quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Flowers for the dead brother

Trancam o louco no quarto.
E voltam-se para a minha lucidez.
 Há alguma coisa errada
com a bondade de Deus.
A inocência é cortada com vidro. Um ursinho, objetos guardados em uma caixa. Para nunca mais.
Trasntornando palavras, amortecendo a dor. O amor sepultado, a poesia floresce.
Eu levo flores, mas não há nem vasos para as receber.
Eu roubo os vasos de outras tumbas. Ele nunca teve nem um quarto para dormir!
Você não sabe o que é viver só, neste imenso hospital.
Só sei o que mora em mim, o silencioso sabor do fim.
Silêncio e nada. O depois, o poema feito, das dores reformuladas. Todas as melancolias transformadas em palavras lúgubres, a morte transparecida, entrelaçada, recortada com o sangue roxo.
Abro a caixa. Ali, só pequeninas coisas, carentes de sentido para o mundo, que o abandonou, no seu nascimento e até hoje, sempre, na solidão eterna da loucura.
Esta solidão que também carrego dentro de mim.
A solidão da lucidez, da desventura.
Ellen Augusta
 

Presentes de amiga - Pó de Lua

 Entre os presentes que recebi na caixinha que veio pelo Correio, minha amiga escritora Maria Helena Sleutjes me enviou este precioso livro de poesia, todo colorido! Chama-se Pó de Lua. É de Clarice Freire e tem uma poesia visual muito interessante, que te faz virar o livro de ponta a cabeça, meio infantil, meio fantasia, poesia, simplesmente adorei.
 Já viram vocês que eu não escrevo este tipo de poesia. Nunca me passou pela minha cabeça obscura, formar estas palavras neste tom aberto, e olha que elas tocam profundamente na alma. Elas falam sim, de dores, de perdas, de sonhos... mas eu já entrei por outra esquina... E poucos devem imaginar o porquê.
"Para diminuir a gravidade das coisas" ela diz em seu livro.
 O meu colorido tem outras cores. Mas pego estas também, conforme a lua, como ela diz neste livro. Na minha adolescência eu tinha umas poesias assim. Depois apaguei tudo, e comecei a escrever de outra forma. Mas eu gosto mesmo é de escrever 'de corrido' como se diz em espanhol informal. Gosto de prosa, e me sinto melhor nisso. A prosa poética é a melhor forma de poesia. E cada um sabe onde seus olhos captam mais e melhor o poema. É na melancolia que eu colho os meus, mas não só! E assim falam os portugueses...



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Primeira Feira Vegana de Porto Alegre

A Vanguarda Abolicionista foi convidada pela Delivery Veg para participar da Primeira Feira Vegana de Porto Alegre, que foi sucesso total de público.
Confira as fotos do evento:
foto Marcio de Almeida Bueno http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
foto Marcio de Almeida Bueno http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
Distribuímos grande quantidade de material informativo nosso e do Vida Universal, conversamos, informamos e nos divertimos muito com as pessoas. Eu não parei em lugar algum, em nenhum momento. Eu comi pouquinho, pois de tanto tagarelar, acabei esquecendo de comer. Tinha tantas coisas legais, o clima estava especial.
foto Marcio de Almeida Bueno http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
Encontrei as leitoras do meu blog! Aqui está a Cintia Vida, que sempre me acompanha por aqui e lá no evento. Impressionante foi ver a quantidade de pessoas, das mais variadas idades e estilos. Amei!
foto Ellen Augusta
Eu me encantei por essas linguiças e 'peito de peru' veganas. Festival de comida vegana... de fazer inveja aos bocós... que acham que passamos fome... te mete???
foto Ellen Augusta
foto Ellen Augusta
foto Ellen Augusta
foto Marcio de Almeida Bueno http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
comidas veganas da Rosanne Pizzato
foto Marcio de Almeida Bueno http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
produtos da Delivery Veg
foto Marcio de Almeida Bueno http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
Quindim vegano da Rozanne Pizzato!

Quantas bolsas famílias o Brasil tem?

É interessante ler esse direito de resposta.
Lembrando sempre que eu, que não pertenço a nada, nem acho que o voto signifique algo neste sistema político manipulativo e sujo, não compactuo com jornalismo partidário.
Estar aqui e ali, percebendo tudo, notando e apontando as injustiças e não pertencer a esta corja, é mais do que um prazer, é um dom.
E, povão, páre de achar que rico merece grana (dinheiro público, seu), e pobre não tem direito, tá fazendo favor, não quer trabalhar, é ladrão, etc...Com essa mentalidade de pobre, você não vai a lugar nenhum.
O direito de resposta é justo, pois quem enche a boca para falar mal do bolsa-família não sabe das bolsas dos ricos e não sabe de História, da grande dívida que este país tem com o povo que o país explorou até não mais poder. É muito fácil falar quando você pensa estar no lado dos 'vencedores' e não tem empatia pelos demais.
Direito de resposta

