quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Assunto de estudo no momento: a farsa do tradicionalismo gaucho, por Tau Golin

1870-90s carte de visite portrait of two acrobat musicians with violin and horn

Agora estou estudando a verdadeira História. Meu terapeuta me disse que negar a História é o mesmo que negar a família. Acertou na mosca, pois odeio família, aliás, família? Não tenho família. Só aquela que eu construí conscientemente, no presente.
Mas, voltando ao aqui, agora, estou estudando os artigos do jornalista, historiador, Tau Golin.
Ele fala basicamente sobre a farsa do tradicionalismo gaúcho, e que textos!
Um dos artigos que estou lendo, chama-se Hegemonia gauchesca, que compartilho um tantito com vocês, leitores:
"Os tradicionalistas colocaram-se no centro da operação sobre a autenticidade, assumiram os postos de guardiões de um pretenso Rio Grande tradicional, usando artifícios das construções das nações étnicas em uma região mestiça. Ou seja, o Tradicionalismo evidenciou-se como problema contemporâneo, vitorioso na celebração da identidade, construída pela rede societária de CTGs e Piquetes, com um órgão central de orientação, adestramento e controle (MTG), imposição de cartilhas de comportamento e visão sobre o passado, o lugar e o futuro de seus milhares de militantes no mundo. Para vingar, precisou supor que as suas “práticas” decorrem como sucedâneas da história.
Entretanto, todas as suas “verdades” são refutadas pela historiografia, sociologia, antropologia críticas e jornalismo culto."
Que tal papudos?
Esse cara é fera! Sou fã.
E o que mais me atrai neste escritor e estudioso, é o fato de ele destruir esse mito opressor, não só de humanos, mas principalmente de animais. Conforme as leituras forem para este rumo, elas serão refletidas aqui, neste blog.
E, para complementar sua coragem, ainda tem o Manifesto Contra o Tradicionalismo, que está aqui, neste link: http://gauchismos.blogspot.com.br/ É só entrar e assinar. Tem muita gente famosa que já assinou.

Meus assuntos de estudo não giram em torno somente desse tema, Os interesses permanentes são sobre a morte, os costumes do México ligados ao místico, religião e à morte, cemitérios, etc. Não há regularidade, portanto não esperem nada, ou melhor, esperem qualquer coisa...

terça-feira, 21 de outubro de 2014

As minhas rosas não são minhas

Dedico essa postagem à minha leitora número um, e que está de aniversário hoje! Por conta da vida e deste blog, nos tornamos amigas! Obrigada!
Reparem como, por trás de roseiras bem cuidadas, sempre tem senhoras rondando os jardins...
Esses dias cumprimentei uma delas. Seu jardim brilhava ao Sol!
Flores como enfeite - esse é um tema eterno.
As rosas do convento, as freiras cuidam delas, mas nunca as vi por ali. Acho que é um pensionato para senhoras. Só consigo ver as rosas.
As vezes também os senhores cuidam das flores. E não são raros. Meu pai plantava árvores. E não se contentava com as do seu quintal. Distribuía mudas pela cidade. E não só, ele plantava flores, tinha horta com minha mãe. Eu sei quais são as árvores do meu pai, por onde eu passo, nas cidades onde ele plantou. O pai já morreu, mas as suas plantas ficaram.
Uma amiga conta que seu pai também faz o mesmo.
Esses pais, plantadores de árvores...
Também há os cultivadores de flores, como o frentista do posto de gasolina que eu conheci esses dias. Ele tinha suas orquídeas como pequenas filhas enfeitadas. Me espantei, pois eu não tenho esse cuidado todo. Só tenho plantinhas na água, as que a minha mãe me deu.
Mãe. Mãe igual a rosas. Será que sou só eu que acho isso? A mãe plantava todas as flores. Plantava árvores, tinha horta com meu pai. A horta dela existe até hoje, depois que ela morreu. Está intacta. Quando eu era criança, havia uma flor amarela com fundo preto, que ela chamava de estrela da noite, ou algo assim. Tenho no meu catálogo botânico. Sou muito boa em Botânica, sou bióloga. Mas o que fica na memória não são os nomes. São os perfumes. E quando passo pelas ruas, às vezes sinto um perfume e lembro. Era uma das flores de minha mãe.
Eu digo que as minhas rosas não são minhas, pois são da cidade. São de outros pátios, eu não planto. Não tenho saco, nem espaço, nem vontade. Mas considero-me livre para desejar ver, fotografar, cheirar, tê-las em meu olhar e oferecê-las, seja fisicamente, a um amigo, ou amiga, ou mesmo através de uma simples foto.
Eu amo receber flores. Podem me mandar. Essas são hibiscos.
Nem tudo são rosas... Eu costumo dizer que 'não falo sobre flores' quando algum chato vem encher o saco sobre meu modo de escrever. Sinceramente, até hoje, só um ou dois malas tentaram vir com 'conselhos' como se fossem experts. Sequer devem ter me lido, ou me entendido.
Mas, óbvio que sempre estou falando sobre flores, para quem é bom entendedor!
Não parece uma rainha? Mas aqui existem os dois sexos.
Colocaram esta placa, para os mão-santa que tiram galhos das plantas. Mas, sinceramente, que mal tem pegar um galho de uma planta?
É muita 'neura de condomínio' e estou falando nisso no post anterior. Fazem uma reunião porque alguém sentou no banco, ou apertou o botão errado no elevador... Mas, para arrancar árvore, todo mundo tem bastante disposição. Não precisa reunião.
As flores estão aí, justamente para tal propósito: chamar a atenção dos polinizadores: a saber, todos os que viabilizam sua reprodução.
É por isso que a mão coça e vamos ao seu encontro, ou o nariz, ou o inseto, ou o mamífero outro, que não nós mesmos...
Não estou aqui para falar de termos técnicos, que os detalhes são mil.  Já vi esses botões caídos na grama, e, num segundo depois, abrirem-se como mágica! Isso são experiências da minha infância.
Esta arvoreta chama-se Primavera e é muito perfumada. As flores vão mudando de cor, conforme vão ficando mais velhas. As Primaveras, por vezes, abrigam larvas de insetos, que depois viram borboletas. Elas costumam ser perseguidas até a morte, pois ninguém se dá conta de que são borboletas em processo.
Tornarei meus olhos repletos de rosas... Eu compro de vez em quando uma rosa , e, depois de admirar bastante sua beleza, viva, deixo-a morrer e admiro sua beleza, morta. Sim, pois nada é mais bonito do que flores mortas.
E na minha vida gótica não poderia faltar uma roseira sangrando de vez em quando...



