino Verbo.

    Adentro: ¿Eres tu José? ¿Tu esposa es María? Entren, peregrinos, no los conocía.

    Afuera: Dios pague, señores vuestra caridad y os colme el Cielo de Felicidad.

    Adentro: Dichosa la casa que alberga este día a la Virgen Pura, la hermosa María.

    TODOS:

    Entren santos peregrinos, peregrinos,
    Reciban este rincón,
    Que aunque es pobre la morada, la morada,
    Os la doy de corazón.

    Cantemos con alegría, alegría,
    Todos al considerar,
    Que Jesús, José y María y María
    Nos vinieron hoy a honrar.

Aqui, em alto nível, um grande humorista mexicano dos tempos antigos, Tin Tan, Germán Valdés, que é irmão, vejam só, de Ramón Valdés, Seu Madruga, interpreta uma cantiga de posada tradicional. É lindíssima. E Dona Florinda canta uma parte dessa música em um dos episódios de posada de
Chaves.
 
Como é de se esperar, a festa iniciou nas altas classes, depois foi parar na 'gentalha'. Também como é de se esperar, mesclou-se da invasão dos colonizadores com os cultos ancestrais.

"Esto debido a que los indígenas celebraban, por las mismas fechas, una importante fiesta en honor del nacimiento del dios de la guerra, Huitzilopochtli, Además de los rituales observados en honor a este dios, durante la conquista el pueblo azteca solía comprar un esclavo propicio para representar al dios Quetzalcóatl, quien según las creencias de los aztecas, bajaba a visitarlos durante las fiestas en conmemoración del sol viejo. Transcurridos los nueve días que tomaba esta celebración el esclavo era sacrificado en honor de la luna. Ésa misma noche en los templos se realizaban ceremonias en las que se representaba la llegada del dios honrado: Quetzalcóatl."
A pinhata, que na dublagem se chamou pichorra, tem origem chinesa, costume que foi levado até a Itália e depois espalhado até nosso mundo. Era usada nas celebrações do ano novo chinês.
Originalmente era como uma estrela de sete pontas representando os pecados. O pau quebrava os pecados, representando a força e a pessoa que o carrega, com os olhos vendados, é quem, com a fé cega, representa a crença em sua divindade. Quando as frutas caem, são como recompensas pelo pecado vencido.
Nas festas de aniversários mexicanas também se usam as pinhatas. Aqui também são usadas as pinhatas, mas só as vi, como tristes balões de borrachas, se comparados às ternas pinhatas de barro enfeitadas com papel de seda, que lá no México chamam de "Papel de China".

As posadas são comemoradas em alguns países da América Latina, menos no Brasil, até onde pesquisei.
No Brasil é comemorado o Dia de Santos Reis, apenas depois do natal. Na praia, lembro de que nestes dias, entravam nas casas uns homens cantando com vestimentas dos três reis magos.

Apesar de eu não crer em absolutamente nada disso, e achar tudo isso não mais do que uma veneração a autoridades, reis, ricos e castas nobres. Considerar um ato de levar as pessoas à prática da crença "ao que convém" - no que se refere ao culto à pobreza (quando não é a sua, mas a dos outros, ou seja, imposto de cima para baixo), desde a morte de escravos das religiões antigas até o sacrifícios de animais e a comilança das bestas na ceia de natal.
Mesmo assim, acho interessante a manifestação icônica, os simbolismos e a semiótica.

E estudo tudo o que se refere ao México e o que me interessa de cada coisa.
Há quem não aprenda nada nem com o mais importante. Eu procuro aprender muito, com o mais simples, pois tudo importa.

Assista abaixo, agora com outro olhar,  a Festa de Las Posadas pois, Sin piñata, no hay posada!!!!!

sábado, 13 de dezembro de 2014

Feira Vegana Especial de Natal - A ideia só poderia ser coisa de mulher!

Banca da Vanguarda Abolicionista - foto Taís Duranti
 Sim! Ela montou uma empresa de produtos veganos, juntando tudo numa tele entrega de coisas que levaríamos séculos para procurar. Tem tudo ali. Chama-se Delivery Veg.
Banca da ONG Bichos do Sarandi - minha amiga Tati Cabrera e Isis Amorim
 Depois organizou a Feira Vegana de Porto Alegre. Cada participante leva sua ideia, produto, algo a dizer sobre o 'ser vegano'. E claro, muita comida.
'Nossos' Animais foto Taís Duranti

