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sábado, 6 de setembro de 2014

Sombras Translúcidas


Esse vestido encontrei em um brechó, foi meu durante alguns dias e já não está mais comigo.
Embora eu tenha o sombrio dentro de mim. Nada me rotula facilmente. Não cumpro papel. E me divirto com quem tenta me taxar. Tenho a luz e a escuridão dentro de mim. Sim e não. Não sei.
Mas que é lindo um vestido translúcido como este, sim!
Minha vida é frugal, prática e urbana. Meu estilo de vestir, portanto, é outro. Mas guardo dentro de mim as noites de cemitérios, os gritos das corujas e todas as letras de meus poemas, todas as prosas poéticas, sem precisar me fantasiar de nada.
Se eu quiser, visto minhas cores soturnas, que pode ser o branco para alguns góticos, ou o preto, ou todas as cores... ou me dedico a escrever. O clima define. Amo todas as estações do ano. Não pago pau para o Inverno, mas prefiro-o, assim como os dias de temporal. Espero com nostalgia a chegada da Primavera.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Direto de Porto Alegre: Da série 'Vida frugal'

O simpático casal de Taiwan, Hirário e Cintia e seus ajudantes, filhos e netos... somos clientes fixos... tem de tudo ali, muitas opções veganas. Eu compro chá e sushi vegano.
Bancas de frutas, já conheço algumas... as alfaces compro sempre na mesma banca, duram muito e são ótimas...
Não perco meu caldo de cana por nada, já compro em litro e levo na sacola para não vazar...

Direto de Porto Alegre: Da série 'Vida frugal': Na foto, alface, couve, alho, banana, maçã, shoyu sem glutamato monossódico, cebola - R$ 1 cada pacote, sushi vegano e pãezinhos chineses ...

domingo, 17 de agosto de 2014

A religião e a BESTA humana

Contribuição do escritor Ezio Flavio Bazzo

Campanha contra a carnificina de Gadhimai, o ‘festival’ religioso onde se massacra 500.000 animais
http://www.publico.es/actualidad/538615/campana-contra-la-carniceria-de-gadhimai-el-festival-donde-se-mata-a-500-000-animales
Búfalos, cabras, cordeiros, pombos e todos os animais que estejam ao alcance das mãos desses crentes fanáticos são mutilados ou executados a cada cinco anos no Festival Gadhimai, de Nepal; o ritual religioso com animais mais sangrento do mundo.
Durante todo o mês de novembro de 2014, Bariyarpur, ao sul do país asiático, será o cenário de uma nova carnificina em que 500.000 animais serão executados em honra da deusa hindu que dá nome ao evento; um acontecimento para o qual estarão reunidas cerca de cinco milhões de pessoas que consumirão bebidas alcoólicas e executarão os animais a golpes de facas e facões.
Existem no mundo muitos outros festivais religiosos com sacrifícios de animais, mas este é o mais sangrento de todos, no qual mais animais são mortos, denuncia ao jornal Público (da Espanha) Javier Moreno, cofundador de Igualdade Animal, lembrando que o festival "tem longa tradição", e que na última “celebração”, em 2009, executaram 200.000 animais, em um evento em que o próprio Governo nepalês destinou fundos públicos.
Para evitar a continuação desta barbárie, Igualdade Animal e a organização Last Chance For Animals lançaram esta quarta-feira (13 de agosto de 2014) uma campanha mundial na qual exigem ao Governo do Nepal que tome alguma medida sobre o assunto. Até a meia-noite de terça-feira já haviam conseguido mais de 8.100 firmas, que pretendem usar como elemento de pressão enquanto se aprofundam em seus contatos com as autoridades do Nepal. Não é que as conversações sejam esperançosas, mas, pelo menos, desta vez, estão nos escutando, afirma Moreno.
O cofundador de Igualdade Animal insiste em que a organização "respeita a liberdade religiosa", mas tenta evitar por todos os meios este novo massacre que se baseia "na justificativa da tradição"... Ele lembra ainda, que a petição oferece outras alternativas "como oferecer um pouco de sangre à deusa, algo que não implique uma tamanha matança de animais".
Matar animais para, supostamente, conseguir saúde e prosperidade
"Os participantes acreditam (como todos os crentes) que matar estes animais trará a eles saúde e prosperidade. A cerimônia começa com os impiedosos esfaqueamentos dos búfalos, nas patas traseiras, para depois decapitá-los. Tudo isto feito diante de crianças, que presenciam o massacre.", relata Moreno.
Os animais - que posteriormente servirão de alimento - são comprados em diversas localidades, e muitos são transportados desde municípios distantes, em péssimas condições, para depois assistir a sua própria execução.
A campanha saiu à luz esta quarta-feira em oito países (entre eles Índia e EUA) com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre este tipo de práticas tão bárbaras, que a cada ano tiram as vidas de milhares de animais em todo o planeta.

