A Caverna é o livro que iniciou minha paixão pela literatura de José Saramago, e ela tem uma longa história. Vou contar porque é bonita.
A Caverna, como começou
Logo que meu pai morreu eu sonhei com ele. Nesse sonho meu pai me disse para ler um livro do José Saramago e então quando acordei, procurei descobrir quem era esse escritor.
Ao falar com uma amiga, ela me emprestou A caverna, e eu comecei a ler. Porém na época, como era de se esperar, não consegui me concentrar em seu modo de leitura. Saramago tem um jeito peculiar de escrever, misturados a gírias, expressões portuguesas, modos e estilos. É um tipo de texto que é necessário atenção para que seja compreendido em plenitude.
Pois bem, desisti. Mas, logo pensei que não deveria desistir do escritor, pois sonhei, e levo meus sonhos à sério.
Comecei a leitura de outros livros, o primeiro é o Memorial do Convento e daí se seguiu História do Cerco de Lisboa, Todos os Nomes, Ensaio Sobre a Cegueira, entre outros... Montei minha biblioteca com alguns de seus livros, o melhor, até hoje? O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
No ano passado fui visitar uma linda praia e fiquei hospedada em uma casa que ficava na beira do mar.
Nesta casa havia uma biblioteca abandonada, os livros jogados de qualquer maneira, a leitora não residia na casa, e os atuais residentes descuidavam desse espaço.
Tenho essa mania de querer ver as coisas em ordem. Tenho esse espírito virginiano de achar que, em melhorando o espaço, as coisas todas se ordenam. Pois fui organizar os livros, desempoeirá-los, colocar todos em uma ordem, a minha.
Quando percebi, havia muitos livros do Saramago, e entre eles, A Caverna.
Era o livro simbólico, por onde tudo começou. Decidi começar sua leitura.
Nos braços do meu então companheiro, bastava eu olhar pela janela que ali estaria o mar. E então, muitas lágrimas caíram pois o livro era outro! Não era o mesmo livro de difícil leitura de muitos anos atrás. Era sim, uma literatura que queria me dizer algo. Assim eu supunha, pois havia sonhado com o escritor, e procurei saber o que este livro tem a me dizer.
Como tenho essa tendência a deixar as coisas pela metade, larguei o livro de mão logo e voltei para a vida na capital .
Mas o livro veio junto comigo e ficou ali à espera de sua leitura. Prometi para mim que o devolveria após sua leitura, mas sinceramente, não sei como irei fazer isso. Um dos motivos é que ainda não o terminei.
Por incrível que pareça, o livro ainda está sendo lido. E, na época de sua partida da estante, jamais imaginaria que um dia estaria cursando Letras na federal, que estaria cursando a faculdade para a qual talvez (talvez) eu tenha sido destinada e que hoje é como um alívio para meu mundo.
Quando escolhi fazer a cadeira Estudos de José Saramago, percebi que uma das leituras obrigatórias é este livro. E estou em plena leitura, faltando apenas algumas páginas para seu final.
Agora, minha visão sobre seu significado é completamente outro. E a curtição é muito maior.
A História
O livro conta a história de um pai e uma filha. Ele é um oleiro e tem uma filha, um genro e logo encontra um cão. A filha neste ponto do livro está grávida. O conflito acontece em torno do Centro Comercial, que é um espaço que praticamente o obriga a questionar seu modo de vida, pois sua profissão agora se torna obsoleta. As pessoas trocaram os utensílios de barro pelos objetos plásticos e descartáveis.
quinta-feira, 10 de maio de 2018
O livro roubado
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quarta-feira, 9 de maio de 2018
Por que não acordei antes?
Eu tentei tanto, mas, quanto mais me dedicava, mais era insuficiente. Eu aprendi com a vida, mas parece que sempre é algo novo.
Não consigo mais escrever, pois as palavras me parecem poucas, não encontro as certas.
Por que eu me dediquei tanto e hoje estou aqui sozinha?
Sofrendo as mesmas coisas, passando pelas mesmas dores. Por que nunca sou suficiente, não importa o que eu faça?
Se eu implorei para que ficasse, foi por que eu sabia que as coisas não são eternas e eu queria fazer com que isso durasse, pois eu amava e me dedicava àquela relação.
E numa madrugada eu vi uma foto, de uma moça num quarto cheio de livros abertos. Essa foto me levou a um tempo muito longe daqui, em que eu ficava acordada até tarde, lendo trechos de livros, como quando estava com um amigo, que me tirava daquela ilha solitária em que eu vivia. Como na época em que eu não sabia o que era ter um abraço, ter um irmão, ter uma família de verdade. Voltei tão longe no tempo, que parece que aquilo tudo era apenas um sinal, a fotografia, a memória distante, a morte das coisas por causa do tempo. Só eu preservo, só eu lembro, só.
Não consigo mais escrever, pois as palavras me parecem poucas, não encontro as certas.
Por que eu me dediquei tanto e hoje estou aqui sozinha?
Sofrendo as mesmas coisas, passando pelas mesmas dores. Por que nunca sou suficiente, não importa o que eu faça?
Se eu implorei para que ficasse, foi por que eu sabia que as coisas não são eternas e eu queria fazer com que isso durasse, pois eu amava e me dedicava àquela relação.
E numa madrugada eu vi uma foto, de uma moça num quarto cheio de livros abertos. Essa foto me levou a um tempo muito longe daqui, em que eu ficava acordada até tarde, lendo trechos de livros, como quando estava com um amigo, que me tirava daquela ilha solitária em que eu vivia. Como na época em que eu não sabia o que era ter um abraço, ter um irmão, ter uma família de verdade. Voltei tão longe no tempo, que parece que aquilo tudo era apenas um sinal, a fotografia, a memória distante, a morte das coisas por causa do tempo. Só eu preservo, só eu lembro, só.
terça-feira, 10 de abril de 2018
Leitura para a cadeira Estudos de José Saramago - O ano da morte de Ricardo Reis
Estou cursando a cadeira Estudos de José Saramago e uma das leituras que estou fazendo é o livro O ano da morte de Ricardo Reis, ainda estou nas primeiras cem páginas.
A história inicia com Ricardo Reis chegando a Portugal de navio, se instalando num hotel, voltando à cidade depois de 16 anos vivendo no Brasil.
A vida no hotel é contada pelo ponto de vista desse homem solitário que passeia pelas ruas de Lisboa, sempre num tom sombrio e soturno, a chuva que não dá trégua, as multidões, e tudo isso visto de um ponto de vista da solidão de um hóspede do hotel.
A história vai indo e no começo não é deixado claro que esse Ricardo Reis é o mesmo pseudônimo de Fernando Pessoa, mas o autor vai nos preparando para as múltiplas personalidades do personagem, que assim é como o poeta. E neste mesmo ano em que Ricardo Rei retorna à Portugal, ele recebe a notícia de que o poeta Fernando Pessoa morreu e vai ao cemitério ver o túmulo do poeta.
Essa parte, a descrição dos corredores do cemitério e a forma do personagem encontrar o poeta foi sublime. As reflexões sobre a morte e sobre o quanto é breve a vida e as palavras usadas no livro são simplesmente perfeitas, a cada instante renovando ainda mais a minha admiração pelo escritor.
É um livro sobre a perspectiva poética, sobre a vida dos escritores e pessoas sensíveis, e sobretudo, é um livro sobre a solidão de cada um.
O contexto histórico se passa aos idos de 1934, na ditadura de Salazar, o personagem fugindo do Brasil, onde acontecia a Intentona comunista em 1935.
A história inicia com Ricardo Reis chegando a Portugal de navio, se instalando num hotel, voltando à cidade depois de 16 anos vivendo no Brasil.
A vida no hotel é contada pelo ponto de vista desse homem solitário que passeia pelas ruas de Lisboa, sempre num tom sombrio e soturno, a chuva que não dá trégua, as multidões, e tudo isso visto de um ponto de vista da solidão de um hóspede do hotel.
A história vai indo e no começo não é deixado claro que esse Ricardo Reis é o mesmo pseudônimo de Fernando Pessoa, mas o autor vai nos preparando para as múltiplas personalidades do personagem, que assim é como o poeta. E neste mesmo ano em que Ricardo Rei retorna à Portugal, ele recebe a notícia de que o poeta Fernando Pessoa morreu e vai ao cemitério ver o túmulo do poeta.
Essa parte, a descrição dos corredores do cemitério e a forma do personagem encontrar o poeta foi sublime. As reflexões sobre a morte e sobre o quanto é breve a vida e as palavras usadas no livro são simplesmente perfeitas, a cada instante renovando ainda mais a minha admiração pelo escritor.
É um livro sobre a perspectiva poética, sobre a vida dos escritores e pessoas sensíveis, e sobretudo, é um livro sobre a solidão de cada um.
O contexto histórico se passa aos idos de 1934, na ditadura de Salazar, o personagem fugindo do Brasil, onde acontecia a Intentona comunista em 1935.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Crise da BAD, que porre!
A brisa entra pelo quarto... é o vento das lápides, ali na frente há um cemitério. Como eles vivem lá, tão quietos, às vezes penso.
A tristeza vem batendo, não sou o que queria ser. Não sou o que esperam de mim, eu não sei mais quem sou.
No quarto, aquela janela tão ampla, onde a lua vem pela madrugada e o sol me incomoda de manhã, é neste quarto que sou apenas eu.
Não tenho o corpo perfeito que desejaria, não tenho o corpo definido como alguns preferem definir, mal sei qual é minha aparência neste momento. Eu só lembro da brisa que vem lá detrás da árvores do camposanto. Aquela brisa que traz memórias tão antigas, vão imprimindo em minha mente algumas tão singelas: as flores novinhas que se abrem pela manhã, as rosas fortes e viçosas que se tornam presentes para alguém, o vento do mar, o abraço daquele que amo, esse abraço quase entrou em meu quarto, é como se ele estivesse aqui.
As cores, tons de azul e por do sol, entravam em minha mente como fotografia.
As pessoas exigem a mulher perfeita, completa, a que faz tudo no tempo certo, a mulher independente, mas nem tanto. É isso o que todos querem, mas o que eu quero?
Passei minha vida inteira sem saber ao certo como responder a essa pergunta. E, agora, mais do que nunca, há uma certa pressa em minha mente. Eu preciso saber. Mas não por mim. A sociedade me cobra. Preciso saber, quais das possibilidades de mulheres incríveis eu sou.
Eu não poderei ter a escolha de não ser nada, de ser apenas a adolescente que sempre fui, a criança que ainda não se curou das suas feridas, a mulher que pensa diferente e não está nem aí.
Mas eu sinceramente gostaria de espaço, mais tempo, mais consideração, para ser e fazer só o que eu posso, só o que eu quero e que tudo seja ao meu tempo. Que tudo seja conforme minha capacidade. Não sou um gênio, não sou uma mulher maravilha, não quero ser nada.
Só gostaria de ter um pouco dessa paz. A paz de não buscar o impossível.
Quando eu era adolescente, achava que tendo minha casa, tendo minha faculdade e fazendo por mim mesma seria o suficiente.
Pois hoje, tenho minha casa, sou formada e estou na minha segunda faculdade, e parece que para muitos, nunca está bom.
Querem sempre te comparar com "o melhor" na opinião deles, a mulher ideal meus caros, é uma fantasia macabra e simplesmente não existe.
É algo que nos colocam como ideal, é o mito da beleza de Naomi Wolf, é um espantalho que fica em nossas janelas, nos assombrando através de cada pequena conquista nossa.
Por favor, me deixem ser eu mesma. Permita-me saber o que é meu e o que é dos outros, eu só preciso saber que tenho defeitos e está tudo bem não ser tudo, não ser como as outras, pois eu sou eu.
A tristeza vem batendo, não sou o que queria ser. Não sou o que esperam de mim, eu não sei mais quem sou.
No quarto, aquela janela tão ampla, onde a lua vem pela madrugada e o sol me incomoda de manhã, é neste quarto que sou apenas eu.
Não tenho o corpo perfeito que desejaria, não tenho o corpo definido como alguns preferem definir, mal sei qual é minha aparência neste momento. Eu só lembro da brisa que vem lá detrás da árvores do camposanto. Aquela brisa que traz memórias tão antigas, vão imprimindo em minha mente algumas tão singelas: as flores novinhas que se abrem pela manhã, as rosas fortes e viçosas que se tornam presentes para alguém, o vento do mar, o abraço daquele que amo, esse abraço quase entrou em meu quarto, é como se ele estivesse aqui.
As cores, tons de azul e por do sol, entravam em minha mente como fotografia.
As pessoas exigem a mulher perfeita, completa, a que faz tudo no tempo certo, a mulher independente, mas nem tanto. É isso o que todos querem, mas o que eu quero?
Passei minha vida inteira sem saber ao certo como responder a essa pergunta. E, agora, mais do que nunca, há uma certa pressa em minha mente. Eu preciso saber. Mas não por mim. A sociedade me cobra. Preciso saber, quais das possibilidades de mulheres incríveis eu sou.
Eu não poderei ter a escolha de não ser nada, de ser apenas a adolescente que sempre fui, a criança que ainda não se curou das suas feridas, a mulher que pensa diferente e não está nem aí.
Mas eu sinceramente gostaria de espaço, mais tempo, mais consideração, para ser e fazer só o que eu posso, só o que eu quero e que tudo seja ao meu tempo. Que tudo seja conforme minha capacidade. Não sou um gênio, não sou uma mulher maravilha, não quero ser nada.
Só gostaria de ter um pouco dessa paz. A paz de não buscar o impossível.
Quando eu era adolescente, achava que tendo minha casa, tendo minha faculdade e fazendo por mim mesma seria o suficiente.
Pois hoje, tenho minha casa, sou formada e estou na minha segunda faculdade, e parece que para muitos, nunca está bom.
Querem sempre te comparar com "o melhor" na opinião deles, a mulher ideal meus caros, é uma fantasia macabra e simplesmente não existe.
É algo que nos colocam como ideal, é o mito da beleza de Naomi Wolf, é um espantalho que fica em nossas janelas, nos assombrando através de cada pequena conquista nossa.
Por favor, me deixem ser eu mesma. Permita-me saber o que é meu e o que é dos outros, eu só preciso saber que tenho defeitos e está tudo bem não ser tudo, não ser como as outras, pois eu sou eu.
Amanhecendo com o nascer do sol
Todos os dias é um tormento o não dormir. Me recuso a deixar o sono vencer.
A vida, é tão rara para mim, cada minuto importa. Mesmo um tempo gasto em nada, mesmo aquele no silêncio.
Desde criança eu tenho medo de dormir. O sono leva embora a possibilidade da lucidez, e de meu apego à vida, a esta vida mais concreta.
Eu mergulho na sombra dos sonhos, encontro fantasmas, criaturas da minha psique, lendas e coisas que li a muito tempo. Esse paraíso raramente é confortante. No mais das vezes são coisas que preciso viver, e que minha vida de vigília não permite.
Já tentei escrever poesia com as histórias noturnas, mas elas mostram coisas demais. Não é possível escrever sobre algo tão nude, não é possível vencer essa barreira das coisas implícitas e claras dentro da mente.
A variação dos sentimentos, as coisas antigas tão profundas, e essa vontade de morrer, só para ter certeza de que, o que se vê nos sonhos, realmente existe em algum lugar.