Para que janelas tão grandes se estão sempre fechadas?

As novas vizinhas
Não é o episódio do Chaves, mas é legal também. Há no prédio vizinhas novas. Eu adorei a presença delas por aqui. Neste silencioso sepulcro que são os condomínios dessa capital. Elas abrem janelas, conversam alto, deixam luzes acesas, vão sempre até o parapeito da janela e - pasmem - ficam ali, olham para a rua.
Cena do episódio:  Dia de San Valentín
Dizer isso aqui em Porto Alegre, é como dizer que alguém caga em público.
Em certas regiões dessa cidade, as janelas estão sempre fechadas, em qualquer hora do dia.
Há sacadas, janelões, piscinas, halls imensos, e... nada. Só vazios.
Cena do episódio: as novas vizinhas
Eu me sinto praticamente sozinha na capital. Como eu amo a solidão, não tem galho, não tem grilo. Mas adoro conversar, sinto falta de olhares, de janelas abertas, de pessoas circulando, cumprimentos simpáticos. De um telefone tocando.
Os vizinhos de porta, são desconhecidos. E o pior, fazem questão de ser!
As janelas abrem um pouquinho, vinte centímetros, parece que têm medo de que alguma força chupe os móveis caros de dentro da sala, ou que a 'energia' seja arrancada do lar.

É dessa gente metida a besta que eu quero falar.
Você acha que isso é 'natural'? Não é. Esse tipo de pessoa considera sua vida muito importante. E, reparem, são sempre de uma determinada faixa etária. Parece que o sistema as iludiu, as convenceu de que são super heróis de si mesmas e de sua família nuclear, paranoide. Passam apressadas, fingem não ver ninguém, não ousam falar com gente simples, da idade delas, correm no elevador, jamais falarão com empregados, chegam em casa e abrem o jornaleco manipulador, a TV, os eletrônicos caros ou o engana-bobo da vez. Pronto. Estão no SEIO do lar. Quando crianças, o sujeito brincava com todos, não havia preconceitos. Mas vai entrando na fase adulta e vai se moldando nesse estilo de ser.
"Ai, é bom não se misturar né?". Pois sim. É bom para um sistema que precisa de parafusos apertados, isolados e moldados.
Aí você frequenta a mesma parada de ônibus e está todo mundo ali, retesado, fingindo que não conhece as mesmas caras que pegam o buzum a anos no mesmo lugar. O curioso é que há cidades que a coisa é bem diferente. Uma vez ouvi no rádio que em uma cidade do país, os passageiros de uma determinada linha de ônibus organizam uma festa, pois todo mundo lá dentro se conhece. NO super, nem parece que todo mundo é vizinho. Fica aquele clima tenso. Não para mim, nem para aquela senhora simpática, nem para o rapaz conversador. Mas para uma maioria torpe e preocupada com a aparência, a novela e o jantar.
Um dia, a ficha telefônica cai para uns e outros, e aprendem, ou não, que essa pose toda era uma ilusão. E ousam sair para a rua e ir sentar naquele banco vazio que tem na frente do prédio. E que passou quarenta, cinquenta anos lá, intacto, porque ninguém sentou.
A essas alturas, essas pessoas já não terão a mesma idade, nem o mesmo glamour. Os filhos já se debandaram, e aquela ilusão de 'família' desmoronou. Eu vejo isso na cara de muita gente, já, agora. Mas, nos moldes dessa geração, meus ilustres vizinhos, a coisa vai ser muito pior.
Sempre fui de conversar, puxar papo, ou ouvir. Tinha lá meus problemas para 'fazer amigos e influenciar pessoas' como todo mundo, mas não acho o fim do mundo conversar com estranhos. Tem dias, obviamente, que a pessoa não quer falar com ninguém. Mas aqui, a regra é fingir-se de importante e inacessível. Que gente estúpida!
Pois, se isso fosse algo natural, ok, mas não é. NOta-se à léguas, que há um incômodo, um mal estar nestas pessoas, na presença do outro.
E é por isso que eu escrevo.
O blog Desobediência Vegana não se destina só a escrever sobre carne.
Escreve sobre o fato de que esses parafusos solitários agem dessa forma torpe, por falta de auto conhecimento, e isso os leva a chegar em casa e assar seu pernil, a carcaça, usar as drogas da vez, e a tecer suas teses de superioridade, racionalizar, por o dedo na consciência mas esquecer, sofrer que nem um 'animal', e no entanto, seguir no cadafalso, no especismo, no redemoinho em que se enfiaram.
Chespirito, com sua singeleza, já havia sacado, na música do episódio El Dia De San Valentin (no México é celebrado no dia 14 de fevereiro, el Día del Amor y la Amistad)



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O que fazer com um nabo* bem grande?

