quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Exposição de Arte no DMAE

 Visitei esta exposição chamada 1ª Pessoa: Pessoas
 Esta foi a que eu mais gostei. Ganha-se um adesivo, se escrever algo no caderno de memórias. O adesivo é 'gentileza gera gentileza'. Assunto que até já abordei em sala de aula. E que é muito bom que seja exercitado cada vez mais.
 O trabalho deles é todo manual, lindo e delicado.
 Escrevi alguma coisa, coloquei meu blog ali. Numa outra exposição, no Museu da Comunicação, era para escrever nas paredes. Mas não fiz fotos la´.
 adorei a sutileza das imagens.
 E as interações que a arte hoje permite.
 Esses parecem ímas de geladeira e o livro é uma caixa vazia.

 mais de um documentário passando.
 memórias antigas.
 Essa foi uma das que mais gostei. Um berço antigo...





O lugar estava vazio. Fica na Praça Dmae, com uma paisagem maravilhosa. Aberto ao público e gratuito.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Arte Urbana!

Esta receita vegana foi criação do Vida Vegan e foi encontrado numa parede da cidade! Parabéns pela idéia!!!

Esta cadeira foi deixada na frente de um banco, muita gente parou para ver. Coisas que encontramos em Porto Alegre

domingo, 9 de outubro de 2011

Smoothie vegano do Saúde no Copo

 Perto do Parcão, o Saúde no Copo tem o conhecido smoothie vegano de vários sabores...
 É parecido com um sorvete, mas é pura fruta. Super gelado e delicioso!
 Esse é o de blueberry e frutas roxas

 Eles apostaram no novo e crescente mercado vegan e lançaram também o sanduíche vegano, muito bom!
 Esse é um dos sabores com morango
 Aqui o sanduíche, super saboroso e além de tudo saudável, que é a proposta do lugar.
 O smoothie amarelo manga é muito bom também e super colorido!!! Como a primavera!

 Adorei os copos, nada além da fruta, que para os veganos está mais do que ótimo!!! E para a empresa é um lucro imenso, não ter que gastar com laticínios e não correr riscos ligados à higiene. Ótima pedida para a primavera e verão!!!!

Médicos endossam dieta vegana para gravidez Saudável

Grávidas veganas estão com tudo!!!

Vegetarianismo em pediatria  Record News: Vegetarianismo na infância
http://vista-se.com.br/redesocial/record-news-vegetarianismo-na-infancia/

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Artes da cura!

 Minha amiga, a nutricionista Claudia Lulkin do blog Artes da Cura http://claudialulkin.blogspot.com/ mandou essas fotos de suas amigas, que ela chama de "cabeças brancas".
 Ela está trabalhando em Goiás, com vários projetos na área de nutrição vegana. E daqui a gente curte suas fotos sempre no alto astral.
 Uma casa de chá... adorei!
 Saudade!!! Visitem o blog dela que tem muitas informações sobre nutrição, saúde, beleza, e muita paz!
 Vejam que lugar mais fresco e acolhedor...
Um ótimo fim de semana a todos!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Boicote os shows de Eric Clapton no Brasil

Pé-na-porta contra os robozinhos do sistema

Boicote os shows de Eric Clapton no Brasil

O guitarrista inglês Eric Clapton é um ferrenho defensor da caça, proprietário de uma loja de caça e pesca na Inglaterra, e até mesmo já organizou shows em prol desse ‘esporte’, junto a outros roqueiros geriáticos (que só dão tirinhos em animais), como Roger Waters e Roger Daltrey. Em sua autobriografia, Clapton diz que os ativistas pelos direitos animais “assistiram a muitos filmes da Disney”, e outros deboches. Em uma entrevista de 2009, ele fala que “caçar melhora as habilidades sociais”.
caça
Em Porto Alegre, o ‘artista’ desceu no Aeroporto Salgado Filho e saiu por uma porta lateral, sem passar pelo saguão – provavelmente, para não ter que se deparar com a exposição sobre direitos animais promovida pela ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais), que está no térreo do aeroporto até o dia 31 de outubro.
O Carne Nunca Mais propõe o boicote aos shows deste músico que só tem ‘sensibilidade’ para a hora de ganhar dinheiro dos fãs.
Fonte Carne Nunca Mais