Na última edição do Jornal Panorama Regional, do dia 31 de outubro de 2014, o colunista Célio Pezza faz uma série de afirmações infundadas sobre a eleição da presidente Dilma, que por uma questão de justiça precisam de esclarecimentos.
Primeiro, é preciso lembrar que as regiões Sul e Sudeste do país deram dois milhões de votos a mais à presidente Dilma Rousseff, do PT, do que as regiões Norte e Nordeste. No Sudeste e Sul, a petista conquistou 26,6 milhões de eleitores, o que equivale a 48,8% de todos os votos que ela teve no Brasil, vencendo inclusive no Rio de Janeiro e Minas Gerais, Estado que o candidato Aécio Neves, PSDB, governou por oito anos e usou como base para seu plano de governo nesta eleição presidencial. No Nordeste e no Norte, a presidente recebeu 24,5 milhões de votos; número que representa 45% de toda a votação. Até as crianças pobres aprendem a fazer contas no Nordeste, no calor do Sertão. Um incentivo é que o Bolsa Família exige que os beneficiados estejam frequentando a escola. Talvez por isso, Dilma tenha feito 71,5% dos votos na região.
Em segundo lugar, é preciso estudar a História do Brasil e entender por que algumas regiões do Brasil estão mais desenvolvidas e outras menos, e qual a importância dos programas de transferência de renda para corrigir ou minimizar os erros históricos, que se acumularam em quinhentos anos de colonização. Sou privilegiado porque meus bisavós, que vieram da Itália, foram assentados em um lote de vinte e cinco hectares, no interior de Veranópolis, no melhor modelo de reforma agrária promovido pelo Governo Imperial, em 1875. Pouco depois, em 1888, através da Lei Áurea, a libertação dos escravos não teve uma política pública de inclusão do povo recém liberto, e milhões de negros ficaram teoricamente libertos, mas sem terra, sem emprego, sem renda mínima. Tanto que alguns historiadores relatam muitos casos em que os ex-escravos voltaram para as fazendas, nas mesmas condições que viviam na senzala, em troca de um prato de comida.
Em terceiro lugar, nos Governos Lula e Dilma, foram criadas mais escolas técnicas federais e vagas em universidades federais que em toda a história do Brasil, em todo o território, tanto no RS, como no Nordeste brasileiro. A geração de emprego, tanto aqui, como no Nordeste, também foi recorde nos Governos Lula e Dilma. Tanto que os beneficiados do Bolsa Família têm preferência nas vagas dos cursos do Pronatec.
Temos uma Bolsa Família, e vinte e cinco tipos de Bolsa Empresário - vinte e cinco programas de incentivo às empresas brasileiras e agricultores, com descontos de impostos e juros subsidiados, pagos pelo Governo, via contribuinte. Na Inglaterra, são mais de trinta diferentes tipos de bolsas. Algumas são justas, outras controversas.
É preciso lembrar que quem cadastra os beneficiados no Bolsa Família, bem como tem a obrigação de fiscalizar a renda, periodicamente, são as Prefeituras. Denúncias sobre alguma irregularidade percebida em sua cidade podem ser feitas no site do MDS - http://mds.gov.br/bolsafamilia/fiscalizacao/denuncias
O Governo Federal recebe, através da Controladoria Geral da União - CGU, denúncias de corrupção de todas as esferas, que envolvam recursos federais. Depois, cabe ao Poder Judiciário julgar e condenar os culpados.
* Luciano Zanella, presidente do PT - Veranópolis

sábado, 8 de novembro de 2014

Ajude o meu blog Desobediência Vegana

"Trabalho em cartório, mas sou escritor. Perdi minha pena, não sei qual foi o mês." Raul Seixas
Meus botões de pedir grana já estão prontos. E hoje vou contar uma história, que como tantas, são o motivo, o único motivo que me obriga a escrever: a revolta. A existência, descobri antes mesmo de saber que existia Émile Cioran, para mim é algo revoltante!
Uma história de suicídio, contada por alguém, sobre outra pessoa, que eu nunca vi. Isso já basta, para provocar em mim, um furacão de palavras. Foi apenas uma cena. O rapaz, empurrando seu pai, em uma cadeira de rodas. Ele tinha um problema. E cometeu suicídio.
Somente essa cena me fez derramar os rios de solidão que haviam dentro de mim e que ninguém imagina o quanto são tristes.
Uma cena, é um instante, não vivi. Não sei que pessoas são. Pensei. Se eu, assim mesmo como sou, já pensei em zarpar dessa umas vinte mil vezes, sinto compaixão por alguém, por essa cena, que se apresentou diante de mim. E que a sociedade finge que não existe, pois vive com o olho e o dedo em outro lugar.
No minuto seguinte estava rindo e comendo. Sou assim. Minhas trevas não impedem a serenidade. Nem a alegria.
Chorei à luz do dia. A dor não pode ser motivo de vergonha. Meus cinco ou seis leitores sabem que eu escrevo sobre dores, infantilidades, decoração ou meus brinquedos do Chaves e sobre muito mais, além. Pois é isso mesmo o que sei oferecer. Estou aprendendo. A inspiração, vem de séculos de escritores, que amo e admiro. Mas não me iludo de que me pareço com eles.
Quando criança, desenhava. As palavras hoje sangram de meus dedos e desenham o mundo, tomaram o lugar das imagens. O olho é o instantâneo choroso, o suicídio do objeto que eu não vi, mas vivenciei, pois aconteceu também em mim. Por isso é que sigo aqui e, por hora, ainda não parti, junto com o fato em si. O que sobrou foi a caneta, lápis, dedos no teclado - a dor da lembrança do que precisa sair em forma de -escrita.

