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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A mulher pública* – como lidar com os obstáculos

Eu ando diariamente na rua. Caminho longamente por prazer e pelo meu trabalho.
O único obstáculo que enfrento todos os dias são os homens.
Sim. Todos os dias é um mar de caras, uns tarados, outros asquerosos, outros babando e aqueles que podem te agredir, seja num assalto ou coisa pior. E isso que não ando sozinha à noite, senão já viu.
Se vem dois juntos e de boné, atravesso a rua. É preconceito? Sim. Mas, eu sei bem os tipos de caras que enchem o saco, os que agridem, etc. E todos, mudam o padrão, mas pode crer, estão todos dentro de um. Aprenda, é muito difícil ter a mente flexível. Eu tenho e confio na minha capacidade de mudar. Mas até que me provem o contrário, para mim a maioria somente reproduz a forma de pensar e a violência que aprendeu com os pais (machistas) e no lugar onde vivem.
Quem é mulher e não sabe do que estou falando, entenda quem passa por isso. A maioria de nós vive todos os dias e é desagradável, além de perigoso. Quem é pobre e vive nas periferias, pode crer, é bem pior.
Tive uma péssima experiência com meu antigo Facebook. Velhos e meia idade add de forma insistente, mesmo que você negasse. Entrando no inbox, falando merdas apenas para se afirmarem como homem perante uma mulher mais jovem. É uma total falta de respeito, muitos tem mulher em casa e filha. São nojentos e ainda estão acompanhados. É mulheres, vocês têm muito o que aprender.
“Ah mas você provoca com suas roupas, com suas palavras”(ouvi isso de mulher, mas homem pensa assim também). SIM. Eu provoco. Sou provocante por natureza.
Desde criança eu chamo a atenção e hoje já sei lidar com isso. Até gosto. Eu lembro de ser ainda muito pequena e já haver comentários sobre minha beleza ou inteligência. E, pode crer, acredito e confio que é por aí.
Tenho personalidade, visto a roupa conforme o dia, conforme a vontade, mas não estou “disponível”, mesmo que estivesse sem namorado. O fato de você ter seu jeito, não significa que é para ser invadida com desrespeito.
Sempre fui muito olhada na rua. Isso para mim é natural. E gosto. Homem e mulher olham, variados são os motivos. Mas quando passa por mim esses nojentos, minha vontade é dar um murro na cara deles. Aposto que se apanhassem, aprenderiam a respeitar mulher.
Homem bonito passa por mim. Sim, muitos. E os mais lindos ainda me olham! Mas isso não significa que eu vou lá abrir minha boca e babar feito uma retardada, ou vou catar o cara no Face e dizer “Oi Lindo”, “Vc tem namorada?”
Não. Isso é coisa que uma pessoa íntegra mentalmente não faz. Mas muito homem faz isso com mulher. E depois ficam putinhos quando ‘viados’ dão em cima. Dói né safado?

NÃO dá para confiar em homem. Mas a gente confia, pois tem exceções. Mesmo assim, só acredito quando me provam o contrário da regra. E já me decepcionei até com quem já convivi por anos. Caráter é uma caixa de surpresa. Um dia você descobre que a pessoa que conviveu com você é um lixo. Deu pistas antes? Não. (às vezes sim, mas você ignorou). Então, liguem-se mulheres.
Amigas minhas, que moram sozinha, falam que não dá para chamar o gás, nem o encanador, sem viver com medo. Medo de ser agredida, enrolada, tratada como inferior, enfim.
Como eu me sinto andando na rua, algumas vezes.

“Ah mas vc não gosta de homem”. Sim, eu gosto e bastante. Mas sinceramente, gostaria de ser mais lésbica. Há homens legais, educados. Há exceções. Mas eu to falando do bastantão. Desse lixo que anda nas ruas, sempre procurando algo, como “animais”. Eles não se controlam porque não precisa. A sociedade acha tudo normal.
E esse bastantão é o que aborrece, o que deixa mulheres inseguras, provoca violência, esse é o alvo do feminismo.
Há muita gente assim. Você pode não concordar, talvez no seu bairro a coisa seja melhor. Mas há e é preocupante. Onde essas pessoas tiveram educação? Porque são tão animalescas?
Vivemos num lugar misógino. Ganhamos um governo misógino que não só vai ferrar com todos, mas especialmente com as mulheres. Por que isso é tão aceitável?
Mas a minha questão particular é essa: por que é tão aceitável que um homem seja assim?
Sim, pois eles chegam à idade adulta praticando todo tipo de grosseria e nunca foram parados por ninguém? Nem por mulheres, nem por outros homens? Porque essa escória continua e abundante?
E, se você chegou até aqui e montou a ideia em sua cabeça que eu detesto os homens, saiba: eu não desejo mal para ninguém, mas não suporto 99% da humanidade. E no fundo acredito que cretinice e escrotisse não tem idade, posição social, profissão, roupa, dinheiro, nem religião, e nem mesmo sexo.


