terça-feira, 25 de novembro de 2014

Não aguento esses veganos

Por Ellen Augusta Valer de Freitas
publicado originalmente no site Olhar Animal - Revista Pensata Animal no link: Coluna Ellen Augusta
O sujeito nem me conhece, chega e puxa papo na rua, mas não gosta de ninguém. Não aguenta 'aqueles veganos', não gosta dos punks, não suporta essa ou aquela cena. Eu, que não pertenço a nada, só observo. Daí ele começa a se desculpar, dizendo que adoraria ser vegano, mas que não concorda com as atitudes do fulano, ou com o jeito do beltrano. Até então, eu estava a fim de conversar sobre fanzines.

Quando as pessoas pedem informações sobre veganismo, eu respondo e converso numa boa. Mas parece que a pessoa estava a fim de exorcizar. Cara, por que você não faz as coisas por você mesmo?

Curioso é que o resolvido vem com um papo de que não aguenta 'esses veganos' e, por isso, voltou a comer carne. Mas a sociedade está cheia de gente chata, te impondo o consumo dessa mesma droga que você voltou a enfiar goela abaixo. Está cheia de bêbados chatos, e nem por isso você parou de encher a cara e ficar chato como eles.

Você segue fazendo o que todo mundo faz. Igual.

E, pior, segue repetindo o padrão, seguindo o que a sociedade te impõe, repetindo o que todo mundo repete: que os veganos é que são os chatos. Ahã. Fica indignado com um comportamento qualquer 'fora do normal', vindo dos 'radicais'.

Os veganos, de repente, devem suportar o título da coerência eterna. Alguns veganos, inclusive, se arvoram disso, se colocando o chapéu de perfeitos: problema deles. Pois bem, não vá pelos outros, aja pelas suas ideias, se é que você já decidiu se as tem. Não seja escravo do método, do sistema. Tampouco seja escravo das pessoas.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A dor do outro ou ‘o Grand Canyon que precisamos fechar’

 coluna de Marcio de Almeida Bueno

Vanguarda Abolicionista - Marcio de Almeida Bueno

Ilustrção: Giambatista Della Porta

“Bom, nós estamos indo muito bem, eu suponho / Com nossos carros reluzentes e roupas da moda / Eu visto preto pelo velho doente e solitário / Eu visto preto em luto pelas vidas que poderiam ter existido / Há coisas que nunca serão corretas / E coisas que precisam de mudanças em qualquer lugar que se vá”
(Johnny Cash, em ‘Men in black’)

E aí as pessoas ditas instruídas, esclarecidas, antenadas no mundo porque usam muito o celular, experientes, ‘exemplo para a família’, pouco se importam com o trajeto que a comida fez até chegar a seus dentes. Muitos dão risada, do eco-churrasqueiro ao egoico que está na vida para aproveitar, e dane-se o remorso.

(A dor do outro. Alguém que nasceu já para preencher a demanda de ingredientes culinários. Morreu para ser picotado e virar nome incompreensível no rótulo dos pacotinhos de alimentos industrializados).

Ao contrário, muita vezes uma conversa informal com leigos sobre o veganismo – porque o povo adora fazer sabatina ao ouvir as palavras mágicas – acaba capotando em dicas de saúde, cuidados na hora de bem escolher os alimentos, e recomendações-de-vó. “Diz que tudo que tem glúten faz muito mal, a gente tem que passar longe”, me dizia esses tempos uma cidadã-padrão, enquanto se servia de generosas conchadas de macarrão. De trigo.

Não, diacho, eu não estava falando sobre segredos para o bem-estar, novidades para emagrecer ou o último grito das naturebices de shopping – ração humana, chia, gordura de coco, amaranto, linhaça dourada, quinua, sal rosa ou o próximo campeão de bilheteria. Eu estava falando sobre a dor do outro. A solidão, a corrente, o confinamento, a separação, os chutes eventuais, o isolamento, o mau cheiro, o medo do humano, a faca amolada.

“O ______ é vegetariano convicto mas não resistiu ao meu churrasco na semana passada”, comentou, tentando ser simpática e participar da conversa, outra pessoa que também estava à mesa nessa ocasião. Garantia de que realmente a carne estava irresistível.

