segunda-feira, 11 de maio de 2015

Um cinema a nascer e a morrer

 O Capitólio, era para mim um prédio velho, no caminho que eu fazia em alguns dias de minha vida, para algum lugar. Mas ele já foi um grande cinema. Agora recuperado, está assim. E, andando pela cidade, passeando ao lado do edifício, entramos como que caídos num túnel do tempo.
 Pois eu jamais havia entrado ali, nem estava a fim. Mas aquele que está sempre a meu lado insistiu. E eis que eu caí no túnel de um passado, lá mesmo onde quase sempre estou.
 Adoro o centro da cidade. Não sou muito aficcionada a cinema, mas me encanto com lugares antigos e estes merecem ser preservados.
 O espaço está ainda em obras. E há boatos de que está a caminhos de não conseguir se sustentar.
 Já no alto do edifício, encontramos a projecionista que nos viu admirados. E nos convidou para conhecer um lugar muito raro. Onde praticamente ninguém entra.
 A sala de projeção.
 É emocionante ver coisas antigas ainda valorizadas, sendo usadas, trabalhadas. Eu sou uma pessoa que valorizo muito os objetos, sem ser apegada. Considero que tudo tem seu valor, especialmente as coisas antigas, das quais as pessoas esquecem. Como os telefones públicos, os cinemas, as fotografias de papel.
 Mas minha contradição é que não costumo guardar nada, minha casa não é museu. Eu valorizo, uso meu velho celular até o fim, ainda tenho um telefone antigo, ou uso o telefone público, mas cultivo a liberdade do não ter.
 Não é tão fácil explicar, pois tenho por cá minhas coisitas, simbólicas, sei lá. Todos temos nossos fantasmas e cacos velhos. Vou limpando a mente, mas amo quando as coisas são preservadas: lá fora e sempre em bom estado.
 Aqui está Ângela.
 Um bom filme fica na memória por séculos. Não vi nenhum destes.
 A sala, uma delas, é simplesmente linda.
E aqui, outro cinema, este já posto. Morto. Eu vi aqui o filme do Paulo Coelho com meu marido. É um daqueles cinemas tão antigos que dava até medo de ficar lá dentro. Era como estar em um filme de terror, para assistir outro filme. Depois de sair do Capitólio, fomos neste cinema ver o quadro de filmes e nem acreditei quando o vi fechado. Para sempre.

sábado, 2 de maio de 2015

Quando a terra me chama e não é para morrer - As três fases de uma mulher

 Há aquele momento da tarde de um dia livre, ausente daquela sensação de prisão que eu tive até então, dos dias de intenso trabalho, que as ruas da cidade me chamam para a caminhada tão desejada. Mas não é só isso. A terra me chama, mas não é só ela. Sinto que algo tão profundo vem de longe até o presente, lá do fundo de minha memória.
 O cheiro da rua, da grama, desta terra que nunca mais eu vi. De um pátio de minha casa esquecida. De quando eu vivia mesmo, era outra época, havia pátio, pedras no chão, terra e grama por todos os lados. Havia mãe e pai. Eu senti saudades de ter terra debaixo de meus pés.
 Senti falta de ter um jardim. Senti um ambiente, pois já não há mais pessoas, não há mais quase nada humano. Sempre ficam os lugares, as pessoas, essas já morreram. A terra as leva para longe.
Essa mesma terra que eu hoje sinto me chamar, para uma vida que eu tive e, se não era tão feliz, que digamos, pelo menos me fazia respirar!
 Andar pelas ruas e encontrar casas antigas, pátios e jardins, cruzar por pessoas que até te cumprimentam, quando se vive em apartamentos convivendo com vizinhos 'bem sucedidos' que jamais podem descer do salto e baixar a guarda é um contraste louco. Pensar que na mesma cidade há gatos e antiguidades, flores e árvores tudo isso ao nosso redor e aqui mesmo ao lado de minha casa, mas não vejo, ou vejo tão pouco, é triste e feliz ao mesmo tempo.
 O chão é tão limpo que é preciso sentar nele e ali ficar mais um pouco.
 A imagem abaixo não foi montada para a foto, foi o desejo sincero de sumir. Não de sugar a natureza como fazem os ambientalistas, naturebas, os esotéricos e toda a corja que usa a Natureza como tema eterno de seus falatórios. Tão logo a sua ansiedade acaba, já estão surfando em seu egoísmo e ganância, explorando a natureza, as pessoas, e sobretudo os animais.
 Abracei a árvore que considero a mais linda de todas.
 Caesalpinia ferrea, conhecida como pau ferro