sábado, 21 de junho de 2014

Dos livros que estou lendo - Vida após a morte

Estou lendo um livro chamado ?De donde vengo? ?A donde voy? que recebi de uma amiga, a Janete, do Vida Universal, um grupo vegano e religioso, da Alemanha. Ela me enviou logo que soube que minha mãe morreu. O livro veio esses dias, em espanhol, que adoro. Gostei muito de sua gentileza.
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O livro é semelhante a um livro que li tempos atrás, Channeling de Jon Klimo, que tratava da canalização, que aqui chamam de mediunidade. O autor de Channeling cita a profetiza do Vida Universal, Gabriele Wittek e também o médium brasileiro Gasparetto, por isso gostei bastante, lamentei pois ele não citou Chico Xavier, o qual li sua biografia.
Simpatizo com o Vida Universal, pois são veganos e justamente pois Janete em visita ao Brasil, em Porto Alegre, nos disse que a religião é um tipo de linguagem, e gostei muito da forma como ela definiu. Ela foi das raras pessoas que respeitou os ateus.
...
No Brasil, embora exista uma tolerância com todos os credos, o mesmo não vale para os ateus. Se você se assume ateu, alguns religiosos que um minuto antes falavam em 'respeito', se tornam agressivos.
Arrumam desculpas para suas contradições. O mesmo que fala em não matarás, sai dali e vai matar animais. Tem cínico que até abençoa a carne quando vai comer. Ou fantasiam que o animal está adorando 'se doar para o humano'. O 'Homem' é tudo, (mas todas as pessoas que surtaram comigo eram religiosas). Há sempre uma 'história para contar' sobre por que explorar os animais, sugá-los até a morte.
Um ateu falando é ofensivo. Mas é comum uma afronta e inferiorização entre religiões.
E o pior de tudo em relação à vida após a morte são as explicações para todo tipo de violência contra crianças, os abusos, doenças, tudo tem desculpas, isso até incentiva mais práticas de violações, pois normatiza, consola e inibe a luta e a indignação - o que levaria a busca pela justiça.
De toda a forma, será bom que exista algo além da vida, com certeza. Mas não é meu interesse principal saber disso e acho que o ser humano não tem essa bola toda para saber ou merecer esse paraíso que acha que merece ganhar quando morrer.
Pessoalmente, pessoalmente mesmo, não quero que minha mãe volte, passe de novo por uma vida de sofrimento, venha para um mundo, este ou outro, lutas, mesmo alegrias, mas sempre essa coisa de ir e vir.
Um corpo que já vai morrendo aos poucos. Imagino que o silêncio é melhor. Aliás, tenho quase certeza que meu pai está totalmente em silêncio.
Portanto não aceito ouvir julgamentos religiosos acerca da vida ou o depois da minha mãe pois eu vivi com ela e sei o que ela passou e somente ela sabe o que sofreu desde sua infância até seu último minuto, antes de se desligar daqui.
Mas isso são coisas pessoais, cada um tem sua crença e sua descrença.
E a descrença, ou a esperança são coisas que as pessoas não entendem e não toleram.
Eu tenho esperança, mas não creio cegamente.
Poucas e eu as conheço, entendem que a esperança, também é uma espécie de fé.
{Minha mãe uma vez pediu ao tio dela que a contasse como seria depois de morrer e ele prometeu que voltaria, mesmo que fosse em sonho para contar. Ele nunca voltou e ela desacreditou. Uma forma poética de me contar como ela pensava sobre a morte.}
O Vida Universal é um grupo vegano da Alemanha. Eles são espirituais, acreditam nos evangelhos apócrifos, no Sermão da Montanha e na ideia dos cristão originais, Cátaros, que eram vegetarianos.
Entendo que uma religião que inclui os animais está a um passo da verdadeira bondade.
É provável a existência de Jesus Cristo e acho interessante algumas de suas ideias.
O cristianismo influencia o modo de pensar ocidental, mas não é a única corrente de pensamento.
Conheci uma pessoa religiosa influente com pensamentos quase ateus, e o contrário, pessoa atéia com um pensamento quase espiritual, portanto esse preconceito precisa acabar. Já fui chamada de bruxa atéia e gostei.
E eu penso em usar meu tempo em leituras, em busca de conhecimento sobre o mundo e sobre mim, de forma lúcida e madura. Para que eu possa defender e ajudar pessoas e animais.
O amadurecimento pessoal deve ser buscado no autoconhecimento que dói mais e é o mais longo caminho. Porque você vai percebendo o que vai ficando para trás e se liberta.

"Disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem"
Renato Russo

domingo, 15 de junho de 2014

As três mulheres - em defesa de dois meninos - uma caminhada na Redenção

Elas iam descendo a rua, e eu fiz o sinal para o ônibus. Achei que pegariam este. Não pegaram.
Eu estava ouvindo Legião Urbana, e aquela música linda que tem a frase "Ter bondade é ter coragem".
Depois elas me perguntaram sobre um ônibus que era exatamente o que eu pegaria. Não deu tempo de avisá-las que o ônibus já estava vindo, pois elas já estavam de saída. Eu já estava dentro do ônibus e elas me abanaram.
Fui passear no BrechóCão que estava acontecendo no Brique da Redenção. Conversei com protetoras e protetores, ativistas que ajudam animais, que encaram a coragem de frente.
Na volta para casa encontrei as três mulheres na parada de ônibus. Eu não as reconheci. O que vi antes foi uns cartazes com dizeres sobre uns meninos e me interessei. Ia já perguntar sobre o que era. Pois se é sobre ajudar um ser humano, se é sobre justiça, já quero saber, já quero ajudar. Pois o que é injusto me fere.

Me sinto ferida quando alguém é injustiçado. Não por que poderia ser comigo. Não. Mas por que foi com aquela pessoa.
Não ajudo por que penso em 'recompensa' depois da morte. Estou pouco me importando com o depois, pois não creio em nada. Ajudo por ativismo. Por revolta. Por achar que é minha obrigação, a única coisa que importa mesmo nessa Terra, é fazer algo.
Acho mais bonito ajudar por revolta do que por esperar algo em troca, mesmo que seja um reconhecimento de seu Deus e religião.
As mulheres me reconheceram, uma delas veio na minha direção e me agradeceu por eu ter avisado sobre o ônibus, me contou que elas estavam num protesto contra a morte do menino Bernardo Boldrini e estavam representando o Movimento contra a violência doméstica infantil Diogo Nascente.
Nos encontramos por coisas em comum. Essa senhora ajuda muitas causas, ajuda pessoas, crianças, entidades e adora teatro! Eu ajudo animais, ajudo pessoas, não gosto muito de teatro, mas amo a cultura como um todo e adoro ler e escrever. Gostei muito delas, trocamos telefones e descobrimos que até moramos perto.
O mundo é muito pequeno e hoje fui ouvindo Legião Urbana e pensando sempre nas letras, pois fiquei anos sem ouvir suas músicas.
Duas frases para hoje, e muitas mais para outros dias.
 " É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há." E "Lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa."
Vou colocando um pé na água, com coragem.