 O maior prazer era simplesmente informar as pessoas sobre o veganismo, entregar todo o material grátis, informar, conversar, descontrair e principalmente comer comida vegana, à vontade, sem precisar perguntar!
 O melhor de tudo é estar entre veganos. Sim, pois você passa a vida inteira convivendo com todos os tipos de pessoas e isso é normal, e não tem nada de mal.
 Mas temos o direito de estar com quem temos vontade. Temos o direito de escolher nossas companhias e nossos assuntos. Acho idiota essa gente que acha que o vegano "vive em gueto". Quem vive em gueto é torcedor de futebol e bebedor de cerveja que só fala em ceva o tempo todo, e se você não bebe, te fuzila.
Pães da Delicissa Adorei o cuidado e capricho.
 Não. Temos todo o direito de escolher nossa companhia. Eu vivo o dia a dia com muita gente. Mas escolho com quem quero compactuar. Só entra em minha casa e em minha vida quem eu quiser.
Quindim da Ogras Veganas da Rosanne Lembrandoooo que são veganos!!!! Benzadeus
 Na feira encontramos gente que pensa como a gente. E, melhor de tudo, quem foi ali, que não era vegano, foi para conhecer. Foi com interesse. Não é como em outros eventos em que as pessoas são debochadas, falam bobagens, não querem saber. Ali não. Estávamos entre gente amistosa. É bom estar entre gente boa.
 E já é bom avisando. Quem só está interessado em encher o saco, melhor ficar longe mesmo. Pois é tão alto astral, todos rindo, comendo, conversando, que sobra pouco tempo para dar atençao para xiliques. Aliás, surtadinho nunca fala nada na cara. Vira machão ou macha depois é no Facebook.
Eu mostrando para minha amiga Tati o livro da belíssima Brigitte Bardot - nós precisamos de mulheres como BB como inspiração. Sempre.
Grande momento: Conheci minha amiga blogueira Sammy Leilane. Bah, a gente lê o blog uma da outra, mas nunca nos vimos, e nos encontramos na feira... e, veja só, somos tímidas... (eu nem tanto, mas um tantito) Veja que lindo o que ela escreveu para mim no seu blog no link abaixo
http://www.maislightdoquenunca.com.br/2014/12/feira-vegana-de-natal-em-porto-alegre.html

Bolsa de uma colega bióloga que passou em nossa banca. Super legal@

Produtos da Delivery Veg - de matar a gente de fome e desejo...
Fizemos competição para ver quem comia mais!!!! Mas estava ali-ali....
Produtos da Delivery Veg

Fizemos competição para ver quem comia mais!!!! Eu perdi a conta de quantos salgadinhos da Rosanne eu comi.... deliciosos.... :)
A Rosanne (amo ela!!!!!) e eu, quando estava tocando Legião Urbana - fãs incontroláveis!!!!!!
Ótimo evento, provando que ser vegano foi minha melhor escolha pessoal, entre todas que eu fiz até hoje. E minha escolha inteligente para ajudar os animais e a humanidade. Me tornei mais humanitária e a cada dia vejo em mim o resultado do que me tornei. E me orgulho disso. Não tenho nem um pingo de humildade e tenho pavor de gente humilde. E humildade é a religião dos vencidos, já dizia o grande sábio alemão.

O covarde que escolhe a mulher que vai estuprar, por merecimento

Escrevo este artigo em homenagem ao Dia dos Direitos Humanos, que a gentalha nem sabe o que significa.

O deputado mais reaça do país afirmou mais uma vez "Jamais iria estuprar você, porque você não merece".
Ele sabe muito bem que as palavras que usa, provoca frenesi na gentalha que o venera, especialmente em certas mulheres que, infelizmente - ouvi da boca de algumas - o idolatram e acham que é isso aí! E manipula a horda muito bem, a manada cumpre seu papel direitinho: é a única coisa que sabe fazer.
Esse deputado é um covarde pois usa a imunidade parlamentar para agredir. Um tipo de agressão verbal como essa, fere fisicamente, e também mentalmente. Eu me sentiria fisicamente agredida, se ouvisse isso seguidamente, e ligaria para a polícia, se um cara me dissesse tal coisa. É passível de Maria da Penha, mas nada poderá ser feito.
Um militar, ligado a moralismos religiosos, ofende e denigre toda a mulher, quando se torna um estuprador e violador potencial.
Um sujeito que afirma publicamente que espancaria o próprio filho se descobrisse tendências homossexuais, é no mínimo, doente. Mas ele não se limita a isso, se exalta facilmente, mostrando uma personalidade violenta, um caráter perturbado. Aqui no Brasil, seu prêmio é ser eleito. Outros políticos do mesmo naipe tiveram a mesma sorte.
Quem é mais "homem", quem é mais "macho"?
Um homem que se descobre travesti, veste-se e descobre-se feminina e anda na rua à noite ou indo à Parada Gay, enfrentando o perigo, e, principalmente encarando todo o preconceito social, que começa com a mudança de nome e o respeito ao seu gênero? Uma travesti que afirma seu gênero feminino e luta todos os dias por esse direito, conhecendo toda a canalhice social, que lhe nega até atendimento básico de saúde e que sofre preconceito até mesmo das feministas?
Ou toda a turba de homenzinhos enrustidos, preconceituosos que ficam às escuras com seus delírios idiotas contra tudo e contra todos, que morrem de medo da morte, que morrem de medo do outro, especialmente da outra. Que não suportam uma mulher com opinião, que lê livros, ou uma mulher atéia, que goste de sexo? Militares, religiosos, toda a classe de gente que adora humilhar e tentar curar os homossexuais, como se fossem eles os doentes. Serão eles os doentes? Serão eles os viciados em sexo, ou os devassos? Não sei e isso não deveria interessar a ninguém.
Num dia em que duas notícias sobre abusos sexuais em recintos religiosos (e não são somente os católicos, senhores ingênuos), num dia em que um pedófilo resolve escrever um livro sobre os abusos que sofreu a vida inteira para esfregar na cara das pessoas que a imundície não está na bunda de um só, quem ainda acredita em alguma instituição, deve estar louco. Num dia em que um político eleito várias vezes pelos adoradores de farda, recebendo salário pago por mim e por ti, diz palavras violentas contra uma mulher que fez diversas ações para salvar crianças contra a pedofilia e que é conhecida pelo brilhante trabalho na área dos Direitos Humanos, nas ações contra o abuso infantil, e outros trabalhos humanitários, esta mulher tem nome, chama-se Maria do Rosário, só me resta o desprezo pelo povo medíocre que escolhe um representante que espelha fielmente a mente de boa parte da ralé machista e de mulheres coniventes submissas. E, deputado, pobre das crianças. Eu não tenho filhos (e estou espantada). Mas, de toda a gentalha que votou em você, quando você disse que espancaria seu filho e estupraria uma mulher, por certo alguma dessas pessoas, deve ter uma criança em casa que poderá vir a ser um homem ou uma mulher, "merecedora" - tanto de apanhar, quanto de ser estuprada (O).