 Não sei o que o pintor queria dizer com a cena abaixo, mas eu interpretei como sendo a Deusa Tríplice, ou as três fases da mulher, também conhecida como as fases da lua, etc.
 As três fases de uma mulher: A jovem, a mulher na sua fase plena - se ela QUISER poderá ser mãe, e a mulher anciã.
Eu sempre estive entre a mulher jovem e velha. Sempre fui plena. E sempre fui todas. Tenho o instinto materno mais forte que já pude conhecer. E decidi nunca ter filhos. Tomei essa feliz decisão na minha adolescência.
 E sempre fui afortunada, por um lado. Por outro, eternamente buscando minha mãe, mesmo tendo a minha, mesmo quando a tive, a buscava. E quando a perdi, a perdi duas vezes.
Todas as fotos: Marcio de Almeida Bueno/http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/

 E só há um remédio para acalentar um coração que busca: caminhar e escrever. As palavras saem e caminham com as mãos e os pés.
 Estou escrevendo, em paralelo com este blog, um outro texto, sobre um tesouro que encontrei, que vai entrelaçar histórias. Talvez ali a melancolia se transforme cada vez mais em poesia. 
Lá as três deusas são anciãs, incluindo eu.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Marcelo Bonfá e as músicas da Legião Urbana

Marcelo Bonfá é compositor de muitas músicas da Legião Urbana, em parceria com Dado Villa Lobos e Renato Russo. Manda bem na bateria e na voz. Ficou muito bom este vídeo que assisti! E não é para qualquer um cantar e tocar bateria ao mesmo tempo. Sempre fã.

Confira o seu site: http://www.marcelobonfa.com.br/

Enviado pelo meu marido nestes dias de pura agonia:




Legião Urbana e o livro de Renato Russo

Estou terminando de ler a biografia de Renato Russo. Deixei o epílogo por terminar. Quando algo é tão triste para mim, fica o término para um outro momento. Mas está ali na sala, à espera deste momento, que está para estes dias.

Já falei deste livro neste post: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/06/brasilia-de-ontem-copa-do-mundo-de-hoje.html
O autor descreve toda a vida do meu ídolo e também o cenário do país, o momento histórico onde ele cresceu e se tornou o que é. Um gênio fluente nas palavras, nas idéias e na língua inglesa. Um poeta que eu amei com todos os seus defeitos, pois eram obscuros e mínimos perto de sua perfeição.
No livro, muitas raridades, músicas inéditas e as fragilidades, lágrimas que caíram no papel, poética e visivelmente. Não sei se era isso que ele queria, ver suas coisas expostas. Mas, pelo menos neste livro, tudo foi feito com respeito.

Meu marido me mandou hoje um especial da Rádio Transamérica de 1992. Algumas músicas quase nunca foram tocadas ao vivo.  Saudades.

sábado, 18 de abril de 2015

Uma frase sobre os sacrifícios com animais

Do livro simplesmente brilhante que acabei de ler:

trecho do livro: Para antes que a gente vire pó  (breviário de errância) e é do autor Ezio Flavio Bazzo.
"Perguntem pois ao asno ou ao carneiro de Abraão ou aos viventes que Abel soube oferecer a Deus: eles sabem o que lhes ocorre quando os homens dizem 'eis-me aqui' a Deus, e depois aceitam sacrificar-se, sacrificar seu sacrifício ou perdoar-se"

Jacques Derrida (Em O animal que logo sou)

O livro, que logo - assim que o tempo não me matar e me permitir - mostrarei aqui no blog com toda atenção que merece, chama-se
 Para antes que a gente vire pó  (breviário de errância) e é do autor Ezio Flavio Bazzo.

