sexta-feira, 24 de abril de 2015

Legião Urbana e o livro de Renato Russo

Estou terminando de ler a biografia de Renato Russo. Deixei o epílogo por terminar. Quando algo é tão triste para mim, fica o término para um outro momento. Mas está ali na sala, à espera deste momento, que está para estes dias.

Já falei deste livro neste post: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/06/brasilia-de-ontem-copa-do-mundo-de-hoje.html
O autor descreve toda a vida do meu ídolo e também o cenário do país, o momento histórico onde ele cresceu e se tornou o que é. Um gênio fluente nas palavras, nas idéias e na língua inglesa. Um poeta que eu amei com todos os seus defeitos, pois eram obscuros e mínimos perto de sua perfeição.
No livro, muitas raridades, músicas inéditas e as fragilidades, lágrimas que caíram no papel, poética e visivelmente. Não sei se era isso que ele queria, ver suas coisas expostas. Mas, pelo menos neste livro, tudo foi feito com respeito.

Meu marido me mandou hoje um especial da Rádio Transamérica de 1992. Algumas músicas quase nunca foram tocadas ao vivo.  Saudades.

sábado, 18 de abril de 2015

Uma frase sobre os sacrifícios com animais

Do livro simplesmente brilhante que acabei de ler:

trecho do livro: Para antes que a gente vire pó  (breviário de errância) e é do autor Ezio Flavio Bazzo.
"Perguntem pois ao asno ou ao carneiro de Abraão ou aos viventes que Abel soube oferecer a Deus: eles sabem o que lhes ocorre quando os homens dizem 'eis-me aqui' a Deus, e depois aceitam sacrificar-se, sacrificar seu sacrifício ou perdoar-se"

Jacques Derrida (Em O animal que logo sou)

O livro, que logo - assim que o tempo não me matar e me permitir - mostrarei aqui no blog com toda atenção que merece, chama-se
 Para antes que a gente vire pó  (breviário de errância) e é do autor Ezio Flavio Bazzo.

***

Se antes eu não tinha a menor dúvida de que ele era o melhor escritor do país, agora então, tenho toda a confiança em afirmar! Este livro é maravilhoso.
O  uso e exploração de animais é uma canalhice que acontece em diversas culturas, povos, em toda a parte da Terra. É uma vergonha uma pessoa usar um outro ser para expurgar seus pecados, sua infâmia, sua fome.
Considerando que os céus nunca nos ouvem - basta olhar para o lado - milhões de seres morrem em vão, em meio ao mais perverso silêncio de quem poderia fazer algo a respeito e nada faz.
E o pior de tudo são aqueles de quem se esperaria alguma resposta, algum auxílio, e estes, por medo de uma mão invisível - que inexiste - se borram nas calças, e nada fazem, negam, por medo de um castigo, de uma praga. Seu castigo é viver na mediocridade, é negar ajuda, é ser conivente com o mal. Seu destino é estar sempre ao lado da vilania, é compactuar com o sangue e com a dor do outro.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Videogames Sem Controle lança seu terceiro EP, intitulado 'Nunca Andei O Bom Caminho'


A banda gaúcha Videogames Sem Controle acaba lançar seu terceiro EP, intitulado 'Nunca Andei O Bom Caminho', pelo selo Falência Fraudulenta, de Porto Alegre. São cinco faixas do que o power trio convencionou chamar de rock torto, que mescla a psicodelia ao minimalismo e até mesmo a um progressivo não-virtuoso. A maior mudança foi que o líder Marcio de Almeida Bueno, multiinstrumentista, compositor e vocalista, assumiu o piano, que se tornou o instrumento central das músicas, inclusive para solos. As influência seguem sendo Arnaldo Baptista, Roberto Carlos, Júpiter Maçã, The Beatles, Os Mulheres Negras, Tom Waits e minimalismo. A primeira faixa é 'Eye from the outer space', com seu piano hipnótico. A inusitada letra é do baiano Daniel Barbosa, parceiro de longa data, que apesar do título é em Português. A segunda faixa, 'Nunca andei o bom caminho', é uma espécie de Tim Maia versão garagem, com bumbo calcado no rap-jazz-soul. 'Decifra-te ou eu me devoro' foi composta há mais de 25 anos, e só agora recebeu registro sonoro. Vocal dobrado, refrão com palmas e solos de violão. A quarta faixa é 'Me sinto ridícula - o amor adolescente', com letra de Ellen Augusta. Mudanças de andamento, guitarra distocida e piano disputando espaço em meio a um clima confessional. O EP fecha com 'Tudo aquilo que me dói', também com mudanças de andamento, solo de cravo, levada de bossa nova com intimismo lisérgico. O disco foi gravado na primavera de 2014 e verão de 2015 no C. Bukowski Studios, na Capital gaúcha. Melhor se escutado em uma tarde chuvosa. Videogames Sem Controle é Marcio de Almeida Bueno (voz, piano e baixo), Oswaldo Lee (violão e guitarra) e Thales M. (bateria e percussão). Contatos podem ser feitos via tudoestavaigualcomoeraantes@gmail.com. O EP completo pode ser escutado na íntegra em https://youtu.be/WoSH81bb4Z4.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Nosso almoço vegano


 Nosso almoço no restaurante vegano VÊ.