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A moral cristã e a solidão das criançinhas

Parece que todos esqueceram ou desconhecem Jesus Cristo quando disse "vinde a mim as criancinhas".
E, especialmente no que se refere ao abuso e violência contra os animais, os mais frágeis estão representados na frase tocante "tive fome e não me deste de comer, tive sede e não me deste de beber".

A moral cristã numa sociedade que se diz laica, tem como consequência o preconceito em todas as esferas, e no final, os mais frágeis é que sofrem. Neste caso, as crianças.
Agora, a bancada religiosa quer mudar o conceito de família, excluindo a possibilidade de adoção para aqueles que não forem "homem e mulher - procriadores".

Tive o respeito e a decência de NÃO colocar nenhuma foto de crianças e de orfanatos aqui nesta postagem. Se você nunca viu um orfanato, nem sabe o que é uma criança, ou milhares delas, sem pai, mãe, nem nada, faça alguma coisa, pois você é um bundão.
O PL 6.583/13, chamado de Estatuto da Família, tramita na Câmara e pretende que a família seja definida estritamente como o "núcleo" formado por homem e mulher.

(Não há nada para se fazer de mais importante no Brasil não é mesmo?)

Ronaldo Fonseca (PROS-DF), relator do PL quer proibir a adoção por casais do mesmo sexo.
O direito de adoção por homossexuais foi reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça em votação unânime em abril de 2010.
Jean Wyllys, deputado federal,  faz uma interessante declaração, que ouvi na Voz do Brasil, em primeira mão aliás, pois a Voz do Brasil que a mídia tenta combater sempre traz coisas que os outros veículos nem publicaram ainda, e que reproduzo aqui: "Esse é um projeto que reconhece apenas como família, aquelas formadas por homem, mulher e filho, desconsiderando os diferentes arranjos familiares que constituem a sociedade brasileira. Ele fere a constituição, o princípio do não preconceito e o da dignidade humana".

Eu e meu marido, não faríamos parte do conceito de família proposto pelo deputado Ronaldo Fonseca, já que somos um casal que não quer ter filhos.


Assista aqui:

Ora, há muito o conceito de família tradicional anda falido, e as pessoas buscam à sua maneira, viver em paz. Tudo o que uma criança precisa é de cuidados e carinho. Precisa de adoção, não de solidão.

O casal que não quer ter filhos é que é o estranho não? O ateu é que é o malvado não?
A sociedade certinha, essa sim, são os que fazem filhos e os abandonam, fisicamente ou psicologicamente.
E depois fazem leis para coibir a adoção.

Creem em tudo o que lhe enfiaram na garganta, nos mesmos livros e nos mesmos dogmas, e pior, acreditam cegamente, e não raro, erroneamente. Seguem distorcendo, à maneira que bem entendem, as leis ao seu critério, por purismo, por fé cega. Mesmo que, para tal, precisem passar por cima de pessoas frágeis.

 É mais confortável ficar a vida inteira repetindo o que diz um livro, um dogma, e tentando convencer os outros de que essa é a única coisa que há para comer, do que pensar em alcançar a lucidez através da leitura e do pensamento.

Tentam empurrar outrem para suas casas, centros e epístolas, enganar por vezes, ludibriar, curar a doce loucura, a amargura dolorosa, porém autêntica, que remediada está.

