Viver o presente, um dia de cada vez, não ter ansiedade e não esperar nada. Como seria fácil se não fosse eu. Minha vida se divide em semanas, em que sigo tentando acertar o meu ritmo com o do mundo. E confesso que vou perdendo... As coisas vão rápido demais, não consigo acompanhar. Se eu não sentisse essa sensação que me assola pela manhã, essa pena da vida, essa vontade de desaparecer, que segue pelo dia até que há um momento em que acaba, talvez eu pudesse fazer muito mais do que faço, talvez fosse a pessoa de sucesso que esperam que eu seja - e não sou.
O meu sucesso é conseguir ser eu mesma. A minha vitória é conquistar uma semana. É conseguir ir a todas as aulas sem perder o ânimo, é conquistar as pessoas pelo que eu sou e não pelas coisas que ostento em meu currículo, corpo ou casa, como se eu fosse uma árvore de natal cheio de adornos desejáveis.
Eu não sou essa árvore. Sou apenas alguém que não precisa de muito para ser feliz. O meu muito é pouco para a maioria. Sou feliz em ver minha casa, sou realizada em estar bem e em paz. Não quero nenhum título, não quero ser nada mais do que penso que sou. Não preciso de um status de relacionamento, não preciso fazer o que todo mundo faz. Eu só quero ler meus livros e viajar quando puder.
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sexta-feira, 11 de maio de 2018
segunda-feira, 19 de junho de 2017
Viva na vida - morta no Face
Eu tive dois perfis no Facebook, um deles, cheio de amigos... mais de 4000. O perfil mais novo, era fechado. Os dois morreram hoje.
Explico. Na minha vida, as coisas vão acontencendo, meio bagunçadas, vou deixando-as ali, elas se ajeitam, mas tem uma hora que chega! Preciso zerar a vida, começar de novo ou dar um tempo... Ou nada disso. Conforme...
O Facebook foi já motivo de brigas no meu primeiro casamento e foi alvo também no meu namoro... Claro, será mais fácil culpar a rede social do que as minhas atitudes, porém o Face não é de todo inocente. Nos últimos tempos andava me sentindo angustiada, pois além de trabalhar com redes sociais, ainda tinha que manter minhas redes quando saía do trabalho. Eu estava vivendo a virtualidade, estava reativa a tudo, ausente das minhas vontades profundas, apenas na superfície do sim ou não (curtir, compartilhar, reagir).
Depois que comprei meu smartphone, minha atenção caiu drasticamente. Meu nível de leitura baixou quase a zero. E olha que mesmo assim consegui ler alguns livros, apenas porque amo ler. Quando me mudei para minha casinha, decidi ler mais, oficialmente, devorar os livros. Deu certo. Porém, quando baixa a bad, a leitura passa longe... começo a divagar nas redes, só ver a vida perfeita das pessoas, as fotos bem batidas, as comidas maravilhosas, as briguinhas tolas que não levam a nada, a problematização tosca, que é quase uma característica desse tipo de rede.... isso encheu o saco. Não aguento mais! Para tudo é um piti....
A última foi gente problematizando os temperos da comida vegana. Sério meu, parece que essa galera não transa, não tem espírito alegre, descontraído. Não tem. Pois na rede, é impossível não reagir. É quase falta de educação.
O Facebook é um lugar onde você apenas fala. Não é necessário escutar, não precisa entender o outro, não precisa nem haver outro. É apenas aquela massa amorfa que aprova ou desaprova o que você posta. Não é necessário entender profundamente, as coisas passam por você. E nessa onda, as pessoas começam a achar que tudo é assim, e começam a tratar a si mesmas e aos outros como coisas, como postagens, como objetos que só valem durante certo instante.
Depois que comecei a fazer selfies, foi talvez a primeira vez que comecei a questionar negativamente meu rosto, a achar defeitos, a comparar com sei lá o quê.
Essa busca de aceitação não existe apenas por que existe a Internet. Ela existe, está latente. Mas isso não significa que eu tenho que alimentar essa nocividade. Não tenho que alimentar posts de pessoas que nem conheço, não tenho que provar nada para ninguém, eu agora, quero apenas ser eu.