Já conhecia a casa de um outro evento em que participamos. E hoje, no intervalo do trabalho, passamos ali para provar a comida.
Poder comer com toda a confiança em um lugar vegano não tem preço! E o lugar é muito bom!
Salada de batata é algo que os veganos nunca podem comer em restaurantes comuns, pois nunca dá! Aqui a gente pode comer de tudo, sem ficar perguntando. Só quem é vegano sabe, o quanto somos especialistas em questionamentos.
Um tipo de purê de aipim, muito bom.
O restaurante fica na Avenida Lageado, em Porto Alegre.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Meus pés me levam para o nada - todo meu ódio ao trabalho

Hoje meus pés me levaram para a fuga. Como a minha vó, a muito tempo. Longe de sua casa, só pensava em partir, de qualquer jeito à procura de ir-se. Saía de minha casa como um bicho. Achava que era por ali. E ia. Estava acostumada a andar de pés descalços. E, ali, onde avistava um pouco de mato, pensava: deveria ser o lugar onde a levaria para sua terra. Saía de minha minha casa a pé.
Só que ela morava próximo à Serra Gaúcha, a quilômetros de distância, e minha mãe tinha que ir atrás dela, buscá-la para a razão, para este mundo insólito e perverso.

Não tenho vocação para enfiar meus pés nestas sapatilhas, nestes uniformes, não tenho saco. Não tenho modos para quase nada.
Eu, no fundo, apenas suporto, o ser humano, as coisas. Tolero os cinismos, as falsidadezinhas, as pequenezas que vou percebendo nas pessoas neste dia à dia transitório, de "trabalho". E meu alívio é pensar que tudo é temporário, como eu mesma sou com minhas vontades.

Sinceramente, e daí? Na verdade é um grande transtorno daquelas pessoas. É problema delas. Que devem ter uma vida de merda, suportarem-se umas às outras, com conflitos eternos. Egos 'mensos' e mente muito estreita.

Meu corpo, meus pés, me levaram para longe. Eu me perdi. Perdi a hora, fui indo para acolá e quase perdi o ônibus. Voltei como uma idiota e peguei o camburão para o inferno. Um trabalho legal, num ambiente bonito, com pessoas normais.

Por quê?
Por que eu não obedeci as ordens expressas do meu corpo, da minha mente e de meu coração?
Por que eu não segui em frente, tendo em mente que meus pés me levariam para o mar, para o verde, azul, roxo oceano, para minhas ilusões, assim como minha nona (avó) imaginou que aconteceria, mesmo eu sabendo que apenas chegaria a um muro e dobraria a esquina, talvez chegasse a um bar e tomaria um café, chá ou mesmo teria a coragem de até mesmo -
comprar uma passagem para uma viagem?

Não, preferi aderir ao cinismo, ao pusilânime, à ordem. O medo do futuro incerto. A imortalidade infantilmente ilusória, pois vivemos acumulando para o nada. Trabalhando para outras pessoas enriquecerem.

Detesto quando me questionam sobre trabalho. É como se você tivesse obrigação de estender seu currículo sobre a mesa e mostrar seus prodígios, e ai de ti se não for um sucesso.

Eu, que tenho até livros publicados em meu c. v., onde ali tem desde curso de datilografia junto com minhas publicações de artigos de opinião, sempre me esqueço e acabo dizendo o meu trabalho mais simpleszinho. Como se houvesse uma voz interior dizendo: olha, sou uma pessoa e não as coisas que produzi no passado.
E, dependendo de quem está do outro lado, sinto aquela cara de quem tenta decifrar o que exatamente faço.
E tem aquela tia com cara de pena, tipo: tadinha dela que não está milionária depois de ter feito faculdade!
Pode crer que tem malandro velho que ainda acredita que faculdade é alguma coisa e que se você fez algum curso, necessariamente deve trabalhar nele.  No exterior, o curso universitário é apenas uma formação, o sujeito sai de lá e vai fazer o que gosta. Vai ser carpinteiro, vai ser escritor, ele estudou pois queria se aprimorar intelectualmente, não porque precisava pagar as contas. Lembre-se que em certos países o nível de vida é muito melhor do que aqui.
Mas neste país, vivemos numa situação em que é necessário concluir um curso superior para ser qualquer coisa. Pelo menos na época em que comecei minha faculdade era assim. Hoje, nesta época de pleno emprego, não faria faculdade. Dedicaria meu tempo e meu dinheiro em leituras, viagens e livros.

E eu digo: meu trabalho é um mistério, pode ser um ou dois ao mesmo tempo ou quiçá nenhum. E deve me fazer feliz, senão jogo-o ao ar. Mas mais fácil é falar (ou escrever, que aí sim é um dom.).

Minha única vocação ou quem sabe vontade, é para a escrita. Eu amo ler e escrever e é só isso que importa.
Nada mais, nem mesmo viver.

terça-feira, 24 de março de 2015

Para todo aquele que não crê (nas aparências)

Essa postagem é dedicada àquele que, sabendo que essa sociedade é baseada na imagem, não faz o jogo, ou joga o quanto quer, não caindo nas armadilhas torpes e preconceituosas do engano.

Um recurso que a Natureza usa à vontade e não economizou em elaborar foi a beleza das aparências e mimetismos, mas a beleza nunca ficou na superfície, sempre foi até a profundidade de suas formas.
Quem ainda acredita e cai nos velhos jogos de aparências, é um pobre diabo. E é desse sujeito que estou a fim de falar. Pois rio muito e me divirto quando um idiota desse cai nas armadilhas provocadas pelo preconceito, pelas aparências.

A sociedade está lotada de pobres infelizes que se deixaram levar pela fachada, pela estirpe, pela classe social, pela religião dominante ou por qualquer religião e até mesmo pela vestimenta das pessoas. Elas julgam o todo pela parte que salta aos olhos.
Fazem um pré julgamento "apurado" completo, só de olhar para alguém.