Estão convictos que o outro também faz parte de seu sistema fechado e maravilhoso de enganação coletiva. Que pode fazer todo o sentido para seu grupo, mas não faz sentido algum para o grupo seguinte, e provoca riso no grupo posterior. E certamente, se existe o tal deus carrasco, deverá lhe provocar isso mesmo: asco.

Pois, francamente, e cá entre nós. Como admitir que mais e mais crianças sigam dormindo em albergues por toda sua vida até serem jogadas na rua, pois viram adultas e o sistema não lhes pode mais sustentar?

Como admitir que uma sociedade lhes fechem o cerco, diminuindo toda e qualquer possibilidade de afeto, só por que há um cu ou uma boceta em jogo, piscando vinte e quatro horas nas mentes de quem promove
leis homofóbicas?

Explicação torta, os tortos sempre as têm. Só que eu não me interesso por opiniões. O que me incomoda é que as crianças paguem o preço da má política focada em interesses para lá de pessoais, com a solidão e o esquecimento.

Como sempre.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

"Estive preso e vocês me visitaram"

Jesus - Ninguém te ouviu

Sou rádio ouvinte de Ondas Curtas e de vez em quando recebo correspondência de rádios. Esta me foi enviada essa semana. Uma carta muito provocadora. E diga-se de passagem, subversiva, até.
Dedico aos hipócritas que curtem uma ritualística, mas que adoram espezinhar os fracos, oprimidos e pobres. Aos que adoram Jesus, mas nada entenderam de sua moral. E, para os que entenderam, e, cínicos, não a aplicam no seu dia a dia.
Para mim pouco importa quem disse ou qual a religião: não sou dessa estirpe, e também não sou dos que não ajudam quem tem fome e não dão água a quem tem sede, sejam humanos ou animais.

A vagina

A VAGINA... (Um artigo de Eliane Brum)

Li este ótimo artigo no site de Ezio Flavio Bazzo e achei tão perfeito que quero tê-lo aqui comigo, afinal, eu não só não tenho o menor nojo de vagina, como até mesmo adoro a minha, pronuncio todas as suas denominações, e faço votos de que as pessoas percam esse preconceito idiota e atrasado.
Todos nascemos de uma buceta e, de qualquer forma, temos de lidar com ela, não importa o sexo.

A. S.: E largue esse vício moderno de não ler coisas compridas e leia até o final, é um show de sabedoria.

Será que a revolução sexual falhou? Não é curioso que, neste ponto da aventura humana, o órgão feminino ainda ameace tanto? Evelyn Ruman, Casey Jenkins e Naomi Wolf são algumas das artistas que questionam a naturalização da violência contra o desejo das mulheres

