sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A atenção é um artigo raro em tempos de Whatsapp e redes "sociais"

Se tivesse um botão no Messenger que seria acionado a cada vez que alguém puxasse assunto comigo, descontando Um Real da conta do sujeito, as pessoas pensariam duas vezes antes de entrar para dizer merdas como 'Oi Linda', 'quer casar comigo', 'qual seu Whats' ou mandar foto de pau copiada do Google...

Esse tipo de conversa é previsível, você sabe como começa e onde termina, e não tem conteúdo algum, não tem propósito e ainda por cima é desmotivante. Quem é que não se sente um lixo, ao saber que tanta gente entra em contato com vc, mas na realidade, quase nada QUER realmente travar amizade ou revelar coisas importantes, ser útil, agradável?
Por outro lado, a reclamação geral é de falta de atenção.
Você marca um café, e sua amiga pega o celular e não fala mais com você. Você está com o boy e daqui a pouco ele pega o telefone (sim vc não é o único contato dele pra sair) e começa a usar na sua frente, como se não existisse mais ninguém ali.
Você tem muitos amigos no Whats, mas é vácuo em toda parte. Respostas vazias, silêncios, nadas, enfim, não preciso explicar muito o que a maioria já passou.

Que grande merda é a vida das pessoas em geral, pois precisam tanto de um telefone, e não conseguem fazer nada de verdade por muito tempo.

Depois que comprei meu Smartphone minha vida piorou. Só anexei ou excluí números na minha agenda. Pessoas que entram e saem, como em um bar, que depois fica vazio e sujo com as marcas de quem passou.
Gente que tá muito preocupada consigo mesma para construir algo aos poucos, e no mais profundo e difícil, com vc.

Esse desinteresse cansa, sobretudo porque é sempre igual. Eu espero surpreender-me, mas espero sentada, escrevendo aqui no blog.
Joguinhos do tipo "vou me fazer de difícil", não colam mais, todo mundo já sabe que é um jogo tolo e repetido, e o pior, todo mundo joga, então cadê a originalidade? Ou seja, se alguém tá se fazendo ou te tratando como segunda opção, você parte pra outra e transforma esse cara em segunda opção também. E assim a vida segue, igual e sem graça pra todo mundo.

Ser você mesmo, falar o que sente, assusta e leva essas pessoas para suas cascas frágeis, para aquela ilusão cotidiana de proteção.

E isso não vale só para crush, ficante, e afins. Também vale para gente orgulhosa, egoísta, que acha que as pessoas estarão sempre à disposição, é só ir ali e pegar no Whats.

Está cada vez mais difícil se envolver, pois as pessoas simplesmente estão confusas quanto ao que querem, ninguém se propõe a nada, melhor é estar em todos os lugares ao mesmo tempo, sendo um fantasma intelectualizado ou um boy magia, que não se dedica e não acrescenta nada a ninguém. É assim que eu vejo a maioria das pessoas que tentaram entrar em contato comigo.

Nas ruas as pessoa imploram por atenção. Nos trabalhos que faço nas ONGs que atuo, percebo o vazio, a falta de afeto e a desorientação das pessoas por toda a parte. Aí aparece o machismo, a carência, a negligência...

Todos, ou quase todos, querem um relacionamento, mas o que oferecem e o que existe são só migalhas, são só moedas.

Um amigo me disse: Se alguém fica/transa com todo mundo, é como se fossem várias moedas de um centavo que, juntas, não formam nem Um Real. Vários caras, não formam um homem inteiro.

Pois você não pode dizer a ele nem como se sente num dia de angústia.

Várias noites com meninas diferentes, e você é o mesmo merda que não conheceu ninguém pois ninguém se mostra em poucos momentos, na hora da cerveja, ou numa trepada sem a menor intimidade, pois não é fácil se apaixonar, tampouco se envolver com quem você viu umas vezes na hora da alegria, do cabelo arrumado, da make bem feita.