O bem e o mal parece ter situação geográfica para alguns. E, curiosamente, está sempre fora de si, no outro. O pobre e favelado concentra o mal. Na mulher está o erro e ela provoca as tensões, qualquer delas, não só as sexuais. (O homem começou denegrindo a mulher pelo sexo. Mas o homem e todo o resto da sociedade se encarregou de a desconsiderar em todo o mais.) O rico, o bem vestido, o branco, macho e bonito concentra o bem. Ele representa o ponto alto da família. Ele é quem, afinal, paga as contas.

Não é assim?

Não! No mundo real, não é assim. Mas neste mundo infantil, infame e idiota em que todos vivem, sem amadurecer, é. Esperam um pai. Um cara bom que pague as contas e as carreguem no colo.

Sempre me alegro muito quando alguém se ferra por ter acreditado nas aparências.
Um otário que acreditou no cara bem vestido, e depois percebeu que o bonitão de terno era um assaltante. Mas teve preconceito com o outro, o desarrumado, pensando que era um ladrão.
Nos Shopping centers há códigos para todo o tipo de "pessoas suspeitas" e você sabe muito bem de quem estamos falando! Não se faça de ingênuo.
Mas os assaltos fenomenais se dão por gente muito bem 'apessoada', não correspondendo ao perfil esperado, ao preconceito vigente.
Ou a mulherzinha que só se interessa pelo malandro, pelos palhaços que a iludem o tempo todo, mas não pode ver - por que é cega - o cara legal que até mesmo é bonito, mas não tem 'aparência' de galã. A imagem comprada e vendida pelas marcas de roupas, grifes de perfumes, carros e toda a sorte de lixo que te enfiam pelo rabo.

Nas lojas, a qualidade do atendimento muitas vezes é também calibrada pela aparência.

Já houve enganos históricos, que seria enfadonho comentar aqui, e também não vou eu ficar dando dicas de como não ser torpe. Mas é ridículo ainda seguir no erro de atender mal ou bem pelo nível social. Quem perde é o vendedor, que deixa de vender, pois o cliente vai ser bem atendido em outro lugar.

O golpe do bilhete premiado só atrai pessoas gananciosas, pois para cair neste golpe, é preciso querer enganar uma outra pessoa inocente. No caso o "inocente" é o comparsa, que o otário, ingênuo e ganancioso, acha que está a enganar.

Um prato cheio para o Brasil! Um país que critica o governo, mas que está repleto de pequenos e grandes atos corruptos. Um país que espera sempre que um pai pague suas contas. Um governo patriarcal.
Não valoriza o que é público pois nem sabe o que isto significa.
Vive de aparências, pois é vazio por dentro.

Portanto, alguns brasileiros podem falar de política, outros, muitos outros, não.

E não pense que só o povão é que é ruim.
Não pense que, só por que você tem curso superior, vai encontrar ao seu redor, pessoas inteligentes.
Não se iluda com quem fala, carrega e compra livros. A menos que seja um raro apaixonado pela Literatura. Se lê com os olhos.
Não creia que está a salvo, só por que ao seu lado tem pessoas vestindo a mesma camiseta que a sua, tomando a mesma bebida que você, ou concordando com a cabeça. Não caia como um tolo no maldito jogo das aparências, porque eu só posso lhe garantir uma coisa: vou rir muito quando isso acontecer, pois você já estava avisado de antemão.

Um sujeito adulto não pode se queixar quando é vítima de sua própria ingenuidade.
Pois chegou até a idade adulta acreditando em seus próprios preconceitos, prejudicando pessoas, até mesmo deixando de ajudar alguém por ideias preconcebidas. 
Então, caros amigos, só me resta rir, quando alguém é alvo de sua própria torpeza. E dizer: bem feito. Da próxima vez, tenha a gentileza de não ser preconceituoso com os demais.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Um chá durante a madrugada

Neste exato momento (madrugada) estou a tomar uma xícara de chá.
Comprei este chá verde japonês instantâneo. Ele é um tipo de matcha.
O matcha foi trazido ao Japão em 1191 pelo monge budista Eisai, com a introdução do Zen.
O chá para o matcha tem as folhas ocultadas do Sol, assim ficam mais ricas em aminoácidos. E mais saborosas também. Elas são secas e o resultado chama-se tencha, depois são moídas até tornarem-se um pó tão fino como um talco. Assim prepara-se o matcha, usado principalmente na cerimônia do chá.
 Chá não tem hora para mim. É melhor na solidão fresca da noite, seu sabor é como a água, elegante e puro.
Esse chá é prático, não precisa coar. Encontrei-o em uma casa japonesa ali no centro. Os donos são japoneses que falam muito bem o português. O atendimento é legal, o que para mim já é mais da metade do caminho para meu ritual do chá.
Toda vez que vou lá comprar chá, eles me dão alguns brindes. Desta vez me deram amostras deste chá blend japonês, um matcha/sencha.

terça-feira, 10 de março de 2015

Da violência contra éguas e mulheres

Artigo de Marcio de Almeida Bueno - publicado na ANDA e no Olhar Animal http://www.anda.jor.br/category/colunistas/marcio-de-almeida-bueno e http://www.olharanimal.org/pensata-animal/autores/marcio-de-almeida-bueno

No vídeo, o cavalo está caído no chão, com as patas amarradas, e preso a um poste de madeira. Ele se debate, tenta se levantar – sem sucesso. Um gaúcho se aproxima – aquele bem caricato, com roupa típica, bigodão – e, com o chicote, espanca o rosto do cavalo. A cena é brutal. A pessoa que filma dá risadas. Pela voz, percebe-se que é uma mulher.