*Se você pesquisar esse termo no Google só vai encontrar lixo e a definição machista do dicionário que é bem diferente do 'homem público'.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Um ursinho de pelúcia que encontrei na rua

Faz quase um ano. Eu estava caminhando quando encontrei ele. E me deu muita pena, pois era parecido com o meu. Quando eu era criança, o meu, lhe dei o nome da marca, pois era ruim de nomes... e ainda sou. este aqui nem nome tem.
Nesta cidade é comum eu encontrar coisas. A maior parte do que encontro dou destinação. Vai para ONGs, brechós de caridade. Mas o ursinho fiquei. Pois eu tive um livrinho que dizia:
"nunca deixe um ursinho no escuro ou sozinho" a frase dizia mais ou menos assim.
É claro que é um pensamento poético.
Alentador, pois quem escreve acha sim que devemos cuidar de algo que foi feito para não deixar nunca uma criança só.
Quando essa criança cresce, porém, se julga independente, e acha que pode abandonar aquele que foi seu companheiro de infância.
Tudo bem, era só um urso de pano.

O livrinho dizia também:

Ame o ursinho, mesmo que seja bem velhinho, sujo, rasgadinho.
Era mais ou menos isso, o que ele dizia.

Achei então que este ursinho simbolizava algo que eu tenho muito forte dentro de mim. Eu valorizo muito as coisas, mas não sou apegada a nada. Essa fluidez, é uma qualidade que não tenho vergonha alguma de admitir, assim como não tenho vergonha da minha vaidade. E por que haveria de ter? É minha.

O urso, parecido com meu amigo perdido da infância, (quiçá também o joguei fora ou doei para outra criança), está aqui junto a outros ursinhos, tenho alguns, entre vaquinha, hipopótamo, gato e mais.

No link abaixo, leia esse emocionante tutorial de como cuidar de um ursinho de pelúcia:
http://pt.wikihow.com/Cuidar-de-um-Ursinho-de-Pel%C3%BAcia

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O meu tempo é de madrugada

Escrever de madrugada, é encontrar tempo onde ninguém o procura.
Eu estou desperta quando grande parte já se foi. Só os vagabundos estão insones, quando não é hora de trabalhar. E aproveitei para procurar umas fotografias. São imagens de mim. Adoro me mostrar, um lado humano de outro lado tão desumano que escondo muito bem. O lado imortal, que o tempo tem.


Adoramos caminhar pela cidade. Andar até este ponto foi fácil. Eu moro muito longe daqui. Não preciso de carro, nem bicicleta, não quero ter nada. Se tenho tempo, este só me basta. Porque um dia eu não o tive. E sangrei por sua falta.
Ao olhar tão distante, busco um ideal de poesia. Poder ver a cidade e dizer, és minha, mesmo sabendo que não pertenço a quase nada. A nada. Meu orgulho é dizer não. Mesmo sabendo que pode ser uma grande mentira.
 Templo Positivista
Porque, lá no fundo, a morte é um fascínio e nunca deixou de me atrair. Sempre pertenci ao mundo dos mortos, desde que nasci.
 Templo Positivista

Minha única certeza de estar presente é que o sofrimento deste mundo, este corpo, tudo é terrivelmente vivo. Tudo é prova. A felicidade rara, a paixão perfeita que às vezes se vai. O amor e a amizade verdadeira, que se leva tanto tempo a conquistar. E é preciso manter com a espada.
Eu não sou da terra nem do ar, sou do mar. Sou o fogo de encontro com a água e ela não é limpa nem leve.
Sou a contradição em si. Há poucas coisas aqui que não sejam ambíguas e, foda-se. Adoro descobrir qual é o conjunto de paradoxos novos em mim.
O ato de escrever é um espelho de minhas coisas pessoais. Meu diário do que vivo no dia a dia dos meus passos na cidade, nas pausas no Sol, um pensamento de paz ao ler, ao reencontrar alguém.
O poeta perdido no meio da cidade, o amigo encantado, a querida amiga verdadeira: a única a quem pude contar meu lamento. A angústia a quem mais ninguém poderia confiar...
E meu eterno companheiro de jornada, sempre caminhando comigo. Tudo isso dentro da metrópole.
 Igreja gótica Santa Teresinha
Do céu ou da terra, nascem as igrejas.
Ferem o céu com suas cúspides e colunas, e nos vigiam eternamente com seus anjos.
 Igreja gótica Santa Teresinha
Procurar cada cicatriz de suas construções, admirar os símbolos de seus ancestrais, oculto em cada detalhe. Imperceptível para quem não tem tempo...
Meus passeios acabam, ou começam, às margens do Estuário Guaíba.  Ali, onde já naveguei, onde dancei, namorei, fui a um show do Replicantes e até em roda punk me meti. E muito trabalho de ativista fiz. É um encontro de rios.