domingo, 18 de maio de 2014

Descida para a Floresta e poema de Marcio de Almeida Bueno

Masturbação
(Marcio de Almeida Bueno, 20 de julho de 2003)

saí arrastado pela multidão
mas o sol cegava a grande maioria
escondendo a farsa e a solidão
espetando facas na palma da minha mão
sangue que escorria

saí cantando pelo salão
mas o carnaval fingia o nascer do dia
sentindo a cabeça voando em balão
serrando o tronco da árvore da ilusão
música que seguia

saí pelado em plena procissão
mas as beatas estavam firme na ave-maria
querendo paz paraíso e salvação
água benta jorrando em masturbação
padre que benzia.






domingo, 30 de março de 2014

Brechó pelos animais, coisas grátis e Beatles

 Para quem ainda não se convenceu de como é super legal comprar em brechós pelos animais, aqui vai minha dica. Essa camiseta, original dos Beatles, a Apple, empresa Da Banda!
 Eu encontrei ela num balaio! E minha vida mudou! Amei-a, toda colorida e nova... É minha...
 Aqui está a etiqueta... fotografei somente para mostrar que ela é verdadeira, original.
 As compras de hoje foram feitas no Brechó da Ong Luz Animal https://www.facebook.com/pages/ONG-LUZ-Animal/228218833983697?ref=ts&fref=ts
 Tudo diferente e a ver comigo. Só encontro coisas legais.
 Tem gente que vai e não acha nada e no mesmo dia eu encontro tudo... #amornamente


 Essa camiseta eu adorei! É de som eletrônico, que adoro.
 Olha o detalhe...


 Até sutiã, sim, por que não me importo, se estão novinhos e são assim diferentes, já vou pegando. Aquela história de pegar doença é mito. Até por que tudo o que se 'pegaria' nos brechós, também se pega em lojas normais, ou as de grife, considerando que todo mundo experimenta as roupas, e elas viajam de navio, avião, ônibus, são jogadas no chão, pegadas com mãos sujas, etc... já falei sobre isso aqui no blog. Aliás, bactérias e vírus tem períodos de vida curtos, minutos. Nada que um bom sabão com água não resolva. Coisa que você já faz com suas roupas novinhas das lojas, antes de usar, não??? Espero sinceramente que sim...

 Enfeites de janela
 Sacola de algodão para super

  #coisasgratis #freegan
Esses esmaltes não tem nada a ver com o brechó. Andando com uma amiga na cidade, achamos alguns esmaltes no lixo e pegamos. Eles estavam em bom estado e já estão sendo usados. Nada como reaproveitar. Faço isso. Nem tudo o que encontro eu uso. Algumas coisas eu faço doações para entidades e para quem queira. Outras coisas eu uso sem problemas, como uma mesa de cabeceira que encontrei desmontada, novinha dentro de um saco, com parafusos e tudo... ou uma fruteira de metal, que é onde guardo minhas eco-bags.
Esse jogo de maquiagens também achei no lixo. Está vazio e cabe um monte de coisas e pensei em usar para colocar minhas maquiagens, mas desisti. Então acabei doando para outra pessoa.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Entrevista - Ezio Flavio Bazzo


Entrevista - Ezio Flavio Bazzo

Não somos uma espécie saudável. As relações entre nós mesmos não deixam dúvidas.
26 de fevereiro de 2014 às 7:40

Por Marcio de Almeida Bueno e Ellen Augusta Valer de Freitas

“Estou profundamente convicto de que uma civilização e uma sociedade que é contra a pena de morte para os homens, mas que segue matando todas as outras espécies para se alimentar, para vender seus chifres, seus dentes, sua pele, sua banha, seus hormônios etc., é uma civilização e uma sociedade narcisista, chauvinista e hipócrita que, cedo ou tarde (mais cedo do que tarde), destroçar-se-á e comerá a si própria”. A frase é do psicólogo Ezio Flavio Bazzo, em seu livro ‘Toaletes e Guilhotinas: uma epistemologia da merda e da vingança’. O autor já lançou quase 30 obras, desconhecidas do grande público, mas com um fiel séquito de leitores, aficcionados pela verborragia contundente, politicamente desconfortável e boca-suja. Temas espinhosos como pedofilia, zoofilia, miséria humana, prostituição, seca no Nordeste, morte, sexo, religião e escatologia são tratados com o mesmo fôlego. Em meio a tudo isso, aparecem os animais não-humanos, em sua sina de serem presos e arrebentados. Bazzo não poupa o leitor, que muitas vezes sente-se como um idiota reprimido e repressor. Haja fôlego, haja estômago.