Trata-se da doma, à moda tradicional do Rio Grande do Sul.

No outro vídeo de faça-você-mesmo, uma égua é presa pela primeira vez pela boca, em um campo cercado. A corda, firme, está em um palanque. O gaúcho dá um susto no animal, que sai correndo, na sua força, sem saber do resultado. A corda estica é dá um tranco daqueles, inesperado. Dor e pavor. O processo se repete, e a égua dispara pelo gramado e então recebe o impacto. Chama-se ‘quebra de queixo’, uma espécie de ritual que diverte certa parcela da população ligada ao RS.

Não, o cavalo não é uma motocicleta que já vem de fábrica com acelerador, freio, marcha-a-ré e embreagem. Esses comandos todos são aprendidos, à custa de dor e, dali pra diante, temor para o resto da vida. Claro que a patricinha-de-feicibúqui que ‘adora cavalos’ e volta e meia vai a um sítio com passeios de montaria, jamais ficou sabendo disso. Não foi aos bastidores ver o choro do palhaço.

Porque estamos acostumados a ver o cavalo já com os arreios, com os apetrechos todos, na boca, cabeça, pescoço, costas, barriga. A propaganda é pesada, e mesmo um cavalinho de pelúcia, fofo, para dar de presente à namorada, já tem um arreio na boca. Reparem.

E há quem se auto-intitule vegano, aboliticonista ou defensor dos direitos animais, algo cool, e ao mesmo tempo passeia no lombo de um equino. Falo aqui 1% da dor física – sim, já existe a ‘doma racional’, parente do abate humanitário – e 99% da dor moral, uma vez que aquele quadrúpede vai passar o resto da vida obediente, Joãozinho-do-passo-certo, temeroso da próxima vez em que *aquela* dor vai voltar. A prova é que o ‘freio’ do cavalo-motocicleta é um puxão nas cordas, com mais ou menos força.

NInguém ousa se mexer na cadeira do dentista, quando *aquela* dor apita, não é mesmo?

E não citarei aqui a parte, digamos, odontológica aplicada ao nosso amigo cavalo, a seco, para fins de encaixe dos acessórios apropriados.

Bem, em 1984 fez muito sucesso uma música gauchesca – sim, há que se ter trilha sonora para o narrado acima – composta por Roberto Ferreira e Mauro Ferreira, chamada ‘Morocha’, cantada por um conjunto intitulado Davi Menezes Junior e Os Incompreendidos.

“Aprendi a domar amanunciando égua / E para as mulher vale as mesmas regras / Animal, te pára, sou lá do rincão / Mulher pra mim é como redomão / Paleador nas patas e pelego na cara”, diz o refrão da música. Traduzindo para a língua falada no Brasil, mais ou menos quer dizer que o autor aprendeu a amansar éguas, e aplica o mesmo procedimento às fêmeas de sua própria espécie, inclusive com uso de uma espécie de algemas e venda para os olhos – que fazem parte da doma equina, conforme o caso.

No vídeo disponível no YouTube, o cantor se apresenta com chicote na mão, e uma elegante senhora da platéia – com uma estola no pescoço equilvante a umas quatro raposas – passa o tempo todo vaiando e xingando os músicos. As demais mulheres focalizadas pela câmera aplaudem ou permanecem comportadas.

Curiosamente, uma música similar foi lançada em resposta à primeira. Intitulada ‘Morocha, não’, de Leonardo, um dos mais conhecidos cantores-compositor da música regional do RS, já falecido, respondia às bravatas. “Ouvi um qüera largado, gritando em uma canção / que as regra pra um ser humano é a mesma dos animais / que trata que nem baguais
maneando patas e mão” diz um trecho. Nota-se, claro, o especismo. Não podemos ser ingênuos. O refrão é “morocha não, respeito sim / Mulher é tudo, vida e amor / Quem não gostar que fique assim / Grosso, machista e barranqueador”.

Barranquear, traduzindo, é estuprar – isto vai ser contestado, mesmo que mentalmente, por muitos, que não vão se manifestar por vergonha – uma égua fazendo uso de um pequeno declive para que, digamos, os genitais fiquem na mesma altura.

Uma espécie de ritual que diverte certa parcela da população ligada ao RS.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Chapolins, Fast food e o Brasil do PêTê

Comprei alguns brinquedos do Chapolin, os dois últimos que sobraram, na segunda vez que fui num fast food. Você sabia que no México, chapolin é um inseto que se come frito?

A primeira vez que fui a um fast food você pode conferir aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/11/cha-com-amigas.html
Estes são os chapulines. Te dá nojo?
Eu não. Parei de comer animais por compaixão e princípios.
porque antes dava no mesmo comer camarão, franco, miúdos ou qualquer outro animal.





Me deu muita lástima ver adolescentes, praticamente ainda crianças, que poderiam estar namorando, ouvindo som, escrevendo poesias e principalmente lendo, ou fazendo o que queiram, tendo que fazer nada mais nada menos que: trabalhar! E não pense que eu, do outro lado do balcão, estava incólume.