Foto Marcio de Almeida Bueno/http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
Há feiras pela cidade inteira. Nós vamos em todas. Compramos produtos baratos e de boa qualidade.
Escolhemos bem e somos bem atendidos. Até fizemos amizade. Existe um mundo longe do que as pessoas conhecem por comprar bem. E não existe somente 'a feira', há várias e ótimas por aí.
Um senhor que vende erva-mate, nos contou como é complicado adquirir o selo orgânico, mas nos garantiu que sua erva era orgânica. 
Não dependemos mais de supermercado. Por lá, só se for para dar um passeio e comprar o essencial, que sempre se precisa.
Esses dias estava num deles e encontramos uma protetora super simpática, ficamos de papo.
As pessoas ficavam meio duras, passando por nós. A rigidez delas até gelava o ambiente. Parece que não podem ver pessoas felizes, papeando. Na feira a gente conversa, pára, segue, sem pressa.
Foto Marcio de Almeida Bueno/http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
Mas olhem para este nabão. Este parece uma pessoa! Com pernas e tudo o mais...Se paga um Pila por ele.
Os nabos compridos servem muito bem para saladas, são macios e tenros. Mas também podem ser usados em sopas, em refogados à moda chinesa e em outras receitas. Ele pode ser frito, pode ser comido naturalmente, etc. Não considero este tipo muito picante. Ao contrário, ele é suave e macio. Diferente do rabanete, por exemplo.
A couve-rábano, uma das coisas mais lindas que já vi em horta, e vi na horta da minha mãe, é cozida na água e temperada com sal apenas. É deliciosa. Uma comida de infância, muito rara. É desconhecida do portoalegrense típico. Encontrei em uma dessas feiras, mas é realmente algo raro por aqui. Você pode ver fotos dessa couve e mais fotos da feira neste link: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2013/10/veganices.html

*uso estritamente culinário...

A presidenta passa mal e o circo esta montado

Um povo que tripudia em cima de futilidades, ninharias, enquanto coisas importantes estão acontecendo, é manipulado até os ossos. É carregado para todos os lados. E portanto, parabéns, à toda mídia controladora, pelo excelente trabalho, de enganar esse monte de trouxas.
A Dilma passou mal no debate. Ela é uma senhora. Presidenta da república. O outro candidato não tem nada a perder. Já foi chamado até de franco-atirador, pois vem traçando uma linha nítida de 'avanços', de um terceiro lugar até o primeiro.
Alguém me lembrou hoje da época do Itamar. O Brasil estava uma merda, uma inflação nas nuvens, (hoje não existe inflação, quem reclama não lembra) mas a única coisa que importava era uma calcinha.
De novo, a mulher, a buceta, a humilhação.
O povão, mas não só o povão, quer se divertir às custas de misérias alheias. E todo mundo embarca numa boa. E poucos, mas nem tão poucos assim, pensam, pensam muito, que isso não é o mais importante.
Por que será que ainda não apareceu um bocudo, um corajoso, para dizer que DEBATE é uma tolice?
Que é um show apenas e serve para o povo se divertir, ficar torcendo para seu próprio time e desqualificando o adversário?
A mídia jamais vai fazer isso. Por que ela fica semanas preparando essa palhaçada, falando nisso, armando o circo, colocando os galos para a briga e depois, ainda coloca títulos esdrúxulos nas capas de jornais, como os que eu li hoje pela manhã.
Eu jamais participei de debates na causa animal. Geralmente o outro lado é um covarde. Foge das perguntas, fala asneiras, quer dar uma de galo e ainda por cima, desqualifica sempre. Já presenciei debates em que o oponente, um famoso vivisseccionista, saiu da sala depois de tecer ofensas. É uma disputa apenas.
O que é exposto ali é a capacidade de oratória, coisa que não me interessa. E não deveria interessar.
Eu já dei aula a anos. Sei falar muito bem. Sei escrever, sei conversar. Não me interessa manipular, convencer. Tenho nojo disso. O bom administrador não precisa 'falar bem'. Ele precisa administrar bem. Ele precisa ser bom presidente. Honesto. Ele precisa fazer o que Lula (sim, tem lá seus defeitos: apertou a mão do Sarney, do Collor, etc) fez.
E aliás, para os que acham que 'Dilma fala mal', se o que importa é um que fale bem, escolham da próxima vez, qualquer psicopata que os convença e fale o que você quer ouvir.
Me contaram que fui chamada de 'mal educada' por mulherzinha, mas pode crer, quem me inspira é muito melhor que eu!
E por falar em nojo, por que será que os REIS DA CARNE querem doar em torno de R$ 94 milhões de reais, (uma empresa, apenas para dar um exemplo) e ela elegeu em torno de 378 deputados federais e ao menos 24 dos 27 senadores?