Fico pensando que um dia a ficha cai, ninguém é lindo, corpão sarado, rei da galera, ou líder, a vida inteira. Essa fase oba oba, essa ilusão de auto suficiência vai acabar geral e para todos um dia. Uma hora bate a solidão, aparecem os problemas, e você só tem  crush, ficante, amigos de bar, de trabalho ou de App, pois dedicou sua atenção apenas a essa vida estúpida que você leva e que vai te levar para a morte, como a todos nós.

domingo, 28 de agosto de 2016

Angústia

Adoro a palavra Angústia, e não consigo parar de sentí-la.
A perseguição começa quando estou bem. Vem sempre à noite, quando estou já desarmada. Está a me rondar neste momento. É um sentimento que anda de mãos dadas com outros, que nem ouso mencionar.

Se eu disser as palavras, se eu as formular, tenho medo de que escapem do meu coração ou, me prendam para sempre em seus significados.

Quando a noite chega, e com ela está a Angústia, eu sinto vontade de deitar embaixo do cobertor, e esperar o tempo passar, queria dormir, queria esquecer, das coisas lindas ou tristes que estão pairando no ar. Mas esse sentimento congela tudo, fixa tudo em algum lugar onde não alcanço.

Tudo começou quando abri uma fenda desta armadura. Eu não suporto o brilho da noite, tampouco a brancura serena do dia quando começa.


Esconder-me no sombrio me confortava. Minha vida estava bem até então.
O dia traz as cores do Sol, e a possibilidade de eu me sentir melhor, quem sabe. Mas, por que tudo é tão longe, por que é tão raro?

Eu caminhei pela manhã, percebendo a neblina gelada. Estou cansada. Minha vida, eu zerei, todas as possibilidades, já não me interessam. A beleza está ali, a vejo, mas será minha? Prefiro a certeza da morte, do que a brevidade incerta da vida.

Fugindo de tudo o que venero, passei a vida perdendo o que de mais sagrado conquistei.

Eu não quero mais viver de relações vazias, não quero ser mais uma opção na agenda de alguém. Uma companhia para o nada, um ser esquecido, como sempre fui.
Eu não quero mais jogar o jogo, esse jogo de vazios, de vácuos, de nadas que se completam.

Amanheci com o vestígio de um sonho ruim. Eram coisas a serem banidas, varridas, eram noites sem sentido, com o Oceano de fundo. Era um brilho de morte em toda essa praia vazia.

Eu penei, essas semanas eu senti toda a angústia possível, de quem espera descobrir algo. Meu corpo não responde a minha pergunta, só me fere com dores, estranhas sensações. Minha mente é apenas negação.

O que será que vai acontecer na minha vida? Serei só ou há algo mais em mim?




sábado, 30 de julho de 2016

A rua

Era um encontro ao acaso, os fantasmas lá fora, as coisas sempre nebulosas. Como é difícil lidar com a clareza, aí vamos para as sombras. Tão mais fácil é sonhar, quando me escondo do Sol.
Nada se compara à essa terrível timidez. Me deixa ora pálida, morta, outras vezes vermelha, como algo queimando no rosto. Eu não consigo mentir, fingir que não me importo.
É impossível formular uma palavra, o medo de que ela saia 'errada' e leve para longe, toda a possibilidade. Eu me concentro na beleza das coisas, até chego a amar a vida novamente, durante um segundo, a pureza de um instante me faz esquecer, de toda a tristeza anterior.
A rua se mostrava iluminada. Era final de tarde, havia tantas árvores e um brilho dourado por onde se passava. Eu só queria ir pra casa, me atormentava o medo, a insegurança, essa merda chamada vontade. Esses sentimentos, que ao sol de um final de dia ficam mais bonitos, nem parecem o que são.
Ontem, eu senti um certo orgulho de estar viva. Geralmente eu anseio pela morte, como uma forma de alívio. Geralmente a vida para mim não tem sentido.
E, dessa vez não é licença poética, eu já quis morrer tantas vezes quanto são os dias.
Mas, ontem, ali naquela praça, com aquelas árvores verde-brilhantes e pessoas andando para todos os lados... eu curti estar onde estava. Ali. E percebi que meu coração é vazio, das coisas banais esperadas por todos, mas é repleto, de coisas que nem mesmo sei, e me surpreende, por vezes.