***

Se antes eu não tinha a menor dúvida de que ele era o melhor escritor do país, agora então, tenho toda a confiança em afirmar! Este livro é maravilhoso.
O  uso e exploração de animais é uma canalhice que acontece em diversas culturas, povos, em toda a parte da Terra. É uma vergonha uma pessoa usar um outro ser para expurgar seus pecados, sua infâmia, sua fome.
Considerando que os céus nunca nos ouvem - basta olhar para o lado - milhões de seres morrem em vão, em meio ao mais perverso silêncio de quem poderia fazer algo a respeito e nada faz.
E o pior de tudo são aqueles de quem se esperaria alguma resposta, algum auxílio, e estes, por medo de uma mão invisível - que inexiste - se borram nas calças, e nada fazem, negam, por medo de um castigo, de uma praga. Seu castigo é viver na mediocridade, é negar ajuda, é ser conivente com o mal. Seu destino é estar sempre ao lado da vilania, é compactuar com o sangue e com a dor do outro.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Videogames Sem Controle lança seu terceiro EP, intitulado 'Nunca Andei O Bom Caminho'


A banda gaúcha Videogames Sem Controle acaba lançar seu terceiro EP, intitulado 'Nunca Andei O Bom Caminho', pelo selo Falência Fraudulenta, de Porto Alegre. São cinco faixas do que o power trio convencionou chamar de rock torto, que mescla a psicodelia ao minimalismo e até mesmo a um progressivo não-virtuoso. A maior mudança foi que o líder Marcio de Almeida Bueno, multiinstrumentista, compositor e vocalista, assumiu o piano, que se tornou o instrumento central das músicas, inclusive para solos. As influência seguem sendo Arnaldo Baptista, Roberto Carlos, Júpiter Maçã, The Beatles, Os Mulheres Negras, Tom Waits e minimalismo. A primeira faixa é 'Eye from the outer space', com seu piano hipnótico. A inusitada letra é do baiano Daniel Barbosa, parceiro de longa data, que apesar do título é em Português. A segunda faixa, 'Nunca andei o bom caminho', é uma espécie de Tim Maia versão garagem, com bumbo calcado no rap-jazz-soul. 'Decifra-te ou eu me devoro' foi composta há mais de 25 anos, e só agora recebeu registro sonoro. Vocal dobrado, refrão com palmas e solos de violão. A quarta faixa é 'Me sinto ridícula - o amor adolescente', com letra de Ellen Augusta. Mudanças de andamento, guitarra distocida e piano disputando espaço em meio a um clima confessional. O EP fecha com 'Tudo aquilo que me dói', também com mudanças de andamento, solo de cravo, levada de bossa nova com intimismo lisérgico. O disco foi gravado na primavera de 2014 e verão de 2015 no C. Bukowski Studios, na Capital gaúcha. Melhor se escutado em uma tarde chuvosa. Videogames Sem Controle é Marcio de Almeida Bueno (voz, piano e baixo), Oswaldo Lee (violão e guitarra) e Thales M. (bateria e percussão). Contatos podem ser feitos via tudoestavaigualcomoeraantes@gmail.com. O EP completo pode ser escutado na íntegra em https://youtu.be/WoSH81bb4Z4.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Nosso almoço vegano


 Nosso almoço no restaurante vegano VÊ.

Já conhecia a casa de um outro evento em que participamos. E hoje, no intervalo do trabalho, passamos ali para provar a comida.
Poder comer com toda a confiança em um lugar vegano não tem preço! E o lugar é muito bom!
Salada de batata é algo que os veganos nunca podem comer em restaurantes comuns, pois nunca dá! Aqui a gente pode comer de tudo, sem ficar perguntando. Só quem é vegano sabe, o quanto somos especialistas em questionamentos.
Um tipo de purê de aipim, muito bom.
O restaurante fica na Avenida Lageado, em Porto Alegre.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Meus pés me levam para o nada - todo meu ódio ao trabalho

Hoje meus pés me levaram para a fuga. Como a minha vó, a muito tempo. Longe de sua casa, só pensava em partir, de qualquer jeito à procura de ir-se. Saía de minha casa como um bicho. Achava que era por ali. E ia. Estava acostumada a andar de pés descalços. E, ali, onde avistava um pouco de mato, pensava: deveria ser o lugar onde a levaria para sua terra. Saía de minha minha casa a pé.
Só que ela morava próximo à Serra Gaúcha, a quilômetros de distância, e minha mãe tinha que ir atrás dela, buscá-la para a razão, para este mundo insólito e perverso.