E eu tenho que ler coxinhas no faicebuke (eu não perco tempo lendo, me contam), dizendo que podemos mudar tudo neste país por meio do voto. Isso o votante disse indignadíssimo, pois não podia tolerar uma vidraça quebrada pelos blak blocs.
O ilusionado nunca parou para pensar que a vida dele é controlada por rádio, TV, jornais, muitos destes veículos são de deputados, por revistas manipuladoras, por campanhas financiadas, por mil vidraças estilhaçadas em sua própria vida, mas muito pior, na vida de gente humilde, que provavelmente ele não se importa, pois se se importasse, não viveria metido dentro de uma 'rede-social' que nao acrescenta nada.

Pobre da gente do Nordeste, que além do preconceito que sofre normalmente o ano inteiro, sofreu humilhações de toda a sorte por ter elegido Dilma, vindo de gente que vota, que se acha superior.
Vamos supor que Dilma estivesse menstruada. Aposto que essas mesmas mulheres, que espezinharam os nordestinos, só por esse motivo votariam no candidato. Por que o macho é mais preparado, não sangra. "Ah mas tem mulheres e mulheres para se votar" me fala sempre as mulherzinhas e os coxinhas de plantão. Tenho sorte de ter ao meu redor mulheres pedreiras, feministas, porradonas e homens de fé. E, nas minhas 'pesquisas de opinião' todos eles votam em mulher. E votam em boas mulheres e são respeitáveis. E são respeitadas.
Agora, como tem mulher que vota em homi.
E não é só no centro do país que o preconceito impera. Mais de um já me falou contra os nordestinos durante minha existência. Como se, pertencer àquele Estado fosse um tipo de desgraça, e pertencer a este fosse uma espécie de bênção. Nas propagandas políticas daqui também se insinuou isso, que é para atingir esse tipo de pessoa.
E, o que temos é um monte de homens no poder. E não é qualquer tipo de homem não. Escolheram a dedo.
 
E, como prêmio, o sujeito honesto, o guerreiro, é esquecido, é alvo de deboche, "fugiu do país vestido de mulher", diziam os manipulados da vez!
Sim, otário, querem te fazer acreditar nisso. Os que ficaram no país eram covardes, torturadores. O subversivo foi perseguido pela ditadura imposta por quem hoje inventa mentiras para te iludir, e teve que fugir. Mas inventaram essa mentira para o desqualificar. E foi tão bem contada que hoje, qualquer taxista conta essa piada, rindo.
Não sabe que ele está rindo dele mesmo.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Sintoma é quando ignoram o mais importante

Publicado no site De Olhos e Ouvidos, a homenagem a Flávio Tavares e o comentário sobre o silêncio da mídia logo a seguir.
Agora eu me pergunto, o que leva a esse silêncio brutal, essa mania de puxar saco de uns e outros...mas silenciar quando alguém merece ser reconhecido, lembrado, lido?
E as mulheres onde estão? Por que elas não abrem o bico, não levantam as saias, não constroem as 'bases'? Ai não tem nada a ver com o assunto? ãHã. Tamo sabendo do trabalho feito por Maria do Rosário lá, nos Direitos Humanos, e antes, caçando os abusadores de crianças, etc, um ótimo trabalho! E de como tentaram minimizar seu discurso e diminuí-la com atitudes rasteiras e machistas.
Por que essa horda ditando o que todos devem fazer, ler, escrever, e pensar?
Que medo é esse? Não. Eu não quero saber a 'opinião' de ninguém. Quero mais ações, mais pensamentos e um bom tanto de revolta, sim senhorAs.
Flávio Tavares recebe Título de Cidadão de Porto Alegre

Foi também o homem que 'matou Dom Vicente Scherer' no mais célebre trote jornalístico do rádio que se tem noticia (Olides)

Vereador Pedro Ruas - proponente da homenagem

A Câmara Municipal concedeu, em Sessão Solene realizada nesta sexta-feira (26/9), o Título Honorífico de Cidadão de Porto Alegre ao jornalista Flávio Aristides Freitas Tavares. A proposta foi elaborada pelo vereador e presidente da sessão, Pedro Ruas (PSOL), que afirmou que a homenagem visa "dar reconhecimento a um dos nomes mais importantes do jornalismo gaúcho".

Pedro Ruas leu um trecho de um dos livros escritos por Flávio, intitulado Memórias do Esquecimento, e disse que jamais irá esquecer aquelas palavras: “O choque elétrico é a primeira dor profunda, mas a grande humilhação, símbolo da derrota e do ultraje, é despir-se. É o momento de mútua corrupção entre vítima e algoz”. O vereador explicou que Flávio sofreu na carne as técnicas usadas pela polícia para incriminar os inimigos do regime militar. "A tortura, os choques elétricos, o pau-de-arara e depois o exílio."

Segundo Ruas, Flávio sempre foi um cidadão do mundo, e agora está se tornando um cidadão de Porto Alegre. "Esta Casa se orgulha de oferecer ao Flávio o maior título que um representante gaúcho pode receber: o título da cidadania", afirmou o vereador, que comparou a homenagem a eventos históricos realizados pela Câmara, como a Abolição da Escravatura antecipadamente à abolição nacional, em 1884, e a restituição de mandatos de vereadores de Porto Alegre cassados pela ditadura Militar.