Meu medo de dormir, é como um medo de dar um passo em frente ao abismo da morte. Aquilo é vida, porém não o sei. Estou a viver coisas tão insólitas, tão implausíveis, tão profundas na minha mente. Uma pena porém, que os protagonistas nada saibam, sequer existam neste mundo terreno, apenas estão ali, segundo meus desejos, assim acho.
É uma pena que os protagonistas jamais saibam que fazem parte das minhas premonições, dos meus medos e das coisas que cercam a aura do tempo noturno.
Contar um sonho é uma atividade frustrante, pois nunca podemos descrever as cenas que vimos, nunca haverá detalhes perfeitos, só os fragmentos. A mente nos obriga a esconder e creio que ela tenha lá suas razões.
A vida, é tão rara para mim, cada minuto importa. Mesmo um tempo gasto em nada, mesmo aquele no silêncio.
Desde criança eu tenho medo de dormir. O sono leva embora a possibilidade da lucidez, e de meu apego à vida, a esta vida mais concreta.
Eu mergulho na sombra dos sonhos, encontro fantasmas, criaturas da minha psique, lendas e coisas que li a muito tempo. Esse paraíso raramente é confortante. No mais das vezes são coisas que preciso viver, e que minha vida de vigília não permite.
Já tentei escrever poesia com as histórias noturnas, mas elas mostram coisas demais. Não é possível escrever sobre algo tão nude, não é possível vencer essa barreira das coisas implícitas e claras dentro da mente.
A variação dos sentimentos, as coisas antigas tão profundas, e essa vontade de morrer, só para ter certeza de que, o que se vê nos sonhos, realmente existe em algum lugar.
Meu medo de dormir, é como um medo de dar um passo em frente ao abismo da morte. Aquilo é vida, porém não o sei. Estou a viver coisas tão insólitas, tão implausíveis, tão profundas na minha mente. Uma pena porém, que os protagonistas nada saibam, sequer existam neste mundo terreno, apenas estão ali, segundo meus desejos, assim acho.
É uma pena que os protagonistas jamais saibam que fazem parte das minhas premonições, dos meus medos e das coisas que cercam a aura do tempo noturno.
Contar um sonho é uma atividade frustrante, pois nunca podemos descrever as cenas que vimos, nunca haverá detalhes perfeitos, só os fragmentos. A mente nos obriga a esconder e creio que ela tenha lá suas razões.
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
A sublimação do amor no romance Sra Dalloway
Sempre adorei aquele filme As Horas, que conta um pouco da história da escritora Virgínia Woolf e de suas personagens, porém nunca havia lido nenhum livro dessa escritora.
Agora que tenho acesso a uma das bibliotecas mais incríveis que já pude conhecer, as bibliotecas da UFRGS, pensei por que não começar a ler algum livro dessa mulher?
Comecei com o livro que inspira o filme. E me surpreendi muito pois as histórias não tem muita ligação, livro e filme neste caso, só se ligam através das horas. O resto corre por si mesmo.
Em Sra Dalloway há uma sublimação do amor. Através do tempo, através dos pensamentos, o amor vai se definindo e se transformando. O que só confirmou minhas suspeitas sobre o ato de amar.
Por experiência própria, sei que o amor jamais morre. Tudo passa, qualquer sentimento, seja ele raiva, atração, admiração, mesmo os mais fortes arroubos, com o tempo passam, terminam, mas o amor nunca passa.
Foi o que se passou nos pensamentos de dois amantes que, embora tenham partido, vivido cada um suas vidas e mesmo indo ao outro ponto do mundo, o amor esteve o tempo todo ali, na força da memória, na intensidade das lembranças e no poder da constatação de que nada é como o amor sentido. Nenhum sentimento se compara ao amor.
Fiz o juramento de que se um dia eu sentisse amor mais uma vez, jamais teria um dia sequer de mau humor em minha vida.
O amor quando é sublimado, transforma-se a cada dia, ao mesmo tempo que se mantém intacto, no espaço profundo da alma. O sentimento está vivo, no alto da torre, à espera de nada, à sombra do mundo, este mundo seco e sem sentido.
No caso dos personagens, eles pensam muito, e sentem através das memórias. É muito alegre a forma como o livro termina, e o seu fim para mim significa o ponto alto do amor. É essa alegria que te move a vida, que tem uma razão de ser, mesmo que não saibamos exatamente qual é.
Como o livro foi muito marcante, demorei para terminar a leitura. Eu tenho esse defeito. Quando algo é muito perfeito eu fico longe, pois tenho medo de ver o final. Mas o final deste livro foi melhor do que eu poderia esperar.
No filme me identifiquei completamente com a escritora. E o que eu continuo pensando é que neste caso, pelo menos, o filme é melhor do que o livro. A minha próxima leitura dessa escritora será Rumo ao Farol.
Agora que tenho acesso a uma das bibliotecas mais incríveis que já pude conhecer, as bibliotecas da UFRGS, pensei por que não começar a ler algum livro dessa mulher?
Comecei com o livro que inspira o filme. E me surpreendi muito pois as histórias não tem muita ligação, livro e filme neste caso, só se ligam através das horas. O resto corre por si mesmo.
Em Sra Dalloway há uma sublimação do amor. Através do tempo, através dos pensamentos, o amor vai se definindo e se transformando. O que só confirmou minhas suspeitas sobre o ato de amar.
Por experiência própria, sei que o amor jamais morre. Tudo passa, qualquer sentimento, seja ele raiva, atração, admiração, mesmo os mais fortes arroubos, com o tempo passam, terminam, mas o amor nunca passa.
Foi o que se passou nos pensamentos de dois amantes que, embora tenham partido, vivido cada um suas vidas e mesmo indo ao outro ponto do mundo, o amor esteve o tempo todo ali, na força da memória, na intensidade das lembranças e no poder da constatação de que nada é como o amor sentido. Nenhum sentimento se compara ao amor.
Fiz o juramento de que se um dia eu sentisse amor mais uma vez, jamais teria um dia sequer de mau humor em minha vida.
O amor quando é sublimado, transforma-se a cada dia, ao mesmo tempo que se mantém intacto, no espaço profundo da alma. O sentimento está vivo, no alto da torre, à espera de nada, à sombra do mundo, este mundo seco e sem sentido.
No caso dos personagens, eles pensam muito, e sentem através das memórias. É muito alegre a forma como o livro termina, e o seu fim para mim significa o ponto alto do amor. É essa alegria que te move a vida, que tem uma razão de ser, mesmo que não saibamos exatamente qual é.
Como o livro foi muito marcante, demorei para terminar a leitura. Eu tenho esse defeito. Quando algo é muito perfeito eu fico longe, pois tenho medo de ver o final. Mas o final deste livro foi melhor do que eu poderia esperar.
No filme me identifiquei completamente com a escritora. E o que eu continuo pensando é que neste caso, pelo menos, o filme é melhor do que o livro. A minha próxima leitura dessa escritora será Rumo ao Farol.
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segunda-feira, 27 de novembro de 2017
a torre frágil
em frente ao espelho, no corredor do meu apartamento, está meu corpo a conferir se tudo está bem.
é essa a imagem que eu levo para a rua, mas há ainda mais, o que não passa pela minha visão.
à noite madrugada, acordo com a janela aberta, a lua no mais perfeito visual, coloco meus pés no chão.
estou sonhando, vou até meu espelho, e a imagem abre-se.
é tão sério, em tons escuros, a pele branca exposta, a alma muda. nada me diz, e eu nada quero saber.
está ali todo o tempo, eu juro que não sinto, juro também que não o percebo, ao longo dos dias e dias...
Matei muitas coisas ao meu redor na esperança de tirar essa coisa, entalhada na pedra fria que é meu coração.
passa por mim Desconhecido, eu atravesso a rua para evitar cruzar com aquele olhar
que sequer me verá.
nunca verá, pois também não sei mais ver.
fecho os olhos, converso outros assuntos, o sangue por dentro corre, corre a timidez, cai um véu sobre o tempo.
esse tempo que pesa sobre o ar, e pára precisamente agora. ao som de passos, firme decisão.
a manhã fria, não sou eu - são as plantas, as flores, o abismo.
o som dos passos, o som....o som......que sim, tem nome.
corro para o espelho, hoje algo que apenas quebra, a vida que está aqui.
inseparável da dor, está a autossuficiência, a busca por isolar-me, a noite como o mais alto milagre, de estar só, com o reflexo.
é essa a imagem que eu levo para a rua, mas há ainda mais, o que não passa pela minha visão.
à noite madrugada, acordo com a janela aberta, a lua no mais perfeito visual, coloco meus pés no chão.
estou sonhando, vou até meu espelho, e a imagem abre-se.
é tão sério, em tons escuros, a pele branca exposta, a alma muda. nada me diz, e eu nada quero saber.
está ali todo o tempo, eu juro que não sinto, juro também que não o percebo, ao longo dos dias e dias...
Matei muitas coisas ao meu redor na esperança de tirar essa coisa, entalhada na pedra fria que é meu coração.
passa por mim Desconhecido, eu atravesso a rua para evitar cruzar com aquele olhar
que sequer me verá.
nunca verá, pois também não sei mais ver.
fecho os olhos, converso outros assuntos, o sangue por dentro corre, corre a timidez, cai um véu sobre o tempo.
esse tempo que pesa sobre o ar, e pára precisamente agora. ao som de passos, firme decisão.
a manhã fria, não sou eu - são as plantas, as flores, o abismo.
o som dos passos, o som....o som......que sim, tem nome.
corro para o espelho, hoje algo que apenas quebra, a vida que está aqui.
inseparável da dor, está a autossuficiência, a busca por isolar-me, a noite como o mais alto milagre, de estar só, com o reflexo.
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Las manos de mi madre
Las manos de mi madre
parecen pajaros en el aire
historias de cocina
entre sus alas heridas
de hambre.
Las manos de mi madre
saben que ocurre
por las mañanas
cuando amasa la vida
hornos de barro
pan de esperanza.
Las manos de mi madre
llegan al patio desde temprano
todo se vuelve fiesta
cuando ellas vuelan
junto a otros pajaros
junto a los pajaros
que aman la vida
y la construyen con los trabajos
arde la leña, harina y barro
lo cotidiano
se vuelve magico.
Las manos de mi madre
me representan un cielo abierto
y un recuerdo añorado
trapos calientes en los inviernos
| Isso que ela tá pendurando no varal é massa para fazer macarrão em casa... |
Ellas se brindan calidas
nobles, sinceras, limpias de todo
¿como seran las manos
del que las mueve
gracias al odio?
Mercedes Sosa
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domingo, 16 de julho de 2017
A coragem
Agora é que está passando... Levantei da cama e fui direto ao banho... a água quente, muito quente, foi levando embora a dor.
Lembrei das palavras da amiga... "A primeira que deve te amar é tu mesma", enquanto lavava meus cabelos, e tentava saber como estava meu corpo, sentindo-me morta, apenas lembrando da vida, por causa da dor.
Dor é um sinal de vida, isso eu sei.
Há alguns meses venho buscando saber coisas sobre mim. O que eu sinto realmente, o que é influência externa, ou interna, mas que não é tão real assim.
Há coisas irreais em mim, preciso descobrí-las para abandoná-las, urgentemente, sob pena de continuar não sendo autêntica, enganando a mim mesma e até mesmo a outros...
Ficar aqui me possibilita isso. Deixar-me um pouco, esquecer os pensamentos, fixar-me no presente. Olhar pela janela a rua, a chuva e o vento fulminante, minhas plantas. Vou conferir se não caíram. Não podem cair, mesmo com o vento forte, me recuso a tirar-lhes da potência da tormenta....
Estudar, ouvir as gravações, a voz da professora recitando poemas, eu busco-os no livro do poeta que mais adoro. Como é perfeito seu modo de escrever. Ao ler seus versos não sinto-me tão só nos sentimentos. Identifico-me com tempos que não existem mais, com coisas que não estão mais ao meu alcance, pois agora, apenas restou este coração que apenas observa, e que pouco consegue sentir.
Uma criança disse no filme de 1961: "Como é triste quando alguém não tem tempo para você".
Vivemos ao longo da vida buscando confirmar se quem amamos nos pode doar seu tempo. Ao amor eu doei praticamente minha vida, e não me arrependo nenhum dia sequer.
Agora, como sempre, ainda não desejo mais saber, me fere o não, do mesmo modo que me fere o sim. Vou me recolher a esta não-vida que escolhi.
Lembrei das palavras da amiga... "A primeira que deve te amar é tu mesma", enquanto lavava meus cabelos, e tentava saber como estava meu corpo, sentindo-me morta, apenas lembrando da vida, por causa da dor.
Dor é um sinal de vida, isso eu sei.
Há alguns meses venho buscando saber coisas sobre mim. O que eu sinto realmente, o que é influência externa, ou interna, mas que não é tão real assim.
Há coisas irreais em mim, preciso descobrí-las para abandoná-las, urgentemente, sob pena de continuar não sendo autêntica, enganando a mim mesma e até mesmo a outros...
Ficar aqui me possibilita isso. Deixar-me um pouco, esquecer os pensamentos, fixar-me no presente. Olhar pela janela a rua, a chuva e o vento fulminante, minhas plantas. Vou conferir se não caíram. Não podem cair, mesmo com o vento forte, me recuso a tirar-lhes da potência da tormenta....
Estudar, ouvir as gravações, a voz da professora recitando poemas, eu busco-os no livro do poeta que mais adoro. Como é perfeito seu modo de escrever. Ao ler seus versos não sinto-me tão só nos sentimentos. Identifico-me com tempos que não existem mais, com coisas que não estão mais ao meu alcance, pois agora, apenas restou este coração que apenas observa, e que pouco consegue sentir.
Uma criança disse no filme de 1961: "Como é triste quando alguém não tem tempo para você".
Vivemos ao longo da vida buscando confirmar se quem amamos nos pode doar seu tempo. Ao amor eu doei praticamente minha vida, e não me arrependo nenhum dia sequer.
Agora, como sempre, ainda não desejo mais saber, me fere o não, do mesmo modo que me fere o sim. Vou me recolher a esta não-vida que escolhi.
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terça-feira, 11 de julho de 2017
Onde mora minha alma
Todas as noites tenho sonhado com minha mãe. Estou na casa dela, e peço que ela fique uns dias comigo. Ela está tão viva e me diz que sim, irá ficar. E decerto ficará. Mas quando acordo, um desespero me atinge, ao lembrar que vivi em outra realidade, e nesta, ela está morta.
No portão da casa às vezes aparece meu amado de tantas eras. O rosto como de um cadáver, o aspecto de um morto, as mãos brancas e um silêncio que eu entendo. O coração batendo forte. Meus cabelos estão compridos, exatamente como estão agora, porém, nesta realidade, não há nada naquele portão, e o coração que pulsa é somente meu.
Esta casa que aparece em meus sonhos apenas me atormenta, é um lugar onde minha alma às vezes se aprisiona, de onde não consigo sair devido à saudade, à dor, à lembrança. Quero muito vê-la, quero desesperadamente sentí-la perto de mim, sei que isto não me é permitido, mas eu imploro à morte por favor, deixe-me ver minha mãe.
