segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O jardim frio

Há tristezas que não podem ser mostradas. Elas são mais tristes, penosas e não são bonitas.
Tentativas de poesia para o fatídico não se encaixam no mais terrível destino, onde nada é tão penoso, tão sofrível, tão desastroso.

Ver o outro sofrer, estar preso em si mesmo, em um outro mundo.
Não é meu mundo, mas eu sofro tão profundamente, que mesmo gritando não consigo aplacar essa dor.
Seria preferível receber um recado dos mortos. Do que saber de certas coisas.
Saber, me faz gritar à noite. Me faz infeliz, me faz sofrer, me faz sozinha no mundo.

O outro. É a minha irmandade. É parte, que eu tentei ignorar. Mas nada pode ser esquecido, o que no fundo ficou e está.

Misturam-se tristeza com a dor do irmão/Misturam-se a lembrança do amigo com a temível cortina, o véu de ausência.

Tento trazer à luz o funesto, torná-lo bonito, pois assim sempre sobrevivi.

A um mundo insuportável,

Busquei palavras, amei cada uma delas. Procurei com cada letra,
a outra forma de morrer.

A cada dia, naquelas pedras batem os mesmos pensamentos, o ritual.
O ilusório, a morte, para esquecer a vida estúpida
que te faz infeliz.

Ellen Augusta

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

As flores brancas

Sentido guardado
isolado.. em silêncio.
no ponto luminoso do farol
respiro o vento
quando traz o cheiro do mar, eu lembro.
meus cabelos crescem, eu os corto
no sonho vejo-os longos, as roupas de cores: azul, verde, violeta.
eu os corto, ainda não é  hora
uso o negro pois minha alma traz seu nome igual ao meu.

tenho nas mãos as marcas roxas do sono, as flores brancas do encanto
suspensas por todo o ar
como uma saudade que eu possa capturar
A chuva se aproximava e era de flores:

Por que estavam no ar, no meu corpo, na minha boca e por todo o lado que voltasse o olhar?

Por que brancas, sem em mim tudo é violáceo?
por quê? esses cruzamentos essa distância, esses pensamentos?
sonhos/ em que tudo são tormentos, guardam em si mesmos boas lembranças - porém!

Eu vivo como uma concha, tragando liberdades.
Cada pétala caída, cada flor colhida,
Morrem comigo, nas palavras, em um movimento de minhas mãos, covardes.

O medo, a solidão, esta flor branca , vive internamente.
Abre-se e chora.

Não consegue jamais desvencilhar-se
de uma condição.

Ellen Augusta

sábado, 7 de novembro de 2015

Eu como sem culpa porque sou livre e o filme Terráqueos - uma aula sobre a liberdade

O cozinheiro é meu marido, e minha função é comer. Adoro.

 Estou resgantando as fotos de uns CDs antigos e salvando no meu HD, achei essas fotos.
Enquanto isso, estou ouvindo palestras do de um professor de história que costuma comparar Shakespeare com Facebook. Mas já tirei-as daqui do blog, desde que ele começou a falar que células são animais, plantas sentem dor e que Hitler era vegetariano, da dor das cenouras, etc, depois dessas falácias, infelizmente, não levei mais a sério.

Se ele fala assim, de coisas que conheço, sou bióloga, como vou saber se o resto é confiável? Bem, ele estava falando sobre utopia quando citou o exemplo de um aluno que queria salvar os cães dos testes em animais, aí ele disse: "por que não salva também os animais unicelulares?" (hã) Disse que nas mãos havia milhares de animais unicelulares. Desliguei o Youtube.
Antes disso, curiosamente ele estava falando dos sintomas da velhice. Só que este, é um sintoma típico de velho. A desesperança, as falácias de que, não se pode fazer nada por uns, se não fizermos por todo um conjunto, por todo o planeta, e ao mesmo tempo agora, temos que ser um velho chato que só reclama "no meu tempo era bom" ou apenas comer a carne que mata, se acostumar, silenciar, o é pior!!!! Senilidade chegando.