Militância e cidadania

Flávio Tavares descreveu a sua vida desde o momento em que veio para Porto Alegre, para complementar os seus estudos, até os dias atuais, narrando também os momentos históricos pelos quais passou durante a Campanha da Legalidade, em 1961, e o exílio durante a ditadura militar. "Por muito tempo não tive nacionalidade e, atualmente, tenho várias. É irônico mas este fato retrata os momentos em que eu não pude me apresentar como cidadão brasileiro", afirmou.

O jornalista ressaltou a importância da atuação militante e política dos jovens, pois, segundo ele, se este sentimento de manutenção da democracia plena se perder no horizonte deles, "desastres" como os golpes militares podem ocorrer novamente. "Fico feliz de ser considerado um cidadão de Porto Alegre e quero com isto levar as minhas histórias de militância política e jornalística a todos aqueles que acreditam que o exercício da cidadania é a única forma de assegurarmos que o Brasil seja uma país livre e democrático".

Trajetória

Flávio Tavares nasceu em 12 de junho de 1934, na cidade gaúcha de Lajeado. Em Porto Alegre, formou-se em direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs, em 1959. Naquela época, era reconhecidamente um militante político que buscava melhores condições de vida para a sociedade, organizando entidades estudantis, disputando comandos e formulando projetos de mudança social. Militante político no período da Legalidade, em 1961, tornou-se amigo do então governador do Estado gaúcho, Leonel Brizola, convivendo com ele no Brasil e no exílio e tornando-se um dos seus mais credenciados biógrafos.

No início dos anos 1960, Flávio foi um dos poucos jornalistas brasileiros a conviver com o guerrilheiro Ernesto Che Guevara, que, mais tarde, seria objeto de um de seus livros. Após o golpe militar de 1964, Flávio foi perseguido pelo regime que se instaurou no país, sendo exilado do Brasil, para onde retornou somente com a Lei da Anistia, de 1979.

Para o vereador Pedro Ruas, "a extraordinária experiência de Flávio Tavares teve intensa influência na sua atividade principal, o jornalismo, assim como esta teve influência em toda a sua maneira de ver e contar a realidade". O proponente lembra ainda que os trabalhos jornalísticos do homenageado são reconhecidos nacional e internacionalmente, servindo como referência literária os seus livros Memórias do Esquecimento e O Dia Em Que Getúlio Matou Allende.

Estiveram presentes na homenagem o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, e o procurador-geral de Justiça, Ivory Coelho Neto, além de familiares de Flávio Tavares.


VEREADORES E ZH IGNORAM HOMENAGEM A FLAVIO TAVARES

Olides, deste uma de jornalista preguiçoso. Sobre a homenagem que a Câmara Municipal prestou a Flávio Tavares, na semana passada, publicaste apenas o release oficial. Um bom repórter que lá estivesse teria registrado pelo menos dois fatos inusitados. Um único vereador esteve presente, Pedro Ruas, o proponente do título de cidadão de Porto Alegre. Os demais edis onde estariam? Provavelmente, em campanha eleitoral. Mas não faltaram antigos colegas e amigos, como Carlos Bastos, Ibsen Pinheiro, Batista Filho (presidente da ARI), Antônio Oliveira, Guido Moesch, Ayres Cerutti, os poetas Armindo Trevisan, Fernando Castro e Maria Carpi, mãe de Carpinejar. Outro fato que causou estranheza: nenhum representante da Zero Hora - um diretor, editor ou sequer um repórter - prestigiou o colunista que ocupa, todos os domingos, um espaço nobre do jornal.

ABs, AGoulart
Fonte: http://deolhoseouvidos.com.br/

Entrevista para a TV UCS de Caxias do Sul sobre meu artigo: Aquecimento Global - o fim do conforto garantido.

Entrevista para a TV UCS de Caxias do Sul sobre meu artigo: Aquecimento Global - o fim do conforto garantido.
o artigo pode ser lido aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/10/aquecimento-global-o-fim-do-conforto.html

Aquecimento Global - o fim do conforto garantido

artigo de Ellen Augusta Valer de Freitas publicado na ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais, em diversos sites, jornais e em revistas de saúde.
De todas as mudanças que a espécie humana realizou na Terra, talvez a climática seja a mais marcante, e também a mais negada de todos os tempos. No texto escrito em 2001 por George Marshall chamado ‘A psicologia da negação’, na revista The Ecologist sobre mudanças climáticas, o autor mostra o quanto a humanidade nega e disfarça o envolvimento com as mudanças ambientais mais drásticas que estamos acompanhando, como a destruição da camada de ozônio, primeiro estágio para um planeta mais quente.

Entre as diversas formas de contribuição humana para o aquecimento global está uma das indústrias mais rentáveis do mundo: a pecuária. Em relatórios da ONU e em pesquisas divulgadas em todo o mundo, podemos saber de algo escondido. A indústria da carne é responsável por significativos índices de desmatamento, para a criação de gado e para a plantação de soja, que é destinada em sua quase total maioria ao gado.


Na Costa Rica, na Colômbia, no Brasil, na Malásia, na Tailândia e na Indonésia, as florestas tropicais são destruídas para se conseguir terra para pastagens, explica Peter Singer. Sabe-se que 70% da soja brasileira é destinada apenas a animais, e qualquer estudante de Ecologia é capaz de constatar que a energia vem diretamente dos vegetais e dos organismos fotossintetizantes


Desperdiçar alimentos – solo, água – através do consumo de animais gera uma perda energética bem maior que se os mesmos fossem consumidos por humanos. Entre outros alimentos que são plantados exclusivamente para animais está a aveia, o milho, o linho e o sorgo.


