quinta-feira, 2 de julho de 2015

Minha pata de vaquinha


Estas sapatilhas lindas eu ganhei de aniversário da minha amiga. São formosas, quase dá pena de usar. Mas uso, experimento, não dá para tudo guardar! Já me basta os tantos medos que me guardam....
 Pois depois de ter perdido meio mundo de fotografias digitais, encontrei estas, que já estavam ali, prontinhas para quem sabe serem postadas, ou não, neste blog. Eram apenas ensaios, depois da noite do meu aniversário;.
Uma noite em que chamei meus amigos, para comemorar um dia.
 E é uma sapatilha em forma de meia, com um solado de borracha, super confortável. Só pode usar em casa, e sentir o chão, sem aquela coisa chata de andar de sapato ou chinelo em casa.

Sapato, só se for um bem alto para sensualizar... ;) Aí eu uso mesmo, bota, sandália e sapato dos mais lindos, mas tenho um de cada e só. E uma sandália alta transparente linda que não me desfaço jamais.
Por que eu adoro tênis para o dia à dia, e em casa, no Verão, costumo andar de pés descalços, não gosto dessa coisa de entrar com calçados da rua dentro de casa. E todo mundo sabe que é por causa dos gatos. Meus amados que nada tem a ver com as coisas da rua. Mas também é por causa da sujeira que entra pela casa toda. Tem gente que, se deixar sobe até em cima da cama com calçado... mas cada um com suas manias...
Eu adoro pés, tem homens que tem fetiche por pés. Eu não tenho é paciência para ir a salão de beleza fazer as unhas e tal. Mas às vezes é preciso para que fiquem bonitos.
Uma coisa que não tenho mesmo é neura com sapatos. Tem muita mulher que coleciona. Eu descoleciono, quanto menos melhor, aliás, minhas botinas, botas e outras coisas, quando me tornei vegana, foram para brechó beneficentes para animais. E depois disso nunca mais.

Só se um dia eu desobedecer, e encontrar algo vegano.

terça-feira, 30 de junho de 2015

As lastimosas pétalas

Mirando ao Sol, as rosas vermelhas
Meus olhos coloridos as tornam roxas e negras flores.
Dorme em mim, envolto como um fantasma em meu esqueleto
Aquele guardião que nunca se afasta.
Nos sonhos suas mãos se entrelaçam às minhas, como se já soubesse.
Chamam para um passado, digo não.
Morta, para a saudade.
Chamam para a morte, digo não, sempre viva.
Afastando-me do afável destino solar. Que Já sabemos.
Até para as rosas que recebo, preciso vê-las fenecerem.
A cada dia que secam, mais lembro do que não cura.
das cores que um dia foram suas
das rosas que um dia foram minhas;
E que para sempre pertencem ao féretro.
Foram eternizadas no meu olhar, quando colorizadas em sangue.
Guardadas para sempre, quando entregues em minhas mãos.

A dor de sempre retorna cinza. Está novamente envolta em nuvens lá fora, não consigo mais nada fazer.

Por que fui nascer, por que fui sonhar com tantas flores, se mal para rosas sei escrever?
Retorno ao mesmo desencanto, ao medo de nunca tentar
Ao mar de prantos flutuar, repleto das rosas, das lástimas e angústias entrelaçadas.
Dos sonhos premonitórios, de espelhos do olhar
Perturbadores reflexos de minha natureza interior.
Ellen Augusta

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O que não posso ter dentro de mim

As minhas árvores que estão naquela praça
crescem de um modo estranho em mim

Preciso de um tempo para saber quais foram
quais morreram e quais vivem
e ainda por que dizem tanto ao meu coração.

Uma delas é minha preferida
Seu aspecto lindo me chamou a atenção.

Tem um ar fantasmagórico
À noite se torna branca
em plena escuridão.

Ela não tem nome e eu não preciso saber
Botanicamente sim, eu sei.