sábado, 1 de outubro de 2011

O herói da LatinoAmérica e nossas fragilidades

Ellen Augusta


Todas as crianças da minha época assistiram o seriado Chaves e Chapolin Colorado, trazido do México ao Brasil por Silvio Santos.
O SBT foi líder de audiência por causa destes dois programas, criados por Roberto Gomez Bolaños, conhecido como Chespirito no México, o pequeno Shakespeare, por sua atuação brilhante como ator, diretor, cantor e compositor e outros feitos.
Sou fã dos seriados, que tiveram muitos episódios perdidos e erros de dublagem, mas que marcaram a época pelo singelo e pelo estilo pastelão que agradou crianças e adultos.
Inicialmente foram idealizados para adultos, mas, foi remodelado para crianças depois de atingir grande sucesso entre elas. Quem não lembra de sair de casa para a escola depois de ver os episódios ou voltar da escola e almoçar na frente da TV? A trilha sonora marca até hoje a lembrança de quem via os programas naquela época.
Não estou fazendo uma ‘análise filosófica’, pois isto já foi feito, nem mesmo estou querendo fazer parte dos literários que ‘pensam’ a TV. Sou uma fã apenas.
Não concordo com a ‘crítica’ repetida pelos professores da minha época de escola primária, que diziam ser violentos os programas. Havia na época muitas cenas de nudez e pornografia de baixa qualidade no horário nobre e violência explícita em todos os desenhos para crianças pequenas, mas pouco foram criticados na época. O proprio Bolaños afirma que não fez os personagens pensando numa crítica social, apenas pensou em divertir.
A estética da época, muito bem mostrada em Chapolin Colorado, a pobreza da vila (vencindad d’El Chavo), apenas fez com que crianças do mundo inteiro se identificassem com seus programas de humor singelo e cenários precários.
Chapúlin Colorado lidava de uma maneira ambígua com os animais. Assim como El Chavo Del Ocho, o menino pobre que passava fome, não tinha brinquedos e se escondia em um barril.

Chapúlin é o nome de um inseto mexicano que é comido frito. Muitos episódios mostram ele com medo de animais como o gato, quando ele toma as famosas pastilhas de chiquitolina (nanicolina em português) e se torna mais pequeno do que já é.
Também há um episódio do Dr. Chapatim (mais um dos personagens de Bolaños) em que ele encontra um cavalo de carroça, daqueles demolidos parecidos com os de Porto Alegre, e em tom de deboche, substitui sua ‘caranga’ pela carroça velha. Na época os animais importavam bem menos do que hoje. E isso se nota em filmes portugueses e na arte portuguesa até hoje. Não muito diferente seria no México e mesmo aqui no Brasil.
No episódio ‘Los Toreros’, as touradas que são comumente praticadas no México, como herança da colonização espanhola, são romantizadas. E as crianças brincam com uma espécie de touro de metal com uma cabeça verdadeira.
No episódio ‘Satanás’, La bruja del 71 adota um pequeno cachorrinho, que é recebido com carinho por todos, menos pelo Senhor Barriga, que proíbe animais na vila e pela Doña Florinda que odeia animais e crianças pequenas por que fazem muito barulho. Apesar de suas proibições  todos na vila acabam aceitando o cachorrinho.