Será que o amor que conheci, se transformou? Será que esse sentimento adentrou-se aqui dentro e me tornou isso? Outra coisa, outros sentimentos, mas todos parte desse, tão profundo e esperado?

Minha mãe

Faz alguns dias que sonho com minha mãe. Faz alguns dias que choro quando ouço RR. Sentir saudade de quem já partiu dessa vida estúpida é quase a mesma coisa que se torturar, não há corte mais profundo, nem mais infeliz, pois é inútil.
Só há uma sensação chamada ausência, As flores secas, a casa fechada, minha mãe completamente cinza, a cor dos fantasmas quando, por fim, estão mortos.
E essa presença soturna a me dizer o que devo carregar. Mas, por quê devo obedecer? Por que passar a vida a levar pesos, mágoas, formas de tapar grandes buracos na alma?

Não, mãe, eu desobedeço. Não levarei nada, partirei com a alma vazia, nada mais restou.


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Sombras do dia

Onde clica pra aparecer a vontade?
De sair de casa, de comer, de me maquiar como eu gosto.
Com essa dor (hj é física) só quero ficar quieta.

Mas, terei que sair porque preciso: trabalhar, pagar contas, comprar comida, lembrar que tenho que dar satisfação à Vida, do porquê estou, ainda, aqui,
se é a morte a quem tanto desejo.

A casa escura, acordo no quarto, minha vida é este rio pesado, onde passa um trem por cima, estremecendo tudo, fazendo esse ruído assustador. E estou sempre com um fantasma ao lado, desta vez, ela sabia para onde íamos.

E mãos lindas, perfeitas, me impedem de ver, eu caio em outro sonho, e apesar de ser triste, é um alento perdido. É um nunca mais.

Acordo cedo, ainda é começo de noite e vou fazer um café. Volto correndo para as palavras, elas fixam o sonho, elas definem o que eu sinto, antes que tudo simplesmente vire ar. Meu coração não guarda mais nada, ele é vazio, como aquelas casas no domingo.
Ele é triste como o lugar onde eu morei.
Então elas me socorrem, guardam os significados mais sutis, só eu mesmo irei entender.

Há um sentimento, uma admiração, algo tão infantil quanto inútil, não posso fazer nada, ele nem sabe que eu existo. E se souber, não pode imaginar o que nem mesmo sei e é tão poético.

São as pessoas, são o mundo. Elas são todas iguais. Um mar de lama de coisas previsíveis. Eu, ingênua, ainda espero alguém que me surpreenda, ainda espero algo que se destaque, que brilhe quando passar por mim.

É a geração Face, é a geração fake, respostas rápidas, silêncios entre tantos contatos e decepções.
E a noite é linda, chove a todo instante, eu não sei pra onde vou. No fundo eu sempre procuro a mesma coisa, dar um fim a esta angústia, a esse nada que me invade às vezes.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Um anjo como os outros

Olho para minha casa, grande, compartilhada. Olho para meu quarto, pequeno, tão meticulosamente feito por mim. 
Eu bebo, coloco a culpa no Inverno. Eu não consigo ficar só, coloco a culpa no frio. 
Vou percebendo que estou tão bem, como nunca estive. Eu estou comigo, e posso estar com quem eu quiser.
A morte me consola, sua ideia, seu aspecto silencioso e profano. Estou com ela, até que a vida se mostre mais atrativa, é um desafio.
Observo as pessoas com uma certa distância, seus problemas, sua previsibilidade. Estou acima das nuvens, estou no avião.
Aquele momento em que a paixão é apenas um sonho, o anjo inacessível, o tema das poesias, que me faz acordar atordoada, para logo me ocupar com o que interessa: o chá, o café, e o que vou comer.