Livro de Naomi Wolf, eu amo esta escritora. Absolutamente fã!!! Um dos temas deste artigo.
Evelyn Ruman conta que desembarcou no Vaticano sentindo-se uma espiã da Guerra Fria. Ela tinha se imposto uma missão arriscada, subversiva. Dentro do bolso da sacola de equipamento fotográfico havia um vidrinho com um líquido vermelho e um tanto viscoso. Evelyn se agachou, abriu a tampa e jogou seu conteúdo no chão. O fluido se espalhou sobre a calçada, as pedras. Ela sacou a câmera fotográfica e começou a documentar sua transgressão. Desenrolou a imagem de uma mulher nua, de costas, e a estendeu no chão. O vermelho agora escorria de interiores femininos. Nenhum guarda apareceu para impedi-la, nenhum turista a perturbou. Missão cumprida. Evelyn acabara de jogar sangue menstrual no centro do poder católico.
- Por que você quis fazer isso?, pergunto a ela. “Porque a Igreja Católica representa tudo aquilo que vem oprimindo as mulheres por séculos, tornando a vagina algo feio e fazendo do sangue menstrual uma coisa nojenta.”
Era janeiro de 2012 e Evelyn participava da Bienal Internacional de Arte de Roma. Durante dois anos ela armazenara seu sangue menstrual na geladeira de casa, em São Paulo, para realizar exposição que chamou de Sangro, logo existo. Seu casal de filhos, hoje com 23 e 18 anos, brincava que era o “carnição da mamãe”. Ao fazer esse percurso artístico, Evelyn se preparava para um momento doloroso para uma mulher: ter seu útero arrancado devido a um mioma. “Sempre gostei muito de menstruar”, diz ela.
Quando foi a Roma, Evelyn percebeu que sua menstruação estava atrasada. Para consumar seu objetivo, precisou pedir um pouco de sangue a uma feminista italiana, Sara Sacerdócio. Fez sua performance com sangue emprestado. A foto (ao lado) é uma das 27 imagens exibidas no EG2O (Escritório Galeria 2Olhares), na cidade histórica de Paraty, no litoral fluminense, até 6 de janeiro. Cinco delas ilustram esta coluna.
Evelyn trabalha desde 1988 com a autoimagem de mulheres. Presidiárias, internas de manicômios judiciários e instituições psiquiátricas comuns, camponesas de origem indígena, meninas com síndrome de Down, soropositivas para o vírus da Aids, ameaçadas por violência doméstica, velhas. Mulheres que a maioria prefere não enxergar. Nunca teve dificuldade para expor seu trabalho, premiado e reconhecido internacionalmente. Mas, quando tentou exibir sua obra moldada em sangue menstrual, encontrou as portas fechadas. Para mostrar o rosto de mulheres condenadas à invisibilidade, foi acolhida. Para mostrar seu corpo que sangra pela vagina não havia espaço. Talvez porque, ao expor o que se prefere escondido e envergonhado, a vítima tivesse virado o jogo. Em vez de compaixão, agora provocava medo.
 Evelyn descobriu-se sozinha. Mesmo outras mulheres, amigas fotógrafas, em todo o resto libertárias, classificaram suas fotos como “nojentas”. “Só consegui fazer a exposição porque abri minha própria galeria”, diz Evelyn. “Dá vontade de botar uma câmera para filmar a reação de nojo das pessoas, muitas delas mulheres, quando veem as fotos e percebem que é sangue menstrual, sangue que saiu de uma vagina, a minha. Se o sangue saísse de um pinto, será que teriam tanto nojo?”
 (Estou presumindo, claro, mas acredito que parte daqueles que leem este texto, a esta altura já soltaram alguns “que noooojo!”. Acertei? Ao comentar com alguns amigos que pretendia escrever sobre o tema, a reação foi: “Mas por quê?”. Por causa desta tua cara, respondi.)
Neste exato momento, a australiana Casey Jenkins realiza a performance que intitulou de Casting Off My Womb (em tradução livre, Tricotando o meu útero). A cada manhã, ela enfia um novelo de lã clara na sua vagina e tricota um cachecol. Ao menstruar, o tricô ganha rajados de vermelho sanguíneo e molhado. (vídeo aqui). O objetivo da intervenção, conforme ela declarou à imprensa, é tornar a vagina da mulher “menos chocante ou assustadora”. Casey queria mostrar que “a vagina não morde” ao ligá-la a um ato acolhedor e “quentinho”, identificado com avozinhas clássicas, como o de tricotar uma manta. O cachecol uterino que passa sensualmente pela vagina de Casey, acaricia seus grandes e pequenos lábios e faz cócegas no seu clitóris estará concluído ao final de 28 dias.
 (Mais nojo?)
O que, afinal, Casey está tricotando, lá no outro lado do mundo? O que Evelyn está tentando nos dizer com seu sangue, no lado de cá do mundo?
É provável que a escritora americana Naomi Wolf, autora de Vagina: uma biografia, que acaba de ser lançado em português pela Geração Editorial, tenha razão ao dizer que “a revolução ocidental sexual falhou”. Ou, pelo menos, “não funcionou bem o suficiente para as mulheres”. A própria trajetória do livro é a prova de que a vagina segue sendo ameaçadora – como corpo, como imagem, como palavra. Me arriscaria a dizer que até mais ameaçadora do que em décadas passadas. Quando a obra foi lançada, em 2012, no mercado de língua inglesa, a loja virtual da Apple colocou asteriscos no título: V****a. A velha vagina, censurada pela marca que representa o ápice do avanço tecnológico do nosso tempo, foi quase uma performance da denúncia contida no livro. Mas involuntária, o que torna tudo mais interessante. Me parece que o episódio fala mais de um momento de potência da vagina do que de vitimização.
Em seu livro, Naomi Wolf compreende a vagina como “o órgão sexual feminino como um todo, dos lábios ao clitóris, do introito ao colo do útero”. Esse todo forma uma complexa rede neural, na qual há pelo menos três centros sexuais – o clitóris, a vagina, o colo do útero – e possivelmente um quarto – os mamilos. Naomi defende que a vagina não é apenas carne, mas um componente vital do cérebro feminino, ligando o prazer sexual amoroso à criatividade, à autoconfiança e à inteligência da mulher. A conclusão é óbvia e não é nova, nem por isso menos importante: massacrar a vagina – ignorando-a ou tornando-a algo sujo, proibido e chulo, seja pelas palavras ou pelas ações – massacra as mulheres na inteireza do que são. Ao aniquilar a vagina, aniquila-se a mulher inteira, sequestra-se a sua potência. “Ao contrário do que somos levados a crer, a vagina está longe de ser livre no Ocidente nos dias de hoje”, diz Naomi. “Tanto pela falta de respeito como pela falta de entendimento do papel que ela exerce.”