Não sei direito, não sei mais o que sou. E isso, na verdade está sendo bom. Agora vou descobrir, a sério, e com confiança.
Agora, eu quero falar com as pessoas que realmente gostam de mim. Quero pegar o número e ligar, quero sair para passear, quando houver tempo, quero tê-las no meu Whats, mas sem grilo, apenas as pessoas que importam, e que se importam.
Agora, quando estiver com quem eu amo, estarei apenas com ele. Não me importa que as pessoas ao meu redor usem o celular, desde que não deixem de estar comigo, presente naquele momento.
Sei que talvez as visitas no meu blog irão diminuir, mas neste momento, nao importa mais a quantidade. Eu quero apenas ler com minha cabeça, ter minha própria opinião, pensar bem antes de 'reagir', eu quero viver!
PS. Tive muitas coisas boas por lá, outra hora conto... Duas das minhas melhores amigas conheci no Face, então nem tudo está perdido... e esse é apenas um texto... até a próxima...<3 p="">
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Explico. Na minha vida, as coisas vão acontencendo, meio bagunçadas, vou deixando-as ali, elas se ajeitam, mas tem uma hora que chega! Preciso zerar a vida, começar de novo ou dar um tempo... Ou nada disso. Conforme...
O Facebook foi já motivo de brigas no meu primeiro casamento e foi alvo também no meu namoro... Claro, será mais fácil culpar a rede social do que as minhas atitudes, porém o Face não é de todo inocente. Nos últimos tempos andava me sentindo angustiada, pois além de trabalhar com redes sociais, ainda tinha que manter minhas redes quando saía do trabalho. Eu estava vivendo a virtualidade, estava reativa a tudo, ausente das minhas vontades profundas, apenas na superfície do sim ou não (curtir, compartilhar, reagir).
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| Dessa energia passo longe.... |
Depois que comprei meu smartphone, minha atenção caiu drasticamente. Meu nível de leitura baixou quase a zero. E olha que mesmo assim consegui ler alguns livros, apenas porque amo ler. Quando me mudei para minha casinha, decidi ler mais, oficialmente, devorar os livros. Deu certo. Porém, quando baixa a bad, a leitura passa longe... começo a divagar nas redes, só ver a vida perfeita das pessoas, as fotos bem batidas, as comidas maravilhosas, as briguinhas tolas que não levam a nada, a problematização tosca, que é quase uma característica desse tipo de rede.... isso encheu o saco. Não aguento mais! Para tudo é um piti....
A última foi gente problematizando os temperos da comida vegana. Sério meu, parece que essa galera não transa, não tem espírito alegre, descontraído. Não tem. Pois na rede, é impossível não reagir. É quase falta de educação.
O Facebook é um lugar onde você apenas fala. Não é necessário escutar, não precisa entender o outro, não precisa nem haver outro. É apenas aquela massa amorfa que aprova ou desaprova o que você posta. Não é necessário entender profundamente, as coisas passam por você. E nessa onda, as pessoas começam a achar que tudo é assim, e começam a tratar a si mesmas e aos outros como coisas, como postagens, como objetos que só valem durante certo instante.
Depois que comecei a fazer selfies, foi talvez a primeira vez que comecei a questionar negativamente meu rosto, a achar defeitos, a comparar com sei lá o quê.
Essa busca de aceitação não existe apenas por que existe a Internet. Ela existe, está latente. Mas isso não significa que eu tenho que alimentar essa nocividade. Não tenho que alimentar posts de pessoas que nem conheço, não tenho que provar nada para ninguém, eu agora, quero apenas ser eu.
Não sei direito, não sei mais o que sou. E isso, na verdade está sendo bom. Agora vou descobrir, a sério, e com confiança.
Agora, eu quero falar com as pessoas que realmente gostam de mim. Quero pegar o número e ligar, quero sair para passear, quando houver tempo, quero tê-las no meu Whats, mas sem grilo, apenas as pessoas que importam, e que se importam.