Em El Perro Callejero a história é semelhante, Chaves encontra um filhote de cachorro na rua e quer adotá-lo, mas o cão é do Seu Madruga, “mi dinero me custou, Chavito!” Depois se descobre que Seu Madruga não comprou o cão, pega todos os cães abandonados para entregar a seus donos por uma recompensa. Já neste episódio, quem colocou a placa de proibição de animais foi a Dona Florinda e não o Seu Barriga, que é o dono da vila.
Em La Resortera, Chaves está matando lagartixas, e todos pensam que ele matou Doña Cleotilde e a Doña Florinda.
No episódio Los pescaditos de colores – 1973 a briga é entre o Seu Madruga que tem peixinhos de aquário e Dona Florinda que tem um gato…ele a acusa de que seu gato comeu seus peixinhos, mas Dona Florinda se defende afirmando que o gato está proibido de comer ‘porcherias’ e que só come ‘carne de primeira classe’.
Em De noche todos los gatos hacen miau Chapolin é chamado para espantar um gato que não parava de miar durante a madrugada. Eles tentam de todas as formas jogar coisas no gato, mas as coisas sempre acabam caindo sobre o guarda. No fim das contas o gato se salva das pancadas ileso.
O episódio que me fez escrever este artigo é o de Dr. Chapatín y Topo Gigio (El besito de las buenas noches) de 1979, Chapolin vem em defesa de uma moça que tem medo de um rato. Mas ele a tenta convencer de que os ratos também merecem ser defendidos. E começa a contar a história de Dr. Chapatin que vai fazer um tratamento ao ratinho Topo Gigio que perdeu a memória.
O episódio é o mais ‘anti-especista’ da série. Que curiosamente coloca sempre a questão dos animais ‘nojentos’ como amigos do Chapolin, que em última análise também é um inseto.
Estas e outras constatações não mudam o fato de que Roberto Gomez Bolaños, hoje com 82 anos e 40 anos de criação do personagem Chavo del ocho, criou personagens cativantes, os quais foram vivamente interpretados pelos atores da série e que tem fãs no mundo inteiro.

Hoje ele vive com Florinda Meza em Cancun, segundo informações recentes da Internet, com três cachorros e pensam em fundar uma ONG para resgatar animais de rua. Uma foto publicada no Twitter por Bolaños mostra Florinda cuidando de um pássaro perdido, que depois de recuperado foi solto. Seu Madruga, Dona Clotilde e Godines (irmão de Bolaños) já faleceram, e os outros atores estão seguindo suas vidas, uns já velhinhos, mas com todo o carinho dos fãs.
Recomendo a série para diversão. Não é uma série profunda (não sei se alguma é), não há grande originalidade. Alguns episódios não tem graça alguma, em outros se rola de rir. Dê preferência para os em espanhol, pois as dublagens deixam a desejar e se perde o contexto das piadas. Há também outros personagens de Chespirito que também podem ser interessantes para quem curte a estética da época, o vocabulário e a década de 70/80, como La Chicharra, história de um jornalista e de uma fotógrafa em um periódico.
Sugestões de leitura:
KASHNER, Pablo. Chaves de um sucesso. Rio de Janeiro: Editora Senac Rio, 2006.
YGLESIAS, Maria Perez. El Chavo del Occho: por que los aman los niños? Revista Herência: Editorial de la Universidad de Costa Rica (UCR), set.1990.
LINS, João Cláudio. Chaves: Um estereótipo da latinidade mexicana. (disponível em http://circoeletronico.blogspot.com/2008/11/chaves-um-esteretipo-da-latinidade.html).
Para assistir ao episódio Dr. Chapatín Y Topo Gigio: Dr. Chapatín e topo gigio

I Seminário Estadual de Educação Ambiental

Participei do I Seminário Estadual de Educação Ambiental, o qual teve como uma das organizadoras, a bióloga Andrea Vargas, minha amiga, que fez também a divulgação do evento que era gratuito.
Pela manhã quatro palestrantes representaram o Consórcio Pró-Sinos, a Agência Nacional de Águas, o Ministério das Cidades e o Ministério do Meio Ambiente, que falaram sobre suas experiências com educação ambiental.
O seminário reuniu diversos temas em torno da educação ambiental, com trocas de experiência de professores que trabalham nessa área.

Pouco foi falado sobre a questão dos animais, que é um assunto atual e bastante ligado à educação ambiental, mas ainda tratado como um tema isolado, infelizmente.
Houve apresentação de diversos trabalhos realizados aqui no Sul, em torno do tema.

Fotos da http://www.al.rs.gov.br/ 
e acervo.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Primavera!!!!

Foto de Gelson Farias, Buenos Aires, no bairro Rivadavia

Um verme nunca repreende outro verme e um cão nunca condena outro cão!