Depois ele veio com uma lenda de que Hitler era vegetariano. O livro Der totale Rausch (O delírio total), de Norman Ohler mostra um ditador que usava drogas, e não era natureba como se pensa. No livro Hitler, Not vegetarian, Not Animal lover, de Rinn Berry, o autor mostra Hitler como não vegetariano e tampouco amigo dos animais como se fez crer pelos seus adoradores. Mas como a propaganda nazista foi tão forte, seus retardados até hoje a reproduzem por aí nos fóruns e redes. E até esse professor de HISTORIA não é capaz de saber a verdade.
Essas fotos são do tempo em que eu me preocupava mais com a casa...é sempre assim. Houve tempos, há tempos...em que as coisas te culpam. Você tem que ser como a sociedade te ensina.
E encontrei essas fotografias de comidas, as comidas alegres que meu marido prepara.
Com o tempo a gente foi simplificando a vida e gastando cada vez menos. Para não ter que se matar correndo atrás da máquina. E poder viver a vida. Sem a culpa de cumprir as regras. E o melhor de tudo, poder ajudar os animais.
Hoje tudo é diferente, não tenho tanta preocupação com coisas da casa e dedico meu tempo ao que interessa. E às vezes perco a noção do que importa mais. Meus livros às vezes ficam parados, nem sei onde parei de ler. Eu volto e busco o que eu amei mais. Fica o que brilha.
Me tornei uma espécie de criança que não tem mais a noção do tempo. Mas amadureci para a flexibilidade e o domínio do meu ócio. Nunca mais vou vender minha vida para ninguém, em trabalhos que matem meu tempo. Trabalhar só naquilo que vale a pena. Seu Madruga, meu ídolo maior.
Essas comidas simples e baratas são coisas que a gente faz sem gastar muito.
A comida vegana é barata, e assim você economiza tempo e dinheiro.
Além de tudo, obriga-se a procurar, pesquisar, aprender.. tudo em função de um estilo de vida em que a preocupação é, ao menos deve ser, pelos animais. É a minha!
Ser vegano é o maior ato de liberdade que tomei até hoje. Das melhores decisões da minha vida.
É por isso que sempre recomendo o filme Terráqueos que mudou minha vida.
É forte, sim. Mas é a lembrança, daquilo que acontece à luz do dia, e que não posso esquecer. A trilha sonora é maravilhosa. Emocionante. Eu nunca o vejo como algo triste. Não. Foi triste no primeiro dia. Foi ele que me fez vegana, direto. Mas hoje eu tenho ele como um sinal de quem eu fui. Um marco. Não o vejo como triste.
Esse documentário é o filme da minha vida, é a memória do dia em que me tornei vegana. Minha tomada de liberdade. E o retrato da falta de liberdade dos animais, que a tirania humana tomou.
Recomendo a todos como um marco do antes e depois para uma vida verdadeiramente livre. Um lembrete para quando alguém vacilar, lembrar daquilo que viu ali, milhares de animais sendo torturados e a culpa é sua. Não é de alguém "lá fora" é de cada um que compactua com isso.
Assista aqui depois: http://www.terraqueos.org/
RECADO OU PS para você que acha que esses detalhes sobre conhecimentos gerais são banais. É uma pena que um professor de História não saiba nada sobre uma cenoura, e ainda acredite como a maioria dos idiotas, que ela sente a mesma dor que um animal. Os vegetais não sentem dor. Os animais são torturados e seria preciso comparar, na frente desse ser que aparentemente é culto, mas bruto nesse aspecto, como as plantas são na sua maior parte, não comestíveis, mas os animais, são massacrados pela humanidade - para os mais diversos fins.

Desde a alimentação, até o abuso sexual

Então, ele deveria ter calado a boca e ter usado um outro exemplo, não um exemplo atrasado. Que aliás, todos usam. Todos! Infelizmente. Não conheci, até hoje, uma pessoa - senso comum - , que não veio com algum desses argumentos cretinos para cima de mim, quando veio "argumentar".