Se você quer saber, as relações de trabalho são praticamente maneiras de ferrar com o empregado e proteger o patrão. Você recebe benefícios ínfimos e se não aprender a economizar por si só, estará perdido. E as mulheres, que se cuidem. Elas perdem mais, do começo ao fim. Especialmente por não terem boca, por acreditarem em promessas. Maioria numérica, precizam tirar do cérebro o comportamento de minoria e ajudar as que realmente estão em situação de fragilidade. E hoje a moda é ser chefete. Todo mundo recebe a lisonja do poder. Um crachazinho de preposto e já começa a humilhar os colegas. Quase sempre ganha o mesmo salário que os demais. Pura ilusão. Como o patrão sabe que os idiotas adoram poder, distribuem-no à vontade, para fazer os desgraçados se fartarem e obedecer ao comando sem pensar. Isso acontece em bancos e nas grandes empresas de telecomunicações, etc. Mas até mesmo onde não se ganha um centavo, em partidos e grupos sociais, tem gente se matando por um pouquinho de glória.

Não pense que, esta empresa de fast food é a única, ela é apenas um alvo de esquerdistas, como a coca, a cola, como o PT. (Como se o Brasil, antes deste partido, não fosse um antro de picaretas. Como se o colllor, não tivesse apenas dado dois passos para lá e tivesse só tirado umas férias, continuando firme e forte, sem nunca ter saído do poder. Acordem povo idiota e iludido. Ele, curiosamente também faz parte das poucas famílias que controlam a mídia com mão firme.
Tudo é um blefe eterno e todos caem como crianças torpes.)
Você pensa que agora está tirando a Dilma (mulher que eu admiro, mas não tenho partido nem sou puxa saca de ninguém) do poder com seu blá blá blá de pseudopolitizado sem memória, caindo no papo da mídia golpista,  mas está apenas indo com a corrente dos que querem te enrolar e continuam aumentando seus salários e surfando nos eternos benefícios autoconcedidos. E a polícia continua batendo em pobre, os direitos sendo suprimidos, a corrupção antiga, que agora até estava sendo combatida e divulgada (por isso a gentarada está possessa), ainda segue forte, mas vc (você) segue na sua ilução celular (não o aparelho telefônico, e sim o genético).

Quem quer criticar muito o mac, o fast food, etc, desligue antes sua TV.
Eu não tenho televisão em casa desde a adolescência, na época era apenas pela minha juventude e mil vezes melhor ler, ter amigos, namorar e sair à noite do que ficar em casa ver estaticamente o óbvio! Eu caminhava muito, como até hoje faço, à noite até em cemitérios, e conhecia todos os lugares. Eu amo rádio até hoje, mas me concentro só na Internet e Ondas curtas que são isentas, sou louca por música e não entendo quem gosta de TV. Não me ligo em filmes, não me interessa mesmo. Vejo alguns de vez em quando, mas não morro por isso.
Hoje eu não tenho TV pois sei que os donos da mídia, dominam tudo, escolhem o que o populacho vai ver. A mídia golpista enfia o que quer no rabo da população.
E aqui neste Estado, uma em particular explora os funcionários de maneira cruel. Nem entro aqui em detalhes, pois daria uma reportagem. Coisa que os bons jornalistas já fizeram e você leitor já deve ter lido, claro que sim.

Mas o pior são os chefetes dos jornalecos ostentando crachás nas ruas como se fossem os escritores seculares. E mais asquerosos são os puxa sacos de tais figuras.

Quem se espanta muito com o trabalho escravo na China e abre um bocão para falar do símbolo dos fast foods deveria parar de comer carne, ler sobre a exploração dos donos da carne, os grandes e os pequenos, e não ver TV, nem todo o pacote midiático controlado.

O trabalho em si já é algo nocivo pois nos rapta boa parte da cognição, nos rouba a vida. O 'trabalho' criativo não é trabalho, é outra coisa. Mas o que aquelas pessoas fazem ali é matar sua própria vida, seu tempo, sua liberdade. Em troca de quê? Já sabemos, de combustível para alimentar uma roda sistemática cruel.

Eu via aquelas meninas ali, oito (8) horas por dia, domingo, algumas nem seios tinham (saliento isso, pois essa é uma fase sensível para uma mulher, não é o momento de estar enfiado num regime de escravidão. Ainda somos crianças e mulheres ao mesmo tempo. Não temos que ficar servindo batata frita para pessoas impacientes), tendo que aguentar o consumidor típico, que se acha rei, só por que paga, pois ele também trabalha e aguenta a carga da exploração.

Gostaria de saber e não sou só eu, quem foi o crápula que criou essa armadilha e por que todos compactuam com ela, se não somos formigas?

Pois a espécie humana está longe da bondade, precisa se aplicar muito para tal. Parece que nascemos para o mal. E ser bom exige um esforço sobrenatural.
Mas há muita gente boa e estamos tentando. A revolta que nasce dentro de alguns é uma pista disso e não vamos parar.

Aqui está um manifesto contra uma das empresas e desconfio que não seja por bondade, que seja apenas porque é desigual e gera menos lucro para as outras lojas... Leia: http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/mundo/brasil/noticia/2015/02/24/brasil-adere-a-movimento-global-de-trabalhadores-contra-mcdonalds-169613.php

E para quem perdeu o folego, pois é muito assunto ao mesmo tempo, lembre-se que tudo está interligado.
Fiquei muito tempo sem entrar aqui por que também vendi minha alma para deus.
E, quando volto a escrever, é o sangue que verte pelos dedos, o ódio e o amor que se misturam. As lembranças das coisas que me revoltam e as experiências vividas que precisam ser expostas, para que outros se identifiquem. Tudo é misturado, livre e sem regras. Chega de polícias, chega de chefetes e ideologias, não sigo absolutamente nada.