E penso que talvez o descolamento de duas realidades – o animal que ‘nasce para morrer’, digamos, e a gastronomia – seja o Grand Canyon que precisamos fechar. Haja gotinhas de Super Bonder. Porque essa fenda que nós – ativistas, pensadores, profissionais militantes, simpatizantes – ora começamos a estreitar, é o que garante uma das muitas pernas dessa máquina trituradora chamada ‘desenvolvimento’. Nunca vi tanto orgulho, emoção sincera e boca cheia como naqueles que fazem o discurso desenvolvimentista – que devem ganhar muito dinheiro com isso. Porque o resto do povo, aplaudindo, entra como lombo em festa de chicote. E aplaude, e vota. E olha torto para aqueles que, ousados!, topam falar em algo diferente.

Em algo que não exija o moedor de carne, de almas e de tempo de vida como modelo. Um sistema em que o hamster não tenha que correr na rodinha. Metaforicamente falando, claro.

Porque uma sugestão de rota – veganismo, antidesenvolvimentismo, ateísmo financeiro, iconoclastia laboral – acaba desandando em palpites curtos / rasos sobre saúde, ou trabalhar menos, ou “eu trabalho muito porque eu gosto”, como ouvi nessa mesma ocasião supracitada. OK. Talvez as pessoas estejam tão orgulhosas de se perceberem marchando no passo milimetricamente certo, farda alinhada, depois do medo de não conseguir, que a ideia de ir para outro lado soa estranha, quase uma imprudência. Parar, então, é desperdiçar possibilidades, deixar de aproveitar o que a vida oferece.

O que me lembra uma anedotra real. A Vanguarda Abolicionista fazia uma ação no Dia das Mães, anos atrás, e um gaiato se aproximou para fazer as perguntas óbvias e observações inteligentes que você, leitor, bem imagina. “Então vocês não comem carne?! Estão deixando de fazer a melhor coisa da vida”, riu o subgênio, para quem o sexo deve estar lá pela quinta ou sexta colocação no ranking. Empatado com o amor e com, digamos, capas exclusivas para smartphone, que tal?

sábado, 22 de novembro de 2014

Uma ajuda para a Cruz Vermelha - Doe Sangue!

Chaves, no episódio Uma Ajuda para a Cruz Vermelha, pergunta a todos: "Você vai doar dinheiro ou sangue?"
"E não pode ser sangue de galinha! Tem que ser sangue de homem humano!"
Eles brincam e dizem que o cofre tem dois furinhos, um para as moedas e outro para o sangue. O humor é terno, e a mensagem ficou em nossa memória.
O Movimento Internacional da Cruz Vermelha é a maior rede humanitária do mundo, com presença em quase todos os países. No Brasil aqui está ela: http://cruzvermelha.org.br/
Chaves eternizou a Cruz Vermelha em nossa memória.

Doe sangue
No dia 25 de novembro comemoramos o dia nacional do doador de sangue. O dia mundial dos doadores de sangue é comemorado no dia 14 de junho.
Doar é um ato refrescante para a alma. Nos sentimos bem, não custa nada, e, no fim das contas, ainda (sim, há vantagens) o sangue doado passa por uma bateria de testes de saúde.
Atente apenas para algumas regras, entre nos site e leia bem antes de participar. Caso você tenha dúvidas, faça todas as perguntas na hora da doação. Pode crer que eles te perguntam também. Um local que atende o Estado do Rio Grande do Sul inteiro é o Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Clique no link e saiba como doar sangue: https://www.hcpa.ufrgs.br/content/view/601/800/

Não espere alguém ficar doente para ser doador.
E não seja mesquinho a vida inteira.
Pois se, por acaso um dia alguém ficar doente, com certeza essa pessoa vai aceitar numa boa doação de órgãos, sangue ou dinheiro de alguém. Aí não vai ter religião, medo ou preguiça como impedimento.
Lembre-se da frase de Chaves: Ajude a Cruz Vermelha, um dia você pode precisar.

Mas, sinceramente, é muito triste ajudar só por medo ou por interesse.

Assista uma das versões do episódio do Chaves - A Cruz Vermelha

Truman Capote - A sangue frio - e a mulher com a camiseta da morte

Esses dias uma mulher passou por mim usando uma camiseta com dizeres do nível: Pena de morte já!
Da imagem de uma mulher classe média, ostentando uma camiseta agressiva, num país terceiro mundo, fragilizado nas questões básicas de respeito ao ser humano, me vem a conclusão de que: se esta mesma criatura um dia for presa por engano, eu torço para que não exista, ainda, pena de morte aqui no Brasil.

Aqui, onde a burocracia pode muito bem trocar os documentos e quantos enganos mantém pessoas presas apenas por nomes idênticos, prazos e outras anomalias, onde as leis não são sempre exatamente cumpridas, onde a corrupção está entranhada em cada gene e em cada canto, e aqui mesmo, onde, as pessoas ainda não sabem o significado da palavra Direitos Humanos, vestir essa camiseta, que ato bárbaro heim?