Frequentemente recebo cartas de estudantes de pedagogia, de professores humildes, de pais de alunos e até de alguns intelectuais mais sofisticados perguntando quais foram, na minha opinião, os educadores e os métodos educativos mais importantes e mais influentes no ontem e quais são os de hoje no nosso dia a dia. Sei que na grande maioria estão esperando que eu lhes fale de Montesori, Paulo Freire, de Anisio Teixeira, de algum francês ou norte americano que estão na moda etc, mas estão equivocados. Os educadores mais influentes, pelo menos das ultimas decadas e que fizeram um estrago terrível não só na cabeça de nossas crianças, mas também na de quem tem menos de quarenta anos neste país, nem sequer têm nome. Só os conhecemos por seus apelidos e codinomes, basta ligar a TV que estão todos os dias lá na tela, em seus postos, comandando há decadas seus programinhas de merda e mistificando-se a si mesmos perante esse imenso universo de burrice incurável que é a sociedade. Vejam como aquela histérica comanda dois besteirois ao mesmo tempo! Aquela outra está no ar desde que nasceu e sempre nos mesmos horários. A outra herdou a mamata de outro pilantra e aparece uma vez por semana, mas seu programa dura bem mais que o das outras. A outra, que parece uma vaca, fala o que quer e mostra o que bem entende nos horários mais nobres. A outra tem enganado gente de todas as idades. A outra, a que fala ternamente para as crianças tem um passado mais do que duvidoso, o senhor X é conhecidamente um bandido, o Senhor Y é um crápula descarado, o Senhor K nem merece comentários, o monsieur J é um bosta inqualificável, o âncora U deveria estar internado, o âncora Z tem uma predileção pelo fascismo, o mais velho deles não desgruda da vaselina, etc, etc, etc. Sem falar dos locutores de futebol, dos autores das novelas que, uma atrás da outra envenenam nossas donas de casa, nossas vovós, nossos deprimidos em geral e que se repetem obsessiva e compulsivamente em todos os canais, sem falar dos pastores e de suas prédicas madrugada a dentro, sem falar das celebridades idealizadas pelo populacho e que o são muito mais pelo uso que fazem do rabo e das coxas do que por outra coisa, e sem falar dos políticos profissionais que têm instituído a lógica da mentira e da rapina no cérebro de nossas crianças...

Por isso - respondo aos meus interlocutores, para as escolas e para as “tias” (que não desgrudam da TV) não resta outra coisa a não ser seguir discutindo no interior das escolas e nos horários de aulas as mesmas lenga lengas cretinas insinuadas pela televisão, incorporadas e defendidas por seus atordoados e abobalhados familiares. O “artista” tal, a “pornô” tal, o estuprador Y, o perneta tal cantando em hebráico, o ladrão K, o senador U, a pilantra Z, o milionário V, o meia esquerda G, a miss H, o jatinho novo daquela mula, o estelionatário P, o milagreiro W, o cantor L, o Big brother Q, a modelo M, o pederasta C, a sociallite B.

E não adianta pedir paciência, porque para essa desgraceira educativa e cultural não há solução possível através da vaselina, das unhas pintadas e nem da cordialidade. Sem uma iniciativa de massa, expontânea, apartidária e radical o chiqueiro em que estamos vivendo só se ampliará. Não sejamos ingênuos esperando que esses abutres, eles próprios tomem algum tipo de providências, pois para eles está tudo ótimo. Seus salários mensais seriam suficientes para alimentar para sempre os milhões de fodidos que vivem por aí com poeira acumulada na garganta e mergulhados na mais abjeta miséria. Lembrem-se: nada é mais reacionário que a paciência, já que um verme nunca repreende outro verme e que um cão nunca condenará outro cão!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O CONSUMO QUE ASSUSTA


imagem: Gifake

por : Washington Novaes


Não faltam estudos para deixar com os cabelos de pé (os que os têm) quem se preocupa com o futuro da espécie humana neste planeta. Num deles, "Marine Ecology Progress Series", da Universidade do Havaí, Camilo Mora afirma que, com o ritmo atual do consumo de recursos no mundo, chegaremos a 2050 com uma população acima de 9 bilhões de pessoas, que precisará, para abastecê-la, de 27 planetas como a Terra. Quem olhar uma publicação recente da revista National Geographic (maio de 2011) talvez encontre ali reforço para a tese, ao saber qual foi o número de animais mortos em um único ano (2009) para serem transformados em alimentos: 52 bilhões de frangos, 2,6 bilhões de patos, 1,3 bilhão de porcos, 1,1 bilhão de coelhos, 633 milhões de perus, 518 milhões de ovelhas, 398 milhões de cabras, 293 milhões de bois, 24 milhões de búfalos asiáticos e 1,7 milhão de camelos.