Hoje faltou luz, e havia estrelas. A luneta, eu uso para ver outros apartamentos, vidas frias, distantes de mim, a casa, a decoração, o aspecto da vida que não vivo, como brincadeira que não se faz, porque é preciso ser adulto, é preciso ser frio.
Sem luz, eu desliguei minha mente para os canais de todos os dias, Facebook, Whatsapp, liguei o rádio à pilha e fui para a sala. Havia uma vela azul, e amigos.
Melhor viver com essa paz, do que ter aquela ansiedade perene, vinda do ruído que tem sido a vida tantas vezes. 
Eu não desejo mais nada, por desejar o tudo, aquilo que está tão distante de mim e tão morto. Apenas vivo meus dias, esperando a chuva passar, o supermercado abrir, a luz voltar.
Eu observo as atitudes das pessoas, tento entender sua solidão, suas angústias, como as minhas, eu vou até o fundo, eu desço de elevador.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Luz adormecida

Esse olhar turvo sem definição de tom
Só desperta em mim uma cor
e uma vontade.
Quando eu esperava de você o que eu mesma deveria sentir,
Era um ato desesperado de um coração já tão frio, pelo tempo.

Quando enfim eu era transparente como a água,
quando o Inverno gelou, por fim, minha alma,
só restou uma âncora no profundo do mar,
uma memória inalcançável, ferida de tanto sentir.

E o seu olhar era apenas curioso. "Como pode amar, a que morta já está?"
Eu pisei, e o chão se iluminou. Meus pés me levaram até o impossível, num ato de dor.
Era lindo e triste, era uma mentira que eu contei. Mas ela existe!

[Meu amor, meu anjo morto,
desperte deste sonho, por favor,
e olhe para mim]

Eu estou aqui, como quem apenas espera a morte ou seu reverso.
Pois desta vida, o amor já não mais serve,
já chegou, tão pesado, e nada deixou, além das lembranças, essas âncoras.

Eu caminhei e vi um chão de pura luz, tudo mudou, quando fiz o movimento.

Olhe-me, estou aqui. Tudo ao meu redor são gestos, palavras, solicitações,
mas só espero um único toque dos teus dedos e uma direção para este olhar

de quem para mim brilhava, entre todos, nesta multidão.

É tão profunda, tão enganosa, essa obsessão que até o mar percebeu, quando me viu chorar, tão distante, sem nunca voltar.
É um sonho, o que eu vejo neste espelho, como esta vida, também é.

Ellen Augusta

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A Mãe

A Mãe, era assim que eu a chamava.
Seu nome, eu guardava.
Mãe era tão bom pronunciar.

Ela sentia um nó no peito, toda a vez que eu conhecia um cara.
Se sentisse uma coisa ruim, ela já disparava: Não vai dar certo. Eu ficava puta. Como assim mãe?

E era tão fatídico: o mais amado, ou o que mais me perseguia, sumia frente à intuição cristalina de um coração de mãe.
 E, se ela sentisse aquela pontada no coração, era questão de tempo. Não dava certo.
Mas, quando eu casei, perguntei a ela: Mãe, o que você sentiu dessa vez? E ela não havia sentido nada. Mãe, você não errou.

 Minha intuição não me diz mais nada, desde que não lhe dei ouvidos quando ela me chamava dia após dia e, nada fiz. Eu sou tão torpe, mal sei o que eu mesma sinto, meu coração é morto às vezes. Sofreu demais e hoje prefere o silêncio de nada saber.

Queria tanto ter essa intuição dolorida, essa dor no peito que dizia à minha mãe o que ia acontecer. Sempre fui fascinada pela morte. E mesmo sabendo que foi um alívio para ela, sair desse mundo de tristezas, que falta que minha mãe me faz!

Eu sonhei com ela essa noite. Acordei desolada, me sentindo tão órfão, perdida no mundo de um coração vazio. Sem dor, sem amor.

Queria que ela estivesse aqui. Não precisava falar nada, nem ser nada, pois exigia tanto dela quando era viva. Hoje só queria seu ser. Como era, com seus defeitos, qualidades, e sua presença. Nem mesmo no sonho a via direito.

Ela estava ausente. Essa ausência que senti a vida inteira. Me conforta saber que ela pode estar em silêncio. A mudez da morte, sem essa de "vida no além" pois o que mais queria era que ela ficasse em paz.