Eu já fui de outro lugar. Não faz diferença nenhuma viver nesta ou naquela cidade. Onde morei desde que nasci era uma cidade simples. Lá eu cresci, amei, estudei e trabalhei. Tanto faz. Nunca reclamei de lá, muito pelo contrário. Defendia a cidade: eu me sinto bem onde estou!
Já fui da praia "três meses por ano". Um dia me libertei de lá também. Do mar sempre sou. E lá morrerei.

Sempre lembro com carinho dos bons momentos que vivi naquela cidade onde nasci e morei, mas lembro mais do alívio que senti, no dia da minha partida.

E assim será com tudo, até com minha própria vida.

domingo, 7 de junho de 2015

A pequena ciclista - por que amo andar a pé

Nas minhas caminhadas pela cidade, porque não tenho bicicleta - nem quero ter, encontrei essa Moranguinho.
Essa singela surpresa foi deixada por alguém, uma criança por certo, numa parada de ônibus.
Costumo caminhar regularmente pela cidade, e caminho muito mesmo, mais do que qualquer pessoa que eu conheça, sem sombra de dúvidas. Só meu marido me acompanha e caminha tanto quanto eu.
Não tenho carro, não tenho bicicleta e ando pouco de ônibus, só o básico e obviamente necessário. Taxi, quando o ônibus e a lotação não é possível, nos caminhos perigosos.

Meu negócio é andar à pé.
E, acredita que já tem gente enchendo por causa disso? Tipo, por que você não tem uma bicicleta_heim???
Sei lá amigo, talvez eu não queira ter, só isso.
De qualquer forma, não sou louca de andar no trânsito idiota desta cidade.

Hoje mesmo, num ponto muito famoso, diversos carros passaram no sinal vermelho e num local onde já era proibido dobrar, bem em cima da faixa de pedestre e da faixa de ciclista. Fiquei com o braço levantado para todos aqueles motoristas escrotos, apontando para o semáforo.

Isso resume o Brasil:
Um monte de pedestres esperando o sinal ficar verde, e ninguém se presta de apertar o botão de pedestres, esperam o papai noel. Esperam o Estado, a presidência. Patéticos, manadas comandadas por chefes doentios.
Os motoristas são grosseiros, bebem, ultrapassam o sinal, ou seja - são tão corruptos quanto aqueles que adoram criticar em seus discursos de direita, classe média - fazem aquele papel de quem "tem direito de ter um carro e pagar barato pela gasolina". Todos vão se traindo mutuamente, ninguém se ajuda, e no final você se sente num monte de lixo. Você não confia nem em atravessar a rua. Você não pode confiar num país em que até ônibus e ciclistas, passam o sinal.

É trouxa estacionando em vagas especiais, é babaca passando a toda velocidade (já disse que não é só carrão), é gente trancando animais dentro dos carros, é estúpido por todos os lados.

E eu, nas minhas caminhadas, encontro uma bonequinha, que vem lá dos tempos da minha infância, pois eu sempre quis ter uma moranguinho.
E assim, vestida de ciclista, ou seria skatista?

O fato é que andar a pé, uma coisa normal e banal, parece mesmo uma coisa tão "subversiva" a ponto de até magrão vir te questionar e te incomodar para você comprar uma bike e ser como ele(a).
Acho interessante andar de bicicleta, mas como lazer. No dia a dia, meu trabalho e minha vida é nos tênis e nas pernas, que aliás, estão muito bem.

Alguma vez eu poderia ter alguma liberdade de escolha ou devo sempre ter de obedecer a algum grupo, seita ou país?