Eu estava a andar sem rumo mesmo
Pois o parque possui muitos caminhos
A saudade me levou a tantas sombras, de minha memória botânica
O perfume úmido do lago, me faz lembrar que foi ontem

Que a obscuridade, a luz destas árvores e o calor deste mesmo sol que eu odeio, é o que me trouxe de volta de onde nem mesmo sabia...
Ellen Augusta

segunda-feira, 22 de junho de 2015

As poucas luzes que existem vão se apagando pouco a pouco - um anjo que encontrei no centro

Nas minhas caminhadas cotidianas, encontrei esta linda homenagem ao Chaves no centro da cidade.
É uma das formas mais bonitas de se homenagear alguém, a de forma anônima. A beleza mais perfeita de não se identificar, de se fazer notar pela presença que só aquele que sabe, percebe.
Ser anônimo é ser presente no que importa. Pois eu ando pela cidade captando estas pequenas gentilezas de pessoas invisíveis, que se fazem presentes no meio desse lixo, que é viver. Isso é arte urbana.
 Só Chespirito merece essas asas de anjo, que eu nem mesmo creio que exista.
 Admiro quem criou e quem teve a coragem de sair por aí, pela cidade, no entorno do centro, colando estas figurinhas. Uma singela forma de dizer adeus.
 Depois que eu fiz essas fotos, voltei ao lugar algumas vezes e, como é de se esperar, só sobrou dois ou três das figuras, a maior parte foi arrancada de forma grotesca. Indicando que a pessoa não queria levar o desenho, queria mesmo pichar a figura - destruir a arte.
 As pessoas adoram lixo, se acostumam a ver as ruas imundas e sujas. São pacatas e monstruosamente silenciosas quando é para fazer alguma coisa a respeito, ligar quando alguém está em perigo, pegar um pano e ir lá e limpar, etc.
 Mas quando é arte urbana, não se furtam em pegar um telefone e ligar para os vigilantes da moral, não se incomodam de ficar de olhos bem abertos me cuidando enquanto eu fotografava estas cenas. Estão sempre atentos quando se trata de coisas belas em que possam destruir.
E vândalos, são os outros.
 O mundo fica mais triste quando as poucas luzes que existem vão se apagando pouco a pouco....
Frente ao comportamento indiferente e até mesmo sociopata das pessoas, estou sempre com os olhos nestes cantos da cidade - porque a maioria olha para o chão, como derrotados, ou com o nariz empinado, como tartufos - encontrando essas preciosidades. Como minha devoção está em muitas coisas, encontro-as em qualquer lugar.
 E só acredito em quem me faz sorrir.




terça-feira, 16 de junho de 2015

La Pascualita, a eterna noiva mexicana

La Pascualita ou Chonita é considerada A Noiva mais bonita de Chihuahua!

Estes dois meses, maio e junho, são meses considerados especiais para noivas e namorados. Também maio é o mês em que os mortos se encontram com os vivos, segundo algumas tradições, e junho é o mês do Inverno.

Por isso deixei para agora este assunto que uma amiga me enviou a muito tempo, a lenda da noiva embalsamada, que vive em uma vitrine da loja mais antiga do centro histórico de Chihuahua, no México. Sempre o México, este povo que está definitivamente preso à morte! Por isso os quero tanto!

Esta lenda era alimentada pela dona da loja, mãe de Pascualita, que não desmentiu os boatos de que teria sua filha morrido no dia de seu casamento por uma picada de escorpião, e dilacerada pela dor, a embalsamara para tê-la para sempre em sua loja. Mas com o tempo revelou que se tratava de um manequim de cera com cabelos, sombrancelhas e cílios naturais. A dona da loja inclusive dava banho na manequim com xampu, por conta de seus atributos naturais implantados. Por isso mesmo até a polícia um dia investigou o caso.
Mesmo assim, quem se convence?

Quando chegou à vitrine, a manequim era tão real que logo atraiu a atenção das pessoas, dizem que ela se movimenta à noite, chora, e sorri para as pessoas nas ruas. Tendo acontecido até, um caso em que Pascualita salvou uma moça de um cara que iria violentá-la, quando a jovem gritou: "Pascualita, ajuda-me!" E o homem se afastou dela.
As mulheres quando vão se casar, querem escolher o modelo de vestido que Pascualita está vestindo, pois assim creem que ela está escolhendo o que lhes dará sorte na vida de casada que terão.
E, como não pensar que este é um arquétipo feminino em que as mulheres se inspiram, na falta de modelos reais, em quem confiar?
Não se tem quase nada de real, em quem se inspirar. Aquelas mulheres jovens, olham para os lados e veem o que?
As suas mães e antepassadas com seus casamentos aos farrapos, sozinhas? As suas amigas colocando-as para baixo? Sumindo aos poucos assim que arrumam machos para casar? Elas possuem poucos e fracos símbolos femininos e sobra o que para essas meninas e mulheres mexicanas?
Uma manequim fantasma?
E será que é isso mesmo?