O sujeito, quanto mais medíocre, mais repete aquela frase asquerosa, "direitos humanos é para o ladrão", mas ele não se dá conta de que essa frase é de um repeteco nojento e sem sentido, e ele nunca pesquisou para ver de onde vem tal 'oração' gramatical, e quais foram os 'sujeitos' que o manipularam para que ele a fique repetindo, como um idiota.
Truman Capote foi o inventor do jornalismo literário, quando criou seu livro A sangue frio. Baseado em fatos reais, em uma pesquisa que durou mais de seis anos, o livro conta o assassinato de uma família inteira, lá pelo ano de 1959.  Se fosse só isso, nem me daria o trabalho em escrever. Eu leio muitos livros sobre tais temas. Só escrevo sobre o que me atrai de um modo especial.
O livro questiona o tempo inteiro. Por que aquelas pessoas estão lá, em cada uma das suas posições.
Ele desnuda o cinismo da pena de morte.
Sim, porque uma sociedade que é contra o assassinato, mas que pretende pagar um crime com a morte, é uma sociedade cínica e perversa. Cultua a violência, se alimenta dela e não sabe o que fazer com seus impulsos sanguinários.
Uma sociedade que forma crianças de maneira torpe, violando seus direitos, jogando-as no mundo do crime, depois espera que todas sejam 'homens de bem', é cínica.
A lógica do fingimento, de que tudo está organizado. Basta jogar o feio para longe. Enjaular, vigiar e punir. Corromper e reprimir. Violência paga com violência. Ingerir sangue para vomitar sangue.
Sim, e se você entendeu, estou falando também da alimentação baseada na morte.

Cada vez que termino de ler um livro, passo na rua e vejo uma mulher com uma camiseta ridícula como a que vi, estampando e incitando a violência, penso que todo o pensamento ignorante vem da falta de leitura.
Exigir a pena de morte, quando ainda nem se resolveu o problema da corrupção e da preguiça no guichê do serviço público mais elementar é uma estupidez.

Chespirito (Roberto Gomez Bolaños) em capítulos de Chapolin, Chaves e outros personagens de sua carreira, especialmente em um episódio chamado A forca ( Chapolin Colorado: A forca - La horca, de 1989), sempre deixou claro que um ser humano sempre terá condições de se regenerar.
Era uma crítica social, vinda de quem vive em uma sociedade violenta, a mexicana.

Para quem quiser ler essa obra, pode encontrá-la aqui:
Livro A Sangue Frio

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A sua sogra é um inferno? A minha salva animais

Publicado no Dia da Mulher, em 2010, em minha coluna na ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais
Ellen Augusta Valer de Freitas

Mulheres guerreiras sempre foram uma raridade. Isto por diversos motivos. Seja por que a sociedade tende a menosprezar o trabalho bem feito de uma mulher, chamando-a de histérica ou radical, seja por que as próprias mulheres muitas vezes se comportam como minoria, sendo que são maioria em muitos lugares do mundo.
A minha sogra é  uma mulher guerreira que enfrenta uma cidade. Ela batalha pelo bem-estar de animais abandonados nas ruas, numa cidade em que as pessoas não se comprometem com essa questão (mas querem que seja resolvida). Isso é uma realidade em muitos pontos do país, e em cada ponto há alguém fazendo algo, mesmo que discretamente.

Embora animais de rua sejam um problema claramente ambiental e de saúde pública, nem todos os “ambientalistas” pensam assim. E ocorre de as secretarias do meio ambiente em diversas cidades ignorarem essa questão, que está prevista em lei.
Ela faz suas batalhas publicamente, busca ajuda, sai de casa todos os dias e vai cuidar dos cães que a esperam correndo e muito alegres. Busca comida em locais que doam restos, algumas vezes presencia o desprezo de algumas pessoas. Leva lá e serve, depois de separar e preparar os pratos. Faz a limpeza, arruma as casinhas e quase nunca dá tempo de fazer tudo.

A Vivânia Caser Bueno é uma batalhadora que vive em Veranópolis, a terra da longevidade. E, de lá, ela mantém de forma corajosa um canil com 40 cães em média. Trabalhando praticamente sozinha e com pouco apoio da população.

