A nova passagem de pedestre em homenagem aos Lanceiros Negros foi justa.
Finalmente alguém lembrou desses lutadores que perderam a vida na ilusão de que seriam libertos. Que nada. No final, foram mortos. Foram traídos na Revolução Farroupilha.
Tanta rua aí com nome de ditador, filho da puta, ladrão ou escravagista, todos os pusilânimes da história viraram nomes de rua ou praças, mas, só muito recentemente é que temos visto homenagens aos verdadeiros heróis como Brizola e os lanceiros negros, por exemplo.
Com muito custo, se conseguiu mudar o nome da Av. Castelo Branco, nome de um ditador, para Avenida da Legalidade. A maioria das pessoas não sabe o que isso significa. E temo que sequer imagina o alcance disso.
A revolução farroupilha, essa farsa histórica, traiu os lanceiros negros que lutaram em troca de uma liberdade que nunca tiveram.
Nunca foi dito um tantito na sala de aula. Os professores mudos.
Uma professora uma vez ousou criticar a Igreja. Ela confessou depois sua religião, porque alguém perguntou. Mas e se ela fosse atéia? Os pais iriam lá na escola.
Se você andar pela nova passagem de pedestres da cidade, verá, com palavras bonitinhas, tudo o que aconteceu.
Não está escrito que os comandantes foram uns traidores, uns canalhas que prometeram liberdade aos escravos e, ao final os jogaram em linha de frente, para a morte.
Ao contrário, tudo é dito com poesia e palavras rebuscadas, de modo que só quem tenha um bom dicionário possa compreender. E, digo, amo poesia. Mas é preciso dizer quem é canalha, e quem perdeu a liberdade com a vida. É preciso dizer isso com todas as palavras, sem esconder isso das pessoas.
É por essa razão que não suporto vocabulario rebuscado, jargões, corretores ortográficos e outros exageros gramaticais.
Os melhores escritores não tem regra alguma, são imperfeitos, são diferentes, são errados, simples ou difíceis de entender, são eles mesmos... mas dizem algo de si mesmos, sem serem artificiais.
Para quem quer saber mais:
http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6421
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segunda-feira, 1 de junho de 2015
sábado, 20 de setembro de 2014
Até quando vamos endeusar a revolução farroupilha?
Até quando vamos endeusar a revolução farroupilha?Postado por Juremir Machado da Silva em 25 de setembro de 2012 - no Jornal Correio do Povo
Até quando?
Todo os anos eu me pergunto: até quando?
Sim, até quando teremos de mentir ou omitir para não incomodar os poderosos individuais ou coletivos?
Até quando teremos que tapar o sol com a peneira para não ferir as suscetibilidades dos que homenageiam anualmente uma “revolução” que desconhecem? Até quando teremos de aliviar as críticas para não ofender os que, por não terem estudado História, acreditam que os farroupilhas foram idealistas, abolicionistas e republicanos desde sempre? Até quando teremos de fazer de conta que há dúvidas consistentes sobre a terrível traição aos negros em Porongos? Até quando teremos de justificar o horror com o argumento simplório de que eram os valores da época? Valores da traição, do escravismo, da infâmia?
Até quando fingiremos não saber que outros líderes – La Fayette, Bolívar, Rivera – outros países – Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia – e outras rebeliões brasileiras – A Balaiada, no Maranhão, por exemplo – foram mais progressistas e, contrariando “valores” da época, ousaram ir aonde os farroupilhas não foram por impossibilidade ideológica? Até quando a mídia terá de adular o conservadorismo e a ignorância para fidelizar sua “audiência”?
Até quando deixaremos de falar que milhões de homens sempre souberam da infâmia da escravidão? Os escravos. Até quando minimizaremos o fato de que a Farroupilha, com seu lema de “liberdade, igualdade e humanidade”, vendeu negros para se financiar? Até quando deixaremos de enfatizar que os farrapos prometiam liberdade aos negros dos adversários, mas não libertaram os seus? Até quando daremos pouca importância ao fato de que a Constituição farroupilha não previa a libertação dos escravos? Até quando deixaremos de contar em todas as escolas que Bento Gonçalves ao morrer, apenas dois anos depois do fim da guerra civil, deixou mais de 50 escravos aos seus herdeiros? Até quando?
Até quando?
Até quando adularemos os admiradores de um passado que não existiu somente porque as pessoas precisam de mitos e de razões para passar o tempo, reunir-se e vibrar em comum? Até quando os folcloristas sufocarão os historiadores? Até quando o mito falará mais alto do que a História? Até quando não se dirá nos jornais que os farroupilhas foram indenizados pelo Império com verbas secretas? Que brigaram pelo dinheiro? Que houve muita corrupção? Que Bento Gonçalves e Neto não eram republicanos quando começaram a rebelião? Que houve degola, sequestros, apropriação de bens alheios, execuções sumárias, saques, desvio de dinheiro, estupros, divisões internas por causa de tudo isso e processos judiciais?
Até quando, em nome de uma mitologia da identidade, teremos medo de desafiar os cultivadores da ilusão? Até quando historiadores como Décio Freitas, Mário Maestri, Sandra Pesavento, Tau Golin, Jorge Eusébio Assumpção, Spencer Leitman e tantos outros serão marginalizados? Até quando nossas crianças serão doutrinadas com cartilhas contando só meias verdades?
Até quando a rebelião dos proprietários será apresentada como uma revolução de todos? Até quando mentiremos para nós mesmos? Até quando precisaremos nos alimentar dessa ilusão?
Até quando viveremos assim?
publicado no Jornal Correio do Povo
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