Agora, quando estiver com quem eu amo, estarei apenas com ele. Não me importa que as pessoas ao meu redor usem o celular, desde que não deixem de estar comigo, presente naquele momento.
Sei que talvez as visitas no meu blog irão diminuir, mas neste momento, nao importa mais a quantidade. Eu quero apenas ler com minha cabeça, ter minha própria opinião, pensar bem antes de 'reagir', eu quero viver!
PS. Tive muitas coisas boas por lá, outra hora conto... Duas das minhas melhores amigas conheci no Face, então nem tudo está perdido... e esse é apenas um texto... até a próxima...<3 p="">
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Ansiedade e sentimento de urgência - tentando voltar a ser viva
Como seria bom viver sem depender das reações alheias, ser dona de mim mesma.
Nos últimos dias, estou reconhecendo o quanto é difícil e o quanto fiz as mesmas coisas minha vida inteira.
Eu me apeguei a um conceito aprendido na minha adolescência, eu me liguei às sombras, pois a morte era mais confortável do que a vida que eu levava. Eu entrei no período romântico, na idade das trevas da minha mente, eu fiz o que achei poético, o que salvava minha alma dos dias reais.
Me apeguei a isso, sem nunca mudar, sem nunca pensar de outro modo.
2017, ano de profundas mudanças na minha vida.
Os estímulos são muitos, aquela necessidade de ter uma resposta, de ter uma opinião, de ser/estar sempre presente, o modo de ser rede-social... a espera de respostas rápidas, o pedido de amizade, o controle sobre tudo, até tudo se perder...
Eu me perdi. Me envolvi tanto na vida de quem eu amo, mas eu me perdi. E amar apenas, sem ter um centro em si mesma, é triste, pois não estou mais em mim.
Quando fiz terapia, naqueles anos lá, anteriores a estas coisas, aprendi a reconhecer quando começam os ciclos de vai e vem na minha vida, a desesperança, a tristeza, depois os dias alegres e a sensação de que nada é para sempre... Aproveitar os dias bons e ignorar os dias ruins. Mas às vezes, nem isso, tem dias que nada funciona. Estes dias, por exemplo....
Ontem eu tive febre, uma febre que é um sintoma... de quem se perdeu já a muito. Eu apenas queria ter quem amo ao meu lado. E ele veio, desceu do carro, subiu comigo... e quando eu estava na cama, meio ruim, com aquele frio, observava seu jeito de me olhar... eu pensava: talvez esteja preocupado comigo, talvez esteja me achando uma chata...eu estava ali, frágil como nunca estive.
Ontem eu precisava dos meus amigos. E três amigas me ajudaram. Uma veio ficar comigo até ele chegar. Outra irá me ajudar hoje: eu sei que ela vai me curar das feridas, pois é minha melhor amiga, como uma irmã. A outra me ajudou com palavras, conversamos todos os dias.
Não era nada grave, mas nesse momento precisava de alguém.
A vida estava entre meus dedos, um fio de nada que eu insistia em carregar e manter, com a ideia em mente de que sempre vou me recuperar, não importa o que aconteça. Eu digo que quero morrer, e tem vezes que eu quis, mas a vida em mim está funcionando, na vontade de mudar, de ser melhor, de querer estar com quem amo e admiro.
Escolhi a vida, é o que estou a fazer.
Nos últimos dias, estou reconhecendo o quanto é difícil e o quanto fiz as mesmas coisas minha vida inteira.
Eu me apeguei a um conceito aprendido na minha adolescência, eu me liguei às sombras, pois a morte era mais confortável do que a vida que eu levava. Eu entrei no período romântico, na idade das trevas da minha mente, eu fiz o que achei poético, o que salvava minha alma dos dias reais.
Me apeguei a isso, sem nunca mudar, sem nunca pensar de outro modo.
2017, ano de profundas mudanças na minha vida.
Os estímulos são muitos, aquela necessidade de ter uma resposta, de ter uma opinião, de ser/estar sempre presente, o modo de ser rede-social... a espera de respostas rápidas, o pedido de amizade, o controle sobre tudo, até tudo se perder...
