Mostrando postagens com marcador cérebro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cérebro. Mostrar todas as postagens

domingo, 31 de agosto de 2014

Gordofofia se combate com sabedoria

No programa sobre dietas bobas da rádio de notícias que eu escuto, hoje ouvi algo que gostei muito, uma neurocientista (Sophie Deram) que afirma que as dietas engordam. O cérebro leva um choque com a falta. Eu já sabia disso. Quem está de dieta só fala em comida. As pessoas que sofrem com dietas malucas e que depois de um tempo voltam ao peso antigo também sabem. E meu marido sempre disse: Nunca se viu ex gordo.
O que me causou maior diversão foi imaginar a cara de espanto dessas patricinhas que apresentam o programa, quando a estudiosa sobre o assunto disse com todas as letras que o mito de que pessoas magras são saudáveis é pura ilusão, pois há pessoas gordas totalmente saudáveis e pessoas magras doentes.

Elas cortaram a fala dela quase que antes de ela terminar e enfiaram os comerciais. Juro!

Há pessoas gordas fazendo exercícios, tendo uma vida de saúde e prazer, e pessoas magras vivendo no sedentarismo, tendo uma vida idiota. Para quem não tem o cérebro mais aberto, isso é difícil de entrar, mas entra. É só você pensar em doenças que mais afetam os magros, como o diabetes. Todo mundo que conheci, com essa doença, é magro, e tem uma vida de alimentação ruim, vida intoxicada, sentimentos ruins, zero de exercícios etc. E o que eu vejo de pessoas obcecadas com contagem de calorias, sem ouvir o próprio corpo, quando está morrendo de fome com os nutrientes a zero e a saúde precária.
Todo mundo fala 'contra os transgênicos', mas vai entrar na cozinha dessa pessoa. Todo mundo fala a favor dos orgânicos, mas vai entrar lá na cozinha dessa pessoa - tem um frango lá. E o frango nada mais é que um animal modificado. Foi antes da invenção dos famosos organismos genéticamente modificados, é verdade, mas sim, é uma aberração genética, que causa problemas ambientais, de saúde, etc... E tem transgênicos modernos ali na cozinha também, muitas vezes.
Por fim, eu não estou nem aí para esse lance natureba, pois meu lance é ético. Sou vegana pelos animais, e se eu tenho saúde perfeita, é por que o ato de ter uma alimentação estritamente vegetal te dá um saúde ótima, comprovada por estudos sérios. Mas sinceramente, faço exercícios, por prazer, que são simplesmente caminhadas imensas, e de vez em quando uma bicicleta ergométrica. Mas nada mais. O exercício é extremamente importante para a saúde. Mas desencano dessa preocupação com beleza. Isso é coisa dessa sociedade consumista e machista.



Estão sempre te oferecendo 'rações humanas', pílulas para emagrecer, mitos da beleza, mulheres para imitar, etc... não caia nessa... seja bonita ou bonito como você é. E tenha saúde para viver bem e longamente. E se preocupe com a ética, ou seja, não se preocupe somente com o seu umbigo, pense nos outros também: nos animais, ecossistemas, humanos, etc. Não seja torpe.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

O transtorno bipolar - Uma mente inquieta

Ellen Augusta

Hoje, no sol da manhã, nem tão manhã, acabei de ler o livro Uma mente inquieta, de Kay Redfield Jamison, comprado num brechó beneficente para animais carentes, ao precinho de quatro reais.
O livro é escrito por uma mulher corajosa, que assumiu uma doença, colocando em risco sua profissão, e tornando possível uma medicina e ciência talvez menos 'objetiva' e menos 'especialista'.
Algumas coisas não gostei no livro, então vou começar por aí, para depois nos deliciarmos com o bom, que nesta leitura é praticamente o que há.
Embora ela trabalhe em artigos sobre o uso de álcool e drogas pelos bipolares, ela romantiza o seu próprio uso de álcool em diversas partes do livro. O assunto faz parte de seu relato pessoal, mas fica controverso, do ponto de vista profissional. Como o livro é uma biografia, ela tem o direito de fazer o que quiser com suas memórias. Mas é minha crítica.
Ela trata os animais como objetos e brinquedos, dos quais se cansa, compra-os, e joga-os fora, usa-os em experiências que ela mesma julga desnecessárias, mas sem crítica alguma, e ri de tudo de uma forma debochada, mas em nenhum momento ela coloca essa sua forma de pensar dentro de seus sintomas. Apenas em um ponto do livro, ela menciona um ato de compra de animais, como parte de suas crises, mas dentro das crises de compras compulsivas.