O povo mexicano é maravilhosamente crente em coisas sobrenaturais, eles veneram o feminino de uma forma peculiar, diferente de tudo que eu já vi, ou quis ver. Diferente de tantas culturas que veneram o masculino e ficam só nisso.

Vestem a morte de noiva:
La Santissima Muerte
Veneram a morte, as Catrinas, fazem festa aos defuntos, no meio da rua, misturam catolicismo com as venerações do feminino, sem medo, não estão nem aí. É um povo sofrido que perde a vida todos os dias, sabem a morte como ninguém, sendo amarga ou doce.


domingo, 14 de junho de 2015

Este é o bairro que menos doa roupas para a Campanha do Agasalho

Hoje perto das 11horas da manhã, parou o caminhão da Campanha do Agasalho pelas ruas deste bairro. Foi a primeira vez. Os voluntários saíam pelas ruas gritando procurando doadores de roupas. A poucos dias fiz duas doações, cinco ou seis sacolas de roupas e utensílhos domésticos para uma pessoa que perdeu tudo. E roupas para brechós pelos animais. De modo que eu tinha apenas um tricô, daqueles de trama mais furadinha, meia estação. Ontem fui dormir quase as 6horas da manhã, e hoje pensei, bem posso deixar essa blusa ali na campanha do super, já que é apenas uma.
Mas, ao ouvir os gritos, não pude deixar de descer. Pois imaginei o cenário que iria encontrar lá embaixo, e não poderia deixar de colocar minha mão ali.

Quando abri a janela, tinha um cara simpático que viu minha cara de sono e perguntou: tem alguma coisa para a campanha do agasalho? E eu disse, sim. E, quando desci, brinquei, é furadinha, e ele disse, tá valendo. (Depois acordei mais e voltei com uma sacola de mantas).

Mas antes de voltar, eu falei: Aqui é todo mundo de nariz empinado!
No que ele me revelou: Eu sei, este é o bairro que menos doa roupa nas campanhas.

Sabia que iria encontrar o cenário que eu vi, ao descer lá. As casas todas com as janelas fechadas (já falei desta patologia nesta postagem aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/10/para-que-janelas-tao-grandes-se-estao.html ) ninguém na rua, e um outro voluntário chegando com duas mudinhas de roupa de algodão. Por isso eu desci!

Tenho sempre a sensação que, se não for eu, não é ninguém.
Neste lugar, onde todo mundo tem carrão, onde somos vistos como favelados só por que não temos carros, nem TV e por que não nos vestimos como idiotas.
Neste lugar, que ninguém se cumprimenta.
Eu obrigo todos os meus vizinhos a me cumprimentar, faz parte da minha pedagogia. Ai do tolo que passar por mim no meu prédio e fazer-se de desconhecido, porque aí serei mais enfática na minha simpatia... ;)
Aqui nesta rua e em todo este lugar, desde as nove da manhã, já tem fumacê de churrasco, já tem gente muito bem acordada. Mas para descer e doar um casaquinho ninguém abre a porra da janela.
As pessoas daqui são doentes. Elas deliberadamente fingem que não conhecem ninguém.

O mesmo não acontece, por exemplo, no bairro onde fui passear, no mesmo dia.