Eu me perdi. Me envolvi tanto na vida de quem eu amo, mas eu me perdi. E amar apenas, sem ter um centro em si mesma, é triste, pois não estou mais em mim.
Quando fiz terapia, naqueles anos lá, anteriores a estas coisas, aprendi a reconhecer quando começam os ciclos de vai e vem na minha vida, a desesperança, a tristeza, depois os dias alegres e a sensação de que nada é para sempre... Aproveitar os dias bons e ignorar os dias ruins. Mas às vezes, nem isso, tem dias que nada funciona. Estes dias, por exemplo....
Ontem eu tive febre, uma febre que é um sintoma... de quem se perdeu já a muito. Eu apenas queria ter quem amo ao meu lado. E ele veio, desceu do carro, subiu comigo... e quando eu estava na cama, meio ruim, com aquele frio, observava seu jeito de me olhar... eu pensava: talvez esteja preocupado comigo, talvez esteja me achando uma chata...eu estava ali, frágil como nunca estive.
Ontem eu precisava dos meus amigos. E três amigas me ajudaram. Uma veio ficar comigo até ele chegar. Outra irá me ajudar hoje: eu sei que ela vai me curar das feridas, pois é minha melhor amiga, como uma irmã. A outra me ajudou com palavras, conversamos todos os dias.
Não era nada grave, mas nesse momento precisava de alguém.
A vida estava entre meus dedos, um fio de nada que eu insistia em carregar e manter, com a ideia em mente de que sempre vou me recuperar, não importa o que aconteça. Eu digo que quero morrer, e tem vezes que eu quis, mas a vida em mim está funcionando, na vontade de mudar, de ser melhor, de querer estar com quem amo e admiro.
Escolhi a vida, é o que estou a fazer.
domingo, 28 de agosto de 2016
Angústia
Adoro a palavra Angústia, e não consigo parar de sentí-la.
A perseguição começa quando estou bem. Vem sempre à noite, quando estou já desarmada. Está a me rondar neste momento. É um sentimento que anda de mãos dadas com outros, que nem ouso mencionar.
Se eu disser as palavras, se eu as formular, tenho medo de que escapem do meu coração ou, me prendam para sempre em seus significados.
Quando a noite chega, e com ela está a Angústia, eu sinto vontade de deitar embaixo do cobertor, e esperar o tempo passar, queria dormir, queria esquecer, das coisas lindas ou tristes que estão pairando no ar. Mas esse sentimento congela tudo, fixa tudo em algum lugar onde não alcanço.
Tudo começou quando abri uma fenda desta armadura. Eu não suporto o brilho da noite, tampouco a brancura serena do dia quando começa.
Esconder-me no sombrio me confortava. Minha vida estava bem até então.
O dia traz as cores do Sol, e a possibilidade de eu me sentir melhor, quem sabe. Mas, por que tudo é tão longe, por que é tão raro?
Eu caminhei pela manhã, percebendo a neblina gelada. Estou cansada. Minha vida, eu zerei, todas as possibilidades, já não me interessam. A beleza está ali, a vejo, mas será minha? Prefiro a certeza da morte, do que a brevidade incerta da vida.
Fugindo de tudo o que venero, passei a vida perdendo o que de mais sagrado conquistei.
Eu não quero mais viver de relações vazias, não quero ser mais uma opção na agenda de alguém. Uma companhia para o nada, um ser esquecido, como sempre fui.
Eu não quero mais jogar o jogo, esse jogo de vazios, de vácuos, de nadas que se completam.
Amanheci com o vestígio de um sonho ruim. Eram coisas a serem banidas, varridas, eram noites sem sentido, com o Oceano de fundo. Era um brilho de morte em toda essa praia vazia.
Eu penei, essas semanas eu senti toda a angústia possível, de quem espera descobrir algo. Meu corpo não responde a minha pergunta, só me fere com dores, estranhas sensações. Minha mente é apenas negação.
O que será que vai acontecer na minha vida? Serei só ou há algo mais em mim?
