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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A moral cristã e a solidão das criançinhas

Parece que todos esqueceram ou desconhecem Jesus Cristo quando disse "vinde a mim as criancinhas".
E, especialmente no que se refere ao abuso e violência contra os animais, os mais frágeis estão representados na frase tocante "tive fome e não me deste de comer, tive sede e não me deste de beber".

A moral cristã numa sociedade que se diz laica, tem como consequência o preconceito em todas as esferas, e no final, os mais frágeis é que sofrem. Neste caso, as crianças.
Agora, a bancada religiosa quer mudar o conceito de família, excluindo a possibilidade de adoção para aqueles que não forem "homem e mulher - procriadores".

Tive o respeito e a decência de NÃO colocar nenhuma foto de crianças e de orfanatos aqui nesta postagem. Se você nunca viu um orfanato, nem sabe o que é uma criança, ou milhares delas, sem pai, mãe, nem nada, faça alguma coisa, pois você é um bundão.
O PL 6.583/13, chamado de Estatuto da Família, tramita na Câmara e pretende que a família seja definida estritamente como o "núcleo" formado por homem e mulher.

(Não há nada para se fazer de mais importante no Brasil não é mesmo?)

Ronaldo Fonseca (PROS-DF), relator do PL quer proibir a adoção por casais do mesmo sexo.
O direito de adoção por homossexuais foi reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça em votação unânime em abril de 2010.
Jean Wyllys, deputado federal,  faz uma interessante declaração, que ouvi na Voz do Brasil, em primeira mão aliás, pois a Voz do Brasil que a mídia tenta combater sempre traz coisas que os outros veículos nem publicaram ainda, e que reproduzo aqui: "Esse é um projeto que reconhece apenas como família, aquelas formadas por homem, mulher e filho, desconsiderando os diferentes arranjos familiares que constituem a sociedade brasileira. Ele fere a constituição, o princípio do não preconceito e o da dignidade humana".

Eu e meu marido, não faríamos parte do conceito de família proposto pelo deputado Ronaldo Fonseca, já que somos um casal que não quer ter filhos.


Assista aqui:

Ora, há muito o conceito de família tradicional anda falido, e as pessoas buscam à sua maneira, viver em paz. Tudo o que uma criança precisa é de cuidados e carinho. Precisa de adoção, não de solidão.

O casal que não quer ter filhos é que é o estranho não? O ateu é que é o malvado não?
A sociedade certinha, essa sim, são os que fazem filhos e os abandonam, fisicamente ou psicologicamente.
E depois fazem leis para coibir a adoção.

Creem em tudo o que lhe enfiaram na garganta, nos mesmos livros e nos mesmos dogmas, e pior, acreditam cegamente, e não raro, erroneamente. Seguem distorcendo, à maneira que bem entendem, as leis ao seu critério, por purismo, por fé cega. Mesmo que, para tal, precisem passar por cima de pessoas frágeis.

 É mais confortável ficar a vida inteira repetindo o que diz um livro, um dogma, e tentando convencer os outros de que essa é a única coisa que há para comer, do que pensar em alcançar a lucidez através da leitura e do pensamento.

Tentam empurrar outrem para suas casas, centros e epístolas, enganar por vezes, ludibriar, curar a doce loucura, a amargura dolorosa, porém autêntica, que remediada está.

Estão convictos que o outro também faz parte de seu sistema fechado e maravilhoso de enganação coletiva. Que pode fazer todo o sentido para seu grupo, mas não faz sentido algum para o grupo seguinte, e provoca riso no grupo posterior. E certamente, se existe o tal deus carrasco, deverá lhe provocar isso mesmo: asco.

Pois, francamente, e cá entre nós. Como admitir que mais e mais crianças sigam dormindo em albergues por toda sua vida até serem jogadas na rua, pois viram adultas e o sistema não lhes pode mais sustentar?

Como admitir que uma sociedade lhes fechem o cerco, diminuindo toda e qualquer possibilidade de afeto, só por que há um cu ou uma boceta em jogo, piscando vinte e quatro horas nas mentes de quem promove
leis homofóbicas?

Explicação torta, os tortos sempre as têm. Só que eu não me interesso por opiniões. O que me incomoda é que as crianças paguem o preço da má política focada em interesses para lá de pessoais, com a solidão e o esquecimento.

Como sempre.

sábado, 30 de novembro de 2013

Onde manda Satanás não governa um pobre Diabo!