Não tenho vocação para enfiar meus pés nestas sapatilhas, nestes uniformes, não tenho saco. Não tenho modos para quase nada.
Eu, no fundo, apenas suporto, o ser humano, as coisas. Tolero os cinismos, as falsidadezinhas, as pequenezas que vou percebendo nas pessoas neste dia à dia transitório, de "trabalho". E meu alívio é pensar que tudo é temporário, como eu mesma sou com minhas vontades.

Sinceramente, e daí? Na verdade é um grande transtorno daquelas pessoas. É problema delas. Que devem ter uma vida de merda, suportarem-se umas às outras, com conflitos eternos. Egos 'mensos' e mente muito estreita.

Meu corpo, meus pés, me levaram para longe. Eu me perdi. Perdi a hora, fui indo para acolá e quase perdi o ônibus. Voltei como uma idiota e peguei o camburão para o inferno. Um trabalho legal, num ambiente bonito, com pessoas normais.

Por quê?
Por que eu não obedeci as ordens expressas do meu corpo, da minha mente e de meu coração?
Por que eu não segui em frente, tendo em mente que meus pés me levariam para o mar, para o verde, azul, roxo oceano, para minhas ilusões, assim como minha nona (avó) imaginou que aconteceria, mesmo eu sabendo que apenas chegaria a um muro e dobraria a esquina, talvez chegasse a um bar e tomaria um café, chá ou mesmo teria a coragem de até mesmo -
comprar uma passagem para uma viagem?

Não, preferi aderir ao cinismo, ao pusilânime, à ordem. O medo do futuro incerto. A imortalidade infantilmente ilusória, pois vivemos acumulando para o nada. Trabalhando para outras pessoas enriquecerem.

Detesto quando me questionam sobre trabalho. É como se você tivesse obrigação de estender seu currículo sobre a mesa e mostrar seus prodígios, e ai de ti se não for um sucesso.

Eu, que tenho até livros publicados em meu c. v., onde ali tem desde curso de datilografia junto com minhas publicações de artigos de opinião, sempre me esqueço e acabo dizendo o meu trabalho mais simpleszinho. Como se houvesse uma voz interior dizendo: olha, sou uma pessoa e não as coisas que produzi no passado.
E, dependendo de quem está do outro lado, sinto aquela cara de quem tenta decifrar o que exatamente faço.
E tem aquela tia com cara de pena, tipo: tadinha dela que não está milionária depois de ter feito faculdade!
Pode crer que tem malandro velho que ainda acredita que faculdade é alguma coisa e que se você fez algum curso, necessariamente deve trabalhar nele.  No exterior, o curso universitário é apenas uma formação, o sujeito sai de lá e vai fazer o que gosta. Vai ser carpinteiro, vai ser escritor, ele estudou pois queria se aprimorar intelectualmente, não porque precisava pagar as contas. Lembre-se que em certos países o nível de vida é muito melhor do que aqui.
Mas neste país, vivemos numa situação em que é necessário concluir um curso superior para ser qualquer coisa. Pelo menos na época em que comecei minha faculdade era assim. Hoje, nesta época de pleno emprego, não faria faculdade. Dedicaria meu tempo e meu dinheiro em leituras, viagens e livros.

E eu digo: meu trabalho é um mistério, pode ser um ou dois ao mesmo tempo ou quiçá nenhum. E deve me fazer feliz, senão jogo-o ao ar. Mas mais fácil é falar (ou escrever, que aí sim é um dom.).

Minha única vocação ou quem sabe vontade, é para a escrita. Eu amo ler e escrever e é só isso que importa.
Nada mais, nem mesmo viver.

terça-feira, 24 de março de 2015

Para todo aquele que não crê (nas aparências)

Essa postagem é dedicada àquele que, sabendo que essa sociedade é baseada na imagem, não faz o jogo, ou joga o quanto quer, não caindo nas armadilhas torpes e preconceituosas do engano.

Um recurso que a Natureza usa à vontade e não economizou em elaborar foi a beleza das aparências e mimetismos, mas a beleza nunca ficou na superfície, sempre foi até a profundidade de suas formas.
Quem ainda acredita e cai nos velhos jogos de aparências, é um pobre diabo. E é desse sujeito que estou a fim de falar. Pois rio muito e me divirto quando um idiota desse cai nas armadilhas provocadas pelo preconceito, pelas aparências.