Mas eu tenho meu lar e meu templo. E hoje vou contar como ele é.
Moro em uma casa com janelas muito grandes. Minha vista é para onde nasce a lua. Bem em frente está um cemitério e suas árvores, todas aparentemente imóveis e silentes. Vejo essa paisagem todos os dias, foi por isso que escolhi morar aqui.
No outro oposto da casa é onde o Sol termina. A janela da minha sala recebe todos os dias as cores vermelhas, rosas e roxas do por do sol. E nas madrugadas é por ali que acompanho a trajetória da lua...
Aqui tem uma energia bonita, a minha paz e a paz da casa. As duas juntas formam um lugar onde eu adoro ficar.
A calma da casa é complementar ao ruído da rua. A combinação destas duas estão em perfeita ordem em minha vida. Eu adoro esta rua, eu idolatro minha casa. É uma rua simples, é uma casa antiga. As duas tem aspectos de mim mesma, por isso as amo.
A cozinha é unida à àrea de serviço. Arranquei a porta que as separava. Quero espaço! Tem ali outra janela, para o mesmo sol que eu sinto no entardecer.
O banheiro é ao lado do quarto, é grande e claro. E está cheio de livros, minha amiga me diz: esta casa está ficando a tua cara.
Há livros também na cozinha, na sala e principalmente no quarto, onde está provisoriamente minha biblioteca maior.
Na minha sala existe um painel na parede. É a ilustração de um parque com muitas árvores e um lago. Sempre quis ter esse tipo de painel na minha sala e, por 'coincidências' da vida, aí ele está.
Aqui passo os meus dias, mais precisamente os finais de tarde, as noites e também alguns fins de semanas...
Procuro não misturar a tristeza que se aproxima de mim em certos dias, ao aconchego de minha casa. Ao entrar aqui, procuro deixar lá fora minhas lástimas, porém nem sempre é possível, ao adormercer meus sonhos me despertam, e acordo todos os dias às três da manhã, com a memória forte de um desses sonhos... Eis a nova fase de minha vida, estranha e feliz. Estou simplesmente sendo eu, por fim!
No portão da casa às vezes aparece meu amado de tantas eras. O rosto como de um cadáver, o aspecto de um morto, as mãos brancas e um silêncio que eu entendo. O coração batendo forte. Meus cabelos estão compridos, exatamente como estão agora, porém, nesta realidade, não há nada naquele portão, e o coração que pulsa é somente meu.
Esta casa que aparece em meus sonhos apenas me atormenta, é um lugar onde minha alma às vezes se aprisiona, de onde não consigo sair devido à saudade, à dor, à lembrança. Quero muito vê-la, quero desesperadamente sentí-la perto de mim, sei que isto não me é permitido, mas eu imploro à morte por favor, deixe-me ver minha mãe.
Mas eu tenho meu lar e meu templo. E hoje vou contar como ele é.
Moro em uma casa com janelas muito grandes. Minha vista é para onde nasce a lua. Bem em frente está um cemitério e suas árvores, todas aparentemente imóveis e silentes. Vejo essa paisagem todos os dias, foi por isso que escolhi morar aqui.
No outro oposto da casa é onde o Sol termina. A janela da minha sala recebe todos os dias as cores vermelhas, rosas e roxas do por do sol. E nas madrugadas é por ali que acompanho a trajetória da lua...
Aqui tem uma energia bonita, a minha paz e a paz da casa. As duas juntas formam um lugar onde eu adoro ficar.
A calma da casa é complementar ao ruído da rua. A combinação destas duas estão em perfeita ordem em minha vida. Eu adoro esta rua, eu idolatro minha casa. É uma rua simples, é uma casa antiga. As duas tem aspectos de mim mesma, por isso as amo.
A cozinha é unida à àrea de serviço. Arranquei a porta que as separava. Quero espaço! Tem ali outra janela, para o mesmo sol que eu sinto no entardecer.
O banheiro é ao lado do quarto, é grande e claro. E está cheio de livros, minha amiga me diz: esta casa está ficando a tua cara.
Há livros também na cozinha, na sala e principalmente no quarto, onde está provisoriamente minha biblioteca maior.
Na minha sala existe um painel na parede. É a ilustração de um parque com muitas árvores e um lago. Sempre quis ter esse tipo de painel na minha sala e, por 'coincidências' da vida, aí ele está.
Aqui passo os meus dias, mais precisamente os finais de tarde, as noites e também alguns fins de semanas...
Procuro não misturar a tristeza que se aproxima de mim em certos dias, ao aconchego de minha casa. Ao entrar aqui, procuro deixar lá fora minhas lástimas, porém nem sempre é possível, ao adormercer meus sonhos me despertam, e acordo todos os dias às três da manhã, com a memória forte de um desses sonhos... Eis a nova fase de minha vida, estranha e feliz. Estou simplesmente sendo eu, por fim!
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terça-feira, 4 de julho de 2017
Encontrar as palavras certas
Estou cursando a faculdade de Letras, quase domino um novo idioma, porém, como é difícil comunicar-me. Escrever, é fácil, ser lido, do mesmo modo também é. Mas, na comunicação individual, onde reina o sentimento, minhas palavras são parcas, eu não consigo me expressar.
Nasci com o dom da escrita, eu sei. Sempre foi tão fácil organizar as palavras, quanto pensar, ou respirar. Sempre foi tão perfeito ler, entender e simplesmente amar o lido. Porém, diante do amor, as palavras são insuficientes, os idiomas não valem para nada, eu fico muda.
Escrevi uma carta de amor, mas, por ser de amor, ainda tenho minhas dúvidas se disse tudo o que deveria dizer. Ou se escrevi demais, ou se não falei o essencial.
Para falar dos sentimentos nunca fui boa.
Diante de minha mãe morta, não consegui dizer-lhe que a amava.
Diante do amado, nenhuma palavra jamais saiu. Eu só sabia escrever, cometer torpezas, falar com os gestos, fugir como uma condenada, de um sentimento que me arrebatava.
Eu tenho consciência de que esta vida é curta, e perco meus dias por nada dizer. Perco minhas horas por estar aqui, em minha auto suficiência de escritora, em apenas escrever o contrário do que sinto. Se estou tão viva, citarei a morte, se estou tão feliz, citarei a melancolia.
E, de metáforas tortas, vou fazendo, além da escrita, minha vida.
Nasci com o dom da escrita, eu sei. Sempre foi tão fácil organizar as palavras, quanto pensar, ou respirar. Sempre foi tão perfeito ler, entender e simplesmente amar o lido. Porém, diante do amor, as palavras são insuficientes, os idiomas não valem para nada, eu fico muda.
Escrevi uma carta de amor, mas, por ser de amor, ainda tenho minhas dúvidas se disse tudo o que deveria dizer. Ou se escrevi demais, ou se não falei o essencial.
Para falar dos sentimentos nunca fui boa.
Diante de minha mãe morta, não consegui dizer-lhe que a amava.
Diante do amado, nenhuma palavra jamais saiu. Eu só sabia escrever, cometer torpezas, falar com os gestos, fugir como uma condenada, de um sentimento que me arrebatava.
Eu tenho consciência de que esta vida é curta, e perco meus dias por nada dizer. Perco minhas horas por estar aqui, em minha auto suficiência de escritora, em apenas escrever o contrário do que sinto. Se estou tão viva, citarei a morte, se estou tão feliz, citarei a melancolia.
E, de metáforas tortas, vou fazendo, além da escrita, minha vida.
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segunda-feira, 3 de julho de 2017
Visita à minha mãe
Sempre vejo em meus sonhos, a casa da minha mãe, dessa vez sem ruínas, pintada de branco, com as janelas marrons, e uma névoa silenciando o ambiente.
Eu fazendo promessas de visitá-la mais vezes, dormir naquela casa. Um lugar que só existe hoje em minha mente.
E lá, no sonho, ela estava tão viva, tão minha, tão profundamente real. Sentia imenso desejo de ficar ali com ela, só para conversar.
Suas coisas, seus pertences, quase nada existe mais. Seu corpo se foi morto, frio e roxo como todos os cadáveres... Ela deixou esse mundo, mas não deixa meus pensamentos. Todos os dias nesta casa, eu a encontro. A casa branca, as rosas no jardim, as roupas que eram dela, tudo o que foi de minha mãe.
Naquela casa, que hoje desaba sobre minha alma, há a memória do meu pai, há a trajetória do meu irmão. Eu também estou lá, de certa forma, naquele quarto solitário, naquela solidão que conheço tão bem, mas que hoje dói bem mais.
A morte corta tudo, nos tira tudo, só tenho algumas fotos, algumas roupas, um espelho, um perfume, e a lembrança da vida e da morte no seu corpo, que um dia me criou.
Eu nasci, daquela que hoje é simplesmente um nome em um túmulo. Eu era parte dela, e hoje carrego suas características dentro de mim. Minha mãe: agora me acho parecida contigo, na doçura e na teimosia, na tristeza, na desesperança, na alegria de viver, no cuidado com o outro.
Eu me abandonei algumas vezes, como você fez certa vez, eu desisti de algumas coisas, como você também desistiu, hoje me reflexo em seu olhar, pois sei tanto o que você passou. Eu luto todos os dias para orgulhar-te, eu escrevo estas linhas, para que possas ler... aí em algum lugar onde estejas.
Mãe, se leres isso, estou no melhor momento de minha vida. Estou percebendo as coisas que são realmente minhas, as que devo deixar para trás, e o que eu penso realmente, que não é influência de outros.
Só o que não muda são os sonhos, em que vou te visitar, aquela casa perturbadora, aquela saudade do que nunca mais será.
Eu fazendo promessas de visitá-la mais vezes, dormir naquela casa. Um lugar que só existe hoje em minha mente.
E lá, no sonho, ela estava tão viva, tão minha, tão profundamente real. Sentia imenso desejo de ficar ali com ela, só para conversar.
Suas coisas, seus pertences, quase nada existe mais. Seu corpo se foi morto, frio e roxo como todos os cadáveres... Ela deixou esse mundo, mas não deixa meus pensamentos. Todos os dias nesta casa, eu a encontro. A casa branca, as rosas no jardim, as roupas que eram dela, tudo o que foi de minha mãe.
Naquela casa, que hoje desaba sobre minha alma, há a memória do meu pai, há a trajetória do meu irmão. Eu também estou lá, de certa forma, naquele quarto solitário, naquela solidão que conheço tão bem, mas que hoje dói bem mais.
A morte corta tudo, nos tira tudo, só tenho algumas fotos, algumas roupas, um espelho, um perfume, e a lembrança da vida e da morte no seu corpo, que um dia me criou.
Eu nasci, daquela que hoje é simplesmente um nome em um túmulo. Eu era parte dela, e hoje carrego suas características dentro de mim. Minha mãe: agora me acho parecida contigo, na doçura e na teimosia, na tristeza, na desesperança, na alegria de viver, no cuidado com o outro.
Eu me abandonei algumas vezes, como você fez certa vez, eu desisti de algumas coisas, como você também desistiu, hoje me reflexo em seu olhar, pois sei tanto o que você passou. Eu luto todos os dias para orgulhar-te, eu escrevo estas linhas, para que possas ler... aí em algum lugar onde estejas.
Mãe, se leres isso, estou no melhor momento de minha vida. Estou percebendo as coisas que são realmente minhas, as que devo deixar para trás, e o que eu penso realmente, que não é influência de outros.
Só o que não muda são os sonhos, em que vou te visitar, aquela casa perturbadora, aquela saudade do que nunca mais será.
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sábado, 24 de junho de 2017
Não consigo ficar sozinha!
Apesar de adorar a solidão, eu não consigo estar sozinha. Será que sou anormal?
Adoro minha casa, adoro meu ser, minhas poesias, meu universo interior. Mas até mesmo lá dentro há alguém, mesmo um fantasma...que não sou eu.
A companhia que se instalou aqui é quase um espírito amado, que tão entrelaçado em mim está, que já não sei o que sou eu, e o que são aquelas palavras antigas, as marcas impregnadas.
Mas essa minha mania de emendar uma história na outra, quando irá acabar? Quando me dedicarei a alguém, da mesma forma que dedico ao meu fantasma os meus poemas?
Não é culpa só minha, amar não é para qualquer um. E eu que sei bem como é o amor, não vou ficar aqui parada, no vazio dos dias... eu vou sim é viver, desse jeito torto, o que há pra fazer.
Ser doce e carinhosa é a melhor coisa que existe. Nunca me furtarei a isso.
Desde que me separei (antes também era assim) minha vida tem sido um relacionamento logo após outro, sem sequer um dia para respirar. Não consigo ficar só, alguns dias....eu emendo mesmo. Não consigo parar.
Ás vezes eu acho que isso é apenas um alimento para a vaidade. Ter o olhar de alguém em sua direção, alguém que pensa em você, mesmo que você nem esteja tão envolvida assim. Ter companhia para conversar todos os dias, um cara que te liga, num mundo em que ninguém se importa.
Isso eu poderia ter com amigos? Sim, mas não da mesma forma. Amigos eu tenho poucos e não gosto de incomodá-los com minhas carências. E eu adoro conquistar, ser conquistada.
A amizade é uma outra forma de conquista, tão bela, mas que para mim é muito mais sagrada.
Outras vezes eu penso que apenas amadureci e encarei esta verdade sobre mim: sou assim, sempre serei. Não acho interessante o que todos dizem "devemos ter um tempo para si mesmos e só depois nos relacionarmos outra vez". Por quê?
Me conheço o suficiente para não precisar me isolar de ninguém. Sei sobre mim o tanto que preciso, até este ponto, para não precisar me afastar de nada. As confusões sobre mim e sobre meus sentimentos, nada tem a ver com os outros, com a proximidade ou distância. Eu tenho dificuldades para amar sim, mas eu tento, tento muito.
Por que não posso aprender sobre quem eu sou através de outra pessoa? O aprendizado, afinal, é meu apenas. Não necessito tanto assim do outro, ou tanto assim da solidão. Juntos aprendemos muito mais a conviver, a ter paciência, a ser feliz mesmo com os pequenos defeitos de cada um. (E as diferenças!)
O outro pode ser um espelho para meu reflexo, mas também posso vê-lo, através dessa imagem.
Eu levei muito tempo para reconhecer na imagem que vejo no espelho, o amor de toda minha vida. Essa conquista é minha e de mais ninguém.
Já fiz a experiência, já fui muito solitária em determinado período, minha infância. E, por ser muito jovem, nada aprendi, nada acrescentou em mim não ter nada, viver em um deserto. Dali em diante, eu segui com aquilo que colhi, em todas as pessoas que nutri algum afeto. E tenho certeza de que nelas deixei, um pouco do amor que senti, tão fragmentado, mas completamente sincero.
Adoro minha casa, adoro meu ser, minhas poesias, meu universo interior. Mas até mesmo lá dentro há alguém, mesmo um fantasma...que não sou eu.
A companhia que se instalou aqui é quase um espírito amado, que tão entrelaçado em mim está, que já não sei o que sou eu, e o que são aquelas palavras antigas, as marcas impregnadas.
Mas essa minha mania de emendar uma história na outra, quando irá acabar? Quando me dedicarei a alguém, da mesma forma que dedico ao meu fantasma os meus poemas?