E me sinto lisongeada quando sei e sinto que tenho meus poucos leitores sempre fiéis, os velhos e os novos já salpicados de sal.
E sinto uma espécie de prazer quando o que escrevo provoca a ira dos que se incomodam com o que não deveria incomodar, com os preconceituosos e chatos que entram aqui só para bisbilhotar. Aí é que reconheço secretamente que cumpri com meu objetivo: desobedecer e provocar - seja a reflexão, seja o desmonte, seja o deboche do orgulho e da ignorância.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Procurei a menina do cemitério e encontrei a mulher que luta pela paz

Eu procurava a muito tempo esta cantora. Ouvia uma música específica, anos oitenta, numa rádio maluca que toca músicas muito diferentes durante a madrugada. A rádio pode variar entre Cocteau Twins e Eros Ramazzotti. Mas havia uma música desta cantora. Este jeito meio Madonna. (Ou seja, linda! - eu fiz esse cabelo uma época, mas como o meu não é tão comprido que digamos, não ficou com esse efeito) Pois levei muitos anos até descobrir o nome dela. Sandra Ann Lauer. Sou muito lenta para nomes de música, na verdade não estou nem aí para nomes, estilos, eu amo música e ponto.
Depois, lendo sobre a cantora, fui descobrir que ela tem diversos sucessos, mas não curto ficar falando sobre música, pois quem entende de música e é músico é meu marido. Meu lance é ouvir e dançar. Ouçam agora a Little Girl, mas, quando eu vi o clipe, me apaixonei pela cantora.

Nas minhas pesquisas, vejam o que encontrei:
Sandra Ann Lauer fez campanhas contra os testes em animais
Ela faz músicas com letras fora do padrão da música pop, com temas como prostituição, amor aos animais, e uma das músicas fala claramente contra os testes em animais, ouça:

Ainda não encontrei a música que procuro desta cantora. É uma música parecida com a Little Girl, com um som de avião no começo. Toca de vez em quando nesta rádio durante a madrugada. Mas a dona da voz eu já conheci, e que grande encontro, por sinal!

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Chaves - O chiclete que grudou no Chapéu

 Mais uma surpresa para minha simples coleção de coisitas do Chaves e Chespirito. Um álbum de figurinhas de chiclé do Chaves. Estava no centro da cidade e fui numa "distribuidora de balas", assim a gente chamava quando criança, aquelas lojas de doces onde tudo era vendido em quantidades e, mais baratos... E, ali dentro era tudo cheiroso!!!! Um cheirinho de doce delicioso! Eu, francamente, não sou de doce. Não sou viciada em chocolate, não como chicletes, não mesmo. Mas naquela época sim, quando criança, tudo a gente quer... E, para quem não sabe, "Eu era pobre", é uma frase que eu sempre digo, de brincadeira e quando alguém vem com muita crítica sobre o que nunca viveu.
Essa frase é inspirada em um episódio do Chaves e tem muito de verdade.
 Fui na loja de doces procurar chocolates veganos pois, não sou viciada em chocolates mas é claro que aprecio um bom pedaço deles e, amo rapaduras...E daquelas de armazém. Coisa que não existe mais por aqui.
Lá nesta loja, tem um pote grande com várias dentro, super barata. São veganas, amendoim e açúcar somente. E, para minha surpresa, encontrei uma caixinha destes chicletes do Chaves!

Os chicletes foram originalmente feitos de resinas vegetais. Há relatos de que foram inventados justamente no México, com resinas de árvores nativas. Hoje ele é feito com borracha de petróleo misturada com resinas naturais, como as de árvores propriamente ditas, (sim, existe chiclete orgânico, uma marca mexicana) e mesmo ceras de abelhas (portanto nem todos os chicletes são veganos, sim senhores).
 Na caixinha dos dois sabores, estava uma caixa postal, escrevi para lá pedindo o álbum. Contei na carta que era fã, conhecia o Kiko e a Chiquinha pessoalmente, etc. Um mês depois recebi meu presente...
 E, distribuí os chicletes para amigos que vão guardando as figurinhas para mim. Vou colando aqui.
Parte da renda sempre vai para a Fundação Chespirito de apoio às crianças. Toda a renda da venda de materiais com a marca de Chespirito é revertida para a fundação.  Aqui neste link: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2013/05/adote-o-chaves-fundacao-chespirito.html tem pirulitos do Chaves e a história da fundação.
Fiz várias fotos. As estampas são muito bonitas. Abaixo, uma delas, que é um contraste super legal. Adoro este tipo de ilustração. Já pensou uma camiseta assim?


 Pessoalmente não gosto do Chaves Animado. Embora os personagens sejam ternos, o desenho em si descaracterizou totalmente o encanto do seriado antigo. Tipo, Chaves não tinha brinquedos no seriado antigo, mas no desenho ele aparece de par a par com as outras crianças e ele vive situações completamente distintas, meio irreais. Parece que hoje, nada pode ser "constrangedor" e tudo tem que ser meio delirante para ter graça.
Os desenhos atuais, na real, são para um tipo de criança que, sei lá, acho que nasceram para não se emocionar.
Chavito com seu sanduiche de presunto.
Leiam o que achei sobre o desenho, mais motivos para eu não gostar (não vi ainda os capítulos, os que vi não gostei, de modo que estou lendo sobre eles ainda.):
  • No episódio "Procura-se" o Sr. Barriga diz que não gosta de animais por ter alergia chegando a proibi-los na vila, porém na versão original Sr. Barriga não demonstra isso inclusive reclamando da proibição que a Dona Florinda faz em um episódio, além de em outro mencionar que é protetor dos animais.
  • No episódio "O Dinheiro Perdido", é mostrado em um flashback Jaiminho sequestrando um cãozinho e depois o devolvendo à Nhonho em troca de dinheiro aparentando ser dele o que é estranho, pois o Sr. Barriga tem alergia a animais como mostrado em "Procura-se".
 