A sociedade está lotada de pobres infelizes que se deixaram levar pela fachada, pela estirpe, pela classe social, pela religião dominante ou por qualquer religião e até mesmo pela vestimenta das pessoas. Elas julgam o todo pela parte que salta aos olhos.
Fazem um pré julgamento "apurado" completo, só de olhar para alguém.

O bem e o mal parece ter situação geográfica para alguns. E, curiosamente, está sempre fora de si, no outro. O pobre e favelado concentra o mal. Na mulher está o erro e ela provoca as tensões, qualquer delas, não só as sexuais. (O homem começou denegrindo a mulher pelo sexo. Mas o homem e todo o resto da sociedade se encarregou de a desconsiderar em todo o mais.) O rico, o bem vestido, o branco, macho e bonito concentra o bem. Ele representa o ponto alto da família. Ele é quem, afinal, paga as contas.

Não é assim?

Não! No mundo real, não é assim. Mas neste mundo infantil, infame e idiota em que todos vivem, sem amadurecer, é. Esperam um pai. Um cara bom que pague as contas e as carreguem no colo.

Sempre me alegro muito quando alguém se ferra por ter acreditado nas aparências.
Um otário que acreditou no cara bem vestido, e depois percebeu que o bonitão de terno era um assaltante. Mas teve preconceito com o outro, o desarrumado, pensando que era um ladrão.
Nos Shopping centers há códigos para todo o tipo de "pessoas suspeitas" e você sabe muito bem de quem estamos falando! Não se faça de ingênuo.
Mas os assaltos fenomenais se dão por gente muito bem 'apessoada', não correspondendo ao perfil esperado, ao preconceito vigente.
Ou a mulherzinha que só se interessa pelo malandro, pelos palhaços que a iludem o tempo todo, mas não pode ver - por que é cega - o cara legal que até mesmo é bonito, mas não tem 'aparência' de galã. A imagem comprada e vendida pelas marcas de roupas, grifes de perfumes, carros e toda a sorte de lixo que te enfiam pelo rabo.

Nas lojas, a qualidade do atendimento muitas vezes é também calibrada pela aparência.

Já houve enganos históricos, que seria enfadonho comentar aqui, e também não vou eu ficar dando dicas de como não ser torpe. Mas é ridículo ainda seguir no erro de atender mal ou bem pelo nível social. Quem perde é o vendedor, que deixa de vender, pois o cliente vai ser bem atendido em outro lugar.

O golpe do bilhete premiado só atrai pessoas gananciosas, pois para cair neste golpe, é preciso querer enganar uma outra pessoa inocente. No caso o "inocente" é o comparsa, que o otário, ingênuo e ganancioso, acha que está a enganar.

Um prato cheio para o Brasil! Um país que critica o governo, mas que está repleto de pequenos e grandes atos corruptos. Um país que espera sempre que um pai pague suas contas. Um governo patriarcal.
Não valoriza o que é público pois nem sabe o que isto significa.
Vive de aparências, pois é vazio por dentro.

Portanto, alguns brasileiros podem falar de política, outros, muitos outros, não.

E não pense que só o povão é que é ruim.
Não pense que, só por que você tem curso superior, vai encontrar ao seu redor, pessoas inteligentes.
Não se iluda com quem fala, carrega e compra livros. A menos que seja um raro apaixonado pela Literatura. Se lê com os olhos.
Não creia que está a salvo, só por que ao seu lado tem pessoas vestindo a mesma camiseta que a sua, tomando a mesma bebida que você, ou concordando com a cabeça. Não caia como um tolo no maldito jogo das aparências, porque eu só posso lhe garantir uma coisa: vou rir muito quando isso acontecer, pois você já estava avisado de antemão.

Um sujeito adulto não pode se queixar quando é vítima de sua própria ingenuidade.
Pois chegou até a idade adulta acreditando em seus próprios preconceitos, prejudicando pessoas, até mesmo deixando de ajudar alguém por ideias preconcebidas.
Então, caros amigos, só me resta rir, quando alguém é alvo de sua própria torpeza. E dizer: bem feito. Da próxima vez, tenha a gentileza de não ser preconceituoso com os demais.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Um chá durante a madrugada

