quarta-feira, 14 de maio de 2014

Um sonho para um poema escrito na escuridão

 Eu tentava consertar a casa, a geladeira que não funcionava, a terra que estava no chão.
 Na mesa com os mortos estava. Não sabia, mas sempre estive com eles.

Meu alívio e tristeza foi quando descobri que estavam mortos como fantasmas.
E não mais precisavam da casa.
Uma criança sem pai nem mãe. Sem abraços, em profunda solidão.
Tentando consertar tudo, destruindo, restando apenas uma vela no escuro.
Raiva e pena, uma pena infinita, que não se pode entender.
Uma casa interna, com janelas de olhos de lágrimas, por todas as coisas que queria fazer.
Ela morreu de tristeza. A mataram. A casa também a matou.
A casa ruiu dentro de mim.
Pois sua dor se findou.

Ellen Augusta

Um comentário:

  1. Dá para ficar pensando uma vida inteira sobre este seu poema!! Vai até o fundo da alma. Bjos

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