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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Gordofobia e magrofobia - quando as palavras segregam

A solidariedade bate em um muro chamado dicionário.
Quando você sofre preconceito e quer ser solidária com outras mulheres, mas é segregada por elas, é discriminada por causa de detalhes, de ranços, teorias que saem do plano prático e beiram ao delírio. Para mim chega. Esses dias eu li numa postagem de alguém que magrofobia não existe. Abaixo os comentários eram debochados, perversos. Pensei: "Ih, acho que entrei no Clube da Luluzinha errado. Aqui é para gordas, eu não posso falar".

No post Eu também sou gorda, que você pode ler aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2013/10/eu-tambem-sou-gorda.html eu escrevo sobre o que passei na adolescência, e sobre como me identifico com o problema que muitas meninas passam hoje, a discriminação. Pelo visto, nada mudou. Continuo sendo a magra, discriminada. Não tenho direito de abrir minha boca. Parece que magra não pode falar.
Nesta outra postagem, falo sobre as dietashttp://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/08/gordofofia-se-combate-com-sabedoria.html
Sobre os problemas com a baixa auto estima, que não é exclusividade só de alguns tipos físicos escolhidos por deus, você pode ler aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/06/alta-e-baixa-estima.html.
Quando um segmento feminino toma para si os problemas do mundo e acha que ninguém mais tem o direito de tê-los, a coisa torna-se complicada.
Só as gordas sofrem? Homem não pode ter o direito de se aliar às mulheres? Ou seja, o 'inimigo' deverá ser eternamente o inimigo. As magras, estão condenadas a serem as 'eleitas', mesmo sofrendo em silêncio.

Quem nunca leu um livro feminista não sabe que não é bem assim. Naomi Wolf, antes de inventarem o Facebook, já incluía as magras no sistema de exploração da beleza.
Eu estou, no momento, lendo só as feministas veganas. Não acredito em tudo o que vejo, nem em tudo o que está escrito.
Já conheci feminista com preconceito contra as travestis! Que idiota. Minorias contra minorias...

Magrofobia, gordofobia e outros termos (recentes) do gênero: 
Algumas feministas dizem que não existe o termo magrofobia. Talvez não exista porque alguém chegou [antes] e deu um nome para algo mais evidente dentro da sociedade de consumo atual, que valoriza a magra bonita, mas não a magra feia e, para o resto, deu o nome de bullying.
Então você ignora que exista magrofobia? O que dizer então sobre o bullying contra crianças magras por exemplo, que foi o que eu sofri a infância inteira e adolescência? Vamos fingir que isso não existiu e não existe mais, só por que sua dor é mais importante?
Na escola, muitas formas de discriminação são praticadas hoje, contra meninas gordas e magras. Palavras novas, como tais, ainda precisam ser pensadas. Vamos deixar os meninos de lado? A infância precisa ser dividida?
Na minha época, havia preconceito na escola contra as magras, pois o padrão de beleza era ligeiramente diferente. Existia sim, o culto à beleza 'magra' em alguns setores sociais, mas existia um culto à beleza curvilínea. As 'secas' como eu, eram ridicularizadas. Eu era uma criança, e já sofria isso.
E, se um segmento não quer compartilhar a dor com ninguém, algo está errado.
E aí parece que a 'magra' precisa ser excluída, o 'homem' precisa ser execrado.
Puxa, eu sei bem o que sofri, quis ser solidária com uma feminista que estava escrevendo sobre o fato de ser gorda, mas não fui 'aceita'. Pois parece que não existe sofrimento no mundo das magras.
Que torpe isso.
É por essa razão que a mulher continua sendo dividida para ser explorada, assim como toda a mercadoria a ser manipulada pelo sistema que os 'libertários' querem combater com "palavras", "termos", mas não com união e sabedoria.

Eu não pertenço a nada - o título feminista ali em cima do blog é para provocar algumas feministas que sempre me olham na rua de cima a baixo, e ficam procurando na minha roupa, cabelo e corpo, algo para me enquadrar, e também para provocar o povo de direita que fica puto da vida com minhas ideias -

Quando assisto de longe essa situação, essas mulheres cumprindo estereótipos, brigando entre si, e me corrigindo toda a vez que eu vou falar algo, desabafar, ser solidária, manifestar meu feminismo natural e justo, eu vejo, nitidamente, como nos tempos de colégio, os velhos grupos de meninas divididos entre si.
As gordas contra as magras, brigando por causa de meninos, por causa de comida, por causa de inveja, por causa de notas ou atenção de professores. Eu vejo apenas mudados os ambientes, mas a mesma infantilidade, nesse ar de reprovação, de negação, em que as mulheres se reprovam umas às outras.