Não é culpa só minha, amar não é para qualquer um. E eu que sei bem como é o amor, não vou ficar aqui parada, no vazio dos dias... eu vou sim é viver, desse jeito torto, o que há pra fazer.
Ser doce e carinhosa é a melhor coisa que existe. Nunca me furtarei a isso.
Desde que me separei (antes também era assim) minha vida tem sido um relacionamento logo após outro, sem sequer um dia para respirar. Não consigo ficar só, alguns dias....eu emendo mesmo. Não consigo parar.
Ás vezes eu acho que isso é apenas um alimento para a vaidade. Ter o olhar de alguém em sua direção, alguém que pensa em você, mesmo que você nem esteja tão envolvida assim. Ter companhia para conversar todos os dias, um cara que te liga, num mundo em que ninguém se importa.
Isso eu poderia ter com amigos? Sim, mas não da mesma forma. Amigos eu tenho poucos e não gosto de incomodá-los com minhas carências. E eu adoro conquistar, ser conquistada.
A amizade é uma outra forma de conquista, tão bela, mas que para mim é muito mais sagrada.
Outras vezes eu penso que apenas amadureci e encarei esta verdade sobre mim: sou assim, sempre serei. Não acho interessante o que todos dizem "devemos ter um tempo para si mesmos e só depois nos relacionarmos outra vez". Por quê?
Me conheço o suficiente para não precisar me isolar de ninguém. Sei sobre mim o tanto que preciso, até este ponto, para não precisar me afastar de nada. As confusões sobre mim e sobre meus sentimentos, nada tem a ver com os outros, com a proximidade ou distância. Eu tenho dificuldades para amar sim, mas eu tento, tento muito.
Por que não posso aprender sobre quem eu sou através de outra pessoa? O aprendizado, afinal, é meu apenas. Não necessito tanto assim do outro, ou tanto assim da solidão. Juntos aprendemos muito mais a conviver, a ter paciência, a ser feliz mesmo com os pequenos defeitos de cada um. (E as diferenças!)
O outro pode ser um espelho para meu reflexo, mas também posso vê-lo, através dessa imagem.
Eu levei muito tempo para reconhecer na imagem que vejo no espelho, o amor de toda minha vida. Essa conquista é minha e de mais ninguém.
Já fiz a experiência, já fui muito solitária em determinado período, minha infância. E, por ser muito jovem, nada aprendi, nada acrescentou em mim não ter nada, viver em um deserto. Dali em diante, eu segui com aquilo que colhi, em todas as pessoas que nutri algum afeto. E tenho certeza de que nelas deixei, um pouco do amor que senti, tão fragmentado, mas completamente sincero.
segunda-feira, 19 de junho de 2017
Viva na vida - morta no Face
Eu tive dois perfis no Facebook, um deles, cheio de amigos... mais de 4000. O perfil mais novo, era fechado. Os dois morreram hoje.
Explico. Na minha vida, as coisas vão acontencendo, meio bagunçadas, vou deixando-as ali, elas se ajeitam, mas tem uma hora que chega! Preciso zerar a vida, começar de novo ou dar um tempo... Ou nada disso. Conforme...
O Facebook foi já motivo de brigas no meu primeiro casamento e foi alvo também no meu namoro... Claro, será mais fácil culpar a rede social do que as minhas atitudes, porém o Face não é de todo inocente. Nos últimos tempos andava me sentindo angustiada, pois além de trabalhar com redes sociais, ainda tinha que manter minhas redes quando saía do trabalho. Eu estava vivendo a virtualidade, estava reativa a tudo, ausente das minhas vontades profundas, apenas na superfície do sim ou não (curtir, compartilhar, reagir).
Depois que comprei meu smartphone, minha atenção caiu drasticamente. Meu nível de leitura baixou quase a zero. E olha que mesmo assim consegui ler alguns livros, apenas porque amo ler. Quando me mudei para minha casinha, decidi ler mais, oficialmente, devorar os livros. Deu certo. Porém, quando baixa a bad, a leitura passa longe... começo a divagar nas redes, só ver a vida perfeita das pessoas, as fotos bem batidas, as comidas maravilhosas, as briguinhas tolas que não levam a nada, a problematização tosca, que é quase uma característica desse tipo de rede.... isso encheu o saco. Não aguento mais! Para tudo é um piti....
A última foi gente problematizando os temperos da comida vegana. Sério meu, parece que essa galera não transa, não tem espírito alegre, descontraído. Não tem. Pois na rede, é impossível não reagir. É quase falta de educação.
O Facebook é um lugar onde você apenas fala. Não é necessário escutar, não precisa entender o outro, não precisa nem haver outro. É apenas aquela massa amorfa que aprova ou desaprova o que você posta. Não é necessário entender profundamente, as coisas passam por você. E nessa onda, as pessoas começam a achar que tudo é assim, e começam a tratar a si mesmas e aos outros como coisas, como postagens, como objetos que só valem durante certo instante.
Depois que comecei a fazer selfies, foi talvez a primeira vez que comecei a questionar negativamente meu rosto, a achar defeitos, a comparar com sei lá o quê.
Essa busca de aceitação não existe apenas por que existe a Internet. Ela existe, está latente. Mas isso não significa que eu tenho que alimentar essa nocividade. Não tenho que alimentar posts de pessoas que nem conheço, não tenho que provar nada para ninguém, eu agora, quero apenas ser eu.
Não sei direito, não sei mais o que sou. E isso, na verdade está sendo bom. Agora vou descobrir, a sério, e com confiança.
Agora, eu quero falar com as pessoas que realmente gostam de mim. Quero pegar o número e ligar, quero sair para passear, quando houver tempo, quero tê-las no meu Whats, mas sem grilo, apenas as pessoas que importam, e que se importam.
Agora, quando estiver com quem eu amo, estarei apenas com ele. Não me importa que as pessoas ao meu redor usem o celular, desde que não deixem de estar comigo, presente naquele momento.
Sei que talvez as visitas no meu blog irão diminuir, mas neste momento, nao importa mais a quantidade. Eu quero apenas ler com minha cabeça, ter minha própria opinião, pensar bem antes de 'reagir', eu quero viver!
PS. Tive muitas coisas boas por lá, outra hora conto... Duas das minhas melhores amigas conheci no Face, então nem tudo está perdido... e esse é apenas um texto... até a próxima...<3 p="">
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Explico. Na minha vida, as coisas vão acontencendo, meio bagunçadas, vou deixando-as ali, elas se ajeitam, mas tem uma hora que chega! Preciso zerar a vida, começar de novo ou dar um tempo... Ou nada disso. Conforme...
O Facebook foi já motivo de brigas no meu primeiro casamento e foi alvo também no meu namoro... Claro, será mais fácil culpar a rede social do que as minhas atitudes, porém o Face não é de todo inocente. Nos últimos tempos andava me sentindo angustiada, pois além de trabalhar com redes sociais, ainda tinha que manter minhas redes quando saía do trabalho. Eu estava vivendo a virtualidade, estava reativa a tudo, ausente das minhas vontades profundas, apenas na superfície do sim ou não (curtir, compartilhar, reagir).
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| Dessa energia passo longe.... |
Depois que comprei meu smartphone, minha atenção caiu drasticamente. Meu nível de leitura baixou quase a zero. E olha que mesmo assim consegui ler alguns livros, apenas porque amo ler. Quando me mudei para minha casinha, decidi ler mais, oficialmente, devorar os livros. Deu certo. Porém, quando baixa a bad, a leitura passa longe... começo a divagar nas redes, só ver a vida perfeita das pessoas, as fotos bem batidas, as comidas maravilhosas, as briguinhas tolas que não levam a nada, a problematização tosca, que é quase uma característica desse tipo de rede.... isso encheu o saco. Não aguento mais! Para tudo é um piti....
A última foi gente problematizando os temperos da comida vegana. Sério meu, parece que essa galera não transa, não tem espírito alegre, descontraído. Não tem. Pois na rede, é impossível não reagir. É quase falta de educação.
O Facebook é um lugar onde você apenas fala. Não é necessário escutar, não precisa entender o outro, não precisa nem haver outro. É apenas aquela massa amorfa que aprova ou desaprova o que você posta. Não é necessário entender profundamente, as coisas passam por você. E nessa onda, as pessoas começam a achar que tudo é assim, e começam a tratar a si mesmas e aos outros como coisas, como postagens, como objetos que só valem durante certo instante.
Depois que comecei a fazer selfies, foi talvez a primeira vez que comecei a questionar negativamente meu rosto, a achar defeitos, a comparar com sei lá o quê.
Essa busca de aceitação não existe apenas por que existe a Internet. Ela existe, está latente. Mas isso não significa que eu tenho que alimentar essa nocividade. Não tenho que alimentar posts de pessoas que nem conheço, não tenho que provar nada para ninguém, eu agora, quero apenas ser eu.
Não sei direito, não sei mais o que sou. E isso, na verdade está sendo bom. Agora vou descobrir, a sério, e com confiança.
Agora, eu quero falar com as pessoas que realmente gostam de mim. Quero pegar o número e ligar, quero sair para passear, quando houver tempo, quero tê-las no meu Whats, mas sem grilo, apenas as pessoas que importam, e que se importam.
Agora, quando estiver com quem eu amo, estarei apenas com ele. Não me importa que as pessoas ao meu redor usem o celular, desde que não deixem de estar comigo, presente naquele momento.
Sei que talvez as visitas no meu blog irão diminuir, mas neste momento, nao importa mais a quantidade. Eu quero apenas ler com minha cabeça, ter minha própria opinião, pensar bem antes de 'reagir', eu quero viver!
PS. Tive muitas coisas boas por lá, outra hora conto... Duas das minhas melhores amigas conheci no Face, então nem tudo está perdido... e esse é apenas um texto... até a próxima...<3 p="">
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Ansiedade e sentimento de urgência - tentando voltar a ser viva
Como seria bom viver sem depender das reações alheias, ser dona de mim mesma.
Nos últimos dias, estou reconhecendo o quanto é difícil e o quanto fiz as mesmas coisas minha vida inteira.
Eu me apeguei a um conceito aprendido na minha adolescência, eu me liguei às sombras, pois a morte era mais confortável do que a vida que eu levava. Eu entrei no período romântico, na idade das trevas da minha mente, eu fiz o que achei poético, o que salvava minha alma dos dias reais.
Me apeguei a isso, sem nunca mudar, sem nunca pensar de outro modo.
2017, ano de profundas mudanças na minha vida.
Os estímulos são muitos, aquela necessidade de ter uma resposta, de ter uma opinião, de ser/estar sempre presente, o modo de ser rede-social... a espera de respostas rápidas, o pedido de amizade, o controle sobre tudo, até tudo se perder...
Eu me perdi. Me envolvi tanto na vida de quem eu amo, mas eu me perdi. E amar apenas, sem ter um centro em si mesma, é triste, pois não estou mais em mim.
Quando fiz terapia, naqueles anos lá, anteriores a estas coisas, aprendi a reconhecer quando começam os ciclos de vai e vem na minha vida, a desesperança, a tristeza, depois os dias alegres e a sensação de que nada é para sempre... Aproveitar os dias bons e ignorar os dias ruins. Mas às vezes, nem isso, tem dias que nada funciona. Estes dias, por exemplo....
Ontem eu tive febre, uma febre que é um sintoma... de quem se perdeu já a muito. Eu apenas queria ter quem amo ao meu lado. E ele veio, desceu do carro, subiu comigo... e quando eu estava na cama, meio ruim, com aquele frio, observava seu jeito de me olhar... eu pensava: talvez esteja preocupado comigo, talvez esteja me achando uma chata...eu estava ali, frágil como nunca estive.
Ontem eu precisava dos meus amigos. E três amigas me ajudaram. Uma veio ficar comigo até ele chegar. Outra irá me ajudar hoje: eu sei que ela vai me curar das feridas, pois é minha melhor amiga, como uma irmã. A outra me ajudou com palavras, conversamos todos os dias.
Não era nada grave, mas nesse momento precisava de alguém.
A vida estava entre meus dedos, um fio de nada que eu insistia em carregar e manter, com a ideia em mente de que sempre vou me recuperar, não importa o que aconteça. Eu digo que quero morrer, e tem vezes que eu quis, mas a vida em mim está funcionando, na vontade de mudar, de ser melhor, de querer estar com quem amo e admiro.
Escolhi a vida, é o que estou a fazer.
Nos últimos dias, estou reconhecendo o quanto é difícil e o quanto fiz as mesmas coisas minha vida inteira.
Eu me apeguei a um conceito aprendido na minha adolescência, eu me liguei às sombras, pois a morte era mais confortável do que a vida que eu levava. Eu entrei no período romântico, na idade das trevas da minha mente, eu fiz o que achei poético, o que salvava minha alma dos dias reais.
Me apeguei a isso, sem nunca mudar, sem nunca pensar de outro modo.
2017, ano de profundas mudanças na minha vida.
Os estímulos são muitos, aquela necessidade de ter uma resposta, de ter uma opinião, de ser/estar sempre presente, o modo de ser rede-social... a espera de respostas rápidas, o pedido de amizade, o controle sobre tudo, até tudo se perder...
Eu me perdi. Me envolvi tanto na vida de quem eu amo, mas eu me perdi. E amar apenas, sem ter um centro em si mesma, é triste, pois não estou mais em mim.
Quando fiz terapia, naqueles anos lá, anteriores a estas coisas, aprendi a reconhecer quando começam os ciclos de vai e vem na minha vida, a desesperança, a tristeza, depois os dias alegres e a sensação de que nada é para sempre... Aproveitar os dias bons e ignorar os dias ruins. Mas às vezes, nem isso, tem dias que nada funciona. Estes dias, por exemplo....
Ontem eu tive febre, uma febre que é um sintoma... de quem se perdeu já a muito. Eu apenas queria ter quem amo ao meu lado. E ele veio, desceu do carro, subiu comigo... e quando eu estava na cama, meio ruim, com aquele frio, observava seu jeito de me olhar... eu pensava: talvez esteja preocupado comigo, talvez esteja me achando uma chata...eu estava ali, frágil como nunca estive.
Ontem eu precisava dos meus amigos. E três amigas me ajudaram. Uma veio ficar comigo até ele chegar. Outra irá me ajudar hoje: eu sei que ela vai me curar das feridas, pois é minha melhor amiga, como uma irmã. A outra me ajudou com palavras, conversamos todos os dias.
Não era nada grave, mas nesse momento precisava de alguém.
A vida estava entre meus dedos, um fio de nada que eu insistia em carregar e manter, com a ideia em mente de que sempre vou me recuperar, não importa o que aconteça. Eu digo que quero morrer, e tem vezes que eu quis, mas a vida em mim está funcionando, na vontade de mudar, de ser melhor, de querer estar com quem amo e admiro.
Escolhi a vida, é o que estou a fazer.
sábado, 20 de maio de 2017
Por que preciso dizer que sou magra e tenho cabelo liso – e me gosto assim:
Eu nasci naturalmente magra e com o cabelo liso.
Quando era criança, tinha aquele cabelo de tigelinha, como as crianças orientais. Nenhum enfeite parava na cabeça, escorria pelos meus fios de cabelos.
E, para o espanto de muita gente, que não se coloca no lugar do outro, sim, sofri muito por ser assim.