Todos sabemos que o cão é um animal extremamente ligado ao ser humano. Ele é carente e dependente, e é muito cruel quando o abandonam depois de o acostumar na companhia humana. Ele gosta de brincar com bola, vem nos abraçar, demonstra que querem estar próximo de nós e nos é fiel. Mas a humanidade o trai de forma vergonhosa, toda vez que o deixa num depósito, ou o abandona na rua.

Espalha-se a ideia de que as ONGs ganham muito dinheiro, mas a verdade é que nem todas têm a atenção que mereceriam. Os demagogos que sugerem que devemos cuidar de criancinhas carentes geralmente são os inúteis que não fazem nada, nem pelas crianças e nem pelos animais. Mas acham que nós é que temos de nos preocupar com toda a causa. Como se ajudar animais fosse diminuir a cota de amor aos outros seres vivos. Muito ao contrário.
A Vivânia Caser ganhou uma condecoração na cidade, pelo trabalho que faz. Exibe orgulhosamente na sua sala. E com toda a razão. É um reconhecimento pelo ótimo trabalho que vem fazendo sozinha todos os dias do ano. Um ato de solidariedade que raramente se vê.

É um privilégio saber que, quando vou visitar minha sogra, vou fazer trabalho voluntário com ela ali no canil. Me sinto importante no mundo, pois sei que eles olham para a gente com esperança.
Quem não gostaria de ter uma sogra assim? Por isso admiro as protetoras de animais.
Em vez de fazer fofoca e cuidar da vida alheia como muitos fazem, vão fazer algo pela vida.
Admiro-as, pois eu não tenho coragem de catar um cachorro todo quebrado, pegar um cavalo que foi humilhado fisicamente e tem aquela vida miserável que todos nós sabemos como é, salvar um gato de donos cruéis e psicopatas.
Eu não tenho coragem. Minha coragem está aqui nas minhas palavras. E nas minhas atitudes diante da turba que insiste em seguir outro rumo diferente do meu, que é respeitar os animais de forma ativa e genuína, no prato também.
Admiro-a por ser mãe (e mãe do meu marido!) e ao mesmo tempo ter muitos filhos cães, que com certeza são bem cuidados. As doações dos animais sempre são feitas com muitas considerações. Geralmente quem vai ao canil são famílias humildes, à procura de um companheiro para seus filhos. O Humberto, o cão gigante e brincalhão, foi doado na semana em que eu estava ajudando. Ela chorou muito, pois ele era o mais antigo dali. Por ser de grande porte, era mais difícil de ser doado. E muitos o queriam para pôr numa corrente, o que é um pecado, pois ele adora correr. Foi doado a uma família que tem um grande sítio.
Ela também acolhe gatos, e os doa mais facilmente. A dificuldade maior está em adotar cães que são geralmente de portes variados e idades variadas. Os mais feios, os castigados pela vida ninguém quer. Conhecemos exemplo semelhante em outro lugar? Sim. Crianças também são desprezadas, depois que passam dos primeiros anos de idade. As pessoas declaradamente só querem os branquinhos que acabaram de nascer. Isto as que algum dia pensaram em adotar.
Mas a vida nos mostra que em toda generalização existem as exceções. E foi o que vimos ao constatar que muitas pessoas apareciam lá e levavam cães mais velhos. Outras preferiam os filhotes. E tem gente que liga perguntando se tem siamês, ou pequinês. Estas são as que nada sabem da realidade do canil. Querem chow chow, poodle. Obviamente estes cães também são abandonados e merecem respeito, mas não é o comum.
As rádios da cidade sempre a convidam para dar entrevista e colaboram para que o tema entre nas casas das pessoas.
Ela diz que poderia estar jogando cartas com as amigas, em vez de enfrentar tantos problemas. Ao perguntar se estaria feliz jogando carta com as amigas ela responde: não.
Ela  é feliz fazendo o que gosta e é o que mais importa.

Por que eu não posso correr pelada?

Mulheres que correm com sua nudez
Por Ellen Augusta Valer de Freitas.
publicado no blog Hipocondria da Antipolìtica News http://hipocondriaantipol.wix.com
No Brasil, tudo o que se refere à nudez feminina vem carregado de uma malícia bruta, tarada, masculinizada. As mulheres remam para o mesmo lado, dando força aos homens.
Os últimos protestos de mulheres correndo solitárias pelas ruas da cidade têm provocado as reações mais óbvias possíveis.
Os profissionais de saúde ouvidos em meios de comunicação foram patéticos ao chamarem as pessoas de doentes e até de imorais.
Apenas corroboram o quanto a mídia pode ser fraca ao propagar uma moralidade baixa, carregada de desinformação.
Se é uma propaganda e se há um carro esperando lá na esquina para pegar a mulher, que mal tem? Quantos protestos nosso coletivo fez e no final do dia peganos um táxi ou carona para levar nossas coisas... que mal tem nisso?