ANDA – Seu livro ‘Ecce Bestia – Libertinagem Com Animais’, aborda de maneira inédita essa abjeta exploração animal, a zoofilia. “Fazem tanta questão de colocar-se bem acima das bestas, inconscientemente, e na intimidade precisam buscar lá no estábulo ou lá no galinheiro a sua autoestima, o seu gozo e a realização dos seus desejos”, diz um trecho. Por que a zoofilia ainda persiste, e adquiriu a aura de tabu?

Ezio – Todas as críticas que comumente faço à exploração dos homens sobre os animais são baseadas muito mais num certo idealismo, numa certa ideia de como deveria ser, do que na esperança de que as coisas venham a ser diferentes. Não somos uma espécie saudável. As relações entre nós mesmos não deixam dúvidas. Se não precisássemos comer, talvez nossas transações com os outros animais até fossem mais tranquilas. Mas o que se pode esperar de um ser que precisa comer quatro vezes por dia? De uma sociedade ou de uma civilização que para manter-se viva precisa matar milhares de vacas, de galinhas, porcos, coelhos e etc, cotidianamente? Nada! E como viemos assim pelos séculos afora, sem mudanças, ou até piorando, não há chances de que venhamos a ser diferentes. Uns veganos aqui, uns vegetarianos ali, uns abstêmios acolá, mas isso não significa nada diante da imensa horda de carnívoros que mobilizam os açougues e os matadouros todos os dias. Nossa tirania (e também a da grande maioria dos outros animais) começa no estômago. A existência é uma comilança sem fim. E, sinceramente, não acho menos patético e menos absurdo que um tigre, para seguir existindo, precise comer um jacaré, que um gavião devore um sabiá, que uma serpente engula um rato e etc. Toda essa guerra interminável e maliciosa é terrível, sintoma de um projeto de mundo que não tem sentido algum. A zoofilia, diante da barbaridade da matança, não é nada, apenas mais uma das exóticas variáveis do conflito sexual que nos caracteriza…

ANDA - Em um livro seu, menciona uma visita a um canil, repleto de “adotados, adestrados, amados, rejeitados, abusados, escravizados, enjaulados, acorrentados, feitos de cobaia e por fim encaminhados ao matadouro”. O egoísmo humano contabiliza esses ‘depósitos’ de vidas sencientes?

Ezio – Esse cenário é quase diário pelo mundo afora. Como entre nós já somos quase oito bilhões, entre os cães também não há controle de natalidade. Eles também são traídos pelo próprio instinto e engravidam, e se reproduzem, e se arrastam famintos e mendigos pelas cidades até serem eliminados. Sem falar do mais ou menos recente incremento dos mercados pet, filhotes com intenções mercantilistas. Mais ou menos como uma fábrica ficar doando impressoras para ter como vender cartuchos e papel. A cidade está repleta de animais. Cada solitário e cada velhinha(o) se dá o direito de ter um com o pretexto de que ele amenizará sua solidão. E uma indústria mafiosa de medicamentos, comidas, brinquedos, hormônios e etc, tudo com preços superfaturados, cresce vertiginosamente ao lado desse grande zôo que são as casas e as cidades. Que fazer? Quando tudo é mascarado e confundido com gestos de amor?

ANDA - Em nota de rodapé, em uma de suas obras, recomenda o documentário ‘A Carne é Fraca’. Triturar vivos os filhotes de outras espécies – como denunciado neste filme – atesta o que, a respeito desta sociedade?