No restante do livro, essa pesquisadora e médica, teve a coragem de assumir uma doença estigmatizada, e assumir riscos, pelo preconceito que sofreria, inclusive na esfera pessoal.
A sociedade, embora esteja composta pelo normatizado, num rápido olhar, comporta muita gente imatura e até mesmo desequilibrada, e nega e não aceita a loucura propriamente dita. Possui um preconceito com relação a certas doenças. Se você assume que possui uma doença, não raro perde amizades, sofre preconceitos, ouve absurdos, como eu presenciei pessoalmente.
E não raro, é pior ter uma doença puramente mental, do que uma doença física, do qual as pessoas possam ver. Parece que a doença mental ou não aparente, sendo invisível, é menos crédula. E você passa por mentiroso, por preguiçoso, por incauto, ou descuidado.
A Kay R. Jamison também ultrapassou o que chamo de mania de cientista de objetivar e especializar ao infinito.
Essa coisa que a ciência tem de manter tudo limpinho, de especializar e dividir tudo sempre, de ridicularizar os sentimentos. Essa 'mania' também causou o sofrimento de muitos animais, pois é necessário usá-los à exaustão, cada vez que é preciso um 'novo' resultado, quando, muitas vezes, esse resultado não é tão novo assim.
Um louco clinicando? Sim, meu filho...
Essa mulher estudou de todas as formas sua própria doença. E desafiou a ciência quando provou que uma pessoa 'doente' pode sim clinicar e estudar mesmo com uma doença, se estiver recebendo o tratamento adequado. Um doente não deve ser isolado da sociedade.
O mais interessante é que ela provou que sim, pode falar sobre sua doença e tornar o assunto público, quebrando aquele preconceito de que um psiquiatra não pode revelar uma fraqueza. Quando alguém fala o termo 'não vamos generalizar', essa frase vem dessa influência científica, de que tudo deve ser espicaçado, dividido em mil.
Sim! Na Natureza, praticamente tudo que não é regra é exceção, isso é praticamente a regra. Só que existem faixas gigantescas de 'mediocridades' e aqui a palavra nada tem a ver com o sentido pejorativo. Mediocridade é apenas onde as coisas acontecem de modo mais uniforme, ou seja, o lugar médio, mais geral. Isso acontece com populações inteiras de plantas, animais, grupos humanos, e basicamente tudo. Por isso, no Jornalismo, nos textos curtos, artigos de opinião, é comum a generalização. Mas convém não esquecer os pequenos cantos da hipérbole, onde há a maior diversidade e diferença. Pois tudo deve ser respeitado. Um exemplo disso é você dizer: Há fome no mundo. Aí vem alguém e te diz: Não vamos generalizar! E a pessoa te diria isso por que há dois ou três países em que não há fome. Sabe por que ninguém fala isso? Por que esses assuntos já são consenso. Geralmente essa frase é usada em assuntos ainda sem definição, ou que incomodam.O mais legal é que descobri que este livro é receitado por psiquiatras no tratamento do transtorno bipolar. Ou seja, nada melhor do que alguém ler o relato, as memórias de uma pessoa humana, para que ele mesmo entenda e se sinta menos diferente, menos 'específico', que é o que mais me conforta, quando descubro que o que possa ter de doença ou não-doença não é assim tão 'de outro mundo'.

P.S. E a escritora em um capítulo nos faz pensar se o termo loucura é realmente tão feio assim.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...