O uso exagerado de palavras inventadas não me convence pois separam, provocam o mesmo efeito que querem combater.
Palavras novas não me convencem, quando as atitudes de segregação, ainda são as mesmas. É o velho jogo de meninas. 
Não me interessa saber sobre as origens das palavras, dos termos, pois simplesmente detesto apegos ao dicionário, polícia das palavras, vigia dos vocábulos, colocar o X ali ou acolá me parece neura ou TOC. Acho ridículo alguém ir buscar nas grades de sua cela a liberdade, e querer usar os cadeados como peças de libertação. Me cansa ver alguém mudando as palavras de lugar o tempo todo, como se isso fosse garantia de alguma liberdade, e não apenas um teatro de sua inutilidade frente a um mundo opressor, que ri de tudo isso. O dicionário, assim como qualquer tipo de controlador da linguagem ou do que quer que seja, é um objeto repressor tão forte quanto qualquer outro, e é apenas mais um, controlador!

Feiras, fragmentos e orelhas dos livros

Abrindo a esmo qualquer livro do escritor que mais adoro, eis a agradável surpresa:
Todas as fotos feitas na Feira do Livro de Porto Alegre.
Foto Marcio de Almeida Bueno/http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
"Madrugadas intermináveis quando as estrelas pareciam coladas a uma imensa geleira cor de prata e quando todos os relógios do mundo pareciam andar para trás, como se precisassem dar mais tempo a dor, a dor tanto daquele que estava "possuído pelo mal", como daqueles que o haviam levado ali para os braços de Dymphne. Muitas vezes o sofrimento dos "responsáveis" pelo doente é muito maior do que o próprio doente." Ezio Flavio Bazzo em Dymphne A Santa Protetora dos Loucos
Foto Marcio de Almeida Bueno/http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
 "O trem mergulha na neblina sem alterar em nada sua suavidade e sua marcha, enquanto por debaixo dos assentos "emerge" um calor voluptuoso. Vamos em silêncio, ela e eu, em busca da tumba de van Gogh. Acabamos de saltar da cama, ela antes de mim, quase sonâmbula de tanto vinho e de tanto gozo. Desta vez foi ela quem tomou a iniciativa, enquanto eu fingia que dormia: brincou com meu pau, lambeu-o, apertou-o com uma certa violência e depois encostou-se nele com as pernas abertas, a buceta úmida e o introduziu em si bruscamente." Ezio Flavio Bazzo em Necrocídio
Foto Marcio de Almeida Bueno/http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
 "Para aquele que sabe o que na realidade há de passar, as crianças são inocentes condenados (não à morte, mas sim à vida) que ainda não sabem o conteúdo de sua sentença." Ezio Flavio Bazzo no livro Mendigos Párias ou Heróis da Cultura?
Foto Marcio de Almeida Bueno/http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
Foto Marcio de Almeida Bueno/http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
"A escrita como dependência. Basta um furacão inconsciênte derrubar os muros da repressão e eis-nos de caneta em punho, dissimulando sentimentos, aventuras, pesadelos, culpas, sonhos abomináveis ou, por que não, satânicos..." Ezio Flavio Bazzo em Lênin nos subterrâneos do CONIC

 "Como admitir passivamente a idéia de que a garrafa de vinho de quatrocentos Francos será, duas horas depois, uma garrafa de mijo fumegante, sem sentir-se explorado, humilhado e transformado numa espécie de homo-alambiquis? Mas todo esse conflito, os homens e as mulheres se negam a expressar em público, silenciam a respeito e fazem de conta que não possuem cinco metros de intestinos. Quando muito, apenas as privadas o conhecem, porque é lá, dentro delas, que cada um expressa sua (indiferença), sua escatologia voluptuosa ou sua mais genuína viagem esquizofrênica."Ezio Flavio Bazzo em Toaletes e Guilhotinas - Uma epistemologia da merda e da vingança
Foto Marcio de Almeida Bueno/http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
"Tanto as fotos como os textos contidos neste trabalho podem ser usados por qualquer um e de maneira que bem entender. Aqueles que quiserem citar a fonte, que o façam ou por ética ou por reverência, jamais por medo da carriola de editores ou da Lei."
"Dedico este livro ao meu irmão Agenor morto ironicamente no último domingo de carnaval. A ele que foi o "herói" de minha infância e que preferiu viver seus últimos quarenta anos mergulhado nos abismos da embriaguez a fazer o jogo hipócrita e risível da cultura. Sim, a ele, que sem nunca ter lido nada de Vargas Vila foi sempre o mais soberbo e o mais magnanimo dos vargasvilianos."  Apresentação e dedicatória  do livro Assim Falou Vargas Vila, de Ezio Flavio Bazzo, Companhia das Tetas Publicadora.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Poema ao Não-Amor

Incólume, a buscar a água.
As ruas nuas, o vestido sujo, as rendas negras,
À borda do rio, as botas de cano alto, prontas para cair.
O fantasma sempre a me rondar,
Me salvou - me carregou.
Não pode morrer - quem morta está.
Não pode amar, quem amada é.

Rios opostos a correr. Em meus sonhos, suas lágrimas correm.
E caminham como pés descalços.
 