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Amor no cabide e roupas na rua

 As intervenções urbanas me atraem, pelo anônimo, pelo panfletário, e principalmente pelo coletivo da atitude. Esse projeto é chamado de Amor no Cabide. Consiste em deixar uma roupa para alguém e pegar algo, se precisar, ali mesmo, no cabide.
Já vi em paradas de ônibus, em lojinhas de artesanatos, de confecção de lã e mais de uma vez eu lembrei que tinha algo aqui em casa para colaborar.
 Neste dia, saímos para uma caminhada e, deixei meu vestido de lã sintética, feito pela minha sogra. Sim, pois mulheres também sentem frio. E nesses dias havia conhecido uma moradora de rua.
Olhem o cartaz lá em cima: "Eles também precisam". Pedem roupinhas para cães e gatos também.
 É importante poder participar de pequenos gestos, que fazem parte de grandes atitudes. Mais legal é publicar aqui no blog, divulgar ao máximo, para que outros possam imitar. Fazer o mesmo, ou melhor.
Uma boa atitude deve ser contada, publicada e encorajada sempre. Para que se quebre o silêncio do nada fazer, do negligenciar, do não saber e nem se interessar...
 Ver a cara de 'ai, to chocada', de algumas pessoas, me fazem sempre ter a certeza de que estou no caminho certo. Nas minhas atitudes e no meu modo de escrever.
 A intervenção, neste caso, é justamente isso: cortar o cotidiano. Mostrar que há coisas mais importantes que o celular quando não funciona, que os tecidos para a decoração dos sofás ou os pontos do seu cartão de milhagem.
Por isso a cidade está cheia de pequenos detalhes, de arte urbana, bastando levantar um pouco a cabeça virá-la um pouco para o lado - e ver realmente.
 O coração dizia algo como: pegue, é seu. Puxa, eu gostava muito desse vestido, quem será que o levou?

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Anotem meus telefones

todas as fotos feitas por Marcio de Almeida Bueno http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
Rua da Praia

 Museu José Hipólito da Costa http://www.museudacomunicacao.rs.gov.br/site/




 Rua da Praia (Rua dos Andradas) - esculturas de Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade realizado por Francisco Stockinger.


Já diz Florinda em um episódio do Chespirito: "Vocês estão procurando um pretexto para iniciarem uma conversa comigo, mas se equivocam se pensam que vou lhes dizer que viajo absolutamente sozinha e que não tenho compromisso... É inútil! Também não vou dizer que moro na Rua das Flores, número 888, e que meu telefone é 525-2525...repetindo: 525-2525!"

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Aproveite a cidade que você tem! A poesia dos andantes urbanos

 Tem gente que vive reclamando do lugar onde vive. Eu que morei em cidades-dormitórios, ouvia todo tipo de reclamação, mas era a única que gostava do lugar onde estava. E até hoje é assim. O melhor lugar para se viver é aqui e no presente.
 A cidade tem muito a oferecer. O nosso pátio não é apenas em volta da casa, temos a cidade inteira como quintal.
 Saí para coletar sementes para plantar na minha casa. Encontrei árvores nativas repletas de frutas. As árvores alimentam aves urbanas, são bonitas e refrescam o ambiente urbano.

 É preciso plantar, colher e arrumar. Vimos senhoras cuidando de uma avenida, recolhendo lixo, plantando e cuidando do jardim comunitário (um canteiro no meio da avenida). Enquanto reclamações de cunho eleitoreiro enchiam as redes sociais, a cidade vibra com pequenos gestos. Eu mesma solicitei plantio de árvores para minha rua e fui atendida. Também solicitei placas para proibir o entulhamento de lixo na calçada (as pessoas jogam lixo na calçada ao lado de suas casas, ou na frente mesmo). E a placa veio em uma semana. Cada um pode fazer o melhor pelo lugar onde vive. É só começar.
 Caminhamos muito pela cidade, fomos em vários lugares. A caminhada faz bem para a saúde e permite que vejamos lugares escondidos da cidade onde vivemos.





 Coletei algumas frutas para depois (de comê-las) guardar as sementes para o plantio.








 Meu pai tinha o costume de plantar árvores em todo lugar onde ia, até mesmo para os vizinhos. Mas não conheci ninguém como ele em toda minha vida. Onde estão os plantadores de árvores?

A cidade tem muito a nos oferecer. Se você tem tempo livre (espero que tenha e se não tiver, trate de obtê-lo pois a vida é única e vale mais do que qualquer tarefa), saia para passear com quem ama, ou simplesmente curta sua solidão em companhia da cidade. O silêncio urbano dessa caminhada irá fazer muito por sua alma.
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