Neste exato momento (madrugada) estou a tomar uma xícara de chá.
Comprei este chá verde japonês instantâneo. Ele é um tipo de matcha.
O matcha foi trazido ao Japão em 1191 pelo monge budista Eisai, com a introdução do Zen.
O chá para o matcha tem as folhas ocultadas do Sol, assim ficam mais ricas em aminoácidos. E mais saborosas também. Elas são secas e o resultado chama-se tencha, depois são moídas até tornarem-se um pó tão fino como um talco. Assim prepara-se o matcha, usado principalmente na cerimônia do chá.
 Chá não tem hora para mim. É melhor na solidão fresca da noite, seu sabor é como a água, elegante e puro.
Esse chá é prático, não precisa coar. Encontrei-o em uma casa japonesa ali no centro. Os donos são japoneses que falam muito bem o português. O atendimento é legal, o que para mim já é mais da metade do caminho para meu ritual do chá.
Toda vez que vou lá comprar chá, eles me dão alguns brindes. Desta vez me deram amostras deste chá blend japonês, um matcha/sencha.

terça-feira, 10 de março de 2015

Da violência contra éguas e mulheres

Artigo de Marcio de Almeida Bueno - publicado na ANDA e no Olhar Animal http://www.anda.jor.br/category/colunistas/marcio-de-almeida-bueno e http://www.olharanimal.org/pensata-animal/autores/marcio-de-almeida-bueno

No vídeo, o cavalo está caído no chão, com as patas amarradas, e preso a um poste de madeira. Ele se debate, tenta se levantar – sem sucesso. Um gaúcho se aproxima – aquele bem caricato, com roupa típica, bigodão – e, com o chicote, espanca o rosto do cavalo. A cena é brutal. A pessoa que filma dá risadas. Pela voz, percebe-se que é uma mulher.

Trata-se da doma, à moda tradicional do Rio Grande do Sul.

No outro vídeo de faça-você-mesmo, uma égua é presa pela primeira vez pela boca, em um campo cercado. A corda, firme, está em um palanque. O gaúcho dá um susto no animal, que sai correndo, na sua força, sem saber do resultado. A corda estica é dá um tranco daqueles, inesperado. Dor e pavor. O processo se repete, e a égua dispara pelo gramado e então recebe o impacto. Chama-se ‘quebra de queixo’, uma espécie de ritual que diverte certa parcela da população ligada ao RS.

Não, o cavalo não é uma motocicleta que já vem de fábrica com acelerador, freio, marcha-a-ré e embreagem. Esses comandos todos são aprendidos, à custa de dor e, dali pra diante, temor para o resto da vida. Claro que a patricinha-de-feicibúqui que ‘adora cavalos’ e volta e meia vai a um sítio com passeios de montaria, jamais ficou sabendo disso. Não foi aos bastidores ver o choro do palhaço.

Porque estamos acostumados a ver o cavalo já com os arreios, com os apetrechos todos, na boca, cabeça, pescoço, costas, barriga. A propaganda é pesada, e mesmo um cavalinho de pelúcia, fofo, para dar de presente à namorada, já tem um arreio na boca. Reparem.

E há quem se auto-intitule vegano, aboliticonista ou defensor dos direitos animais, algo cool, e ao mesmo tempo passeia no lombo de um equino. Falo aqui 1% da dor física – sim, já existe a ‘doma racional’, parente do abate humanitário – e 99% da dor moral, uma vez que aquele quadrúpede vai passar o resto da vida obediente, Joãozinho-do-passo-certo, temeroso da próxima vez em que *aquela* dor vai voltar. A prova é que o ‘freio’ do cavalo-motocicleta é um puxão nas cordas, com mais ou menos força.

NInguém ousa se mexer na cadeira do dentista, quando *aquela* dor apita, não é mesmo?

E não citarei aqui a parte, digamos, odontológica aplicada ao nosso amigo cavalo, a seco, para fins de encaixe dos acessórios apropriados.

Bem, em 1984 fez muito sucesso uma música gauchesca – sim, há que se ter trilha sonora para o narrado acima – composta por Roberto Ferreira e Mauro Ferreira, chamada ‘Morocha’, cantada por um conjunto intitulado Davi Menezes Junior e Os Incompreendidos.

“Aprendi a domar amanunciando égua / E para as mulher vale as mesmas regras / Animal, te pára, sou lá do rincão / Mulher pra mim é como redomão / Paleador nas patas e pelego na cara”, diz o refrão da música. Traduzindo para a língua falada no Brasil, mais ou menos quer dizer que o autor aprendeu a amansar éguas, e aplica o mesmo procedimento às fêmeas de sua própria espécie, inclusive com uso de uma espécie de algemas e venda para os olhos – que fazem parte da doma equina, conforme o caso.