Depois de ler e estudar o desenho, se por acaso vir a gostar deles, desobedecerei as ordens por aqui! Ainda estou baixando os episódios de Chaves. Chespirito é minha paixão, portanto, sem pressa.
Por exemplo, eu não curtia muito Los Chifladitos, outros dos personagens de Chespirito, mas quando comecei a assistir e estudar mais a fundo, me apaixonei.
Los Chifladitos, toda una vida de locura

Se você clicar nesta foto verá o site da fundação e a mensagem dizendo que parte da renda é revertida para as crianças.
 


 
meu cantinho de ver Chespirito, meus amados personagens...
Eu e minha flor de jasmim preferida...

Para meus leitores e fãs de Chaves, um episódio: O chiclete que grudou no Chapéu 1976

domingo, 8 de fevereiro de 2015

As sogras e os animais

As mulheres lidam à séculos com o preconceito à sua volta. São chamadas de bruxas, loucas, santas, putas, e são consideradas tudo isso ao mesmo tempo. Elas mesmas se apontam como tal, se menosprezam quando podem e muitas o fazem por merecer. Mas, como é bom poder levantar a cabeça, seguir adiante, passando por cima do macharedo e das lambedoras de botas e dos paga paus. Como é bom poder encontrar lutadoras, poder abraçar pelo caminho, mulheres que lutam, de olhos fechados para o falatório maldoso, para a fofoca, apenas fazem. Apenas vão lá e mãos à obra. Pois atitude é algo notório, digno e altivo.

Eis abaixo um comentário que reproduzo, de uma leitora de meu artigo, que escrevi sobre minha sogra. Pretendi  desmistificar o preconceito que existe contra as mães dos homens que escolhemos.

A minha, a sogra, é uma grande protetora de uma cidade. Só existe ela lá, indo atrás daquilo que as pessoas deixaram para trás - animais.
Obrigada leitora por compartilhar sua angústia e revolta, pode crer, que de revolta, nós mulheres, pelo menos algumas, estamos bem, e, quer saber?

É bem bom se revoltar de vez em quando!
(E nascer com a revolta no couro, como no meu caso) ;)

Leia o Comentário de Maria de Lourdes do grupo Amigos de Pêlo

"PARABÉNS, parabéns pelo texto e pela homenagem feita à sua sogra, é um texto muito fiel, ao dia-a-dia de uma protetora. Eu cuido de + de 120 animais entre cães. gatos. papagaio, tartarugas e carpas, todos vindos de abandono pelas pessoas que no impulso buscam um pet para brincar e se distrair - mas descobrem que eles não são brinquedos e aí cai a ficha e o mais fácil é abandonar. Lógico que acabam vindo parar em nossas mãos e não damos as costas e por isso somos chamados de *acumuladores de animais*, muitas vezes, pelos mesmos que os abandonaram.
Textos como esse, deveriam ser mais divulgados para que os sem noção possam acordar para uma realidade que eles fazem questão de fazer vistas grossas, para não tomar conhecimento desse mundo paralelo.
Paralelo, porque o mundo gira em torno das baladas, das viagens, das festas, do consumismo, e aí deparo com pessoas que para se projetar dizem **Eu ajudo, ou eu quero ajudar** e quando você pergunta, quantas vezes você ajudou, ou qual abrigo você ajuda, a resposta é desanimadora, porque quando tem coragem de admitir - ajudaram 1 ou 2 vezes no máximo.
Por isso, pelo reconhecimento e pelo trabalho que sua sogra ou todos nós fazemos em pról de salvar vidas, eu digo Parabéns pela sua sensibilidade e pelo seu bom carater, e que isso seja repassado para seus decendentes e que muita Luz brilhe em seu caminho"

Conheça seu trabalho e o grupo aqui no seu blog: http://www.amigosdepelo.blogspot.com.br/

O artigo sobre minha sogra está aqui: http://www.olharanimal.org/pensata-animal/autores/ellen-augusta/4038-a-sua-sogra-e-um-inferno-a-minha-salva-animais

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Quem está no lado negro da força? Ou meu black bloc diário

A moral está torta. Especialmente aqui neste país, parece que quem está errado é que é o certo. Pois, o lado negro da força pertence aos subversivos, aos que usam a raiva para construir, aos que estão cansados de falsidades e do estrago que o mal "dos bons" e dos cínicos causam na sociedade.
Se uma pessoa reclama, é ela, sim, ela é o centro das atenções. Ela é que ousou falar. O outro, o errado, apenas é mais um esperto, mais um otário que errou, portanto, o coitadinho, ou o malandro. Chega a ser até atraente, aos olhos de tantos. Ou tantas.
Pois estou cansada. Cansei de ser, muitas vezes, a única a fazer um favor, na rua, quando todos estão fingindo não ver. Cansei de ver algo e perceber que ninguém viu.
E nós, do lado negro da força, somos os poucos, os do lado obscuro, que, se não somos nós, nada acontece. Pois a maioria, os da luz, está ofuscada pela alienação.
A palavra negro, até mesmo a palavra, está sempre carregada de preconceito. A escuridão, a morte, o obscuro, só tem beleza. Todos morrem de medo da morte, mas nada, nenhum livro, filme, nada, é tão belo, se não houver estes elementos! Olhe meu título e lembre. Em todos os bons filmes, os personagens obscuros são fascinantes.
Eu amo a morte. Estudo-a. Ela está presente nos livros inesquecíveis, em todos os bons romances e nas melhores poesias. Nada é melhor do que morrer, pois ninguém se atreve a tal.
Me assusta o preconceito das pessoas com o que desconhece, mas tem muito palpite. O que é ainda mais espantoso,  é a coleção de preconceitos, que tende à maldade, que há no interior de quem se propõe um ser de luminosidade.
Pois nós, os subversivos, os do lado negro da força, estamos aí, fazendo nosso ativismo, sem nenhuma modéstia, que isso é para os da luz. E eu cansei desse cinismo que nada realiza.
Ellen Augusta

Leia agora a coluna de Marcio de Almeida Bueno - publicada no Jornal Panorama Regional que conta a história de alguém que ousou reclamar de um infrator de trânsito.