Há lugares onde os mendigos podem dormir e os animais são bem vindos. Aqui, nos prédios, as crianças não podem jogar bola, mas há bitucas de cigarro no chão e fumaça de churrasco, das construtoras, por toda a parte. Há sempre as malditas regras de condomínio, tudo proibindo a convivência. O adulto de hoje se considera superior a todos os demais.
Não sabe que é apenas mais um estúpido, é usado, é um objeto, e aos meus olhos, é apenas um número, um zero. Um otário que compete para ver se consegue explorar mais do que é explorado.
Há bairros que as pessoas se permitem ir para a calçada e é permitido um pouco de arte urbana.
E eu, que tenho meus ataques de misantropia, que não estou nem aí para essa gente que nem sequer abre a janela para ajudar alguém... Eu que coloco toda minha raiva para construir e destruir, para escrever, ajudo por raiva, por revolta, por ver que os demais são omissos e são piores que os maus.
Sou absolutamente fã deste tipo de atitude.
Eu, tenho que suportar o silêncio e a indiferença dessa gente que nos atos é engessada mas, depois, vai fazer discurso cínico de bondade, de preocupação com o país, com o dinheiro público, com as pessoas.
Adoro participar de pequenas atitudes da coletividade
Eu, que tenho meus delírios de solidão, minhas vontades de ficar só, e com toda a razão, motivos de sobra para me afastar de pessoas que não têm maturidade alguma, senso de bondade, empatia ou gratidão pela própria vida, mas suga o mundo e os demais, sou a que mais adora participar da coletividade, de campanhas como esta, de atitudes, de pequenas doses de anonimato que irão fazer sorrir ou pensar alguém que eu não conheço!

Eu sou assim e me identifico com quem é assim. Não gosto de quem é abobado, positivo demais, de quem é frio demais, de quem faz que não te conhece, nem de quem não tem coragem de ser seu amigo, se há amizade e empatia para isso. Prefiro me afastar, prefiro ser só e anônima, a viver cercada de gente "normal" que prefere encher o cú de carne, TV e celular, a descer e ajudar àquelas pessoas com roupas usadas.

Chaves - fragmento - O velho do saco

sábado, 13 de junho de 2015

Encontrando Chaves no centro

Sempre que vou ao centro encontro referências ao Chaves e Chapolin, e vou atrás de registrar essas coisas para meu blog e para minha coleção de fanática do Chespirito. Essa Chavita fazia propaganda para uma loja.
Fui atrás deste Chapolin que animava os passantes na esperança de que comprasse um determinado produto!
Para quem é fã, as referências estão em toda a parte. Uma fragmento de uma imagem, uma palavra, e todos os fãs já entendem do que se trata e quem gosta de outros seriados, filmes, etc sabe bem do que estou falando.
  Este senhor abaixo está sempre no centro, encontrei-o na Feira do Livro, mas já o vi tendo um piripaque no meio da Rua da Praia...
 É meio infantil sim senhora, mas sou muito madura no que deve ser, adolescente até não mais poder, então neste quesito (Chaves e todos os personagens de Chespirito, até mesmo os desconhecidos aqui no Brasil) sou o que eu quiser, vivo o meu lado mais feliz.
 Neste shopping, o segurança nos abordou, pois é proibido tirar fotos das lojas. Mas, o que me interessava eram os bonecos!?
O ícone mais amado dos brasileiros... Para Seu Madruga, dez da manhã são dez da madrugada!
E quem nos faz sorrir assim, de uma forma tão singela merece uma ajudinha... A de, quem sabe, dever eternamente apenas 14 meses de aluguel...e nada mais do que isso... ;)


A venda de churros - fragmento - Chaves arruma um jeito de comer...

terça-feira, 9 de junho de 2015

Quando o Oceano te levou

À casa que se foi

O que caiu naquelas ondas. A minha morte em mar estranho.
A minha casa. O farol. A luz de outrora que nunca se apaga em meu olhar.
Aquela imagem de meus pés a caminhar. As palavras que escrevi para ti.
Camposanto de San Juan - Puerto Rico


Aguas de sal.
Areia pesada.
A horta, as flores que ela cultivava. A terra que nasceu comigo.
O amor que ele nunca me deixava.
O imaterial que estava naquelas coisas.
Nas pequenas e poucas coisas.
Camposanto de San Juan - Puerto Rico
Eu tive e não tive. Era meu, mas de quem seria?
Depois aos meus olhos, o luar, amanheceria.
O mar era meu confidente. As palavras amigo e amor.
O amor adolescente que estava sempre distante [como tudo sempre esteve]
Ela não planta mais suas flores,
De modo que não cultiva mais suas dores.
Ele não olha mais suas árvores, não colhe mais o que plantou.
Não tenho mais minha tristeza, ao menos esta. Só esta. Mas que pesava tanto.
O mar continua me chamando. Precisava morrer para vê-lo, pois sou tão covarde para ir ao seu encontro.
Ellen Augusta
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