Jurei por fantasmas. Estavam todos aqui. Os religiosos? Cegos.
Meus olhos brilham, ao te ver.
Vivo, por teu nome, mortos, por tua dor.
Dorme pedra ferida, em um coração amigo. 
Ellen Augusta

A luz antiga do farol

São espelhos, sozinhas
Durante a noite, frias
uma para a outra - amigas.
A luz antiga, vem do farol e ilumina, os espelhos malditos, de navios abandonados.
A neblina da noite, cega.
Elas se perderam na estrada, que levam àquela casa.
Sempre que escorre pelas mãos, a saudade.
O amor esquecido não fala ao telefone.
Letras apagadas, porque doeram ao serem formadas,
O amor antigo ficou só, no estranho dos sonhos.
Encontrei-o, no navio...ajudou-me a fugir das ondas.
Com mãos feridas, deixei-o partir.
Lágrimas de saudade, dores de infância, desejos de irmã.
A angústia das ondas, a saga das estrelas. Os passos da solidão. Chuvosos, sapatos altos, sonhadores pés, atravessando a ponte, o navio entre as ondas, as mãos a me segurar.
A ternura, tem nome, e tem olhar.
Ellen Augusta

Pepe ou Papi - o Mujica do Churros vegano

Foto Marcio de Almeida Bueno http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
Com o frio que fez hoje lembrei da banca de churros do Papi, o uruguaio, que fica lá na rua Nova York. Ele é a cara do Pepe Mujica. E é o rei da simpatia. Ele vende o churros de goiaba, totalmente vegano. E delicioso.
Foto Marcio de Almeida Bueno http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
Conheci ele quando passamos pela rua e meu OlhO captou a palavra Goiaba! Puxei meu marido e disse: ali tem opção vegana de churros. Pois eu conheço a massa de churros. A receita espanhola é vegana. Foi o que me confirmou Papi, o churreiro que entende tudo, e que me queria fazer provar a massa a qualquer custo! Eu tive muito trabalho para dizer não, queria me certificar de que era realmente livre de leite, ovos, etc... Mas logo ele nos convenceu, com seu espanhol fluente, muito misturado a um português igualmente fácil de compreender. Eu, pelo menos entendi tudo, pois adoro linguagens, gírias e misturas locais.
Foto Marcio de Almeida Bueno http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
Óbvio que eu tinha que perguntar, sobre o Churros do Chaves! Eu já sabia, mas puxei assunto com ele. Ele me explicou que é o churros espanhol. A receita, como disse acima é a mesma: farinha e água. Com açúcar. Costumam fazer uma rosca gigante, e cortam em pequenos pedaços, como vemos no capítulo do Chaves. E não tem recheio, que é para molhar no chocolate. Lá eles costumam tomar com chocolate quente, como tentou fazer o professor Girafales, mas não deu, pois o Chavito estava embaixo da mesa roubando os churros.
E o mais legal é que todo mundo que chega lá comenta sobre o churros do Chaves, conta Papi. Mostrando que Chaves é ícone não só para mim.
Em vários momentos fui ali conversar com ele, e comer churros de montão. Papi atende a todos e sempre tem uma palavra, uma história para contar, sobre sua vida, sobre seu trabalho. Se alguém quiser aprender sobre como atender bem, ser próspero no trabalho e na vida, não precisa fazer cursos, coisas complicadas, basta ir ali e ver como ele trata as pessoas. E no verão tá valendo churros também. Basta tomar um refresco de tamarindo.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Delivery Veg - opções veganas para pedir em casa!

Recebi amostras de produtos veganos da Delivery Veg http://deliveryveg.com.br/
É a primeira tele entrega de produtos veganos para Porto Alegre e Região Metropolitana.
Super equipada com tudo o que merecemos: quitutes, maquiagem, produtos de higiene e beleza, fast food, coisinhas naturais também e mil detalhes incríveis, que vale experimentar.
Os produtos são veganos. Confira também no Face: https://www.facebook.com/deliveryveg?fref=ts
As amostras que recebi foram shampoo e condicionador da Surya Brasil e lava louças da BioWash. Ambos muito difíceis de encontrar nos supermercados. Aliás, quase tudo que a Delivery entrega não se encontra facilmente. É por isso que é legal comprar pela tele entrega.

Genial! Centralizaram muitas coisas que a gente quebrava a cabeça procurando...

Domingo estaremos com eles no Primeiro Bazar Vegano de Porto Alegre.
A Vanguarda Abolicionista recebeu este convite da Delivery Veg e teremos a honra de participar deste evento, junto com outras entidades legais, pela causa. Acontece das 11h às 20h com entrada franca. Apareça!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Chá com amigas

Encontrei minha leitora Cintia no shopping para tomarmos nosso chá! Mas nossa Cerimônia do Chá quase foi interrompida pelo péssimo atendimento recebido em um estabelecimento do segmento. Saímos de lá, bem indignadas, mas rindo a toa, já que nosso intuito era conversar, e nos encontrar! E sabe onde fomos dar? Ops, parar?