A perseguição começa quando estou bem. Vem sempre à noite, quando estou já desarmada. Está a me rondar neste momento. É um sentimento que anda de mãos dadas com outros, que nem ouso mencionar.
Se eu disser as palavras, se eu as formular, tenho medo de que escapem do meu coração ou, me prendam para sempre em seus significados.
Quando a noite chega, e com ela está a Angústia, eu sinto vontade de deitar embaixo do cobertor, e esperar o tempo passar, queria dormir, queria esquecer, das coisas lindas ou tristes que estão pairando no ar. Mas esse sentimento congela tudo, fixa tudo em algum lugar onde não alcanço.
Tudo começou quando abri uma fenda desta armadura. Eu não suporto o brilho da noite, tampouco a brancura serena do dia quando começa.
Esconder-me no sombrio me confortava. Minha vida estava bem até então.
O dia traz as cores do Sol, e a possibilidade de eu me sentir melhor, quem sabe. Mas, por que tudo é tão longe, por que é tão raro?
Eu caminhei pela manhã, percebendo a neblina gelada. Estou cansada. Minha vida, eu zerei, todas as possibilidades, já não me interessam. A beleza está ali, a vejo, mas será minha? Prefiro a certeza da morte, do que a brevidade incerta da vida.
Fugindo de tudo o que venero, passei a vida perdendo o que de mais sagrado conquistei.
Eu não quero mais viver de relações vazias, não quero ser mais uma opção na agenda de alguém. Uma companhia para o nada, um ser esquecido, como sempre fui.
Eu não quero mais jogar o jogo, esse jogo de vazios, de vácuos, de nadas que se completam.
Amanheci com o vestígio de um sonho ruim. Eram coisas a serem banidas, varridas, eram noites sem sentido, com o Oceano de fundo. Era um brilho de morte em toda essa praia vazia.
Eu penei, essas semanas eu senti toda a angústia possível, de quem espera descobrir algo. Meu corpo não responde a minha pergunta, só me fere com dores, estranhas sensações. Minha mente é apenas negação.
O que será que vai acontecer na minha vida? Serei só ou há algo mais em mim?
sugestões
angústia,
ansiedade,
dor,
Ellen Augusta,
Ellen Augusta Valer de Freitas,
escrever,
espera,
literatura,
maquiagem,
morte,
mulher,
noite,
poesia,
sentimentos,
sonhos
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Os robozinhos do celular
O melhor de saborear o tempo, é quando começamos a perceber como a vida das outras pessoas é doente. A comunicação é zero. E elas acham que conversam bastante. Participam muito. Não calam a boca.
Sim, é verdade. Em qualquer rede social, todo mundo é muito boca e pouco ouvidos. Adoram falar à vontade, expressar muitas opiniões. Mas são raros os que deixam-se levar pelo silêncio de uma busca, uma leitura, uma entrega.

Esses dias, um caso de perfeito exemplo, fui esperar uma amiga, para tomar chá nos bancos da praça. Sim, nós somos mulheres jovens que tomamos chás!
Os bancos estavam todos ocupados com exceção de apenas um lugar. Pensei: ótimo, é ali que vou sentar.
A moça do meu lado esquerdo, estava contorcida, virada de costas para todos e encolhida, numa demonstração clara de que, ou não queria conversar, ou tinha medo daquela situação terrível (gente ao lado dela) ou que era melhor ficar com o dedo enfiado no diabo do seu celular último modelo.
Uma postura terrível, feia, que só demonstra o perfil das pessoas na atualidade, frívolo, indiferente, idiota.
No meu outro lado havia um senhor simpático, bonito. Eu disse Oi. Sentei ao seu lado e longos minutos se passaram em silêncio. Não tem problema. Sei lidar com silêncio, não sou neurótica. Depois de um tempo perguntei para ele: você está esperando alguém ou está apenas vendo o movimento daqui?