Fiquei com tão poucas coisas suas, as rosas, a solidão e o modo de amar, talvez. Ausente e profundo.
 Ellen Augusta

domingo, 10 de abril de 2016

Um coração cortado com sal

Coração dos comuns mesmo...
destes que por qualquer coisa sangra e chora, também fere o suficiente.
Porém, reveste-se de pedras, escondido com medo de ter revelado seu segredo.

Eu não sinto, e quando sinto, sei quanto dói perceber, admitir.
Não creio, nem em mim, nem em quem pode me amar.
Nego até a morte a possibilidade do sentimento,
pois espelha a possibilidade de sofrer,
doer mais do que o usual.
Um belo sofrimento, mas sim, dói como a vida.
A dor de todo o dia não é a mesma que sinto,
quando lembro dos teus olhos, da sensação de riso e alegria
que você me provoca.

Quando todas as vezes, tendo destruir o que me arrebata
Sou destruída pelo que tanto evitei em mim.

Olhando para trás, vi que o amor sempre andou comigo e eu o desprezei.
Ele me carregou no colo, me idolatrava. Eu era apenas medo.

A frieza de um metal, água e fogo cortado com sal.

A paixão crava na pele e é como uma tatuagem.
Mal sinto a dor e já gostaria de sentir o mesmo efeito,
As marcas dolorosas também podem ser boas... depois...
quando o tempo passa.

Agora, só quero que fique.

Ellen Augusta







quinta-feira, 17 de março de 2016

Uma vegana solteira - como eu me sinto

Eu já pensei em escrever aqui sobre minha vida. Como um diário, mas acho isso um saco. Meu lance é escrever sobre o que aparece em minha mente, no agora... não importa o que seja.

De um dia para o outro eu me tornei uma mulher sozinha, divorciada.
Que palavra pesada essa: divorciada. Solteira seria melhor? Não sei.

O impressionante é meu estado de espírito nesse momento. 

É uma sensação boa e também angustiante. Será que vai dar certo? Será que vou sobreviver? Essas preocupações, que deveriam me deixar mal, não estão me abalando, pelo menos aparentemente. Não sei se ainda tive tempo para sofrer.

Eu queria sair de casa com apenas o básico. Como básico só me vinha à mente meu computador, meus livros e um colchão.
Mas quando se prepara uma mudança, você percebe que tem coisas demais.
Tudo parecia estar espalhado pela minha ex casa. Eram tantas coisas pequenas, marcas de longos anos vivendo em um lugar.

Ele me disse para não pensar que vai ser ruim. Mas eu tenho medo, e se for?

Eu sei que tudo pode ser ou não ser, dependendo de como eu mesma levar as coisas. Mas, saberei?

Eu venci muitos medos, estou vencendo ainda. Preciso de mais um trabalho para ficar mais tranquila. Sei que vou me sentir só, a solidão me acompanha mesmo quando era casada pois é algo interno, não tem a ver com os outros. Mas estou enfrentando.
Morando num lugar muito alto, com elevador. Eu, que tenho medo de elevador!

O mundo agora é diferente para mim. Sim, quando eu era casada era muito independente, fazia tudo o que farei agora, mas é diferente quando se tem um companheiro como eu tive.
E hoje estou no auge da minha fase adulta, pois eu no fundo tenho uma mente muito adolescente.

Só que não farei como a maioria das pessoas que despreza o que já viveu.
Eu não.
Recomendo o casamento a qualquer um. Me fez muito feliz, aprendi muitas coisas, inclusive a ser mais adulta. Seria igual se estivesse sozinha? Sim ou talvez, mas com alguém ao seu lado, tudo é melhor.

Vou curtir minha nova solidão, meus momentos de uma liberdade que só quem sai de uma relação sabe o quanto é bom, é como respirar ares novos, mais apaixonantes.

Mas, e pelo menos penso isso neste instante, eu pretendo me casar mais vezes sim. Não sei se será da mesma forma, do mesmo jeito, mas eu não vivo sem homem, admito. Amo uma companhia, mas só quando é a melhor.