A população de bovinos no Brasil já ultrapassou a humana, com mais de 190 milhões de cabeças de gado; no mundo o número chega a 20 bilhões incluindo as aves. A criação de animais gera a poluição e o uso sistemático de muitos litros de água.

A suinocultura, só em Santa Catarina, já rende por dia 37.835.803,2 litros de dejetos. Os ruminantes em geral, no caso, os bovinos, emitem grandes quantidades de gás metano, que é 23 vezes mais poderoso que o CO2 para o efeito estufa. Ruminantes também produzem o óxido nitroso, 296 vezes mais potente que o CO2.

A pecuária ainda emite amônia, causadora da chuva ácida. Sem falar no transporte de animais vivos ou mortos, que gera consumo de combustíveis fósseis, já que em muitos países do primeiro mundo não se trabalha mais com pecuária – preferem deixar esse trabalho dispendioso e anti-ecológico para os países do Terceiro Mundo que não contabilizam gastos ecológicos ao exportar carne.

A FAO, órgão da ONU onde se pode obter essas e outras informações, concluiu que a pecuária contribui mais que os automóveis para o aquecimento global. Mas por que estas informações não são populares? Desde a década de 30 sabe-se por diversas pesquisas que há diversas fontes de aminoácidos e nutrientes diversos em todos os vegetais, e que a carne não é necessária para a alimentação humana.
Por que essas informações não são tão divulgadas e os mitos continuam sendo transmitidos como verdade, até por alguns médicos? Hoje existem alimentos saborosos, infinitamente superiores em qualidade nutricional e sabor, e ainda baratos, mas poucos sabem disso.

Além do prejuízo ambiental, há um outro prejuízo que talvez seja irreparável: o ético. Ao consumir-se alimentos de origem animal, não somente o ambiente físico está em risco, mas o sofrimento e exploração de milhões de animais que simplesmente são ignorados pela maioria das pessoas.
Alguns procedimentos realizados nos animais de consumo seriam crimes, se fossem realizados em cães e gatos. O fato é que não é crime mutilar um animal vivo, nem privá-lo dos movimentos básicos, não é crime utilizar-se de procedimentos sem anestesia e tudo isso por que esses animais são considerados como ‘coisas’, e não como seres em si mesmos. São destinados ao mercado de consumo e serão mortos de forma cruel, avidamente consumidos por milhões de pessoas em todo o mundo, as mesmas pessoas que dizem preocupar-se ‘com os animais e com o aquecimento global’.

As pessoas estão preocupadas com o aquecimento global, mas não querem mudar seus hábitos nem mesmo questionar a vida massificada em que estão imersas, sem perceber. Um olhar mais atento, uma conversa mais aprofundada, revela as defesas e justificativas sempre infundadas de quem se diz interessado pelas questões do mundo, mas não muda nada em seu próprio mundo e, ao contrário, viabiliza a forma de manter tudo como está.

Basicamente é possível fazer algo, como apagar as luzes da casa, fechar a torneira enquanto se escova os dentes, reciclar o papel e o óleo de cozinha. Todos esses procedimentos são essenciais até mesmo para nossa economia pessoal, mas o que é isto em larga escala, se em outras questões estamos pagando, e bem caro, para que a poluição continue?

Deveríamos pensar em outros hábitos menos questionados, onde estão a maior parte do mal que causamos ao ambiente, e não queremos admitir sob pena de ter que mudar as coisas. Todos se interessam pelos animais, dizem aos quatro ventos que amam os animais, mas não vemos os números da exploração animal diminuir. Ao contrário, da mesma forma que ocorre com as crianças, seres indefesos, os animais vêm sofrendo as mais terríveis formas de traição e escravidão.


Embora estejamos em um século de tecnologia avançada, ainda estamos no tempo das cavernas no que se refere ao respeito pelos semelhantes e pelas diferenças, especialmente os mais indefesos. Ao mesmo tempo em que se jogam crianças pela janela, da mesma forma animais perecem na escuridão de uma cultura que os ignora. E as elucidações, os congressos, as análises, os livros sobre o assunto não páram de crescer, embora pareçam não contribuir em nada para mudar as coisas – isto porque a mudança é algo mais profundo que uma simples leitura da realidade, sem ações efetivas.


Os animais são ainda a última instância, em se tratando de ética e respeito aos seres vivos. Agora que já não é mais aceitável escravizar índios, negros, pobres ou oprimir – pelo menos abertamente – as mulheres, ainda é possível que o mesmo seja feito aos animais. Ainda é aceitável que tudo em nossa cultura, especialmente a linguagem e a alimentação, sejam de modo a inferiorizar os animais. Com esse ato, a espécie humana torna-se lamentavelmente inimiga de si mesma, seja por acabar com a própria casa onde habita, seja por inferiorizar outros seres, esquecendo-se de que também é um animal, e como todos os outros, depende de uma cadeia ecológica baseada principalmente na cooperação.

Vanguarda Abolicionista é selecionada para projeto do Vista-se

Vanguarda Abolicionista é selecionada para projeto do Vista-se

O portal Vista-se lançou o projeto Doe, que convida os internautas a colaboraram com R$ 2,99 por mês para grupos de defesa animal no país. A Vanguarda Abolicionista foi a mais recente selecionada, e está no link http://vista-se.com.br/doe/#van. Um vídeo de apresentação do coletivo está em http://youtu.be/yAM3A2QV7QE, e toda ajuda é bem-vinda.