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Dia de faxina na casa e na alma

Esses tempos, uma amiga mandou oito minutos de uma palestra sobre o Facebook e Shakespeare, o que me fez entrar em depressão, sei lá quando vou sair.
Esse palestrante, que depois falou merda sobre quem salva animais, sem ter conhecimento, falou dobre coisas que eu tenho vivido, sobre a solidão, sobre o vazio das pessoas e outras questões. Depois de ouvir aqueles oito minutos, eu saí de casa e fui a uma praça...
Para escrever... e pensar porque a minha vida é assim. Estamos numa sociedade que não entende de coisas profundas e, embora valorize a quantidade de amigos e a aprovação dos outros, tem medo de se relacionar.
Hoje assisti outra palestra, agora completa sobre Shakespeare. É uma apresentação do escritor, cuja obra conheço tão pouco, e depois começa a comparação com os dias atuais, tão vagos e solitários, tão carentes de sentido.
Shakespeare: eu conheci, quando li numa tarde, um livro de poemas de amor... suas poesias me deixaram simplesmente com vergonha! Sim. As poesias atuais são fracas, em face dessas palavras tão penetrantes.
Pois em face dos poemas que tenho lido, esses poemas apaixonados e elaborados me deixaram encantada. São poemas eternos, primorosos e cultos. Não costumo fazer comparações. Como sempre digo, os mortos são melhores.

Shakespeare melancólico, veste-se de preto e assume sua tristeza. Shakespeare gótico!
Ser solitário não é ruim. Solidão nunca foi incômodo para mim. O que incomoda é a indiferença, a futilidade das pessoas, as máscaras e o machismo dos homens e mulheres. O modo como elas valorizam muito mais as coisas masculinas. E como tudo é voltado para os homens, às vezes. Ainda.
De como eu tenho, porque sou mulher, de me esforçar muito mais, para algo meu ser aceito, compartilhado, lido, publicado. De como algo, dependendo do assunto, é mais palatável quando é meu marido que escreve. Mas o mesmo seria se fosse eu que escrevesse? Será impressão minha? Talvez paranoia?
Lembro quando uma determinada crônica minha causou muito alvoroço, teve gente que não aceitou a hipótese de que alguém pudesse falar palavrão, ser 'agressiva' e, para atacar a minha pessoa, taxou, tudo de 'machista' misógino, etc. Para estas pessoas, é inadmissível que uma mulher
entre no mundo literário com modos "masculinos" ou seja, diga o que pense, não se preocupe com o Português de colégio, e a ingenuidade do politicamente carola, e não tenha a mão cheia de dedos para não ofender... Dito isso, não é fácil para essas pessoas aceitarem mulher escrevendo o que quer nesse mundo ainda hoje, em 2015. Foi isso que eu senti, naquela época, no meio de um monte de gente 'libertária'. Minha experiência foi muito boa, pois a maioria das pessoas adorou essa crônica,

mas a desilusão que a realidade me causou foi que também muitos, ainda se incomodam com a posição feminina na literatura, seja por não saber o que é Literatura, por não entender, ou simplesmente porque nas redes sociais, falta inteligência para ler uma crônica, saber do que se trata, e consideram tudo pelo seu viés mesquinho e pouco culto... aí tudo é "machismo", "misoginia" "coisa do PT" ou o contrário conforme os grupelhos, e outros linchamentos típicos de Facebook e redes similares.

Eu hoje mostro um lado meu, frágil, não tenho vergonha disso, de quem está de saco cheio dessa palhaçada que é fingir felicidade nas redes sociais. Nunca fingi nada. Será? Mas cansei de estar no meio dessa maré. Pois às vezes você se pega a quase pensar que está nisso também e que tem que fazer isso, senão não terá nada.