No vídeo disponível no YouTube, o cantor se apresenta com chicote na mão, e uma elegante senhora da platéia – com uma estola no pescoço equilvante a umas quatro raposas – passa o tempo todo vaiando e xingando os músicos. As demais mulheres focalizadas pela câmera aplaudem ou permanecem comportadas.

Curiosamente, uma música similar foi lançada em resposta à primeira. Intitulada ‘Morocha, não’, de Leonardo, um dos mais conhecidos cantores-compositor da música regional do RS, já falecido, respondia às bravatas. “Ouvi um qüera largado, gritando em uma canção / que as regra pra um ser humano é a mesma dos animais / que trata que nem baguais
maneando patas e mão” diz um trecho. Nota-se, claro, o especismo. Não podemos ser ingênuos. O refrão é “morocha não, respeito sim / Mulher é tudo, vida e amor / Quem não gostar que fique assim / Grosso, machista e barranqueador”.

Barranquear, traduzindo, é estuprar – isto vai ser contestado, mesmo que mentalmente, por muitos, que não vão se manifestar por vergonha – uma égua fazendo uso de um pequeno declive para que, digamos, os genitais fiquem na mesma altura.

Uma espécie de ritual que diverte certa parcela da população ligada ao RS.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Chapolins, Fast food e o Brasil do PêTê

Comprei alguns brinquedos do Chapolin, os dois últimos que sobraram, na segunda vez que fui num fast food. Você sabia que no México, chapolin é um inseto que se come frito?

A primeira vez que fui a um fast food você pode conferir aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/11/cha-com-amigas.html
Estes são os chapulines. Te dá nojo?
Eu não. Parei de comer animais por compaixão e princípios.
porque antes dava no mesmo comer camarão, franco, miúdos ou qualquer outro animal.





Me deu muita lástima ver adolescentes, praticamente ainda crianças, que poderiam estar namorando, ouvindo som, escrevendo poesias e principalmente lendo, ou fazendo o que queiram, tendo que fazer nada mais nada menos que: trabalhar! E não pense que eu, do outro lado do balcão, estava incólume.

Se você quer saber, as relações de trabalho são praticamente maneiras de ferrar com o empregado e proteger o patrão. Você recebe benefícios ínfimos e se não aprender a economizar por si só, estará perdido. E as mulheres, que se cuidem. Elas perdem mais, do começo ao fim. Especialmente por não terem boca, por acreditarem em promessas. Maioria numérica, precizam tirar do cérebro o comportamento de minoria e ajudar as que realmente estão em situação de fragilidade. E hoje a moda é ser chefete. Todo mundo recebe a lisonja do poder. Um crachazinho de preposto e já começa a humilhar os colegas. Quase sempre ganha o mesmo salário que os demais. Pura ilusão. Como o patrão sabe que os idiotas adoram poder, distribuem-no à vontade, para fazer os desgraçados se fartarem e obedecer ao comando sem pensar. Isso acontece em bancos e nas grandes empresas de telecomunicações, etc. Mas até mesmo onde não se ganha um centavo, em partidos e grupos sociais, tem gente se matando por um pouquinho de glória.

Não pense que, esta empresa de fast food é a única, ela é apenas um alvo de esquerdistas, como a coca, a cola, como o PT. (Como se o Brasil, antes deste partido, não fosse um antro de picaretas. Como se o colllor, não tivesse apenas dado dois passos para lá e tivesse só tirado umas férias, continuando firme e forte, sem nunca ter saído do poder. Acordem povo idiota e iludido. Ele, curiosamente também faz parte das poucas famílias que controlam a mídia com mão firme.
Tudo é um blefe eterno e todos caem como crianças torpes.)
Você pensa que agora está tirando a Dilma (mulher que eu admiro, mas não tenho partido nem sou puxa saca de ninguém) do poder com seu blá blá blá de pseudopolitizado sem memória, caindo no papo da mídia golpista,  mas está apenas indo com a corrente dos que querem te enrolar e continuam aumentando seus salários e surfando nos eternos benefícios autoconcedidos. E a polícia continua batendo em pobre, os direitos sendo suprimidos, a corrupção antiga, que agora até estava sendo combatida e divulgada (por isso a gentarada está possessa), ainda segue forte, mas vc (você) segue na sua ilução celular (não o aparelho telefônico, e sim o genético).