Quando os ciclistas de Porto Alegre se reuniram pelados para protestar, poucos foram os que criticaram nas redes sociais. Hoje, ser ciclista bonitinho está na moda. Mas quando ter bicicleta era coisa de louco, a coisa era bem diferente.

As pessoas se calam quando algo está na moda. Mas por que uma mulher não pode exercer seu direito ao protesto individual, da maneira que bem entender?
As suas razões, neste caso, não importam. O que incomoda as pessoas é o fato de seus pêlos pubianos aparecerem. Sim, pois seios todos estão acostumados a ver na TV, até mesmo nos protestos feministas. Mas os velados pêlos são notóriamente alvo de medo, um tabu até mesmo das minhas companheiras mulheres. Não é revoltante?
Deborah de Robertis, en plena 'performance' frente al cuadro 'El origen del mundo', de Courbet.
Então leia esta: este ano um quadro da britânica Leena McCall foi censurado, e não foi o primeiro caso, por causa de seus pêlos à mostra, enquanto que cenas de sexo, violência contra animais e outras imagens do calibre são aceitas e, por que não, elogiadas por pessoas com aquela 'cara de entendido'.

Na causa animal, há muito tempo na Europa os protestos com nudez são usados e muito bem, para chocar e chamar a atenção. A maldade pode estar estampada nos olhos de algum maldoso ou maldosa, mas o geral é mesmo o choque, o objetivo é a agenda midiática desta ação.

Aqui neste país de moralistas, onde o sexo é praticado mas escamoteado, onde há abuso de crianças e de animais, a coisa é diferente. Eu temo pela segurança dessas mulheres que saem sozinhas, neste país de violência descarada. Mulheres debocham de nossas companheiras que querem protestar - não importam suas motivações, querem sair correndo, se mostrar, mostrar o que têm a dizer, com seus corpos, sim, mas algo dizem. Talvez digam que essa sociedade ainda precisa amadurecer e se ligar para a realidade de que nem tudo é sexo, e de que um corpo feminino é realmente poderoso, é um alvo. Um fascinante alvo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Meus amores literários - O que o escritor que amo disse sobre outro escritor que admiro