Ezio – O documentário mostra o horror e a carnificina que acontece diariamente na esquina de nossas casas e nos arredores de nossas cidades, com nosso consentimento, nosso silêncio, nossa cumplicidade e nossa impotência, e deixa bem claro que nossas tripas comandam nossa vida bem mais que nosso cérebro. E o pior é que, apesar de nossa arcada dentária e de outros argumentos dos teóricos do vegetarianismo, o pior é que suspeito que na origem, nos primórdios, tenhamos sido carnívoros como os esquimós e todas as tribos das quais temos notícias. A doença seria incurável e o absurdo vem de longe! A única diferença entre nós e os outros animais (razão de nossa culpa e de nosso sofrimento) é que nós temos consciência desse absurdo e dessa sangueira…



ANDA - “De minhas lembranças infantis, lembro com horror dos dias em que imolavam um porco. Seus gritos, seus dentes e seus olhos em desespero. Alguém enfiando-lhe uma faca na direção do coração, o primeiro jato de sangue jorrando a distância e o restante recolhido num balde”. Essa vivência enquanto criança ajudou a moldar sua visão de mundo?

Ezio – Evidentemente. Apesar de sempre compartilhar dos banquetes e dos festins, apesar de não rejeitar os torresmos, os salames, as chuletas e etc., acho que secretamente fazia cumplicidade com os porcos! Aqueles animaizinhos pelos quais os próprios matadores pareciam ter afeto. Lembro que os outros porcos faziam um silêncio quase sepulcral depois dos gritos e do sacrifício. E nada poderia ser mais terrível para aquela criança do que a morte. Duas horas antes estava lá, duas horas depois já não existia. Que diferenças significativas poderia haver entre os homens e os porcos? E nas paredes, às vezes até ao lado do animal esquartejado, sempre um crucifixo. Por coincidência, nele também havia um ser sangrando. Um Deus! Um deus e um porco ensanguentados! As labaredas sob o tacho, tragos de graspa, e de uma antiga radiola alguém, indiferente, cantando ‘Torna Sorriento’.

ANDA - “Lembro-me perfeitamente bem das mãos grotescas do homem que enfiava a lâmina na direção do coração dos porcos, e que eu estava sempre do lado dos suínos, torcendo para que eles, num último ataque de desespero, conseguissem devorar a mão ou pelo menos o joelho dos matadores”, trecho de Toalete e Guilhotinas.

Ezio - Algo parecido aconteceu numa cidade do Nepal, onde assisti o sacrifício de um búfalo para uma divindade daquela gente. O homem da faca arrancou-lhe a carótida, ainda vivo, e com ela esguichou todo o seu sangue sobre uma estátua da divindade que estava sendo homenageada… Sem nenhuma demagogia, tive mais empatia com aquele animal do que com todas as populações ao redor do Himalaia.

ANDA - “Vou me dando conta de como é impressionante o estágio de indiferença em que nos encontramos. Como é possível viver no meio de uma chacina e de um genocídio animal desses, sem desesperar-se? Frangos, porcos, vacas, peixes, patos, rãs, camarões, coelhos, faisões, ovelhas, nenhuma espécie escapa da fome sanguinária dos homens, desses barrigudos inúteis que saem dos restaurantes de Montmartre palitando os dentes e arrotando”. Toaletes e Guilhotinas.

Ezio – Sem falar do foie gras. Os gansos e os patos usados como fabricas de fígados. Mas não adianta lamentar-se. Esse é o que se chama conflito existencial. Ter consciência do absurdo que é estar aqui, ter que ser cúmplice de todas essas barbaridades e sem saber para quê e por quê. Como dizia um escritor argentino, “nascer é um pacto monstruoso, mas estar vivo é a única maravilha possível”. A monstruosidade que fazemos com os animais fazemos, mais sutilmente, também com os de nossa própria espécie. Uma grande parte das pessoas do continente africano, ou aqui da periferia de Brasília, por exemplo, está morrendo à mingua, sem que isso nos abale para nada. Nossa indiferença é quase assustadora. E é quase uma sandice querer que os animais sejam tratados por esses mesmos personagens de maneira que não conseguimos tratar nem nossas crianças…

ANDA - Você já esteve na Índia, e presenciou o sacrifício de um touro a Vishnu. “Quem é que ainda consegue entregar-se de um filet mignon? Os olhos do animal sacrificado eram mais puros que os de seus verdugos e inclusive que o dos deuses a quem estava sendo oferecido, mas assim mesmo a plateia se acotovelada para ver as mãos dos dois matadores”.