Fomos lá no antro do consumismo (como se tudo o mais não fosse neahh?). Sim, lá foi o primeiro lugar que apareceu na nossa frente. Eu nunca fui nesse estabelecimento. Nunquinha. E, quer saber? Fomos super bem atendidas por um rapaz chamado Bruno. Tomamos o bom, velho, e clássico, Chá Leão.
Todo mundo sabe que eu amo o Matte Leão. O chá é de boa qualidade, embora tem muita grife que o quer desqualificar, para poder vender seu chá importado. Não vá atrás. Sinta você o sabor. Chá nacional também pode ser legal.
Sentamos ali no sofá, nem vimos o tempo passar. O dia foi muito legal, minha amiga estava de aniversário nessa semana. É especial poder ter ao lado pessoas tão importantes. E ela é minha leitora número um!
Nos conhecemos pois a gente vivia se encontrando em brechós beneficentes pelos animais!!!! E ela me dizia: sou tua leitora! E foi assim. Mil brechós aconteceram, ela é protetora de animais, nos encontramos em muitos brechós pelos animais que acontecem na cidade. Assim nos tornamos amigas. 
O mundo é um lugar legal, apesar de tudo!

Banana deselegante

No supermercado, a dama com cabelo de abatjour, não pode esperar cinco minutos na fila. Saiu nervosa, fez uma diagonal, furou a fila de uma forma insuportável e passou na frente de todas as pessoas, com uma banana verde, orgânica, na mão.
A desculpa dela, suponho, era sua pressa e sua banana.
Fiquei imaginando que tipo de boleta provoca esse efeito hilariante, que faz uma pessoa ter tanta pressa e falta de noção, a essa hora da manhã, e fazer esse papelão, ali, na frente de todo mundo. A ponto de a dondoca não poder esperar.
A sociedade não fala uma palavra. Porque ela tem determinada aparência.
Gosto de desenhar estes quadros de deselegância, de mostrar essas grotescas formas de vida, para que vejam, como são os estereótipos, que todos ajudaram a construir - e reforçar.
As regras de etiqueta não serviram para nada.
De que adianta ter uma aparência de 'pessoa bem sucedida', ir ao cabelereiro e ter aquela 'aura' de sucesso, mas ter uma atitude desequilibrada?
Para nossa sociedade adianta sim. Esse modelo é aceito e reforçado. Todo mundo fica em silêncio. A atendente não se negou a atender. A pessoa anterior não disse nada.
Depois o mesmo sujeito, mesquinho no dia a dia, mau caráter até, vai dar uma de Brasileiro Patriota, quer dar uma de consciente. Vai ali na rede social se meter de cientista social. Não tira aquele dedo idiota do celular, mesmo dirigindo, ou conversando com alguém. Só fala merda e quer dar uma de ativista, fazendo aquele papelão de pedir a volta da ditadura, com direito a manifestações, com o adesivão do seu candidato de direita reaça na bunda do carrão. Querem pedir a anulação das eleições, pois a candidata que eles não escolheram, venceu.
Conheço bem seu perfil, e isso é o que me dá mais asco, quando este tipo de pessoa, comete um ato de deselegância ali, na frente de todos.

Ficam duas perguntas para meus leitores perspicazes:

Ela come banana orgânica pois se preocupa com sua saúde egoísta, ou por que tem medo de morrer?
E, em qual vaga será que ela estacionou, já que, ia ficar só alguns minutos ali dentro?

domingo, 2 de novembro de 2014

Día de Los Muertos

Estava na casa de um amigo e olhei para a parede. Quando levantei os olhos e vi o quadro ilustrando a Festa de Día de Los Muertos, do México, meu olhar brilhou para sempre. Naquela época eu era uma mistura de gótica, dark, poeta, triste e sensível, a melancolia inspirada nas coisas ligadas à morte. Como a religião não me bastava para exorcizar os demônios internos, deixei-os dominar-me inteiramente, através das delícias de estudar este tipo de assunto, atraente, fascinante e sem fim.
Eu amei aquela imagem, a noite iluminada, o cemitério cheio de pessoas, luzes por toda a parte, comida, e imaginei também as conversas, música e danças talvez e o aspecto da morte por todos os lados.
A festa é realizada no México e também nos Estados Unidos, por conta da grande parcela de mexicanos residentes ali. É tanto realizada por indígenas quanto pela população urbana ou rural. Sabemos todos que os mexicanos tem uma ligação fenomenal com a morte e com a religiosidade. Talvez por viverem num país extremamente violento, mas principalmente por manterem muito vivas suas ligações ancestrais, isso sim!
Pois a festa é celebrada muito antes da colonização hispânica. Daí vem o culto à Santissima Muerte, que a religião católica abomina. Mas que, porém, o povo jamais abandona, identificando nela, a mãe que leva as almas e protege a todos durante a vida. Alguns mexicanos desabafam dizendo que a igreja católica nunca lhes ajudaram em nada e, ainda, lhes tiraram a possibilidade de ter sua crença. A Santa Muerte é uma devoção tão forte e interessante, que na rua mesmo, a santa é adornada com cabelos humanos, flores e artefatos mexicanos. Já citei a Santa Morte muitas vezes neste blog, em breve farei alguma postagem sobre ela aqui. Pois obviamente, sendo ela uma divindade feminina, mexicana, e sendo a morte, sou sua fã!
No dia primeiro de novembro, é o dia de los muertos chiquitos, das almas pequeninas. E no dia dois, é o dia dos mortos adultos. Em algumas regiões, o dia 28 é o dia de quem morreu de acidentes, o dia 30 é o dia que se espera a chegada das crianças que vem do limbo, ou seja, daquelas crianças que não tiveram batismo. Não tem relação alguma com o Helloween, embora seja muito semelhante a ideia. Nossa velha tentativa de dar as mãos aos mortos e dizer um olá para a Morte.
Eu enfeito a casa pouco antes do dia 31, que é comemorado o Helloween na tradição americana, por gostar da ritualística toda. Obviamente, não estou interessada na religião original desta data (no Hemisfério Sul, Helloween/Samhain é comemorado em maio, e eu enfeito a casa da mesma forma pois adoro coisas ligadas à morte) mas no conteúdo simbólico e icônico. E já estendo toda a ideia até o dia 2 de novembro. A casa então está cheia de velas eletrônicas (aquelas que funcionam à pilha), abóboritas pequeninas, caveirinhas, um altar para a Santa Morte, pimentas, flores, meu mundo gótico de sempre e um pequeno fanzine que reproduz um poema de catrinas, antigo, que meu marido arrumou dos fanzineiros. Devo ter postado por aí no blog. É uma das minhas raridades. O poema é muito verdadeiro, e diz que de qualquer forma que você seja agora, um dia você se tornará uma simples caveira.