O que há de errado com Pamela Anderson?

De Ellen Augusta - artigo publicado na ANDA e na Pensata Animal

O ativismo pelos animais em muito tem semelhanças com o ativismo feminista, mas podemos perceber hoje exemplos de comportamentos questionáveis entre ativistas pela causa animal.

O que há de errado com a Pamela Anderson? A meu ver nada. Mas percebe-se que, entre mulheres vegetarianas, ela não é muito bem-vinda. Seja pelo seu comportamento que alegam ser fútil ou pela sua aparência: o fato é que ser mulher, famosa, rica, linda e ainda por cima lutar pelos animais tem incomodado muita gente. Pessoas como Morrissey, por exemplo, saem do palco e fazem o que querem, mas não têm essa visão negativa por parte do público. Então por que ela tem?

É uma pergunta que incomoda, pois não há nada de errado em ser vegetariana e usar a sua fama, dinheiro e influência para promover essa causa. Ser vegetariano/vegano não tem relação com o sexo ou com o contexto social das pessoas. Eu posso ser fútil e rica e mesmo assim posso ter consciência de algo que realmente me parece óbvio, que é o sofrimento animal. Se há sexismo e preconceitos diversos nas campanhas, isso é uma outra discussão que não envolve logicamente apenas o meio ativista.

Todos nós temos nossos momentos de futilidade, e a futilidade masculina é curiosamente aceita ou possui outros nomes, a feminina não. O próprio conceito (ser fútil) é vago e o senso popular há muitos séculos não nos serve de referência do que é verdade ou não.

A belíssima Brigitte Bardot é um exemplo de beleza e ativismo e provavelmente em sua época foi dessa forma criticada pelas mulheres de seu tempo. Hoje ela já é velha (e continua linda na minha opinião) e “pode” ser ativista numa boa, mas por que a Pamela Anderson não pode?

A Brigitte Bardot usou seu tempo, sua beleza, influência e dinheiro para ajudar os animais e faz isso de maneira intensa até hoje. Ela é uma referência feminina para muitas mulheres e um exemplo para todos. Provavelmente teve todas as “facilidades” da fama e todas as “futilidades” ao seu alcance, mas ao longo do tempo refletiu e agiu. Será que muitos de nós que nos rogamos corretos e com ‘bom senso’ seríamos assim mesmo, se tivéssemos a oportunidade que estas mulheres tiveram de usar seu dinheiro para a causa animal? Será que muitas das pessoas que possuem o estereótipo de “eco-lógicas” na sua essência são realmente preocupadas com os animais?

Por isso acredito que essa crítica que a ativista Pamela Anderson sofre agora é mais baseada na insegurança feminina, no machismo generalizado, na inveja, do que em algo palpável. E gostaria de estar errada.

Não há problema nenhum em ser bonita, em usar a imagem ou o que quer que seja, se a pessoa é adulta e dona de si. A causa animal não é um dogma, ela é uma ideia e muitas ações em conjunto. Não é uma religião onde mulher não possa entrar pois “ameaça”, pois é uma “tentação”. A mente humana está deveras imersa em conceitos puristas, nossa própria linguagem é baseada em ideias antiquadas, pois nossos ancestrais eram assim. Por isso, temos mesmo que nos desvencilhar de certos conceitos que nos impedem de ver algo real e só ver malícia onde não há.

A mulher vegana deve ter em mente que os meios usados para a escravidão dos animais, exploração da natureza e o condicionamento social a que estamos imersos são muito semelhantes às formas de controle social da mulher. Sejam veladas ou escancaradas, essas formas de controle existem e é bom abrir os olhos para não seguirmos além dos séculos reproduzindo estas ideias.

E um viva à beleza dessas mulheres!!

Obs.: Para quem ainda acha que não existe machismo e que as pessoas exageram quanto ao feminismo, uma sugestão de leitura abaixo que serve muito bem para estas pessoas e contém muitas dicas para os ativistas veganos:

Wolf, Naomi. O mito da beleza: como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres. Rio de Janeiro: Rocco, 1992. 439p.
Para ler este e outros artigos na minha coluna no site Olhar Animal - Revista Pensata Animal, clique no link:
http://www.olharanimal.org/pensata-animal/autores/ellen-augusta

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Amor no cabide e roupas na rua

 As intervenções urbanas me atraem, pelo anônimo, pelo panfletário, e principalmente pelo coletivo da atitude. Esse projeto é chamado de Amor no Cabide. Consiste em deixar uma roupa para alguém e pegar algo, se precisar, ali mesmo, no cabide.
Já vi em paradas de ônibus, em lojinhas de artesanatos, de confecção de lã e mais de uma vez eu lembrei que tinha algo aqui em casa para colaborar.
 Neste dia, saímos para uma caminhada e, deixei meu vestido de lã sintética, feito pela minha sogra. Sim, pois mulheres também sentem frio. E nesses dias havia conhecido uma moradora de rua.
Olhem o cartaz lá em cima: "Eles também precisam". Pedem roupinhas para cães e gatos também.
 É importante poder participar de pequenos gestos, que fazem parte de grandes atitudes. Mais legal é publicar aqui no blog, divulgar ao máximo, para que outros possam imitar. Fazer o mesmo, ou melhor.
Uma boa atitude deve ser contada, publicada e encorajada sempre. Para que se quebre o silêncio do nada fazer, do negligenciar, do não saber e nem se interessar...
 Ver a cara de 'ai, to chocada', de algumas pessoas, me fazem sempre ter a certeza de que estou no caminho certo. Nas minhas atitudes e no meu modo de escrever.
 A intervenção, neste caso, é justamente isso: cortar o cotidiano. Mostrar que há coisas mais importantes que o celular quando não funciona, que os tecidos para a decoração dos sofás ou os pontos do seu cartão de milhagem.
Por isso a cidade está cheia de pequenos detalhes, de arte urbana, bastando levantar um pouco a cabeça virá-la um pouco para o lado - e ver realmente.
 O coração dizia algo como: pegue, é seu. Puxa, eu gostava muito desse vestido, quem será que o levou?