Criticada até mesmo por parte das feministas, a biografia da vagina faz um percurso bastante curioso. Mesmo quem a elogia tem sempre uma graça para dizer, uma piadinha, algo que garanta um distanciamento desta escritora que a certo momento chega a falar em “dança da deusa”. Parece continuar obrigatório ser engraçadinho com qualquer menção à palavra vagina. Adultos maduros se expressam como se fossem adolescentes soltando risadinhas, o que em si já diz bastante coisa. Ao anunciar que escrevia o livro, Naomi foi recebida para um jantar entre amigos com um cardápio temático: massa em forma de vaginas e grandes (bem grandes mesmo) salsichas. Como finalização, filés de salmão, referindo-se ao cheiro de peixe relacionado ao órgão sexual feminino. Para aqueles homens intelectualizados de Nova York, a obviedade, um tanto bocejante, parecia muito divertida. Depois da “homenagem”, Naomi amargou um bloqueio criativo: por seis meses não conseguiu escrever uma palavra do livro. “Senti que havia sido punida – tanto no nível criativo quanto no físico – por ir a um lugar aonde as mulheres não deviam ir”, conta.
Se o livro de Naomi Wolf apresenta generalizações e pode ser questionado em alguns ou vários aspectos, como todos os livros, aliás, acho difícil que alguém, seja homem ou mulher, não tenha a vida ampliada por questões mais interessantes depois de ler Vagina: uma biografia. Se não fosse por mais nada, pelo simples fato de que, para muitos, demais, a vagina ainda é uma fenda, uma ferida, um buraco.
A pergunta que Evelyn, Casey e a própria Naomi nos propõe, a partir da expressão de cada uma, é por que, no século 21, no Ocidente, a vagina ainda provoca tanto antagonismo. E que efeito isso tem sobre a experiência cotidiana das mulheres, principalmente, mas também a dos homens. Ou sobre como isso empobrece enormemente a nossa vida sexual e afetiva, assim como a nossa vida como um todo. O maior mérito de cada uma delas ao se arriscar ao escárnio público – e, neste caso, sempre se pode contar com ele – é o de questionar a naturalização de um olhar sobre a vagina e as mulheres que nos viola a todas. E talvez a todos. Ao naturalizá-lo, oculta-se a trama histórica e não linear em que esse olhar foi sendo tecido, assim como as relações de poder que o determinam.
Não é tremendamente instigante que, neste ponto da aventura humana, a vagina das mulheres ainda assombre tanto que a violência contra ela parece ter recrudescido? Na época em que as revistas femininas ocupam uma parte considerável de suas páginas com lições para melhorar a performance sexual das mulheres, a vagina, aquela que parece não caber neste discurso atlético, vive tempos de escândalo. No mesmo período em que a Apple censurou a vagina como palavra no título do livro de Naomi Wolf, no Brasil o crítico de arte Jorge Coli teve interrompida a transmissão pela internet de sua palestra pela Academia Brasileira de Letras. Foi censurado no momento em que pronunciou a palavra “buceta” e mostrou A origem do mundo, o famoso quadro do francês Gustave Courbet, que retrata uma vagina entre coxas abertas. Ao longo de sua acidentada trajetória, o quadro esteve coberto por um véu, fosse uma cortina ou mesmo uma outra pintura. Só foi exposto sem nada ocultando-o depois que a família de seu último dono, o psicanalista Jacques Lacan, o doou ao Museu D’Orsay. Em fevereiro deste ano, a revista francesa Paris Match anunciou um “furo de reportagem”: a descoberta do suposto rosto da vagina famosa. Desta vez, o rosto que tentaram lhe impor, como uma parte faltante, teria a função de um véu definitivo. (Escrevi sobre isso aqui e aqui.)
Evelyn, Casey, Naomi, assim como outras artistas mundo afora, têm corajosamente tentado nos chamar a atenção para o fato de que tanto a censura quanto a piada ocultam algo que precisa ser enfrentado. Enfrentado porque estreita a nossa vida psíquica, afetiva e sexual, mas também porque é gerador de violência. Nas universidades brasileiras, os trotes às calouras têm se transformado nos últimos anos em episódios chocantes de agressões contra mulheres. Na Universidade de Brasília (UnB), em 2011, calouras tiveram de lamber leite condensado numa linguiça encapada com camisinha. Em 2012, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), duas estudantes foram amarradas a um poste. Os veteranos vestiram-se de policiais militares e colocaram camisinhas na ponta de cassetetes, obrigando-as a chupar os bastões. Em 2013, na UFMG, uma estudante com o corpo pintado de preto carregava um cartaz que dizia “caloura Chica da Silva”, em alusão à famosa escrava com este nome. As mãos estavam presas por uma corrente, que era controlada por um veterano. Também neste ano, uma caloura da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia denunciou à polícia ter sido obrigada a lamber pênis e testículos de bois. Ela desmaiou, sua boca sangrava. Na Universidade de São Paulo, no campus de São Carlos, realizou-se o concurso “Miss Bixete”, no qual as calouras são obrigadas a fazer um “desfile de beleza” repleto de situações humilhantes. Durante o trote, veteranos tiraram a roupa e simularam fazer sexo com uma boneca inflável. Distribuíram ainda um panfleto parodiando o best-seller Cinquenta Tons de Cinza, com os seguintes dizeres: “Cinquenta golpes de cinta – a cura para o fogo no rabo dessa mulherada mal comida”. A série de violências sexuais contra as calouras torna-se ainda mais espantosa – e é preciso se espantar muito – se pensarmos que foram perpetradas por homens jovens e escolarizados, nascidos pós-revolução sexual, filhos de mulheres que usam anticoncepcionais e trabalham fora de casa.
Na semana passada, o radialista Fabiano Gomes, da Rádio Correio, da Paraíba, afirmou no programa Correio Debate que a polícia não deveria perder seu tempo investigando os casos em que homens divulgaram na internet imagens de mulheres nuas ou em relações sexuais. Ele se referia a um caso ocorrido na cidade paraibana de Pombal e ao recente suicídio de Júlia dos Santos, de 17 anos, no Piauí. Júlia e a gaúcha Giana Fabi, de 16 anos, enforcaram-se em outubro depois de sofrerem linchamento moral por terem fotos e vídeos íntimos postados nas redes sociais. Algumas das frases usadas pelo radialista: “Sem-vergonha é quem manda foto nua para o namorado”, “Foram pro espelho mostrar o chibiu”, “A cocotinha tirou foto nua pro namorado bater punheta”.