Pois, embora eu esteja de mãos dadas com a morte, tem muita vida circulando em meu sangue. E, foi quando me dei conta disso, que tomei minhas decisões e decidi dar um salto no desconhecido.

terça-feira, 8 de março de 2016

Asas negras cores fortes

Perdi o medo de voar.
Na poesia sobre o mar, precisava morrer para encontrá-lo.
Essa morte para uma vida, um sufoco. Eu precisava de ar.
E ansiava por encontrar o mar.
Eu desejei tanto viajar, no fundo da alma só pensei nisso o tempo todo. Até que enfim, uma bela e amigável oportunidade surgiu.
E ver o mundo do alto novamente foi tão emocionante, pena que durou tão pouco tempo...
Quando cheguei à praia, o que aconteceu foi que eu vivi completamente o presente.
Algo que não andava fazendo, estava sempre distraída, longe daqui. Mas na praia não. Neste lugar, não havia tempo para fugir, eu estava sempre ali, focada em cada detalhe lindo da natureza.
Eu não tive tempo nem de pensar, pois diante da beleza o pensamento desaparece, tudo some, e existe apenas aquela paisagem perturbadora, a me chamar...
Incrível como aqui onde eu moro, existem tantas distrações, o celular principalmente, é como uma armadilha que carrego no bolso.
Mas lá meu tempo era apenas viver. Eu curti tanto cada passo que dei, mesmo que em determinados momentos algo antigo em mim voltava: o medo.
Medo de me perder, medo de esquecer essas memórias que carrego comigo, medo de não querer mais voltar.
E aqueles pensamentos mórbidos que me acompanham, sumiram simplesmente. O mar causa isso em mim: uma vontade de viver.
Diante do Oceano, daquela paisagem tão perfeita, eu senti como há muito tempo não sentia, uma vontade incrível de estar viva. E refleti, me perguntei, onde estavam aqueles pensamentos de morte, aquele meu dom para desejar tanto sumir da Terra quase que por encanto.
Esses pensamentos se calaram, entraram em férias, saíram das minhas férias... me deixaram em paz.
Para mim, pelo menos, é fácil amar a vida ao ver o mar e o céu em conjunto. Ao ver a Natureza exposta como uma ferida, para que se admire a vida que existe ali.
Eu presenciei um temporal magnífico, o mar ficando escuro, também a névoa branca que está sempre em meus sonhos...
 Não há nada mais lindo que o mar à noite, a névoa gelada cobrindo a areia, nossos passos sempre acompanhados por um fantasma amigo: um cão amigo que nos acompanhou enquanto nos perdemos.
 Quero voltar, tão logo puder. Meu desejo por viver só se renova aqui.
No último dia em que estava na Praia do Maço, um homem que estava por lá nos parou e disse:
"É possível levar consigo as emoções q se sentiu aqui."
Eu fiquei tão emocionada com essa frase que estou gravando ela aqui, e tentando reproduzir neste blog um pouco do que eu senti lá.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Por que Fernanda Torres tem que pedir perdão?

Independente de concordar ou não com o texto da Fernanda Torres, que você pode ler aqui, ela não tem que pedir desculpas.
Protesto contra a Violência em que participei com a admirável feminista Vera Daisy
“perdão por ter abordado o assunto a partir da minha experiência pessoal que, de certo, é de exceção”
Todas nós falamos a partir de nossa experiencia pessoal. Um texto isento de vivências é artigo científico e mesmo estes, hoje, já contam com uma certa flexibilidade no uso de termos pessoais. Fernanda é colunista, escreve crônicas, escreve o que pensa.

O artigo em questão, chamado Mulher, considerei fraco, um tanto machista, talvez equivocado em alguns pontos. Me pareceu que ela apenas se expressou mal em algumas questões. Mas concordei com outras. Uma delas, por exemplo, é que apoio a campanha contra o assédio mas tenho também minhas críticas e penso um pouco como ela: ser desejada também pode ser bom.
Há diferenças entre tipos de cantadas, há assédio, há abuso e há quem goste de elogiar e ser elogiada, numa boa.
Eu posso mandar um cara tomar no cú quando me assedia (acabei de fazer isso hoje), e também posso sorrir, se eu quiser e isso também já fiz. Mas o movimento contra o assédio quer a liberdade das mulheres na rua. Não temos que ser objeto, nem ter medo de sair à rua. O ambiente público também é nosso.