Seu Madruga professor e o educador que todos nós somos

Os tipos de professores que somos
Quem não gostaria de ter um profE como o Seu Magruga, neste episódio?


Don Ramón mostra toda sua experiência de vida, sua malandragem, e seu saber, nos poucos minutos de aula, enquanto o professor Girafales precisa sair.
Porém o professor Linguiça tem seu método de aula e eu não considero enfadonho. É apenas seu jeito.

Não acho que um professor deva ser um show, um apresentador. Isso acabou virando moda por causa dos cursinhos de pré-vestibular.
Eu não aprendi nada com esses cursinhos. Só vi palhaços na minha frente. Não considero bom professor, o sujeito que vive cheio de sorrisos, ou o simpaticão, ou a amigona. Nao! Ao contrário. A vida já me ensinou muito bem que quem vive de sorrisos nem sempre está verdadeiramente feliz.
O bom professor é autêntico. Ele é o que é. Não dá nada de graça e nos ensina a buscar. E se não conseguimos, nos auxilia, empresta sua mão.
Por isso este episódio é tão sensível. Os dois professores estão aí, para alunos torpes, um é o clássico, o outro é o simplório. Chaves não tem os pais para levá-lo até a sala de aula.

E Chespirito tem alma para criticar como é idiota esse cartesianismo escolar, que obriga, todo dia das mães, todo dia dos pais, todo dia santo, enquadrar crianças que não tem mãe, não tem pai, não tem crença, nestes moldes cretinos. E lá vai Chavito, sozinho, com fome, sem incentivo de ninguém, estudar. Quem? nunca? esteve no lugar? E se você estudou sempre em escolas douradas, acorde para a realidade de países da América Latina, onde se lê mais que no Brasil, e há crianças pobres, com fome e dificuldades. As escolas públicas podem ter lá suas dificuldades, mas nem sempre são tão horríveis como costuma pensar a classe média. Existem sim, bons professores, bons projetos, livros, empolgação e cultura nestes lugares. Eu sempre estudei em escolas públicas. Tenho sim más lembranças de professores medíocres, ok. Nada que depois não tenha encontrado no particular aos montes. Mas ali, no ambiente público, encontrei preciosos mestres, muito conteúdo, livros, bibliotecas e gente disposta também. Comi merenda, não tinha vergonha. E tinha proteína de soja. Ninguém sabia o que era. E não tinha frescura. Então, para quem é pobre, não fique naquela tristeza de não poder pagar uma escola particular. Entre numa escola pública e participe dela. Existe gente boa por lá.

Para meus leitores, para nós professores, e para todos nós eternos alunos, deixo estes episódios do Chaves, em Espanhol, que é para treinar outro idioma. Depois façam o exercício do pensar e lembrem de seus professores, todos nós temos alguns, dentro do coração.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Verbos infantis - palavras transitivas: escrevendo para a criança morta

Para Erico

Chover pelas árvores, correr pelas calçadas, folhas e rosas esquecidas no olhar.
O guarda-chuva caminha e a música - sempre a voz - fere ouvidos emocionados.
Vou encontrar o mago.
Contar segredos...malditos.
Na sala dos sonhos, não tem velas acesas, nem incenso, nem toda aquela ritualística dos tempos ingênuos.
O que há ali é um imenso espelho a se partir, a rudez de quebrar pedras, atravessar portais translúcidos, com um corpo de nudez, e alma dilacerada.
As lágrimas no vidro dos olhos, vergonhosas mãos escondem a dor, tudo em frente de deus.

No outro lado da rua a criança chora com sua boneca nova. A mãe está atrás da porta. Ela - um conto de lágrimas. Sabe que chorará até o último dia, deste evento que chamamos de: 'sua vida', mas que é nada mais do que - morte - a cada minuto que deixamos para trás.
O bebê que a criança carrega, é de brinquedo. A criança que o adulto adormece dentro de si - chora e sangra.
Caminha por cemitérios enfeitados de rosas, névoa branca entre lápides, ela está morta.
É a melancolia infinita, de tempos remotos, de dores esquecidas. De bonecas partidas. De afetos que nunca existiram. A solitude necessitava o vazio, e seu direito ao amor. A mente viajava para o distante, buscando o domínio de si mesma - a menina poeta. Eu já sabia.
O amigo trouxe pela primeira vez o abraço - irmão - amado, em troca daquele que não foi.
Olhos de água escura, cujo fundo se perdia em ternura.
Jardim cuidado por mãos tristes, por lágrimas sem remédios.
A criança está sozinha. E hoje eu a vi chorar, por uma boneca que ficou para trás.
Ellen Augusta
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