Aí, conversamos por muito tempo. Ele me contou que é aposentado, que adora ler literatura russa. E viu meu livro. Eu disse que é um escritor que adoro. Quem lê meu blog já sabe de quem estou falando! Estava com o livro para emprestar a uma amiga que quer conhecer o autor. Falamos muito de leituras, de tempo livre, de praças e seus encantos, da vida que acontece.
Depois que os lugares ficaram vagos, mesmo assim, ficamos ali conversando. Ele se foi. Minha amiga chegou. Se cruzaram no caminho, sem um saber do outro, e até mesmo se cumprimentaram pois um juntou algo que o outro deixou cair, isto chama-se gentileza - ou coincidência. Coisas de quem deixa o tempo passar-lhe por si, deixa-se ficar um pouco mais no presente.
Este senhor me falou sobre algumas coincidências de sua vida, a respeito de histórias de seus livros e seus dias naquela praça e na cidade.
Hoje, na sala de espera de um lugar qualquer, um monte de dondocas, todas frágeis, esperando. Puxam o celular, em coro, teclam sem parar. Faltou luz no prédio. Importa para essas pessoas?
O outro, distante, é mais especial. Eu sento, olho para o lado, e vejo todos com com a cabeça curvada mexendo no celular. Juro que me dá repulsão ver isso. Não por que estejam usando o aparelho em si. Mas pelo fato de que elas ignoram a pessoa ao lado, passam o tempo todo nesta posição de submissão a um aparelho, a uma vida falsa.
No banco, a mesma coisa. Estão cheio de papéis, pagando todas aquelas contas, aquele consumismo 'barato'.
E até na hora de falar com o atendente, o celular tem que estar na bancada, o olho grudado. Puxa, antes as pessoas disfarçavam o quanto consideravam insignificantes os outros, agora já não mais. Não olham simplesmente. Estão ali, como no caixa eletrônico. Ignoram que exista uma pessoa a lhe prestar um serviço. Olho para o lado, nas cadeiras de espera: todos, menos eu, de celular em punho. Puxa, grande invento este! Desmiolador de cérebros.
Namoram, trepam, tem amigos, compram, trabalham pelo celular. Estão sempre 'atentos' a um movimento desse negócio, nada é mais artificial e meio debilóide do que isso.
Conseguiram resumir em um aparelho, o que o sistema vem fazendo com todos a muitos anos, só que antes era mais escamoteado. Uso as coisas como ferramentas, não sou escrava de nada, não pertenço a nada e nada me pertence. Os objetos, quando pesam, só lhe trazem dor, prejuízo.
As pessoas brigam por coisas, choram por que o chip da Oi?! não chegou a tempo, enquanto há coisas graves acontecendo neste exato momento. Ou coisas lindas que os distraídos deixaram passar.
Isso é absolutamente fútil e chocante para mim. Hoje eu meço a amizade, pela capacidade de atenção que as pessoas podem dar, umas às outras.
Amanhã, depois, essa merda não valerá mais. O sujeito, palhaço do sistema, vai levantar a nuca dolorida de tanto teclar com o dedo, e verá que seus amigos virtuais sumiram. Que suas "ideias" não passavam de blefes, não eram sabedoria, aquela que fica com o tempo e é resultado de leituras, pensamento e conversa com os demais. É preciso ouvir os sábios, mas quem quer ouvir, quando é melhor ver (e ver mal e distorcido) e enfiar a cabeça no telefone?
Leia no link abaixo o que Ezio Flavio Bazzo publicou sobre o WhatsApp
Sim, é verdade. Em qualquer rede social, todo mundo é muito boca e pouco ouvidos. Adoram falar à vontade, expressar muitas opiniões. Mas são raros os que deixam-se levar pelo silêncio de uma busca, uma leitura, uma entrega.

Esses dias, um caso de perfeito exemplo, fui esperar uma amiga, para tomar chá nos bancos da praça. Sim, nós somos mulheres jovens que tomamos chás!
A moça do meu lado esquerdo, estava contorcida, virada de costas para todos e encolhida, numa demonstração clara de que, ou não queria conversar, ou tinha medo daquela situação terrível (gente ao lado dela) ou que era melhor ficar com o dedo enfiado no diabo do seu celular último modelo.