Eu queria ter o cabelo encaracolado, e não queria ser magra. Não achava bonito, pois eu era assim e via que outras meninas eram diferentes. Queria ser como uma colega que tinha corpão e cabelão todo crespo. E entrei na adolescência usando roupas largas pois tinha vergonha do meu corpo.
Esses dias revi uma foto antiga onde eu usava um camisetão e pensei: ‘que pena, eu escondia meu corpo. Se eu soubesse o que sei hoje sobre ele, jamais esconderia’.
Esses dias revi uma foto antiga onde eu usava um camisetão e pensei: ‘que pena, eu escondia meu corpo. Se eu soubesse o que sei hoje sobre ele, jamais esconderia’.
Foi com algum custo e também através dos elogios que recebi de quem gostava de mim, que fui desencanando do meu corpo e aceitando: sou assim e não tem nada de mais. Eu comecei a pensar que, se alguém gostava de mim mesmo com as pernas finas, com meus defeitos também, talvez não fosse tão ruim assim ser magra.
Foi o amor, o elogio, o afeto e sobretudo a amizade, que me fizeram mudar minha opinião sobre mim mesma.
E o que acontece agora com o feminismo de Facebook? Parece que é preciso desmerecer os atributos físicos de outras mulheres para fortalecer certos estereótipos que são alvo de preconceito.
Sinceramente, não vou aceitar isso. Não preciso desmerecer ninguém. Quem é magra, porque nasceu magra, portanto tem vantagens em nossa sociedade de consumo e objetificação, não necessariamente tem a culpa por isso. Quem é magra por que quer ser, por que malha e tem corpão de modelo, faz isso por diversas razões, suas razões, e não temos o direito de desmotivá-la.
Afinal, estamos em 2017 e mulher faz o que quer, meu bem. E portanto, você pode continuar fazendo esse tipo de campanha depreciativa, sim. Mas o que ganha com isso é nada. Não conquistamos nada, retrocedemos todos juntos. Para ser feminista, temos que admirar as mulheres. Nós temos muitos defeitos que mais são na esfera do comportamento, precisamos falar sobre eles também, mas sem ofender ninguém.
Ainda somos vítimas do auto desprezo: o desprezo a si mesma e o desprezo ao próprio gênero.
As outras mulheres diferentes de nós, todas elas são seres humanos. Se queremos nos autoafirmar, que seja através da beleza que vemos em nós e nas outras mulheres. Para mostrar algo bonito, não precisamos exemplificar mostrando o que consideramos ‘feio’ até por que gosto é gosto, afinal.
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| Aprenda: podemos nos amar sem deixar de admirar as outras... |
Eu não me relaciono com determinados tipos de caras. Não faço isso porque não quero. O meu não querer é tão forte como meu querer. Se não quero algo, simplesmente é não. Ninguém vai decidir sobre o tipo de homem (ou mulher) que irá atrair o meu desejo, em outras palavras eu faço o que eu quiser!
É triste ver feministas escrevendo sobre o cabelo liso das outras mulheres, como se fosse algo ruim, apenas com o objetivo de elevar o que parece ser (pois não tenho certeza se é) o contrário de liso – o crespo.
Vejo como insegurança pura, mulheres desprezarem as magras apenas para poder elevar o orgulho de ser gorda. Já escrevi sobre isso aqui no blog e considero que quem faz isso de maneira ostensiva nas redes sociais, é uma pessoa insegura, que precisa se comparar com as outras.
Devemos elogiar as mulheres, quando vemos algo bonito nelas e não inferiorizar se, por acaso, não achamos ela bonita.
Se você tem orgulho de ser o que é, fale isso e principalmente seja o que fala, mas sem inferiorizar os outros.
Se você tem orgulho de ser o que é, fale isso e principalmente seja o que fala, mas sem inferiorizar os outros.
Pois ao inferiozar as mulheres diferentes, apenas estamos repetindo o padrão que queremos combater.
Não é legal trocar um padrão de beleza por outro, isso é apenas repetir o que faz o patriarcado.
A riqueza consiste em que tudo seja ou não padrão, conforme a vontade ou momento de cada um.
A riqueza consiste em que tudo seja ou não padrão, conforme a vontade ou momento de cada um.
sábado, 15 de abril de 2017
estar sozinha x ser sozinha
Nestes últimos meses, em que enfrentei pela primeira vez a solidão da minha própria casa, mergulhei em uma faculdade nova, na verdade sobre uma vocação que eu sempre tive, eu percebi que nada é fácil e eu estou sozinha.
Por minhas próprias escolhas e também pelas escolhas do momento em que vivemos (no país), estou sem dinheiro, e isso também torna mais difícil até a convivência com outras pessoas.
Sabe aquela coisa: você precisa se arrumar para ser atraente aos demais, ir a restaurantes, bares, etc... e no momento não é possível.
Antes de me separar, eu imaginava que ao tomar essa decisão, enfrentaria muito machismo, mas eu achava que estava preparada para isso. Porém não. Nunca estamos preparadas para as atitudes machistas das outras mulheres, nunca estamos preparadas para ver as amizades se distanciando, as fofocas, não há como se preparar para isso.
Achei que a solidão que eu sinto fosse culpa do meu relacionamento amoroso recente, achei também que fosse culpa dos meus amigos (sim, a maioria some nos momentos de dificuldade ou sequer estão presentes na minha vida). Eu tenho uma amiga para conversar todos os dias, acho que mais ela me ouve do que o contrário...
Achei também que tudo fosse culpa das redes sociais, afinal é por causa delas que rolam as brigas, os ciúmes e as inseguranças. Sabe o que é você buscar o nome de alguém, e ver que a pessoa ou te bloqueou, ou recusa teu convite de amizade? Isso pode ser algo idiota ou sentimental para quem tem amigos de verdade, de anos, que é só chamar e eles estão ali para qualquer parada, mas para mim dói.
Também cansei de ver gente falando apenas de si mesmas, de como se amam, de como sua vida é tranquila e feliz. Eu sei, deve ser verdade, pois já fiz exatamente a mesma coisa. E hoje, me sinto horrível pois não tenho nada para mostrar.
Eu não tenho um ativismo para mostrar, pois praticamente fui forçada a sair dele.
Família é uma palavra que quando escrevo ou pronuncio me dá vontade de chorar. Pois sinto falta dos meus pais, e o que restou me deixa tão triste a ponto de querer sair dessa vida, acabar com 'tudo'.
Eu não tenho muita coisa a dizer sobre minha vida pessoal, sem me expor de forma que não me sentiria bem nem faria outras pessoas felizes.
Eu poderia dizer algo sobre meu recomeço de vida acadêmica, minha segunda faculdade e esta sim me causa mais orgulho do que a primeira, sobre como tudo o que os professores falam me toca profundamente, pois dizem respeito ao meu sonho, à minha vocação. Quase todos os livros que eles citam eu já li, ou pelo menos conheço e pretendo ler. Apenas as aulas de Espanhol me surpreendem, pois realmente estou FALANDO o idioma que escolhi, que conheço, mas que a vergonha me impedia de proferir em voz alta.
Mas não sei se isso é algo a ser dito. Ando pensando muito antes de publicar coisas minhas.
Um dos motivos é que não sei se elas importam tanto assim. Outro dos motivos é que realmente me sinto sozinha. Mais do que antes, mais do que nunca.
Não acho triste chegar na minha casa e perceber que moro só. O estranho é saber que tão poucas pessoas a visitam, e que nas próximas semanas ou quem sabe meses, não virá ninguém aqui.
E, como cansa ir atrás, como cansa só você ligar, só você querer saber, eu faço isso muitas vezes não só pelo sentimento que nutri pela pessoa, mas para não ter a consciência pesada, quando de fato chegar o dia em que não terei mais contato com aquela pessoa, nunca mais. Penso que pelo menos a minha parte eu fiz. Disse o que precisava ser dito, falei que sentia saudade. Pois prometi a mim mesma sempre dizer ao outro o que sinto e fazer de tudo para manter esse sentimento.
Para quem não conhece esse dia, o Nunca Mais existe, e a partir desse instante, não há mais o que dizer, nem ninguém lá (ou aqui) para ouvir.
É estranha e um pouco triste, minha nova cama de casal, eu durmo sozinha nela e a pessoa que estava ao meu lado, no dia que as coisas chegaram, não está mais.
Sabe, sempre dormi em cama de solteiro e a única vez que dormi nesse tipo de cama foi quando casei. Então, mesmo que eu tenha escolhido morar sozinha e essa minha escolha é para sempre, ainda sinto que uma cama muito grande é grande demais para mim.
Então, sobre o que escreverei? Elegi este assunto, que é melancólico e ninguém quer falar. Esse tema que é o que vivo diariamente. Estou sozinha, me sinto assim, e sei que isso aconteceu por escolhas que fiz, não culpo mais nada ou ninguém, mas sinceramente, o passado não me interessa mais.
Não sinto a menor saudade, acho que é mesmo por isso que me sinto só, antes ao menos eu cultivava lembranças, agora sequer me animo a buscá-las. Estão tão longe de mim, tão equivocadas na névoa da memória, que nem mesmo considero-as verdadeiras.
Mais são contos, mais são a minha versão de tudo o que me aconteceu.
Então, o que ando fazendo é esperar o nascer da lua, todos os dias, lá pelas 19:30 ou 20:00, faço um chimarrão e fico na janela esperando aquele espetáculo nascer. Ela está amarelada e gigante, e nasce atrás das árvores do cemitério, foi por isso que escolhi esta casa. Foi o prazer gótico de morar perto dos mortos que influenciou minha decisão.
Depois pego alguns livros, mais tarde, deito na cama, que é alta e dali fico observando minha janela e a vista linda que há nela.
Existem árvores que estão perdendo todas as suas flores. E tenho acompanhado desde o comecinho, o perfume das flores e agora a secura dos ramos nus.
Tenho alguns vizinhos que ficam nas sacadas ou janelas dos prédios em frente.
E enquanto observo meus vizinhos, a natureza, ou a mim mesma, fico pensando que nunca em minha vida me senti assim: completamente sozinha. Nunca aconteceu, eu sempre tinha alguém. Primeiro meus pais, depois amigos de colégio, amigos de faculdade, alguns namorados, depois marido e amigos de marido que hoje nem falam comigo, depois colegas de apto e até mesmo meu celular, agora deligo-o às vezes, não tenho usado o facebook como antes e acontece que quando vc some, ninguém se importa mais.
Agora é apenas eu e minha casa.
O mais incrível é que eu sabia que isso ia acontecer. E, embora tem dias que fico completamente mal, como ontem, hoje talvez, algumas vezes penso que isso é necessário e que assim mesmo eu percebo como é o mundo para comigo, e como eu sou para o mundo. Percebo que o que acontece comigo não é regra, tampouco é exceção, simplesmente acontece com algumas pessoas.
Daqui a alguns dias espero escrever novamente, para dizer que tudo isso passou, que não era bem assim, que é apenas uma percepção da realidade que eu tenho.
Mas não quero me culpar por tudo, cansei disso também!
Por minhas próprias escolhas e também pelas escolhas do momento em que vivemos (no país), estou sem dinheiro, e isso também torna mais difícil até a convivência com outras pessoas.
Sabe aquela coisa: você precisa se arrumar para ser atraente aos demais, ir a restaurantes, bares, etc... e no momento não é possível.
Antes de me separar, eu imaginava que ao tomar essa decisão, enfrentaria muito machismo, mas eu achava que estava preparada para isso. Porém não. Nunca estamos preparadas para as atitudes machistas das outras mulheres, nunca estamos preparadas para ver as amizades se distanciando, as fofocas, não há como se preparar para isso.
Achei que a solidão que eu sinto fosse culpa do meu relacionamento amoroso recente, achei também que fosse culpa dos meus amigos (sim, a maioria some nos momentos de dificuldade ou sequer estão presentes na minha vida). Eu tenho uma amiga para conversar todos os dias, acho que mais ela me ouve do que o contrário...
Achei também que tudo fosse culpa das redes sociais, afinal é por causa delas que rolam as brigas, os ciúmes e as inseguranças. Sabe o que é você buscar o nome de alguém, e ver que a pessoa ou te bloqueou, ou recusa teu convite de amizade? Isso pode ser algo idiota ou sentimental para quem tem amigos de verdade, de anos, que é só chamar e eles estão ali para qualquer parada, mas para mim dói.
Também cansei de ver gente falando apenas de si mesmas, de como se amam, de como sua vida é tranquila e feliz. Eu sei, deve ser verdade, pois já fiz exatamente a mesma coisa. E hoje, me sinto horrível pois não tenho nada para mostrar.
Eu não tenho um ativismo para mostrar, pois praticamente fui forçada a sair dele.
Família é uma palavra que quando escrevo ou pronuncio me dá vontade de chorar. Pois sinto falta dos meus pais, e o que restou me deixa tão triste a ponto de querer sair dessa vida, acabar com 'tudo'.
Eu não tenho muita coisa a dizer sobre minha vida pessoal, sem me expor de forma que não me sentiria bem nem faria outras pessoas felizes.
Eu poderia dizer algo sobre meu recomeço de vida acadêmica, minha segunda faculdade e esta sim me causa mais orgulho do que a primeira, sobre como tudo o que os professores falam me toca profundamente, pois dizem respeito ao meu sonho, à minha vocação. Quase todos os livros que eles citam eu já li, ou pelo menos conheço e pretendo ler. Apenas as aulas de Espanhol me surpreendem, pois realmente estou FALANDO o idioma que escolhi, que conheço, mas que a vergonha me impedia de proferir em voz alta.
Mas não sei se isso é algo a ser dito. Ando pensando muito antes de publicar coisas minhas.
Um dos motivos é que não sei se elas importam tanto assim. Outro dos motivos é que realmente me sinto sozinha. Mais do que antes, mais do que nunca.
Não acho triste chegar na minha casa e perceber que moro só. O estranho é saber que tão poucas pessoas a visitam, e que nas próximas semanas ou quem sabe meses, não virá ninguém aqui.
E, como cansa ir atrás, como cansa só você ligar, só você querer saber, eu faço isso muitas vezes não só pelo sentimento que nutri pela pessoa, mas para não ter a consciência pesada, quando de fato chegar o dia em que não terei mais contato com aquela pessoa, nunca mais. Penso que pelo menos a minha parte eu fiz. Disse o que precisava ser dito, falei que sentia saudade. Pois prometi a mim mesma sempre dizer ao outro o que sinto e fazer de tudo para manter esse sentimento.
Para quem não conhece esse dia, o Nunca Mais existe, e a partir desse instante, não há mais o que dizer, nem ninguém lá (ou aqui) para ouvir.
É estranha e um pouco triste, minha nova cama de casal, eu durmo sozinha nela e a pessoa que estava ao meu lado, no dia que as coisas chegaram, não está mais.
Sabe, sempre dormi em cama de solteiro e a única vez que dormi nesse tipo de cama foi quando casei. Então, mesmo que eu tenha escolhido morar sozinha e essa minha escolha é para sempre, ainda sinto que uma cama muito grande é grande demais para mim.
Então, sobre o que escreverei? Elegi este assunto, que é melancólico e ninguém quer falar. Esse tema que é o que vivo diariamente. Estou sozinha, me sinto assim, e sei que isso aconteceu por escolhas que fiz, não culpo mais nada ou ninguém, mas sinceramente, o passado não me interessa mais.