Eu li Paulo Coelho na adolescência, quase todos os livros. E quando saiu o filme sobre sua vida, chamado Não Páre Na Pista: A melhor história de Paulo Coelho, eu e meu marido fomos ver. No filme, estávamos curiosos. Eu, para relembrar a época em que li seus livros. Ele, para ver a época da parceria Raul Seixas e Paulo Coelho. Depois do filme, meu marido se interessou em ler algum de seus livros.
Os livreiros chatos onde eu passei para comprar um livro seu, tecem alguns comentários jocosos: "a melhor fase de Paulo Coelho era com Raul Seixas". Eu já penso que a melhor fase de Raul Seixas foi com Paulo Coelho!
Esses dias vi que ele estava online no Twitter e escrevi para ele. Ta aí, ele retuitou e também me respondeu:
Estar próximo de um escritor vivo é algo especial. Baltasar Gracián diz que "A amizade dos escritores é eterna" e eu amo esta frase. E não sou dessas pessoas que vivem atrás de autógrafo, não. Acho isso de uma futilidade idiota. Não me interessa um papel com o nome de alguém. Me interessa dizer àquela pessoa o quanto eu admiro-a. O contato entre escritor e leitor é como um abraço.
Ele é um grande escritor, sem dúvida. É cosmopolita. Tem mais de nove milhões de seguidores só no Twitter. Depois de segundos desta postagem no Twitter, eu não parei de ser retuitada. Impressionante! Os números passam por mais de 160 milhões de livros vendidos,  publicação em 168 países e 80 idiomas.
Digam o que digam. Um autor nunca é reconhecido em sua terra.
Saramago é desdenhado em Portugal, também foi acusado de plágio, vejam só, meu Saramago! Os portugueses que tive contato desdenham seu trabalho. Consideram-no apenas mais um.
Aqui mesmo no Brasil, aquele que considero o melhor escritor brasileiro, é ainda pouco conhecido. A gentalha só quer ler o que está na moda. O próprio Paulo Coelho, que era super moda na minha época de adolescente, hoje é menosprezado pelos que querem se fazer de intelectual, mas ele é lido e reconhecido no mundo inteiro. Minha admiração por ele nunca acabou. Seu novo livro chamado Adultério, está na lista dos que eu ainda penso em comprar. O autor pesquisou relatos de mais de mil internautas, para escrever este livro. Trata de um tema delicado, mas lendo algumas entrevistas dele, gostei muito da abordagem. Vamos ver como e quando este livro chegará em minhas mãos.
Vou reler. Muita saudade deste livro e de toda sua magia. No filme alguns trechos sao citados, por isso fiquei muito a fim de voltar a ele. Escolhi essa mesma capa clássica.
Um romance autobiográfico que eu comecei a ler na praia, mas o livro ficou por lá, como doação. Deixo livros por todos os lados... Agora comprei de novo e vou ler novamente.
Já li! Adquiri na feira do livro por pura saudade, quero ler novamente, a ver se eu gosto de novo.
Este livro eu não conhecia. Eu abri e li um pedacinho. E gostei demais, pois fala do seu sonho de ser escritor, do qual eu me identifiquei. E daí comentei com ele no Twitter.
E agora, leiam lá embaixo o que disse sobre Paulo Coelho, aquele que eu considero o melhor escritor brasileiro de todos os tempos. Amei e concordo com tudo! E se alguém achar que eu estou sendo incoerente, desigual, antipática, etc, volte lá em cima do blog e leia as instruções sobre como ler minhas postagens. Sou assim mesmo!
E, considero realmente muito torpe um indivíduo que passa a vida inteira lendo só os temas da moda.
Eu leio de tudo, volto a ler o que é bom, leio muito e sempre, não tenho regra e não acho que ler coisas 'difíceis' ou chatas te faz ser mais inteligente.
E, quando me dá na telha, simplesmente fico muito tempo sem ler.
E, concordo mesmo que os que mais desprezam Paulo Coelho, são os pseudointelectuais das universidades e fora delas. Aqueles que dizem nas escolas que "esse tipo de leitura (aí desqualificam qualquer um) te abre para leituras mais aprimoradas". Mentira! O sujeito lê o que quiser. O livro chato não é lido e pronto.
Aqueles que escrevem bobagens ruins e obrigam seus alunos a lerem coisas horríveis, intragáveis! Livros tão péssimos que, quando a gente larga, não sente vontade de pegar mais!

Leia agora o que Ezio Flavio Bazzo diz sobre Paulo Coelho - Essa é, por incrível que pareça, apenas uma nota de rodapé, de um livro absurdamente genial!
"As recentes declarações do escritor Paulo Coelho afirmando solenemente que ele é o intelectual mais importante do país deixou muita gente encolerizada. Os professores-doutores que ao longo de suas carreiras não conseguiram vender mais de uma centena de seus livros; os poetas que penhoraram suas casas para editar suas inapreciáveis obras; os eruditos que década após década vieram dormindo sobre pergaminhos e enciclopédias assim como centenas de outros presunçosos estão em pavorosa. Como é possível tanta imprudência e tanto descaramento! Perguntam-se entre eles. Houve até quem declarasse recentemente que ser o intelectual mais importante deste país é mais ou menos como ser a rameira número quatro do Cazaquistão. Tudo bem! Mas como esquecer os cem milhões de livros vendidos? Como ignorar os palacetes? As grifes? As condecorações? As ruas, os coctéis e os templos que levam o seu nome? E o pior: os trezentos milhões de dólares em dinheiro vivo em sua conta bancária? Digam o que quiserem os ressentidos e os invejosos, mas para mim, o Paulo Coelho fez para a filosofia e para a sociologia (com seu sucesso) o que nem um outro intelectual foi capaz: demonstrou com suas brochuras açucaradas, na prática e sem grande esforço algum, que a espécie, a humanidade, as pessoas em geral são alienadas, torpes, superficiais, fúteis, repugnantes e que só adoram e consomem aquilo que se lhes assemelha."  

Ezio Flavio Bazzo no livro Prostitutas, Bruxas e Donas de Casa - Notícias do Éden e do calvário feminino

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Presentes bem vindos alegram meu dia!


A melhor sensação de todas é abrir uma caixa recebida pelo Correio! Mas também é muito bom enviá-la.
Quando é inesperado, quando já esperamos, quando são presentes, ou aqueles livros comprados com tanto carinho, daquele escritor que amamos, a surpresa se torna um grande encontro! Eu simplesmente não vivo sem Correios!!!