A palestra foi publicada no blog do escritor, de onde me inspiro para escrever, quero ser como ele, sou fã absoluta de seu modo de escrever: http://eziobazzo.blogspot.com.br/

domingo, 1 de novembro de 2015

Día de los muertos: o povo que é feliz mesmo diante da morte


Este ano, será com toda certeza lembrada a morte de Chespirito no México. Lembra-se a alegria de tê-lo conhecido e a dor de ver sua partida. Essas comemorações são assim, uma mistura de dor e alegria. Aqui eu também vou fazer todas as minhas homenagens a ele.
Esse libreto é de Guadalupe Posada quem faz os famosos desenhos das Catrinas. São composições de poemas sobre a morte, em tom de deboche e alegria. Significam, no geral, que não importa o que você seja, rico ou pobre, esnobe ou simples, não importa o que você acredite ou não, no final você será uma simples caveira. E nada mais!
 É uma raridade, que veio como fanzine. Sempre em dias de Halloween e Día de los muertos, finados, sai das minhas coisas guardadas e vem á tona, para ser relembrado... de um espanhol diferente, antigo e lindo.
Os Mexicanos enfeitam tudo com flores coloridas, a morte pode ser preta, eu também considero-a branca. Mas o roxo é a sua cor preferida. Sempre os mortos ficam, no fim das contas, com essa cor. Dado que, é minha cor preferida. Antes de tudo, o ritual era a única coisa que eu sabia fazer, das poucas coisas, enfeitar algo inerte.

Quando um povo lida tanto com a tristeza, das coisas que ele sabe bem é se despedir.
Neste link aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/11/dia-de-los-muertos.html falei mais especificamente sobre este dia no México. Mas gosto de fazer aqui em casa o meu altar, visto que sou muito fã de Chespirito e acabei estudando muitas coisas dessa cultura que é tão ligada à morte e às suas raízes antigas.
Não tenho crenças, portanto este altar é como um sacrilégio, heresia, nem mesmo sei o termo correto. Uma mistura de tudo que é coisas que tenho em casa, cada uma com um significado. Nem posso explicar tudo. La Santissima Muerte, essa é a minha santa preferida, uma divindade cultuada no México, e outras coisas curiosas que encontrei e guardei por aí.

 Há aqui até mesmo a fotografia de uma defunta, encontrei no lixo, é uma longa história que nem vou contar aqui. Estou escrevendo sobre ela, e seu passado. Foi parar no meu altar também. Afinal, foi abandonada, eu a encontrei...
 Aqui as pessoas só tatuam catrinas e usam camisetas da Fridas k. Eu sempre me interessei por todos os elementos do México e acho muito mais interessante outras entidades mexicanas, como o Senhor do Veneno, Jesus Malverde, Santa Morte e outras significações...
Angelines Fernandez, foi atriz, modelo, guerrilheira, ativista contra a ditadura, entre outras personalidades esquecidas, mulheres tão interessantes quanto pouco lembradas e falo hj apenas das mortas...
 Chespirito merece todas as homenagens, todo meu carinho e de seus fãs. Só uma pessoa que fez tão bem a tanta gente, pode receber tanto carinho e ser lembrado por tanto tempo, por tanta gente e em tantos lugares.
 Meu amor eterno, de todo coração, a esta pessoa tão querida e a todos os seus personagens, queridos atores já mortos.
 Este com a foto do Chespirito fica o ano inteiro pois é minha homenagem a ele desde sua morte.
 Vejam um altar mexicano onde também se homenageou Chespirito. Muito amor para essas pessoas.




Sobre José Guadalupe Posada e sobre México e suas ligações com a morte assista esse documentário maravilhoso cheio de música:



e a parte segunda:
Algumas postagens que eu fiz sobre essas épocas que eu considero as melhores do ano, antes do Verão. Pois para mim, não há nada mais lindo do que a Primavera, e esse ar sombrio:
Halloween e meu olhar 43: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/10/halloween-e-o-meu-mundo.html
O Día de los muertos, Halloween e Beltane: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2013/10/o-dia-dos-mortos-halloween-e-beltane.html
Comemorando o Halloween:http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2012/10/comemorando-o-halloween.html

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