Se houve reação formal de repúdio ao episódio, vale a pena prestar atenção também na gravação, para escutar a opinião dos ouvintes, homens e também mulheres, ao apoiar as agressões do radialista. Se os comentários são uma amostra do senso comum, as meninas que mostraram seus corpos nus a homens em quem confiavam são “vagabundas”. É aterrador constatar que, às vésperas de 2014, depois de todas as conquistas feministas, num país governado pela primeira vez por uma mulher, duas adolescentes tenham sido tão humilhadas por terem seus corpos e seu desejo sexual expostos que preferiram morrer. Ao sacrificarem-se (ou serem sacrificadas), seguem sendo humilhadas. Na segunda década do século 21, no Brasil associado ao mito da liberação sexual dos trópicos, o corpo e o desejo feminino são tão ameaçadores que a morte não basta.
A violência contra a vagina é disseminada no cotidiano, dentro de casa, no trabalho, no percurso entre a casa e o trabalho, em todos os espaços, mesmo os de lazer. As mulheres estão tão habituadas a ela desde que nascem que já a internalizaram como “normal”. Ou reagem muito menos do que deveriam, resignadas por uma vida inteira de agressões tão corriqueiras que fingem não ligar. Que neste contexto ainda consigam ter desejo sexual e prazer com suas vaginas é um tanto impressionante.
Como ilustração, um resumo de alguns – só alguns – momentos da minha trajetória pessoal. Na primeira vez em que fui tocada por um homem, eu era criança. O homem era um menino ainda menor do que eu. Ao passar por mim na rua da cidade pequena, deu um tapa forte na minha vagina e disse: “bucetuda”. Foi meu primeiro contato. Voltei para casa chorando, mas me sentia tão envergonhada por ter uma vagina que não contei a ninguém. Adolescente, ao caminhar no centro de Porto Alegre de minissaia, um homem cuspiu nas minhas coxas. No ônibus lotado da faculdade, tentaram se masturbar na minha bunda mais de uma vez. Num Dia das Mães levei minha filha de nove anos ao cinema. Um homem sentou-se ao nosso lado e começou a se acariciar. Adulta, no trabalho, nas redações por onde passei, ouvi de tudo sobre a vagina, assim como minhas colegas. A melhor de todas: “A mulher é a parte chata da buceta”. Era dita por um homem inteligente e realmente gentil, que acreditava estar fazendo uma graça com colegas “sem frescura”. Nós ríamos para não sermos “a parte chata – e ainda por cima sem humor – da buceta”. Toda vez que escrevo algo que contraria algum grupo, como determinada polícia, recebo ameaças como: “vou te estuprar” ou “quero ver tua buceta”. Quando um líder evangélico discordou de um artigo que escrevi sobre as mudanças no Brasil provocadas pelo crescimento das igrejas neopentecostais, ao dar uma entrevista para o New York Times, entre todas as palavras disponíveis para me definir, ele escolheu esta: “tramp”. E lá estava eu, tomando café tranquilamente num sábado pela manhã, na minha casa, com minha família, quando o telefone começou a tocar: “Você viu que foi chamada de vagabunda no Times?”.
Assim é. Hoje, agora. E não me parece que a resposta para a violência naturalizada contra a vagina e o desejo sexual feminino seja transformar-se numa atleta sexual com orgasmos performáticos. Este é possivelmente um padrão para o consumo e para o mercado, muito mais à imagem, também estereotipada, do que seria um comportamento masculino na cama. Soa como uma resposta à repressão histórica, mas na prática está mais para uma embalagem palatável e enganadora para a mesma repressão, na medida em que não deixa de ser mais uma tentativa de controle sobre o corpo e o desejo feminino. A imagem da atleta sexual, determinada e agressiva, pode ser só uma outra prisão para as mulheres. A vagina e o desejo feminino, diferentes em cada uma, são muito mais complexos e potentes do que isso. Vale a pena lembrar que, na pornografia, a mulher que expõe sua vagina, seu ânus, sua nudez em cada detalhe e em close é aquela da qual menos sabemos.
Por tudo isso Evelyn, Casey e Naomi são tão importantes. O livro de Naomi costuma peregrinar por diferentes seções das livrarias, da pornografia a assuntos gerais, já que parece não haver lugar para encaixar a vagina. Evelyn precisou abrir uma galeria para conseguir expor suas fotos com sangue menstrual. E as matérias sobre Casey, na internet, em geral são colocadas em seções da vida “bizarra”, misturada a outras “bizarrices” como, por exemplo, vender carne de rato. A revista Time, que teve a clarividência de colocar sua performance como “arte”, decidiu fazer um título engraçadinho: Not Available on Etsy: This Woman Knits With Her, Uhhh Yeah (em tradução livre: “Não disponível na Etsy: esta mulher tricota com sua, hããã... Isso mesmo”) Sim, a vagina parece continuar impronunciável.
Quem escreve sempre tem um desejo. O meu é que talvez, em vez de dizer “que nojo!”, ao ler este texto você contenha a agressão ou a piada, sempre mais fáceis porque calam a possibilidade de reflexão. E comece a pensar sobre a vagina e o papel que cada um de nós desempenha, tanto nos atos quanto nas palavras quanto nas omissões, mesmo naqueles comentários que você acredita ser apenas uma mostra de humor, na reprodução de uma cultura de estupro e morte das mulheres. Morte física, mas também psíquica e criativa. Morte do desejo. Uma cultura que tem se ampliado e alcançado parâmetros novos com o poder de difusão da internet.
Se a violência contra a vagina tem aparecido – e em alguns casos aumentado – em diferentes espaços da sociedade, é legítimo pensar que o ímpeto de fortalecer a resposta repressiva ao desejo feminino possa revelar que as mulheres estejam assumindo um controle maior sobre seus corpos e a sua sexualidade. Neste sentido, a necessidade de fazer vítimas seria uma reação ao fato de as mulheres se recusarem com maior veemência a ocupar o lugar de vítimas. Nesta hipótese, a “Marcha das Vadias”, que começou no Canadá e ganhou o mundo e também o Brasil, é um exemplo contundente de uma ação feminina que desloca o imaginário, ao se apropriar da palavra da violência e transformá-la numa afirmação de potência, embaralhando a lógica machista. Mais uma vez, a vagina vive tempos turbulentos. Que são tempos de violência, já sabemos. Que sejam tempos de libertação, depende de nós.