Esse capítulo de Chapolin brinca com a revolução feminina que nessa época estava em transformação em todo o mundo, desde décadas anteriores.... O feminismo já era tema de artigos e pensadoras, mas no México daquela época, assim como no Brasil de hoje, ainda existia um machismo latente e difícil de combater.
A cena mais famosa é a do telefonema ao Dr Zurita, não percam!
Sem muito o que comentar, mas mais o que ver, aí está um episódio que amo muito e assisto muitas vezes. Existem duas versões dele, essa com Carlos Villagrán e outra com Rúben Aguirre, ambos ótimos. Tem mais algumas versões, mas modificadas e não tão engraçadas.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Um verme nunca repreende outro verme e um cão nunca condena outro cão!

Frequentemente recebo cartas de estudantes de pedagogia, de professores humildes, de pais de alunos e até de alguns intelectuais mais sofisticados perguntando quais foram, na minha opinião, os educadores e os métodos educativos mais importantes e mais influentes no ontem e quais são os de hoje no nosso dia a dia. Sei que na grande maioria estão esperando que eu lhes fale de Montesori, Paulo Freire, de Anisio Teixeira, de algum francês ou norte americano que estão na moda etc, mas estão equivocados. Os educadores mais influentes, pelo menos das ultimas decadas e que fizeram um estrago terrível não só na cabeça de nossas crianças, mas também na de quem tem menos de quarenta anos neste país, nem sequer têm nome. Só os conhecemos por seus apelidos e codinomes, basta ligar a TV que estão todos os dias lá na tela, em seus postos, comandando há decadas seus programinhas de merda e mistificando-se a si mesmos perante esse imenso universo de burrice incurável que é a sociedade. Vejam como aquela histérica comanda dois besteirois ao mesmo tempo! Aquela outra está no ar desde que nasceu e sempre nos mesmos horários. A outra herdou a mamata de outro pilantra e aparece uma vez por semana, mas seu programa dura bem mais que o das outras. A outra, que parece uma vaca, fala o que quer e mostra o que bem entende nos horários mais nobres. A outra tem enganado gente de todas as idades. A outra, a que fala ternamente para as crianças tem um passado mais do que duvidoso, o senhor X é conhecidamente um bandido, o Senhor Y é um crápula descarado, o Senhor K nem merece comentários, o monsieur J é um bosta inqualificável, o âncora U deveria estar internado, o âncora Z tem uma predileção pelo fascismo, o mais velho deles não desgruda da vaselina, etc, etc, etc. Sem falar dos locutores de futebol, dos autores das novelas que, uma atrás da outra envenenam nossas donas de casa, nossas vovós, nossos deprimidos em geral e que se repetem obsessiva e compulsivamente em todos os canais, sem falar dos pastores e de suas prédicas madrugada a dentro, sem falar das celebridades idealizadas pelo populacho e que o são muito mais pelo uso que fazem do rabo e das coxas do que por outra coisa, e sem falar dos políticos profissionais que têm instituído a lógica da mentira e da rapina no cérebro de nossas crianças...

Por isso - respondo aos meus interlocutores, para as escolas e para as “tias” (que não desgrudam da TV) não resta outra coisa a não ser seguir discutindo no interior das escolas e nos horários de aulas as mesmas lenga lengas cretinas insinuadas pela televisão, incorporadas e defendidas por seus atordoados e abobalhados familiares. O “artista” tal, a “pornô” tal, o estuprador Y, o perneta tal cantando em hebráico, o ladrão K, o senador U, a pilantra Z, o milionário V, o meia esquerda G, a miss H, o jatinho novo daquela mula, o estelionatário P, o milagreiro W, o cantor L, o Big brother Q, a modelo M, o pederasta C, a sociallite B.

E não adianta pedir paciência, porque para essa desgraceira educativa e cultural não há solução possível através da vaselina, das unhas pintadas e nem da cordialidade. Sem uma iniciativa de massa, expontânea, apartidária e radical o chiqueiro em que estamos vivendo só se ampliará. Não sejamos ingênuos esperando que esses abutres, eles próprios tomem algum tipo de providências, pois para eles está tudo ótimo. Seus salários mensais seriam suficientes para alimentar para sempre os milhões de fodidos que vivem por aí com poeira acumulada na garganta e mergulhados na mais abjeta miséria. Lembrem-se: nada é mais reacionário que a paciência, já que um verme nunca repreende outro verme e que um cão nunca condenará outro cão!
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