Uma postura terrível, feia, que só demonstra o perfil das pessoas na atualidade, frívolo, indiferente, idiota.
No meu outro lado havia um senhor simpático, bonito. Eu disse Oi. Sentei ao seu lado e longos minutos se passaram em silêncio. Não tem problema. Sei lidar com silêncio, não sou neurótica. Depois de um tempo perguntei para ele: você está esperando alguém ou está apenas vendo o movimento daqui?
Aí, conversamos por muito tempo. Ele me contou que é aposentado, que adora ler literatura russa. E viu meu livro. Eu disse que é um escritor que adoro. Quem lê meu blog já sabe de quem estou falando! Estava com o livro para emprestar a uma amiga que quer conhecer o autor. Falamos muito de leituras, de tempo livre, de praças e seus encantos, da vida que acontece.
Depois que os lugares ficaram vagos, mesmo assim, ficamos ali conversando. Ele se foi. Minha amiga chegou. Se cruzaram no caminho, sem um saber do outro, e até mesmo se cumprimentaram pois um juntou algo que o outro deixou cair, isto chama-se gentileza - ou coincidência. Coisas de quem deixa o tempo passar-lhe por si, deixa-se ficar um pouco mais no presente.
Este senhor me falou sobre algumas coincidências de sua vida, a respeito de histórias de seus livros e seus dias naquela praça e na cidade.
Hoje, na sala de espera de um lugar qualquer, um monte de dondocas, todas frágeis, esperando. Puxam o celular, em coro, teclam sem parar. Faltou luz no prédio. Importa para essas pessoas?
O outro, distante, é mais especial. Eu sento, olho para o lado, e vejo todos com com a cabeça curvada mexendo no celular. Juro que me dá repulsão ver isso. Não por que estejam usando o aparelho em si. Mas pelo fato de que elas ignoram a pessoa ao lado, passam o tempo todo nesta posição de submissão a um aparelho, a uma vida falsa.
No banco, a mesma coisa. Estão cheio de papéis, pagando todas aquelas contas, aquele consumismo 'barato'.
E até na hora de falar com o atendente, o celular tem que estar na bancada, o olho grudado. Puxa, antes as pessoas disfarçavam o quanto consideravam insignificantes os outros, agora já não mais. Não olham simplesmente. Estão ali, como no caixa eletrônico. Ignoram que exista uma pessoa a lhe prestar um serviço. Olho para o lado, nas cadeiras de espera: todos, menos eu, de celular em punho. Puxa, grande invento este! Desmiolador de cérebros.
Namoram, trepam, tem amigos, compram, trabalham pelo celular. Estão sempre 'atentos' a um movimento desse negócio, nada é mais artificial e meio debilóide do que isso.
Conseguiram resumir em um aparelho, o que o sistema vem fazendo com todos a muitos anos, só que antes era mais escamoteado. Uso as coisas como ferramentas, não sou escrava de nada, não pertenço a nada e nada me pertence. Os objetos, quando pesam, só lhe trazem dor, prejuízo.
As pessoas brigam por coisas, choram por que o chip da Oi?! não chegou a tempo, enquanto há coisas graves acontecendo neste exato momento. Ou coisas lindas que os distraídos deixaram passar.
Isso é absolutamente fútil e chocante para mim. Hoje eu meço a amizade, pela capacidade de atenção que as pessoas podem dar, umas às outras.
Amanhã, depois, essa merda não valerá mais. O sujeito, palhaço do sistema, vai levantar a nuca dolorida de tanto teclar com o dedo, e verá que seus amigos virtuais sumiram. Que suas "ideias" não passavam de blefes, não eram sabedoria, aquela que fica com o tempo e é resultado de leituras, pensamento e conversa com os demais. É preciso ouvir os sábios, mas quem quer ouvir, quando é melhor ver (e ver mal e distorcido) e enfiar a cabeça no telefone?
Leia no link abaixo o que Ezio Flavio Bazzo publicou sobre o WhatsApp
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