A publicidade das mulheres frágeis - e o seu silêncio

Há mais de dez anos eu li artigos de feministas questionando a propaganda de marcas que ilustravam mulheres em posições de submissão, fragilizadas, ou em situações de completa inutilidade, algumas imagens sugerindo que haviam sofrido violações, ou que estavam em posição de presas, ou mesmo em situação de inanição. A lista é longa, mas a noção é uma só: a mulher na propaganda, naquela época, era um ser objetificado, inútil, que apenas servia de manequim, para vestir roupas, usar jóias e sapatos.

O homem, em contrapartida, já era ilustrado como um ser arrojado no trabalho, com a família, em romances, no seu carro. De lá para cá eu observava isso por todo o lado. Se hoje isso mudou um centímetro, ainda continua pairando a mesma mensagem idiota: a mulher quer ser esse lustre de cristal.
Muitas mulheres acreditaram nisso, se iludiram, foram levadas a tal. Existe uma pressão mercantilista muito forte nessas campanhas. E fora delas, na sociedade inteira, silenciosa, o tempo todo. Mas, não vamos culpar os outros vida afora. Vamos nos responsabilizar um pouco. E, depois de adultas, nós mesmos podemos nos educar para a tomada de posição. Não é fácil e, eu mesma sinto as dores do peso de sair fora do padrão.
Ontem eu vi um out door com uma imagem de lascar! Uma mulher com as duas mãos na cara, tapando o rosto, de uma forma perturbadora. Para exibir as jóias.

Eu me pergunto: Em que situação da vida de uma mulher, é necessário fazer uma coisa dessas?
É muito bizarro. Os exemplos de propagandas em que modelos aparecem de pernas abertas, em posições ridículas, olhares meio retardados, são lugar comum. E o pior, essas 'inovações' também se estendem em propagandas infantis - e só para meninas. É de se perguntar qual é o projeto perverso dessa intenção?

Meninas/crianças, de meia calça, bunda de fora, perninhas abertas, calcinhas a mostras e outras situações em momentos inadequados, ilustrando brinquedos, roupas infantis. E mães infantilizadas não são capazes de abrir o bocão e se manifestar. Acham tudo a maior fofura.
Eu já ouvi de um homem a observação de que essas fotografias de caixinhas de meia-calça infantis são eróticas demais para serem expostas nas prateleiras de supermercados.

A última dos místicos dos produtos de beleza, é a polêmica propaganda da modelo passeando com sua bunda (como se fosse a bolsa nova) e os macharedo observando a retaguarda, quando ela olha e lhes pergunta: você sabe por que eu sou feliz?
Não é por nada que a colunista da rádio que eu ouço definiu tudo numa ótima pergunta: Oi? Agora a felicidade mora na bunda?

E enquanto você continuar achando que isso tudo é exagero, as mulheres continuarão a ganhar menos, enfiar todo o seu dinheiro no rabo dos grandes empresários, vendedores de ilusão para rejuvenescimento e casamento/felicidade e lixo para enganar trouxas, e os disparates entre os sexos continuarão cada vez mais evidentes.
As últimas listas de diferenças salariais estão cada vez mais gritantes no país. Não vou detalhar aqui. O estudo saiu essa semana, procurem!
O índice de estudo entre mulheres e homens estão cada vez mais desiguais e pasmem, quem estuda mais (mulher), ganha menos. Quem estuda menos (homem), ganha mais, segundo o estudo recente. Está na hora de abrir a boca e pedir aumento! Está na hora de apoiar a outra. E não silenciar.

sábado, 1 de novembro de 2014

Direitos humanos são para o ladrão ou animais são feitos para isso?