Dá para pensar dessa maneira sim, sem ser contra a campanha.

Mas por que ela tem que se desculpar?
No seu texto de desculpas, chamado Mea Culpa, ela escreve:
“as críticas procedem, quando dizem que eu escrevi do ponto de vista de uma mulher branca de classe média. É o que sou.” 
Essa tentativa de barrar as pessoas de emitirem suas opiniões baseada na cor da pele ou condição é simplesmente censura.
E notem que a atriz sequer tocou em questões raciais. Apenas descreveu como era sua empregada de infância, parte de sua experiência como mulher.
Até homem tem esse tipo de discurso quando afirma que eles não podem falar sobre feminismo. Mas aí quando um homem fala isso e outras regras sobre as mulheres que se inventou nas redes sociais - e que só funcionam lá dentro - nenhuma feminista manda ele calar a boca.
Se perde muito por não ouvir a ponderação de alguém, apenas por que não é do mesmo gênero que o seu, se essa opinião for relevante.
Ok, mas ela é uma mulher. E mesmo sendo mulher, seu direito de falar está restrito por causa de seu corpo? Qual será a próxima condição que teremos que vencer?
Esse tipo de 'cale-se' é uma tendência irritante nos meios interseccionistas, que misturam ideias e querem impor seu modo de pensar a todos, censurando quem é diferente.
O feminismo em particular sofre de um problema: não aceita ser criticado. Há sérias questões a serem repensadas e as mulheres deveriam ser as primeiras a fazê-las. Criticar não significa ser anti feminista ou ser contra o feminismo.

Essa conversa de ser contra o feminismo é apenas um discurso aprendido que nos coloca contra nossa própria natureza. Devemos lutar e marcar presença em todos os lugares.

Num mundo machista, toda mulher deveria ser feminista.

E, sendo feminista, não guardar o machismo dentro de si.
Mas o feminismo precisa se renovar.

Os protestos das alunas contra a proibição de usar short no Colégio Anchieta, que você pode ler aqui, é a prova de que o feminismo vem sendo renovado, mas ainda falta mais.
Eu gostaria de ter alunas como estas. Sempre abordei o feminismo em sala de aula, coisa rara, que deveria ser estimulado pelas feministas (e por professores e professoras) em todas as matérias escolares, para meninos e meninas, ressalto.

Todos tem o direito de se manifestar. E uma mulher pode e deve falar, independente do seu biotipo ou classe.
Até quando o tipo físico de alguém vai ser impedimento para a liberdade de expressão?


A mulher translúcida - um desabafo

Eu costumava me esconder. Achava que assim sentiriam minha falta. Nunca usava o Facebook e evitava qualquer contato pois sempre pensei que causaria um incômodo. E eu temia tanto perder as pessoas.
Sempre quis ter amigos, sempre procurei ser presente, mas havia tanta efemeridade mas atitudes alheias.
Só que um dia eu decidi me libertar da opinião e pensar por mim mesma.
Eu percebi que o mundo era mesmo virtual e as pessoas eram rasas mas... nem todas assim são e nem por isso deixaria de ser profunda, de ser amiga, de ser feliz ou de expressar toda minha tristeza, a despeito do que eu encontraria diante de mim.
Eu abri a solidão de meu coração para quem quisesse ver.
Minha existência sinto agora como uma bandeira a tremular querendo dizer algo tão forte, mas que quase ninguém percebe.
Talvez exista algo que eu realmente esconda. Quanto mais revelo mais parece que há o que ninguém consegue ver.
Quanto não será apenas aspectos, atuações, devaneios e vontade de burlar com o lúcido.
Eu sei que brinco com a imaginação de quem não me conhece e também sei que quase ninguém, ou quiçá ninguém, me conhece realmente.
Mas hoje eu não estou me importando com a dor da despedida, não me importo mais com o fato de não haver com quem contar muitas vezes, nem com quem dividir momentos frívolos de humor e coisas do dia a dia como tomar um café e sentir o Alegre da vida.
Talvez sejam os "novos tempos", talvez não, talvez eu seja cega para quem gosta de mim, desencanei.
Agora eu expresso todo o meu ser, tudo o que ele quiser, conforme o instante dessa curta existência.
Sou toda a felicidade e toda a solidão, mas sou mais do que tudo, morte, ela sempre me acompanhou.
Estou como numa vitrine para o nada e resisto ao risco de que seja realmente nada.
Ellen Augusta