Não sinto a menor saudade, acho que é mesmo por isso que me sinto só, antes ao menos eu cultivava lembranças, agora sequer me animo a buscá-las. Estão tão longe de mim, tão equivocadas na névoa da memória, que nem mesmo considero-as verdadeiras.
Mais são contos, mais são a minha versão de tudo o que me aconteceu.
Então, o que ando fazendo é esperar o nascer da lua, todos os dias, lá pelas 19:30 ou 20:00, faço um chimarrão e fico na janela esperando aquele espetáculo nascer. Ela está amarelada e gigante, e nasce atrás das árvores do cemitério, foi por isso que escolhi esta casa. Foi o prazer gótico de morar perto dos mortos que influenciou minha decisão.
Depois pego alguns livros, mais tarde, deito na cama, que é alta e dali fico observando minha janela e a vista linda que há nela.
Existem árvores que estão perdendo todas as suas flores. E tenho acompanhado desde o comecinho, o perfume das flores e agora a secura dos ramos nus.
Tenho alguns vizinhos que ficam nas sacadas ou janelas dos prédios em frente.
E enquanto observo meus vizinhos, a natureza, ou a mim mesma, fico pensando que nunca em minha vida me senti assim: completamente sozinha. Nunca aconteceu, eu sempre tinha alguém. Primeiro meus pais, depois amigos de colégio, amigos de faculdade, alguns namorados, depois marido e amigos de marido que hoje nem falam comigo, depois colegas de apto e até mesmo meu celular, agora deligo-o às vezes, não tenho usado o facebook como antes e acontece que quando vc some, ninguém se importa mais.
Agora é apenas eu e minha casa.
O mais incrível é que eu sabia que isso ia acontecer. E, embora tem dias que fico completamente mal, como ontem, hoje talvez, algumas vezes penso que isso é necessário e que assim mesmo eu percebo como é o mundo para comigo, e como eu sou para o mundo. Percebo que o que acontece comigo não é regra, tampouco é exceção, simplesmente acontece com algumas pessoas.
Daqui a alguns dias espero escrever novamente, para dizer que tudo isso passou, que não era bem assim, que é apenas uma percepção da realidade que eu tenho.
Mas não quero me culpar por tudo, cansei disso também!
sugestões
amigo é casa,
amigos,
amizade,
amor,
casa,
cemitério,
Ellen Augusta,
Ellen Augusta Valer de Freitas,
estar só,
gótica,
morar perto do cemitério,
morar sozinha,
solidão,
sozinha
sábado, 18 de março de 2017
Por que você ainda usa produtos testados em animais?
DESOBEDIÊNCIA VEGANA - ELLEN AUGUSTA VALER DE FREITAS
Por que você ainda usa produtos testados em animais?
Artigo publicado na ANDA - Agência de notícias de direitos animais
na minha coluna Desobediência Vegana
Os efeitos da publicidade sobre nossas escolhas são perceptíveis, mas nem sempre são óbvios. Não é somente no ato da aquisição que estamos sucumbindo à influência da mídia, mas muitas vezes junto com o produto compramos ideias, atitudes e não raro há quem defenda-as como parte de sua própria identidade.
No mercado existem o que é chamada de marcas líderes, que geralmente investem em propaganda pesada, tentando transmitir uma ideia de que aquele produto é o melhor de todos, já que está no topo das vendas e das marcas mais pensadas pela população.
O vegano não é um consumidor comum, que come o que sua família lhe impõe pois aprendeu que aquilo era o padrão e segue repetindo o que pai e mãe ensinaram nos primeiros anos de idade até a velhice, sem nunca refletir.
O vegano escolhe o que irá comer, o que irá vestir e até mesmo como irá se expressar, com consciência e atitude política.
Não só é um consumidor ativo do mercado formal, como também cria sua própria alimentação e produtos, inventa pratos novos, adapta receitas velhas ao olhar novo.
Ao tornar-se vegana, uma pessoa começa a tarefa de fazer a leitura de rótulos dos produtos que irá consumir.
No começo, tarefa árdua, depois até divertida.
É preciso ler os conteúdos/ingredientes dos produtos para saber se há elementos de origem animal como carnes, ovos, leite, seda, extrato de pérola etc. E também saber se aquela empresa realiza testes em animais.
As listas de empresas que realizam testes em animais são muito fluidas, mudam constantemente. Devido a contratos, muitas empresas unem-se a outras que testam, unindo capital e potencial.
O boicote é uma das armas do ativista vegano. Não podemos nos deixar levar por impulsos consumistas de pegar a marca mais famosa, mais fácil na prateleira. Marcas essas que muitas vezes são romantizadas pelos próprios ativistas como fundamentais. Difícil entender porquê uma pessoa precisa pagar pau para um determinado produto, se não receberá nada por isso.
E as discussões em defesa de marcas que testam em animais e ainda contém elementos de origem animal beiram o ridículo. As pessoas defendem abertamente nas redes sociais produtos fúteis como bolachinha recheada, coisas absolutamente desnecessárias e com muitas opções na concorrência que não realizam testes e possuem ingredientes veganos. Aparentemente é impossível entender o porquê de tamanha ignorância, mas pensando mais profundamente, percebe-se a grande influência da propaganda na mente de pessoas manipuláveis e sem senso crítico.
Quando você ouvir aquele otário que repete sem parar “I love bacon” para provocar os veganos, não fique com raiva. Ele é apenas um idiota manipulado por algo que aconteceu há décadas atrás, mas como é um imbecil, jamais irá na origem para saber por que ele precisa tanto se auto afirmar através de uma provocação meio retardada, uma frase clichê.
A Revista Galileu publicou estes tempos uma matéria muito interessante intitulada: ‘A “moda do bacon” foi orquestrada pela indústria de carne de porco nos EUA’
Foram as grandes indústrias que fizeram as famílias acreditarem que era saudável comer ovos e bacon no café da manhã. Até hoje há matérias no Google, falsas, sobre a dieta do bacon para emagrecer.
Edward Bernays, sobrinho de Freud, é conhecido como o pai das Relações Públicas e Publicidade/Propaganda modernas e ajudou a inculcar na cabeça das pessoas, que este ‘alimento’ era necessário.
Nos últimos dez anos, a propaganda massificada a favor do bacon fez as pessoas acreditarem que esse é um alimento indispensável na alimentação.
E não é. Carne de animais são completamente desnecessárias e não apenas em termos de saúde ou sabor. A maior razão para não comer animais é que eles são indivíduos que possuem dignidade. Eles não são objetos.
Mas e quando o sujeito é “vegano” e mesmo assim insiste em usar produtos testados em animais? Como entender esse paradoxo? Os testes realizados em animais são tão cruéis, exploratórios e degradantes quanto a morte e exploração de animais para consumo. As cobaias são mantidas de formas inimagináveis (há ampla literatura e fotos sobre o assunto), sendo usadas como objetos de pesquisa, de testes de produtos dos mais variados tipos, para depois serem descartadas e mortas, assim como o animal que vai para o abatedouro. Então, o que há de vegano em parar de consumir animais mas seguir usando produtos testados? Não há nada.
Está na hora de ter um pouco mais de senso crítico antes de comprar produtos testados. Procure saber como são os testes. A maior parte dos veganos deve saber, suponho. Portanto, relembre. E reassuma o compromisso com os animais. São testes doloridos, cruéis, e mesmo os que porventura não o são, exploram a vida, a dignidade do animal, que não pediu para estar ali, à disposição dessa praga, chamada humanidade.
fontes
Livro Propaganda, de Edward Bernays
http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2014/10/moda-do-bacon-foi-orquestrada-pela-industria-de-carne-de-porco-nos-eua.html
http://www.viajonarios.com.br/como-ovos-e-bacon-se-tornaram-o-cafe-da-manha-americano/
Por que você ainda usa produtos testados em animais?
Artigo publicado na ANDA - Agência de notícias de direitos animais
na minha coluna Desobediência Vegana
Os efeitos da publicidade sobre nossas escolhas são perceptíveis, mas nem sempre são óbvios. Não é somente no ato da aquisição que estamos sucumbindo à influência da mídia, mas muitas vezes junto com o produto compramos ideias, atitudes e não raro há quem defenda-as como parte de sua própria identidade.
No mercado existem o que é chamada de marcas líderes, que geralmente investem em propaganda pesada, tentando transmitir uma ideia de que aquele produto é o melhor de todos, já que está no topo das vendas e das marcas mais pensadas pela população.
O vegano não é um consumidor comum, que come o que sua família lhe impõe pois aprendeu que aquilo era o padrão e segue repetindo o que pai e mãe ensinaram nos primeiros anos de idade até a velhice, sem nunca refletir.
O vegano escolhe o que irá comer, o que irá vestir e até mesmo como irá se expressar, com consciência e atitude política.
Não só é um consumidor ativo do mercado formal, como também cria sua própria alimentação e produtos, inventa pratos novos, adapta receitas velhas ao olhar novo.
Ao tornar-se vegana, uma pessoa começa a tarefa de fazer a leitura de rótulos dos produtos que irá consumir.
No começo, tarefa árdua, depois até divertida.
É preciso ler os conteúdos/ingredientes dos produtos para saber se há elementos de origem animal como carnes, ovos, leite, seda, extrato de pérola etc. E também saber se aquela empresa realiza testes em animais.
As listas de empresas que realizam testes em animais são muito fluidas, mudam constantemente. Devido a contratos, muitas empresas unem-se a outras que testam, unindo capital e potencial.
O boicote é uma das armas do ativista vegano. Não podemos nos deixar levar por impulsos consumistas de pegar a marca mais famosa, mais fácil na prateleira. Marcas essas que muitas vezes são romantizadas pelos próprios ativistas como fundamentais. Difícil entender porquê uma pessoa precisa pagar pau para um determinado produto, se não receberá nada por isso.
E as discussões em defesa de marcas que testam em animais e ainda contém elementos de origem animal beiram o ridículo. As pessoas defendem abertamente nas redes sociais produtos fúteis como bolachinha recheada, coisas absolutamente desnecessárias e com muitas opções na concorrência que não realizam testes e possuem ingredientes veganos. Aparentemente é impossível entender o porquê de tamanha ignorância, mas pensando mais profundamente, percebe-se a grande influência da propaganda na mente de pessoas manipuláveis e sem senso crítico.
Quando você ouvir aquele otário que repete sem parar “I love bacon” para provocar os veganos, não fique com raiva. Ele é apenas um idiota manipulado por algo que aconteceu há décadas atrás, mas como é um imbecil, jamais irá na origem para saber por que ele precisa tanto se auto afirmar através de uma provocação meio retardada, uma frase clichê.
A Revista Galileu publicou estes tempos uma matéria muito interessante intitulada: ‘A “moda do bacon” foi orquestrada pela indústria de carne de porco nos EUA’
Foram as grandes indústrias que fizeram as famílias acreditarem que era saudável comer ovos e bacon no café da manhã. Até hoje há matérias no Google, falsas, sobre a dieta do bacon para emagrecer.
Edward Bernays, sobrinho de Freud, é conhecido como o pai das Relações Públicas e Publicidade/Propaganda modernas e ajudou a inculcar na cabeça das pessoas, que este ‘alimento’ era necessário.
Nos últimos dez anos, a propaganda massificada a favor do bacon fez as pessoas acreditarem que esse é um alimento indispensável na alimentação.
E não é. Carne de animais são completamente desnecessárias e não apenas em termos de saúde ou sabor. A maior razão para não comer animais é que eles são indivíduos que possuem dignidade. Eles não são objetos.
Mas e quando o sujeito é “vegano” e mesmo assim insiste em usar produtos testados em animais? Como entender esse paradoxo? Os testes realizados em animais são tão cruéis, exploratórios e degradantes quanto a morte e exploração de animais para consumo. As cobaias são mantidas de formas inimagináveis (há ampla literatura e fotos sobre o assunto), sendo usadas como objetos de pesquisa, de testes de produtos dos mais variados tipos, para depois serem descartadas e mortas, assim como o animal que vai para o abatedouro. Então, o que há de vegano em parar de consumir animais mas seguir usando produtos testados? Não há nada.
Está na hora de ter um pouco mais de senso crítico antes de comprar produtos testados. Procure saber como são os testes. A maior parte dos veganos deve saber, suponho. Portanto, relembre. E reassuma o compromisso com os animais. São testes doloridos, cruéis, e mesmo os que porventura não o são, exploram a vida, a dignidade do animal, que não pediu para estar ali, à disposição dessa praga, chamada humanidade.
fontes
Livro Propaganda, de Edward Bernays
http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2014/10/moda-do-bacon-foi-orquestrada-pela-industria-de-carne-de-porco-nos-eua.html
http://www.viajonarios.com.br/como-ovos-e-bacon-se-tornaram-o-cafe-da-manha-americano/
sexta-feira, 17 de março de 2017
Saudade, essa palavra
Existem basicamente três tipos de saudade, as que eu sinto.
Sentir saudade de alguém que veremos em breve é bom. O alvo do sentimento está em nosso alcance, e logo iremos acabar com a falta, abraçar, estar perto. A saudade sequer acaba, ela está presente, nunca parece ser suficiente o tempo de estar com quem se ama.
Aquele corpo amado, a presença, a voz. A alma até esquece que neste mundo tudo parece estar errado. Não, não mais está. A presença apaga todas as marcas, e forma outras....
Existe aquela saudade dos fantasmas vivos. Aqueles que jamais voltarão.
Somente se percebe em sonhos, já que a razão compressa em esquecimento toda forma de expressão da saudade de quem afastamos por precaução, ou foi embora por que quis ir.
A esses eu os guardo em um lugar, que é como um cemitério. Não levo-lhes flores, não os lembro. Apenas ficam lá em silêncio, como um lembrete do que foram, do que fizeram.
Não, eu não sou perdão. Eu guardo em mim todas as coisas e para o que importa tenho memória.
Existe a saudade eterna. A saudade da mãe, a saudade da casa em que se viveu, a saudade do pai.
Essa saudade dói até para escrever.
É a saudade que a morte nos provoca, esse sentimento que apenas crava uma faca no peito, todos os dias. E para este sentir não há cura, nunca mais os verei.
Nunca mais verei o sorriso da minha mãe, seu rosto triste, seu jeito que era tão eu. Hoje eu sei.
Nem adianta eu morrer, não sei para onde irei. Talvez fique exatamente aqui, no mais obscuro silêncio do não mais. E nunca mais a verei. Minha mãe era linda, meu pai, era meu pai.
Quando penso neles só sinto dor.
Sentir saudade de alguém que veremos em breve é bom. O alvo do sentimento está em nosso alcance, e logo iremos acabar com a falta, abraçar, estar perto. A saudade sequer acaba, ela está presente, nunca parece ser suficiente o tempo de estar com quem se ama.
Aquele corpo amado, a presença, a voz. A alma até esquece que neste mundo tudo parece estar errado. Não, não mais está. A presença apaga todas as marcas, e forma outras....
![]() |
| Fagner Canteiros |
Existe aquela saudade dos fantasmas vivos. Aqueles que jamais voltarão.
Somente se percebe em sonhos, já que a razão compressa em esquecimento toda forma de expressão da saudade de quem afastamos por precaução, ou foi embora por que quis ir.