Sim, gente, escrevo cartas a mão mesmo! E agora estou escrevendo em papéis de carta antigos. Vou fazer algumas fotos deles.

Minha amiga Maria Helena Sleutjes é uma escritora, e como tal, tem esse gosto refinado, manda essas coisas delicadas, dos lugares por onde ela viaja, lembranças das cidades, livros interessantes, e muita coisa para contar! Ela também escreve cartas,  livros, e poesias.

Os cartões contam por si, suas mensagens poesias, os traços, tudo dizem algo bonito...

Eu uso todos como marcadores de páginas de livros.

Este é um livro lindo de poesias, você pode ler mais sobre ele nesta postagem especial que eu fiz, neste link aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/11/presentes-de-amiga-po-de-lua.html

Ímãs de geladeiras do Rio de Janeiro antigo. Colei num quadrinho de metal.

Adorei este caderno, eu amo lápis. Até comprei uma borracha para acompanhar. Já está sendo usado, cheio de textos, pois vou pegando pela casa e anotando minhas fagulhas de textos, lapsos de memórias, fragmentos de poemas... tem cadernos pela casa inteira, mas... como é bom escrever de lápis!!!!

Sempre autorizei meus alunos a escreverem de lápis, o quanto quisessem, é o máximo da suavidade... e se pode apagar o quanto quiser. A escrita efêmera, sujeita ao erro. E livre! O cinza, o cheiro da madeira... tudo é poesia nestes cadernos de papel, lápis e borracha... mas eu gosto das borrachas macias, esfarelentas, não daquelas duras com perfume. Isso era coisa de rico, lá na escola onde estudei...

Papéis interessantes sobre eventos locais. E um jornal com um texto da Maria Helena Sleutjes sobre a biblioteca de Murilo Mendes.

A caixinha o Bob adorou, pois veio com um perfume super bom...

Como todo gato, ele entrou dentro da caixa, claro! Maria Helena, muito obrigada pelo carinho!


sábado, 15 de novembro de 2014

Mis Chavitos - meus bonecos do Chaves

Nas lojas da China, que aqui chamamos de 1,99, embora de 1,99 não exista quase mais nada, pode-se encontrar estes brinquedos do Chaves. Já encontrei os adesivos também, vão todos para minha coleção de coisitas do Chaves e Chapolin.
 Ao apertar os bonecos ele fazem um barulho engraçado...
 Quem perdeu sua infância em algum lugar, pode encontrá-la aqui!
 Aí passou o gato e... derrubou tudo...
Guardo em uma caixinha algumas coisas como uma camiseta autografada do Kiko, fotos, um DVD, uns enfeites de aniversário que o pessoal fez para mim: uma festa toda do Chaves! Uns brinquedos do Chaves comprados em brechós, vou achando por aí tudo o que se refere aos meus ícones amados. O que é mais valioso, no entanto, são os episódios que guardo no meu HD, tenho muitas raridades do Chespirito, coisas antigas, filmes com os atores, e muitas coisas raras mesmo, que nem existem mais na Internet, pois os blogs vão saindo do ar, e os fãs vão salvando o que podem...
 Se de casualidade, alguém souber de alguma coisa do Chaves por aí, me avise que eu vou buscar!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O cérebro das vacas e sua falta de maturidade – ou educação

Coluna Desobediência Vegana - Ellen Augusta Valer de Freitas
Você entra no açougue e não se importa de comprar carne. Ou lida com pedaços de animais, embutidos, ou traços deles por toda a parte. Mas sente repugnância quando está diante de partes específicas como rins, tripas, cabeça?

Ou não! Não sente nada disso, você é a macha, ou o machão, mas fica cheio de dedos pois acha que esses assuntos devem ser tratados com ‘cuidado’, com ‘educação’, com ‘mimos’, como se todo mundo fosse idiotizado, como se ninguém pudesse ter maturidade para falar abertamente sobre temas fortes e para maiores de 18 anos?

Pois vamos falar de maturidade e de nojeiras. Vamos falar de miolos de vacas, de tripas, de rins.