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

"Escrever é escrever escrever escrever"


Essa frase foi a inspiração para todas as vezes que estive diante de uma vontade, a de expressar ideias, comunicar diretamente ou apenas desabafar meus desejos poéticos.
Hoje vou contar um pouco sobre a autora dessa frase, que me inspira a escrever todos os dias. Por causa dessas palavras e seu fluxo em minha mente, me tornei eu mesma uma escritora.
Gertrude Stein é uma escritora norte-americana que passou boa parte de sua vida em Paris, sendo pintada até por Picasso.
Ela causou uma ruptura na narrativa linear do Século XIX, usava linguagem coloquial em seus livros e repetições de palavras sugerindo uma sequência de imagens e humor em seus textos. Ela escreveu novelas, poesias e teatro.
Algumas de suas obras foram interpretadas como uma reelaboração feminista da linguagem patriarcal.
Ela fazia experimentos, deixando seguir a corrente de sua consciência, num estilo rítmico peculiar.
Deixava ao leitor o poder de pensar e decidir sobre seus personagens e é autora de uma das primeiras histórias homossexuais da época.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Coluna Antena - Marcio de Almeida Bueno

☆Só eu fiquei meio desconfiado com a história do produto que causa o mesmo probelma causado pelo vírus do mosquito que ele combate?
 Às vezes parece meio conveniente à incompetência do Estado que um único inseto carregue as três epidemias mais temidas no momento. Porque há mais de um milhão de espécies de insetos, mas apenas uma, em um país continental como o Brasil, transporta os diferentes vírus em questão. Ao menos, questões como saneamento básico, higiene e responsabilidade de cada um vêm à tona. E infelizmente 508 bebês estão pagando o preço por tudo isso.
☆Nascida em Veranópolis, a vereadora de Porto Alegre Sofia Cavedon é autora da nova lei que proíbe saleiros nas mesas de restaurantes, bares e cantinas de escolas e hospitais. Ela explica que, muitas vezes, colocar mais sal na comida é questão de impulso.
 ☆ Olha, eu já fui em restaurantes chineses vegetarianos daqui da Capital em que a comida é temperada até não mais poder, com seus sabores exóticos. E tem gente que se serve no buffet e depois coloca sal em cima de tudo, parece neve. Como se precisasse. E daqui a dez anos vão estar fazendo promessa para santo, a fim de curar problemas nos rins, pressão alta, etc.
 ☆ "Quando você vai comprar algo, não paga com dinheiro, paga com o tempo de sua vida que teve que gastar para ter esse dinheiro. Todavia, se tem muito dinheiro, tem que gastar tempo em controla-lo e cuidar para que não te roubem. E, ao final, és um pobre escravo que já não tem tempo para viver". Frase de Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, que leva uma vida simples.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Portas transparentes

Nas imagens que se abrem em meus olhos quando durmo,
fecho portas transparentes
estou só, através de vidros translúcidos,
minha casa é negra, com passagens de luz.

O Sonho ofereceu-me sua morada
A casa, névoa branca e cinza, eterna cortina de saudade
envolve objetos repletos de afeto,
o corpo sonambular,
as memórias apagadas.
A Criança diz teu nome
Não esperava e, fato é:
Abriu-se a percepção
amorosa.

Roubei teu livro no cemitério,
o lugar onde guardei tudo de ti.
Enfeitei com flores o nada, teu espírito e tudo que não mais sei como é,
e decretei morte à minha Assombração.

Acordo de madrugada,
com a solidade cortando meu peito,
feito sal na ferida sangrante.
Eu deveria levantar guerra, ferir-te como quem ama,
Mas nada existe de real.

Sonhos são sonhos,
A fenda de realidade,
que mostra uma profunda verdade.

Ocultada neste olhar, que só sente
Saudade.

Ellen Augusta

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