A esses eu os guardo em um lugar, que é como um cemitério. Não levo-lhes flores, não os lembro. Apenas ficam lá em silêncio, como um lembrete do que foram, do que fizeram.
Não, eu não sou perdão. Eu guardo em mim todas as coisas e para o que importa tenho memória.
Existe a saudade eterna. A saudade da mãe, a saudade da casa em que se viveu, a saudade do pai.
Essa saudade dói até para escrever.
É a saudade que a morte nos provoca, esse sentimento que apenas crava uma faca no peito, todos os dias. E para este sentir não há cura, nunca mais os verei.
Nunca mais verei o sorriso da minha mãe, seu rosto triste, seu jeito que era tão eu. Hoje eu sei.
Nem adianta eu morrer, não sei para onde irei. Talvez fique exatamente aqui, no mais obscuro silêncio do não mais. E nunca mais a verei. Minha mãe era linda, meu pai, era meu pai.
Quando penso neles só sinto dor.
sugestões
alma,
amor,
Ellen Augusta,
Ellen Augusta Valer de Freitas,
Fagner - Canteiros,
féretro,
literatura,
mãe,
pai,
poesia,
saudade,
saudades eternas
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
A mulher pública* – como lidar com os obstáculos
Eu ando diariamente na rua. Caminho longamente por prazer e pelo meu trabalho.
O único obstáculo que enfrento todos os dias são os homens.
Sim. Todos os dias é um mar de caras, uns tarados, outros asquerosos, outros babando e aqueles que podem te agredir, seja num assalto ou coisa pior. E isso que não ando sozinha à noite, senão já viu.
Se vem dois juntos e de boné, atravesso a rua. É preconceito? Sim. Mas, eu sei bem os tipos de caras que enchem o saco, os que agridem, etc. E todos, mudam o padrão, mas pode crer, estão todos dentro de um. Aprenda, é muito difícil ter a mente flexível. Eu tenho e confio na minha capacidade de mudar. Mas até que me provem o contrário, para mim a maioria somente reproduz a forma de pensar e a violência que aprendeu com os pais (machistas) e no lugar onde vivem.
Quem é mulher e não sabe do que estou falando, entenda quem passa por isso. A maioria de nós vive todos os dias e é desagradável, além de perigoso. Quem é pobre e vive nas periferias, pode crer, é bem pior.
Tive uma péssima experiência com meu antigo Facebook. Velhos e meia idade add de forma insistente, mesmo que você negasse. Entrando no inbox, falando merdas apenas para se afirmarem como homem perante uma mulher mais jovem. É uma total falta de respeito, muitos tem mulher em casa e filha. São nojentos e ainda estão acompanhados. É mulheres, vocês têm muito o que aprender.
“Ah mas você provoca com suas roupas, com suas palavras”(ouvi isso de mulher, mas homem pensa assim também). SIM. Eu provoco. Sou provocante por natureza.
Desde criança eu chamo a atenção e hoje já sei lidar com isso. Até gosto. Eu lembro de ser ainda muito pequena e já haver comentários sobre minha beleza ou inteligência. E, pode crer, acredito e confio que é por aí.
Tenho personalidade, visto a roupa conforme o dia, conforme a vontade, mas não estou “disponível”, mesmo que estivesse sem namorado. O fato de você ter seu jeito, não significa que é para ser invadida com desrespeito.
Sempre fui muito olhada na rua. Isso para mim é natural. E gosto. Homem e mulher olham, variados são os motivos. Mas quando passa por mim esses nojentos, minha vontade é dar um murro na cara deles. Aposto que se apanhassem, aprenderiam a respeitar mulher.
Homem bonito passa por mim. Sim, muitos. E os mais lindos ainda me olham! Mas isso não significa que eu vou lá abrir minha boca e babar feito uma retardada, ou vou catar o cara no Face e dizer “Oi Lindo”, “Vc tem namorada?”
Não. Isso é coisa que uma pessoa íntegra mentalmente não faz. Mas muito homem faz isso com mulher. E depois ficam putinhos quando ‘viados’ dão em cima. Dói né safado?
NÃO dá para confiar em homem. Mas a gente confia, pois tem exceções. Mesmo assim, só acredito quando me provam o contrário da regra. E já me decepcionei até com quem já convivi por anos. Caráter é uma caixa de surpresa. Um dia você descobre que a pessoa que conviveu com você é um lixo. Deu pistas antes? Não. (às vezes sim, mas você ignorou). Então, liguem-se mulheres.
Amigas minhas, que moram sozinha, falam que não dá para chamar o gás, nem o encanador, sem viver com medo. Medo de ser agredida, enrolada, tratada como inferior, enfim.
“Ah mas vc não gosta de homem”. Sim, eu gosto e bastante. Mas sinceramente, gostaria de ser mais lésbica. Há homens legais, educados. Há exceções. Mas eu to falando do bastantão. Desse lixo que anda nas ruas, sempre procurando algo, como “animais”. Eles não se controlam porque não precisa. A sociedade acha tudo normal.
E esse bastantão é o que aborrece, o que deixa mulheres inseguras, provoca violência, esse é o alvo do feminismo.
Há muita gente assim. Você pode não concordar, talvez no seu bairro a coisa seja melhor. Mas há e é preocupante. Onde essas pessoas tiveram educação? Porque são tão animalescas?
Vivemos num lugar misógino. Ganhamos um governo misógino que não só vai ferrar com todos, mas especialmente com as mulheres. Por que isso é tão aceitável?
Mas a minha questão particular é essa: por que é tão aceitável que um homem seja assim?
Sim, pois eles chegam à idade adulta praticando todo tipo de grosseria e nunca foram parados por ninguém? Nem por mulheres, nem por outros homens? Porque essa escória continua e abundante?
E, se você chegou até aqui e montou a ideia em sua cabeça que eu detesto os homens, saiba: eu não desejo mal para ninguém, mas não suporto 99% da humanidade. E no fundo acredito que cretinice e escrotisse não tem idade, posição social, profissão, roupa, dinheiro, nem religião, e nem mesmo sexo.
*Se você pesquisar esse termo no Google só vai encontrar lixo e a definição machista do dicionário que é bem diferente do 'homem público'.
O único obstáculo que enfrento todos os dias são os homens.
Sim. Todos os dias é um mar de caras, uns tarados, outros asquerosos, outros babando e aqueles que podem te agredir, seja num assalto ou coisa pior. E isso que não ando sozinha à noite, senão já viu.
Se vem dois juntos e de boné, atravesso a rua. É preconceito? Sim. Mas, eu sei bem os tipos de caras que enchem o saco, os que agridem, etc. E todos, mudam o padrão, mas pode crer, estão todos dentro de um. Aprenda, é muito difícil ter a mente flexível. Eu tenho e confio na minha capacidade de mudar. Mas até que me provem o contrário, para mim a maioria somente reproduz a forma de pensar e a violência que aprendeu com os pais (machistas) e no lugar onde vivem.
Quem é mulher e não sabe do que estou falando, entenda quem passa por isso. A maioria de nós vive todos os dias e é desagradável, além de perigoso. Quem é pobre e vive nas periferias, pode crer, é bem pior.
Tive uma péssima experiência com meu antigo Facebook. Velhos e meia idade add de forma insistente, mesmo que você negasse. Entrando no inbox, falando merdas apenas para se afirmarem como homem perante uma mulher mais jovem. É uma total falta de respeito, muitos tem mulher em casa e filha. São nojentos e ainda estão acompanhados. É mulheres, vocês têm muito o que aprender.
“Ah mas você provoca com suas roupas, com suas palavras”(ouvi isso de mulher, mas homem pensa assim também). SIM. Eu provoco. Sou provocante por natureza.
Desde criança eu chamo a atenção e hoje já sei lidar com isso. Até gosto. Eu lembro de ser ainda muito pequena e já haver comentários sobre minha beleza ou inteligência. E, pode crer, acredito e confio que é por aí.
Tenho personalidade, visto a roupa conforme o dia, conforme a vontade, mas não estou “disponível”, mesmo que estivesse sem namorado. O fato de você ter seu jeito, não significa que é para ser invadida com desrespeito.
Sempre fui muito olhada na rua. Isso para mim é natural. E gosto. Homem e mulher olham, variados são os motivos. Mas quando passa por mim esses nojentos, minha vontade é dar um murro na cara deles. Aposto que se apanhassem, aprenderiam a respeitar mulher.
Homem bonito passa por mim. Sim, muitos. E os mais lindos ainda me olham! Mas isso não significa que eu vou lá abrir minha boca e babar feito uma retardada, ou vou catar o cara no Face e dizer “Oi Lindo”, “Vc tem namorada?”
Não. Isso é coisa que uma pessoa íntegra mentalmente não faz. Mas muito homem faz isso com mulher. E depois ficam putinhos quando ‘viados’ dão em cima. Dói né safado?
NÃO dá para confiar em homem. Mas a gente confia, pois tem exceções. Mesmo assim, só acredito quando me provam o contrário da regra. E já me decepcionei até com quem já convivi por anos. Caráter é uma caixa de surpresa. Um dia você descobre que a pessoa que conviveu com você é um lixo. Deu pistas antes? Não. (às vezes sim, mas você ignorou). Então, liguem-se mulheres.
Amigas minhas, que moram sozinha, falam que não dá para chamar o gás, nem o encanador, sem viver com medo. Medo de ser agredida, enrolada, tratada como inferior, enfim.
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| Como eu me sinto andando na rua, algumas vezes. |
“Ah mas vc não gosta de homem”. Sim, eu gosto e bastante. Mas sinceramente, gostaria de ser mais lésbica. Há homens legais, educados. Há exceções. Mas eu to falando do bastantão. Desse lixo que anda nas ruas, sempre procurando algo, como “animais”. Eles não se controlam porque não precisa. A sociedade acha tudo normal.
E esse bastantão é o que aborrece, o que deixa mulheres inseguras, provoca violência, esse é o alvo do feminismo.
Há muita gente assim. Você pode não concordar, talvez no seu bairro a coisa seja melhor. Mas há e é preocupante. Onde essas pessoas tiveram educação? Porque são tão animalescas?
Vivemos num lugar misógino. Ganhamos um governo misógino que não só vai ferrar com todos, mas especialmente com as mulheres. Por que isso é tão aceitável?
Mas a minha questão particular é essa: por que é tão aceitável que um homem seja assim?
Sim, pois eles chegam à idade adulta praticando todo tipo de grosseria e nunca foram parados por ninguém? Nem por mulheres, nem por outros homens? Porque essa escória continua e abundante?
E, se você chegou até aqui e montou a ideia em sua cabeça que eu detesto os homens, saiba: eu não desejo mal para ninguém, mas não suporto 99% da humanidade. E no fundo acredito que cretinice e escrotisse não tem idade, posição social, profissão, roupa, dinheiro, nem religião, e nem mesmo sexo.
*Se você pesquisar esse termo no Google só vai encontrar lixo e a definição machista do dicionário que é bem diferente do 'homem público'.
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sábado, 11 de fevereiro de 2017
Você já se sentiu traído?
A sensação é de perda total do chão. Não apenas por que a pessoa que lhe traiu fez o mal, mas porque se perde a confiança nos demais, e até mesmo na vida.
Em quem confiar agora? A gente se pergunta, mas sempre haverá alguém.
Mas, se você pensar por outro lado, o traidor algumas vezes é o mais infeliz. Precisou ser sacana, precisou mentir, ocultar, ser duas caras. Quem quer ser assim?
Se para nós que não acreditamos (ou ainda é difícil acreditar) em algo maior ser indecente com os outros é algo impensável, imagine para quem acredita? O que é o caso da maior parte dos traíras.
Fazem a maldade e depois vão lá pedir perdão. Não deve ser fácil. Tenhamos piedade por quem precisa tripudiar para se sentir melhor. Nós.... nós não precisamos de nada disso. Apenas seguir em frente. Com a verdade.
Em quem confiar agora? A gente se pergunta, mas sempre haverá alguém.
Mas, se você pensar por outro lado, o traidor algumas vezes é o mais infeliz. Precisou ser sacana, precisou mentir, ocultar, ser duas caras. Quem quer ser assim?
Se para nós que não acreditamos (ou ainda é difícil acreditar) em algo maior ser indecente com os outros é algo impensável, imagine para quem acredita? O que é o caso da maior parte dos traíras.
Fazem a maldade e depois vão lá pedir perdão. Não deve ser fácil. Tenhamos piedade por quem precisa tripudiar para se sentir melhor. Nós.... nós não precisamos de nada disso. Apenas seguir em frente. Com a verdade.
sábado, 28 de janeiro de 2017
Ninguém vai tirar a minha paz
Escrevi este texto num dia em que a ficha caiu. Percebi que não dá para confiar em quase nada ou ninguém. Demorei para aceitar que as pessoas, muitas delas, só têm aparências, estão infladas pelo ego. Mas, para isso, basta uma agulha. Para essa bola toda murchar.
E, não sou eu que vou cumprir esse papel.
Apresento a vocês, caros leitores do meu blog, um novo período da minha vida. Eu estou em paz, feliz, de boa e nem aí para quase nada. Agora, um recado:
ninguém vai tirar a minha paz.
Essa paz construída com muita terapia, escrita com o sangue das horas em que destrinchei minha dor, e decidi deixá-la para trás. Muitos dias em que eu paguei e caro para conversar com meu terapeuta sobre meus vícios e medos. Muitas descobertas, muitas lágrimas de saudade do que já está morto: minha mãe e meu pai.
Não. Ninguém vai vir com suas demandas, carências, ego ou qualquer excrescência querer invadir essa felicidade.
Eu desacreditei do amor, faz algum tempo, mas amo. Não tenho problema nenhum em admitir. Esse sentimento é apenas uma doença que está dentro de mim e preciso combater.
Agora, estou começando a desistir da Amizade. Pois parece que só eu a levo à sério.
Eu sempre fui uma pessoa só, sempre tentei me virar sozinha. E, reconheço que, ao precisar de um apoio amigo, não há quase nada. Por quê?
Já tenho anos de terapia, suficientes para saber se isso é culpa minha ou não. Não é. Não sou uma pessoa egoísta. Ao contrário, eu sou generosa. E não irei mudar. Mas não levo mais nada à sério. Não vou mais aprofundar amizades, não vou mais me preocupar. Algumas pessoas só te procuram para saber para quem você está dando, qual é a fofoca da vez.
Homem que te procura só porque está sem mulher. Mulher que só é tua amiga pois está solteira. Para vocês, que fazem isso, talvez algum dia possam se perguntar: o que é realmente a amizade. E o que é ser amigo?
Só não adianta descobrir isso só lá na velhice, depois de ser sacana a vida inteira. Aí vira aqueles velhinhos que falam com todo mundo na rua. Nada contra Mas, e antes desse dia chegar? O que você fez?
Não vou mais aceitar menos. Não me venha me procurar quando levar chute de homem, quando a vida de princesa acabar, quando essa conversinha de Super Herói não interessar a mais ninguém, pois deveras já não interessa. Eu não estarei mais presente. Não estarei mais aqui.
Não, não estou mal. Aliás, eu trocaria todos os meus 37 anos de perda de tempo por esses últimos meses. Finalmente estou me sentindo livre.