• Na terça à noite eu dava uma caminhada perto do Parcão, quando um carro parou no sinal fechado. O automóvel estava em cima da faixa de segurança, e o motorista falava ao celular. Um rapaz levava o cachorro para passear, atravessou e precisou contornar o veículo, expondo-se inclusive a ser atropelado por quem vinha na transversal. Reclamou ao motorista, que obviamente respondeu de forma desdenhosa. O rapaz, já na calçada, puxou uma câmera e fez fotos do motorista. O playboy debochou, mas arrancou mesmo no sinal vermelho, e parou metros adiante, talvez para esperar o rapaz passar por ele na calçada. Como o sinal demorou a abrir, ele acabou indo embora.
 • No supermercado próximo de minha casa há uma vaga de uso exclusivo para pessoas com deficiência. Repito, uso exclusivo. Diariamente a vaga é ocupada por caminhonetes-tanque-de-guerra e outros carrões imponentes. De dentro, salta sempre um 'doutor' ou uma 'madame'. Jamais vi um carrinho pobre usando indevidamente a vaga. Já fiz fotos, remeti à empresa, que até respondeu de forma sensata.
 • Mas o problema são as pessoas. O bullying no trânsito, a soberba, descontar as frustrações da vida na buzina, ter o automóvel maior que o do motorista ao lado, e 'saiam da frente'.
 • Todos exigem isso e aquilo dos governantes, honestidade dos políticos, conduta exemplar dos empregados, etc, mas na hora do próprio comportamento, aí vale a lei do tacape maior.

sábado, 31 de janeiro de 2015

O que aprendi com Chaves - Águas Frescas del Chavo

O México está entre os países do mundo que mais consomem sucos de frutas. O hábito está relacionado ao forte calor, é comum ver águas frescas sendo vendidas nas regiões quentes do país.

Aqueles que "amam o Verão", consideram sempre a temperatura desde sua piscina ou praia. Meus vizinhos, se entocam dentro de casa com o ar condicionado ligado 24 horas, até mesmo quando não estão em casa. Os apagões comuns aqui na vizinhança se devem a eles. Já os descrevi aqui nesta postagem: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/10/para-que-janelas-tao-grandes-se-estao.html e pode crer, não compactuo com isto.

Ignoram o calor do mundo urbano, o inferno de quem trabalha sobre ou abaixo do asfalto. Será que só pensam na moda? Meu marido, que também detesta o calor,  viu um dia um sujeito sair de um buraco no asfalto, fervendo ao Sol. Ali deveria estar fazendo uns oitenta graus. O colega entregou a ele um sorvete.
Há também os cavalos andando no asfalto quente, invisíveis o ano inteiro,  mas estupidamente sofríveis nesta época. E os animais ficam com sede, pois os humanos sem compaixão deixam as ruas secas. O maior índice de abandono de animais ocorre nesta época, em que o país só sabe festejar. Como se houvesse muitas razões para tal, não? E, para tanto, abandonam animais nas praias e na cidade.
A energia elétrica indo por água abaixo, quando os picos de consumo de luz sobem nas alturas.
O consumo de águas frescas está relacionado também à camada mais simples da população, é um símbolo da cultura do país.
Águas frescas é uma bebida mexicana feita de frutas, grãos e açúcar, e água, não alcóolica.
As águas mais populares são àgua de Jamaia, água de limão ou limonada, laranjada, de água de tamarindo e de horchata de arroz.
A horchata é, por sua vez, uma bebida fermentada, esta sim, levemente alcoólica, que pode ser feita de diversos cereais. Já tive a sorte de prová-la e irei falar dela em outra ocasião. Pois é uma bevida à parte e tem longa história, além disso ela é vegana e probiótica.

Pois El Chavo del Ocho nos ensinou o que são as Águas Frescas, no episódio, Las Águas Frescas, que na versão brasileira chama-se Os refrescos do Chaves, mas existem muitas versões, ou episódios semelhantes.
 Os refrescos do Chaves são águas da chuva saborizadas! Ele encontrou os baldes cheios de águas e foi só questão de dar-lhes sabor! Uma forma bem humorada de nos dar a conhecer a cultura do México.
 Muitos dos que assistem Chaves aprendem sobre o México e culturas relacionadas através do carinho que existe entre os fãs e as obras de Chespirito, que resgatou detalhes da cultura do país e do mundo no seu trabalho. Muitos de nós saíram em busca do significado de palavras, músicas, e povos a fim de conhecer mais acerca do que estava a descobrir.

No episódio de Chapolin Colorado, La mansion de los duendes, os donos da casa usam a Água de Jamaica para atrair os duendes. Existe realmente uma lenda antiga, de que os duendes gostam de água de jamaica, que nada mais é do que o chá de hibisco, só que gelado.
minha mãe tinha este jarro de plástico, era comum nestas épocas.
No restaurant de Dona Florinda também não poderia faltar águas frescas
Assista os episódios do Chaves!
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