Thomas Lovejoy, o respeitadíssimo biólogo norte-americano, acha que já estamos consumindo 50% de recursos além do que o planeta pode repor ( Ideia Sustentável , março de 2011). Outros estudos, inclusive da ONU, falam em "mais de 30%". Estes afirmam que a disponibilidade média de área e recursos para atender às necessidades de uma pessoa estaria em 1,8 hectare; mas o uso tem estado em 2,7 hectares (no Brasil, 2,1; nos Estados Unidos, 10 hectares; no Haiti, menos de um hectare). O uso excessivo leva à aridificação e desertificação de terras, problemas com água, exaustão de certos recursos.

Na conferência de Nagoya, no ano passado, estabeleceu-se como meta chegar a 17% das terras e 10% dos oceanos em áreas protegidas - o que parece pouco provável, já que as metas para 2010, menores, não foram cumpridas, embora haja 100 mil áreas protegidas, com 17 milhões de quilômetros quadrados de terras (o dobro do território brasileiro) e 2 milhões de quilômetros quadrados de áreas oceânicas. Mesmo nessas áreas, entretanto, há desgastes fortes na biodiversidade, por causa de impactos climáticos e contaminação.

Mas o problema não está só na área da biodiversidade. Segundo a publicação BrasilPnuma (junho/julho de 2011), também chegaremos a 2050 consumindo 140 milhões de toneladas anuais de minérios, combustíveis fósseis e biomassa, três vezes mais do que hoje - o que envolve outros riscos de esgotamento. Mesmo hoje já nos aproximamos do limite de muitos minérios fundamentais para tecnologias de uso intensivo, como computadores, celulares e outras. Nos países industrializados, o consumo médio anual por habitante nessa área dos minérios é de 16 toneladas (40 em alguns); em 2000, era de 8 a 10 toneladas; em 1900, de 4 a 5.

Na área dos alimentos, o problema não é diferente. Diz a ONU (AP, 27/10/10) que também a biodiversidade em matéria de alimentos está ameaçada. Em 100 anos, 75% das espécies de plantas alimentares já desapareceram; até 2050, mais 22% podem ter o mesmo destino, inclusive variedades de batata, feijão e nozes - e neste caso o clima é uma das questões centrais. Por isso mesmo, a Embrapa tenta produzir variedades de culturas resistentes ao calor, como soja, feijão e milho, pois as variedades atuais já estão sendo afetadas pelo aumento da temperatura, especialmente no Centro-Oeste. E convém não esquecer que o café, que dominou a economia agrícola de São Paulo e Norte do Paraná durante mais de um século, teve de migrar para regiões mais altas, principalmente em Minas Gerais, por causa do aumento de mais de um grau na temperatura (que leva a flor do cafeeiro a cair prematuramente, com redução da produtividade).

É em meio a esse panorama que chegam as notícias de que mais uma vez o desmatamento na Amazônia voltou a crescer, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - mais 28% no mês de julho, comparado com o mesmo período do ano passado, e mais 35% comparando 11 meses de 2010/11 com igual período anterior. Certamente o total de um ano ficará acima de 7 mil quilômetros quadrados, embora o governo federal tenha até criado uma força especial para conter o abate de árvores. É grave, até mesmo porque a floresta absorve um terço das emissões de dióxido de carbono, cerca de 2,4 bilhões de toneladas anuais ( Science/France Presse , 17/7/11). E seu papel é decisivo no Brasil, onde mudanças no uso do solo, desmatamentos e queimadas respondem por quase 60% do total das emissões brasileiras que afetam o clima.

Mas fora do Brasil os sinais também não são animadores. Já se sabe que a próxima reunião da Convenção do Clima, na África do Sul, No fim do ano, não levará a nenhum acordo global. Da mesma forma que o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012 e permite a países industrializados e suas empresas financiar projetos que levem a reduções de emissões em outros países e contabilizar as reduções em seus balanços. As lógicas financeiras continuam a prevalecer, agora ainda mais, no meio da gigantesca crise financeira mundial.

Mas o futuro está em jogo. Não há como escapar às graves questões planetárias que assustam a ciência.


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