No açougue, são vendidas cabeças de vacas, cabeças de porcos, com seus cérebros intactos, congelados. Os olhos esbugalhados, nos olhando. Muitas vezes observei atentamente os consumidores. Se é na zona nobre, eles compram as partes nobres, pois é o que há. Se é na zona simples, eles compram tudo, pois tudo pode ser comido. Eu mesma, nos meus tempos de comer carne, pois não nasci vegana, já comi algumas dessas coisas. Meu pai ia ao matadouro, que provavelmente era clandestino. Rins, fígado, tripas, que se chama ‘educadamente’ para as madames e gentlemen de mondongo ou dobradinha. E não tenho nojo de nada. Sou vegana há muitos anos, desde o primeiro momento, por ética e revolta.
Meu talento é este, é o que sei oferecer, falar sobre corações de vacas, tripas, fortaleza, através do bizarro, do obscuro, da crítica a tudo o que me fere. Procurar a justiça. Quem entra por mim há milênios e se choca com o mesmo muro, forte, mas frágil por dentro, suave e limpo, pois me conheço muito bem, e ainda assim se incomoda, deve procurar aquela esquina ali, e dobrar. E voltar sempre que, lá fora, encontrar a mesma falsidade disfarçada de bobagem de auto-ajuda.

Escândalos do leite sujo e contaminado, seguidas por propagandas cada vez mais insistentes, abusivas, e você ainda acredita? Pois siga… dobre a esquina. Abra esse pacote que te levou ao vício, compre esse combo de especismo, essa maravilha de palavras doces, açucaradas e corrigidas pelo dicionário do cinismo, e compre leite, ovos caipiras, carne colorida, branca, vermelha, incolor.

E é preciso ter maturidade e perceber que o sujeito pode criar para si armadilhas, mas pode também libertar-se. E isso não tem só relação com o consumo de carne, ou a procura do que ler. É impactante a visão de alguém preso. Amarrado a relacionamentos imbecis, a amizades com gente perigosa, vícios, sensação de poder, bagulhos dentro de casa que o torna prisioneiro de si mesmo, doenças e síndromes que o sistema oferece. Tudo dentro de uma bandeja, para depois ir buscar no comércio a solução.

A ilusão de que uma opinião é sabedoria, de que um objeto é riqueza, de que uma sensação é um sentimento, só traz mais sofrimento aos animais. Pois é assim que se escolhe: no açougue e na vida.

publicado na ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais
 http://www.anda.jor.br/11/11/2014/cerebro-vacas-falta-maturidade-educacao

Flowers for the dead brother

Trancam o louco no quarto.
E voltam-se para a minha lucidez.
 Há alguma coisa errada
com a bondade de Deus.
A inocência é cortada com vidro. Um ursinho, objetos guardados em uma caixa. Para nunca mais.
Trasntornando palavras, amortecendo a dor. O amor sepultado, a poesia floresce.
Eu levo flores, mas não há nem vasos para as receber.
Eu roubo os vasos de outras tumbas. Ele nunca teve nem um quarto para dormir!
Você não sabe o que é viver só, neste imenso hospital.
Só sei o que mora em mim, o silencioso sabor do fim.
Silêncio e nada. O depois, o poema feito, das dores reformuladas. Todas as melancolias transformadas em palavras lúgubres, a morte transparecida, entrelaçada, recortada com o sangue roxo.
Abro a caixa. Ali, só pequeninas coisas, carentes de sentido para o mundo, que o abandonou, no seu nascimento e até hoje, sempre, na solidão eterna da loucura.
Esta solidão que também carrego dentro de mim.
A solidão da lucidez, da desventura.
Ellen Augusta
 

Presentes de amiga - Pó de Lua

 Entre os presentes que recebi na caixinha que veio pelo Correio, minha amiga escritora Maria Helena Sleutjes me enviou este precioso livro de poesia, todo colorido! Chama-se Pó de Lua. É de Clarice Freire e tem uma poesia visual muito interessante, que te faz virar o livro de ponta a cabeça, meio infantil, meio fantasia, poesia, simplesmente adorei.
 Já viram vocês que eu não escrevo este tipo de poesia. Nunca me passou pela minha cabeça obscura, formar estas palavras neste tom aberto, e olha que elas tocam profundamente na alma. Elas falam sim, de dores, de perdas, de sonhos... mas eu já entrei por outra esquina... E poucos devem imaginar o porquê.
"Para diminuir a gravidade das coisas" ela diz em seu livro.
 O meu colorido tem outras cores. Mas pego estas também, conforme a lua, como ela diz neste livro. Na minha adolescência eu tinha umas poesias assim. Depois apaguei tudo, e comecei a escrever de outra forma. Mas eu gosto mesmo é de escrever 'de corrido' como se diz em espanhol informal. Gosto de prosa, e me sinto melhor nisso. A prosa poética é a melhor forma de poesia. E cada um sabe onde seus olhos captam mais e melhor o poema. É na melancolia que eu colho os meus, mas não só! E assim falam os portugueses...



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