Publicado no jornal EL PAIS
____________________________________
Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua e A Menina Quebrada e do romance Uma Duas. Email: elianebrum@uol.com.br . Twitter: @brumelianebrum

A Cerimônia do Chá - Chá Oolong ou Azul e o Chá Tarry Lapsang defumado

 
 Alguns chás adquiridos na Loja do Chá - Teeladen, na Vinte e Quatro de Outubro.
 Esse é o Oolong Tradicional um chá semi fermentado e semi oxidado, oolong é como se fosse uma mistura entre o chá verde e o chá preto. Mas é mais do que isso, é enrolado à mão, tem um sabor suave e cítrico.

Alguns chamam-o de Chá Azul, mas eu não gosto de chamar o chá por cores. Prefiro os nomes originais. O Chá verde, por exemplo, tem vários nomes, o Bancha, o Matcha, o Sencha, são chás de regiões e países distintos e cada um recebe uma denominação conforme a região e o tipo de fabricação. Com o nome original, podemos pesquisar mais a respeito de sua origem.
Folhas do oolong, vão se abrindo em contato com a água.



  O aspecto do chá oolong, ele é verde e tem um sabor mais semelhante ao chá verde.


  As folhas do Chá oolong após o preparo

 Esta é a amostra grátis que recebi do chá verde tradicional chinês China Lung Ching de 1º Grau
 Suas folhas são pressionadas contra uma panela de metal, por isso esse formato. Cultivado na Província de Zehjiang.
 As folhas são cheirosas e delicadas. O sabor é parecido com o Matcha. Só que bem mais bataro.
Este é o Tarri LapSang SouChong 拉普山小種, que significa "pequena planta em Lapu Mountain". É o chá defumado chinês, já falei dele inúmeras vezes. Ele é o chá dos veganos, pois pode ser usado como tempero para o feijão. E é uma ótima fonte de saúde.
É cultivado em Fujian, e pode ter sido o primeiro chá preto da história. Tenho um post sobre ele aqui no meu blog, com pesquisa sobre sua origem. Leia neste link: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/06/um-cha-para-temperar-o-feijao.html
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...