Quem quer criticar muito o mac, o fast food, etc, desligue antes sua TV.
Eu não tenho televisão em casa desde a adolescência, na época era apenas pela minha juventude e mil vezes melhor ler, ter amigos, namorar e sair à noite do que ficar em casa ver estaticamente o óbvio! Eu caminhava muito, como até hoje faço, à noite até em cemitérios, e conhecia todos os lugares. Eu amo rádio até hoje, mas me concentro só na Internet e Ondas curtas que são isentas, sou louca por música e não entendo quem gosta de TV. Não me ligo em filmes, não me interessa mesmo. Vejo alguns de vez em quando, mas não morro por isso.
Hoje eu não tenho TV pois sei que os donos da mídia, dominam tudo, escolhem o que o populacho vai ver. A mídia golpista enfia o que quer no rabo da população.
E aqui neste Estado, uma em particular explora os funcionários de maneira cruel. Nem entro aqui em detalhes, pois daria uma reportagem. Coisa que os bons jornalistas já fizeram e você leitor já deve ter lido, claro que sim.

Mas o pior são os chefetes dos jornalecos ostentando crachás nas ruas como se fossem os escritores seculares. E mais asquerosos são os puxa sacos de tais figuras.

Quem se espanta muito com o trabalho escravo na China e abre um bocão para falar do símbolo dos fast foods deveria parar de comer carne, ler sobre a exploração dos donos da carne, os grandes e os pequenos, e não ver TV, nem todo o pacote midiático controlado.

O trabalho em si já é algo nocivo pois nos rapta boa parte da cognição, nos rouba a vida. O 'trabalho' criativo não é trabalho, é outra coisa. Mas o que aquelas pessoas fazem ali é matar sua própria vida, seu tempo, sua liberdade. Em troca de quê? Já sabemos, de combustível para alimentar uma roda sistemática cruel.

Eu via aquelas meninas ali, oito (8) horas por dia, domingo, algumas nem seios tinham (saliento isso, pois essa é uma fase sensível para uma mulher, não é o momento de estar enfiado num regime de escravidão. Ainda somos crianças e mulheres ao mesmo tempo. Não temos que ficar servindo batata frita para pessoas impacientes), tendo que aguentar o consumidor típico, que se acha rei, só por que paga, pois ele também trabalha e aguenta a carga da exploração.

Gostaria de saber e não sou só eu, quem foi o crápula que criou essa armadilha e por que todos compactuam com ela, se não somos formigas?

Pois a espécie humana está longe da bondade, precisa se aplicar muito para tal. Parece que nascemos para o mal. E ser bom exige um esforço sobrenatural.
Mas há muita gente boa e estamos tentando. A revolta que nasce dentro de alguns é uma pista disso e não vamos parar.

Aqui está um manifesto contra uma das empresas e desconfio que não seja por bondade, que seja apenas porque é desigual e gera menos lucro para as outras lojas... Leia: http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/mundo/brasil/noticia/2015/02/24/brasil-adere-a-movimento-global-de-trabalhadores-contra-mcdonalds-169613.php

E para quem perdeu o folego, pois é muito assunto ao mesmo tempo, lembre-se que tudo está interligado.
Fiquei muito tempo sem entrar aqui por que também vendi minha alma para deus.
E, quando volto a escrever, é o sangue que verte pelos dedos, o ódio e o amor que se misturam. As lembranças das coisas que me revoltam e as experiências vividas que precisam ser expostas, para que outros se identifiquem. Tudo é misturado, livre e sem regras. Chega de polícias, chega de chefetes e ideologias, não sigo absolutamente nada.

E me sinto lisongeada quando sei e sinto que tenho meus poucos leitores sempre fiéis, os velhos e os novos já salpicados de sal.
E sinto uma espécie de prazer quando o que escrevo provoca a ira dos que se incomodam com o que não deveria incomodar, com os preconceituosos e chatos que entram aqui só para bisbilhotar. Aí é que reconheço secretamente que cumpri com meu objetivo: desobedecer e provocar - seja a reflexão, seja o desmonte, seja o deboche do orgulho e da ignorância.
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