Moro sozinha, saio com quem quiser, visto-me com o que queira. Sempre fui assim, mas agora descobri que certas influências só te colocam para baixo. Não caia nessa, meus leitores.
E, não sou eu que vou cumprir esse papel.
Apresento a vocês, caros leitores do meu blog, um novo período da minha vida. Eu estou em paz, feliz, de boa e nem aí para quase nada. Agora, um recado:
ninguém vai tirar a minha paz.
Essa paz construída com muita terapia, escrita com o sangue das horas em que destrinchei minha dor, e decidi deixá-la para trás. Muitos dias em que eu paguei e caro para conversar com meu terapeuta sobre meus vícios e medos. Muitas descobertas, muitas lágrimas de saudade do que já está morto: minha mãe e meu pai.
Não. Ninguém vai vir com suas demandas, carências, ego ou qualquer excrescência querer invadir essa felicidade.
Eu desacreditei do amor, faz algum tempo, mas amo. Não tenho problema nenhum em admitir. Esse sentimento é apenas uma doença que está dentro de mim e preciso combater.
Agora, estou começando a desistir da Amizade. Pois parece que só eu a levo à sério.
Eu sempre fui uma pessoa só, sempre tentei me virar sozinha. E, reconheço que, ao precisar de um apoio amigo, não há quase nada. Por quê?
Já tenho anos de terapia, suficientes para saber se isso é culpa minha ou não. Não é. Não sou uma pessoa egoísta. Ao contrário, eu sou generosa. E não irei mudar. Mas não levo mais nada à sério. Não vou mais aprofundar amizades, não vou mais me preocupar. Algumas pessoas só te procuram para saber para quem você está dando, qual é a fofoca da vez.
Homem que te procura só porque está sem mulher. Mulher que só é tua amiga pois está solteira. Para vocês, que fazem isso, talvez algum dia possam se perguntar: o que é realmente a amizade. E o que é ser amigo?
Só não adianta descobrir isso só lá na velhice, depois de ser sacana a vida inteira. Aí vira aqueles velhinhos que falam com todo mundo na rua. Nada contra Mas, e antes desse dia chegar? O que você fez?
Não vou mais aceitar menos. Não me venha me procurar quando levar chute de homem, quando a vida de princesa acabar, quando essa conversinha de Super Herói não interessar a mais ninguém, pois deveras já não interessa. Eu não estarei mais presente. Não estarei mais aqui.
Não, não estou mal. Aliás, eu trocaria todos os meus 37 anos de perda de tempo por esses últimos meses. Finalmente estou me sentindo livre.
Moro sozinha, saio com quem quiser, visto-me com o que queira. Sempre fui assim, mas agora descobri que certas influências só te colocam para baixo. Não caia nessa, meus leitores.
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segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Flores de novembro
Margaridas lembram minha tia e minha mãe.
Essa margaridinha amarela é comum nascer espontaneamente em terrenos vazios e em cemitérios. Minha mãe me trazia essas flores, mesmo que durassem pouco no vaso, era tão bom tê-las ali comigo.
Hoje eu não recebo flores. Esse costume romântico acabou, mas não queria que acabasse.
Minha mãe era a única que regularmente enchia minha casa de flores. Rosas muito perfumadas, margaridas, flores que nunca mais eu vi.
Esse ano, levei flores para ela no cemitério, foi como se eu tivesse visitado sua casa, senti como se ela estivesse ali. Eu sempre levei flores aos vivos, mas os mortos de algum modo também precisam delas.
Sei que sua finalidade é outra. Sei que não é por isso que estão aqui. Nós as cortamos porque são lindas, essa beleza sedutora que conquista o polinizador.
Lembro de um dia, quando perguntei o nome dessa flor e minha mãe respondeu: É a alegria da noite, ou algo assim. As sempre vivas conheci através dela. As flores que jamais morrem.
Às vezes passo na rua e sinto um cheiro. Volto no tempo instantâneamente, pois são as flores de novembro. Flores da minha mãe.
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| Leucanthemum vulgare e Coleostephus myconis |
Hoje eu não recebo flores. Esse costume romântico acabou, mas não queria que acabasse.
Minha mãe era a única que regularmente enchia minha casa de flores. Rosas muito perfumadas, margaridas, flores que nunca mais eu vi.
Esse ano, levei flores para ela no cemitério, foi como se eu tivesse visitado sua casa, senti como se ela estivesse ali. Eu sempre levei flores aos vivos, mas os mortos de algum modo também precisam delas.
Sei que sua finalidade é outra. Sei que não é por isso que estão aqui. Nós as cortamos porque são lindas, essa beleza sedutora que conquista o polinizador.
Lembro de um dia, quando perguntei o nome dessa flor e minha mãe respondeu: É a alegria da noite, ou algo assim. As sempre vivas conheci através dela. As flores que jamais morrem.
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| Caliopsis - Elegans bicolor |
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| Conhece essas flores lindas? Sempre-viva - Xerochrysum bracteatum (Todas as flores dessa postagem pertencem à família botânica Asteraceae) |
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terça-feira, 15 de novembro de 2016
Poesia, Literatura, Amor - Legião Urbana e a Professora de Português
O mundo anda tão complicado
Não lembro quando comecei a gostar de escrever, mas sim dos momentos em que colocar no papel o que eu sentia ou pensava era algo que me possibilitava um bem estar sem igual. Nada das minhas outras atividades era como ler e escrever.Eu tinha uma professora de Português e Literatura que um dia fez uma atividade com música. Tínhamos que ouvir e escrever tudo o que ela representava para cada um.
Eu sinto que naquele dia algo despertou em mim. Um clique e tomei conhecimento de que escrever liberta os pensamentos, organiza aquelas ideias mais profundas, dá formas à coisas disformes.
A música era 'O mundo anda tão complicado' e eu, naquela época, nem tinha vivido tudo o que hoje sei sobre a letra dessa canção. Eu só tinha a melodia, a composição seca. Sem vivência, era uma criança, apenas fui deixando-me levar pelo fluxo carinhoso da história. E me recordo de muito escrever, sem parar, até a música acabar.
Eu não sabia o que era ver o outro dormir, mudar-se para a casa de alguém, ou trazer alguém para meu lar, viver o cotidiano amoroso. A minha vida, naquela época, era mais um misto de tristeza e vazio. Depois, não muito tempo depois (eu estava na quinta série, acho) eu fui descobrir que o outro é este ser fascinante, que se deseja como a si mesmo. Aquele ser amado, com o qual queremos estar na mesma casa, na mesma vida. Ou não...mas eu queria.
Mas naquela época meio criança, meio adolescente, eu não tinha ideia do que era amar.
Meninos e Meninas
O Renato Russo foi aquele amor adolescente impossível, entre tantos que eu tive. Tudo o que ele dizia era sagrado para mim. Uma palavra estranha, e eu corria para o dicionário. Ele era o conforto poético para este mundo sem solução.
Quando hoje, retorno a estudar o Português para o meu segundo vestibular, vêm à mente aquela frase, como todas, genial:
"Eu canto em Português errado,
Acho que o Imperfeito não Participa do Passado
Troco as Pessoas, troco os Pronomes."
Esse ano, por força de um destino, uma breve paixão, decidi fazer minha segunda faculdade e primeira vocação. Até agora não consigo entender por que neguei por tanto tempo que isso era meu caminho. Eu só posso explicar com uma frase: eu fujo do amor e das coisas que amo, por medo de perdê-las depois.
Só que o amor não foge de mim, ele está aqui o tempo todo. E não irá embora. E não sei se isso é bom.
Se fiquei esperando meu amor passar
Até hoje, algumas frases dessa música são enigmáticas para mim. Eu simplesmente não as entendi.
Mas, nesse momento de minha vida, eu estou caminhando muito e ouvindo Legião Urbana regularmente. Um dia, ao voltar dessas caminhadas, sozinha, eu pensava justamente sobre o amor e nem me dei conta de que tocava essa música no meu MP3.
E uma das frases brilhou para mim. Eu acho que entendi, pelo menos o que pode ser uma interpretação minha...
Eu sempre quis entender o verbo amar, fazer a palavra amor ter um sentido. E no fim das contas percebi que o sentimento está sempre aqui dentro, não importa como está, nem por quem está. Ele nunca saiu, nunca passou. Eu sei que não é fácil encontrar o eco lá fora para as coisas que estão no coração, eu sempre sonhei com um espelho, o qual parece que ainda está longe de mim.
Nos meus sonhos ele aparece, bizarramente, como uma jaguatirica que mordeu o meu braço. Eu senti a carne sendo perfurada por aqueles dentes terríveis, sem sangue desta vez, mas aquele ser era tão lindo, que eu deixei.
Quando hoje, retorno a estudar o Português para o meu segundo vestibular, vêm à mente aquela frase, como todas, genial:
"Eu canto em Português errado,
Acho que o Imperfeito não Participa do Passado
Troco as Pessoas, troco os Pronomes."
Esse ano, por força de um destino, uma breve paixão, decidi fazer minha segunda faculdade e primeira vocação. Até agora não consigo entender por que neguei por tanto tempo que isso era meu caminho. Eu só posso explicar com uma frase: eu fujo do amor e das coisas que amo, por medo de perdê-las depois.
Só que o amor não foge de mim, ele está aqui o tempo todo. E não irá embora. E não sei se isso é bom.
Se fiquei esperando meu amor passar
Até hoje, algumas frases dessa música são enigmáticas para mim. Eu simplesmente não as entendi.
Mas, nesse momento de minha vida, eu estou caminhando muito e ouvindo Legião Urbana regularmente. Um dia, ao voltar dessas caminhadas, sozinha, eu pensava justamente sobre o amor e nem me dei conta de que tocava essa música no meu MP3.
E uma das frases brilhou para mim. Eu acho que entendi, pelo menos o que pode ser uma interpretação minha...
Eu sempre quis entender o verbo amar, fazer a palavra amor ter um sentido. E no fim das contas percebi que o sentimento está sempre aqui dentro, não importa como está, nem por quem está. Ele nunca saiu, nunca passou. Eu sei que não é fácil encontrar o eco lá fora para as coisas que estão no coração, eu sempre sonhei com um espelho, o qual parece que ainda está longe de mim.
Nos meus sonhos ele aparece, bizarramente, como uma jaguatirica que mordeu o meu braço. Eu senti a carne sendo perfurada por aqueles dentes terríveis, sem sangue desta vez, mas aquele ser era tão lindo, que eu deixei.
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quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Memento Mori
Essa frase, do Latim, significa "Recorda que irás morrer". Algumas pessoas interpretam como "momento da morte" pois foram associadas às fotografias feitas na época Vitoriana, no momento da morte ou enterro de alguém.
Era um ato de homenagem aos mortos. As suas coisas eram reunidas em sua volta, como brinquedos, livros, até animais de estimação eram fotografados em seu féretro, deitados em um sofá, ou com familiares.
Eu não acredito na explicação que muitos usam, de que a fotografia era caríssima naquela época e que só por isso os mortos eram fotografados.
Pois bastaria fotografar as pessoas em outro período qualquer. O gasto seria o mesmo. E, de qualquer forma, pelos cenários de tais imagens, não consigo imaginar que aquelas pessoas fossem pobres. Muitas fotos eram feitas em estúdio com toda preparação.
Não. O motivo de tais fotos, por mais que hoje se queira negar, é simplesmente uma homenagem fúnebre, uma lembrança post mortem.
Hoje as pessoas, especialmente aqui no Brasil, entram naquela coisa carola de ir no cemitério somente nos finados, morrendo de medo de um dia estar lá, no mesmo lugar que seus familiares já postos. Não elaboram a morte, não pensam nisso um dia sequer e ao contrário, a negam como se a vida fosse eterna, ou iludem-se com promessas de outras vidas, outros mundos.
A morte, essa coisa seca e presente, esse nada poético, a fuga desse inferno, é negada como se não existisse.
Se hoje, ao morrer alguém, jogamos fora todas as suas coisas e até tem aqueles que acham que dá azar guardar coisas de defuntos, naquela época conviver com a morte e com os mortos era muito mais normal. Bebês nasciam e morriam aos milhares, pessoas morriam muito jovens, e a morte era companhia diária.
Hoje ela ainda nos acompanha. Aliás, mora dentro de cada um de nós.
Há um ano atrás encontrei no lixo uma caixa de fotografias de uma mulher morta. Havia toda sua vida ali. Desde seu nascimento, viagens pelo mundo, filhos, festas, cartas, até sua velhice e por fim a fotografia de sua lápide, o que me deu certeza de que era um descarte por essa razão.
Isso na época vitoriana seria uma ofensa terrível, pois era natural conviver com os pertences dos mortos.
Existem diversos tipos dessas fotos, algumas muito tristes, outras assustadoras. Anos atrás, dediquei bom tempo a pesquisar sobre esse assunto. E deixo aqui a música de um cantor que ouvia muito naquela época e que de alguma forma associei ao sentimento que me invade toda vez que olho para essas fotos.
Era um ato de homenagem aos mortos. As suas coisas eram reunidas em sua volta, como brinquedos, livros, até animais de estimação eram fotografados em seu féretro, deitados em um sofá, ou com familiares.
Eu não acredito na explicação que muitos usam, de que a fotografia era caríssima naquela época e que só por isso os mortos eram fotografados.
Pois bastaria fotografar as pessoas em outro período qualquer. O gasto seria o mesmo. E, de qualquer forma, pelos cenários de tais imagens, não consigo imaginar que aquelas pessoas fossem pobres. Muitas fotos eram feitas em estúdio com toda preparação.
Não. O motivo de tais fotos, por mais que hoje se queira negar, é simplesmente uma homenagem fúnebre, uma lembrança post mortem.
Hoje as pessoas, especialmente aqui no Brasil, entram naquela coisa carola de ir no cemitério somente nos finados, morrendo de medo de um dia estar lá, no mesmo lugar que seus familiares já postos. Não elaboram a morte, não pensam nisso um dia sequer e ao contrário, a negam como se a vida fosse eterna, ou iludem-se com promessas de outras vidas, outros mundos.
A morte, essa coisa seca e presente, esse nada poético, a fuga desse inferno, é negada como se não existisse.
Se hoje, ao morrer alguém, jogamos fora todas as suas coisas e até tem aqueles que acham que dá azar guardar coisas de defuntos, naquela época conviver com a morte e com os mortos era muito mais normal. Bebês nasciam e morriam aos milhares, pessoas morriam muito jovens, e a morte era companhia diária.
Hoje ela ainda nos acompanha. Aliás, mora dentro de cada um de nós.
Há um ano atrás encontrei no lixo uma caixa de fotografias de uma mulher morta. Havia toda sua vida ali. Desde seu nascimento, viagens pelo mundo, filhos, festas, cartas, até sua velhice e por fim a fotografia de sua lápide, o que me deu certeza de que era um descarte por essa razão.
Isso na época vitoriana seria uma ofensa terrível, pois era natural conviver com os pertences dos mortos.
Algumas fotos que circulam na Internet são atribuídas como se fossem post mortem e não são. Por isso escolhi apenas as que dá para ter certeza. Mesmo assim esta última me deixa dúvidas. De todo modo, como suas mãos estão na posição clássica dos mortos, pode ser sim.
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