Ezio - Isso foi no Nepal. Todo mundo queria presenciar o sangue daquele animal desesperado sendo lançado sobre a estátua… Um capricho, um sadismo, uma nostalgia da ferocidade que hiberna por dentro de nossos ossos? Não podemos esquecer que muitos de nossa espécie foram até canibais. E em termos de inconsciente, isto foi ontem. Dois, três, cinco mil anos não querem dizer nada neste particular. Alguns anos fora dos ‘protocolos civilizatórios’ e pronto: voltamos a nos despedaçar outra vez com os dentes…

ANDA - “Ah, criadorzinho de vacas que derrubas uma floresta secular para plantar soja ou para criar rebanhos! … É sintomático que no teu país haja mais vacas de que gente. E que tua nação seja um imenso e cruel matadouro. Tu que acreditas piamente num céu após a morte, podes estar certo de que quando chegares lá darás de cara com milhões de vacas, em fila, todas esperando avidamente para enfiar-te os cornos no rabo”. Manifesto Aberto a Estupidez Humana.

Ezio – É curioso que mesmo os religiosos mais fanáticos, de toda e qualquer religião, não se abalam com a matança de animais, com o sangue e a traição que essa mortandade representa para com o outro, seja ele um homem ou um cão. Aliás, algumas religiões até sacrificam animais em seus rituais, outras simbolizam o sangue de seu deus durante a missa e etc. Haverá maior perversão do que esta? Em quase todos os livros ‘sagrados’ há autorização explicita para explorar, matar e comer os outros animais, dando pistas de que o tal deus, também era chegado num sadismo e num churrasco!

ANDA - Em seu livro ‘Mendigos: Párias ou Heróis da Cultura?’, você apresenta Caim como o primeiro vegetariano da história, e o primeiro a usar métodos substitutivos ao sacrifício de animais. E Abel como quem inaugurava os futuros malefícios dos grandes rebanhos, da reprodução planejada de animais para a carnificina dos açougues, para a comilança de carne e para a sangueira que é hoje o mundo”. Quem defende os animais por Ética precisa, necessariamente, enfrentar o mundo e ser condenado por ele?

Ezio - Aproveitei a fábula de Caim e Abel para brincar com a ideia de que aquele que ofereceu raízes e ervas a Deus (um naturista) foi rejeitado, induzido ao assassinato, expulso da família, amaldiçoado e condenado, ao contrário daquele que não se comoveu em assassinar um filhote de ovelha para o mesmo fim. A fábula deixa claro que Deus preferiu a carne.

Quanto à defesa dos animais, será sempre uma luta frustrante, individual, romântica e solitária já que, na verdade, não tem muito sentido salvar uma vaca, quando sabemos que milhões delas estão sendo sacrificadas no mesmo dia nos matadouros da esquina e sem que se possa fazer nada para impedi-lo. É difícil contentar-se com a defesa de uma galinha que ia ser sacrificada numa macumba, quando no abatedouro dos fundos, só na mesma noite, foram degoladas duas, três mil. Massacre que não se pode interditar. Por que defender um gato e massacrar os ratos? Com que argumentos pisoteamos as baratas, as pulgas, os pernilongos e queremos defender um beija-flor? E depois, os corpos, os dentes, os estômagos e as tripas das pessoas estão viciadas na carne e no sangue, mais ou menos como as veias dos alcoólicos estão viciadas no álcool. Além de asqueroso, é triste o papel devorador que nos foi atribuído na existência. Um criador minimamente sensível e inteligente, teria nos feito movidos a energia solar.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Quem tem gato precisa ter redes nas janelas - quem tem crianças também

Quantas vezes fui em casas de pessoas com crianças, onde as casas eram entulhadas de lixo, insalubres e sem espaços para brincar. Daí concluía que aquelas pessoas eram tudo, menos gente que estava preocupada com crianças... Mas se você falar... passa por chato, inconveniente... E com relação aos animais, pior ainda. Ninguém quer saber.
Exemplo de rede - diferente do conceito da maioria, considero super decorativo e mais, acho um indicativo de que a pessoa se importa (com gatos, cães, crianças, idosos, etc) quando vejo da rua que sua casa possui redes nas janelas. Super alto astral!
Eu saída do lugar com uma sensação de claustrofobia. O lugar cheio de móveis escuros, coisas entulhadas, e pouco espaço para as pobres crianças. Por que ter filhos se você não tem nem espaço para eles?