Publicado originalmente na ANDA em 7 de abril de 2012

As condições dos presídios no Brasil são péssimas e me choca ver pessoas com curso superior no velho discurso demagógico de que presos não merecem ter comida, condições de higiene, etc. Que esse dinheiro deveria ser empregado em outras áreas sociais.
É o velho clichê que todo ativista pelos animais já ouviu: por que se preocupar com animais se há tanta criança passando fome?
Por que a sociedade rapidamente opina sobre o que mal conhece, mas na hora de tomar uma atitude prefere ficar calada e omissa? No começo do ano houve uma consulta popular para a melhora nas condições dos presídios no país. Há dinheiro para isso assim como há dinheiro para a educação, mas por falta de interesse social, a educação está em último lugar na hora dos investimentos políticos. A consulta popular mal foi divulgada nas redes sociais… Por outro lado, nas mesmas redes, diversas imagens apontam para conceitos atrasados e reacionários sobre este e outros assuntos que são tabu no Brasil, mas que na hora das eleições sempre voltam à tona, não para serem discutidos, mas para servirem de apoio a este ou àquele candidato.
Por que na hora de exigir direitos pessoais todos são categóricos, mas na hora de colaborar socialmente ninguém quer começar?
A sociedade brasileira há muito tempo precisa acordar para algo muito sensível: o fato de um preso não ter um colchão podre e um prato de comida jamais irá minimizar a dor de quem teve um filho assassinado ou um ente querido ferido.
O tempo das cavernas e do olho por olho há muito tempo já passou. Há muita gente nos presídios, muitas dessas pessoas entram para o mundo do crime por causa da própria sociedade e não por que nasceu com uma ‘alma terrível’. E existem criminosos fora dos presídios que a população elege e os aceita como governantes. É quanto a isso que deveríamos refletir. E é claro que quem comete um crime contra os direitos humanos deve pagar mas não com outra violação, desta vez, de seus direitos.
Quando eu era criança, costumava desenhar tudo o que via. Quando visitava pessoas em situação de miséria, ao chegar em casa fazia um desenho da situação.
Hoje, não posso deixar de retratar as coisas que vejo e que considero injusta. Na causa animal já temos coisas demais com que lidar, uma incompreensão tremenda de nossa própria condição de animais humanos.
Para esta sociedade, ver um animal como coisa, como objeto a ser devorado não é nada absurdo, é apenas consequência de anos de condicionamento cartesiano, pois a mesma sociedade vê o outro como coisa e o vigia incessantemente.
Não consegui assistir até o fim o documentário Justiça, da cineasta Maria Augusta Ramos, mas sugiro para aprofundamento deste assunto.

Para terminar convido o leitor a conhecer este artigo do escritor Ezio Flavio Bazzo:

Os filhos do Ocaso/Ou o Caje é nossa Treblinka…
Entender porque os duzentos e tantos internos que estão confinados no CAJE cometeram tais e quais crimes e transgressões sociais não é difícil, o problema mesmo é compreender como é que uma sociedade que se diz religiosa, trabalhadora, democrata, moderna e altruísta (até socialista!) consegue seguir respirando e cagando ao redor de uma instituição dessas que, nos moldes de Treblinka, mantém enjauladas tantas crianças.
Não se agite funcionariozinho público ou comerciantezinho de bagatelas que vai se confessar todos os domingos, pois já sei tua opinião sobre esse assunto:
– Deviam era fuzilar esses bandidos! Não é verdade?
Pensas assim por ignorância e porque não consegues admitir que se teus filhos tivessem nascido no inferno onde nasceram esses “pequenos prisioneiros” estariam todos, como eles, atrás das grades e mais, pelos mesmos delitos. Ou segues acreditando que o problema deles é genético? Que pode ser explicado pelo espiritismo?
Há décadas os políticos juram que vão dar um jeito nesse aborto prisional e nada. Nos finais de semana as mesmas mães estão lá junto às cercas de arame farpado para, pelo menos, dar um abraço semanal em seus pequenos heróis. E saibam: os crimes daquelas crianças, quase sempre são expressões do desejo até de seus bisavós que, como elas, passaram e suportaram infernos semelhantes…
Apesar de todas as demagogias fascistas em contrário, manter um homem numa jaula é um crime. E um crime muito pior que qualquer outro, já que ele é sempre consciente, planejado, vingativo e arquitetado pelo Estado e por seus lacaios… Somos um povo lesado e atrasado, não conseguimos fazer nada objetivamente. Perdemos nossas vidas em reuniões inúteis e presunçosas e precisamos de anos para mudar uma mesa ou uma janela de lugar.
O CAJE (e a escada rolante da rodoviária) são os exemplos mais estapafúrdios. Com o dinheiro que (supostamente) já jogaram ali naqueles calabouços daria para terem instalado água potável, saneamento básico e orquestras sinfônicas em todas as bibocas nacionais de onde é procedente a maioria desses pobres infratores.

Para ajudar um presídio (sim, e dá para continuar a ser ativista pelos animais) clique neste link: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2011/08/doacao-de-livros-para-presidio-agricola.html

Obs.: publicado originalmente na ANDA, na data de 7 de abril de 2012, em minha coluna mensal. Sob muitos comentários ofensivos, preconceituosos, xexelentos e de baixa qualidade. Esse ponto me marcou, não por que eu leia comentários de portais, jamais leio e jamais comento. Não. Me contaram. Pouco me importo com opinião. Mas me chocou constatar o nível mental e até mesmo o caráter do tipo de pessoa que se considera instruída e capaz de 'opinar'.
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