Nós temos redes em todas as janelas do nosso apartamento, menos em uma janela da cozinha, que ficou sempre fechada até hoje. Nessa semana iremos colocar. Estou feliz pois é mais um espaço onde os gatos podem ficar à vontade, olhar a rua e eu também a usarei. Não é possível abrir janelas quando se tem gatos em casa e se mora no terceiro andar, sem redes de proteção.
algumas ideias para gatos
Gatos são animais que buscam aventuras em qualquer fase da vida, eles não desistem de buscar gravetos, insetos, aves e fantasias de suas mentes de felinos por isso não racionalize, chame um instalador de redes. Custará pouco para instalar na minha janela aqui. Os custos com acidentes envolvendo caídas de felinos em prédios são salgados, mas a dor que eles sentem não tem preço e deixam sequelas neurológicas e/ou físicas. Mas eles nada dizem.
 brinquedos divertidos para gatos...invente! Eles adoram...

Se você tivesse um filho, deixaria a lei da selva gerir seus passos? Eu chamaria o conselho tutelar, no mínimo. Por isso, é importante pensar bem antes de decidir por ter animais de estimação em apartamentos. Existem prós e contras e não basta apenas 'amar'. O respeito aos animais inclui o cuidado com sua saúde, bem estar, desde seu nascimento até a velhice e mesmo a sua morte. Seus instintos prevalecem mesmo depois de castrados. E é importante a castração para que sua vida seja longa.

Ao sair, não podem ficar trancados no banheiro ou coisa parecida. Precisam de cuidados. Nós deixamos que a Taís Duranti venha visitá-los, quando vamos viajar. Ela vai nas casas e cuida de gatos. https://www.facebook.com/tais.pereira.9634340?fref=ts  Os gatos gostam dela, já fizeram amizade e tudo! E a gente fica em paz, pois tem sempre a companhia dela, além de que ela cuida mesmo, dá água, comida, olha para ver onde eles estão, pois gato sempre está aprontando alguma, SOBRETUDO quando não estamos por perto...
 Divertimentos para gatos custam pouco. Colchonete comprei em brechó. Fica no canto extremo da casa.
 Caixa encontrada no lixo é o brinquedo preferido do Bob. O tapete é do brechó da Gelcira e ele adora.
Achei duas caixas de vinho argentino como essa no lixo! Claaaro que peguei para colocar os libros que estou lendo, mas o Bob se adonou de uma.
Para que essa conversa vá além de uma postagem, é interessante consultar um veterinário de confiança e se informar sobre vacinas e sobre higiene também. 
Ele adora essa caixa pois se sente protegido. Tem papelão no fundo e ele fica raspando com a unha, é sua maior diversão.
Os brinquedos são simples, mas a comida e a saúde nós procuramos dar o melhor possível. Indico a Clínica do Gato, pois atenderam sempre bem e entendem mesmo de bichanos. Não adianta 'pagar barato' e depois gastar em dobro ou perder a vida de um animal querido.
Só compreendo protetoras e protetores que bravamente precisam atender muitos animais e aí sim, claramente, precisando de doações, qualquer marca de ração tá valendo, o dinheiro é sempre pouco e o veterinário faz o bastantão. Nós ajudamos algumas e sabemos como é! Mas tem muita gente que não está nessa situação, portanto, essas pessoas podem economizar no supérfluo que sempre é muito às vezes, e dedicar ao que importa mais. Organizando-se pode-se dedicar um pouco mais de atenção a estes seres, já que não foi escolha deles estarem em nossa casa. Temos essa responsabilidade.
Só adote se for com responsabilidade. Não compre animais!
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