sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Branco nos meus sonhos

Eu chorava imensamente, dentro do sonho e quando acordei.
E dizia para quem estava, lá dentro
e para a música que ouvia, aqui fora:
Que, o problema aqui, não é bem a distância que nos separa, talvez bem mais seja a melancolia interior.
Essa angústia, ferida, que nos separou a alma.
Eu atravesso ruas perigosas, os carros passam, voam por cima de mim, não há ordem em nada.
Há algo vermelho e terroso por todo o lugar. Como é diferente meu íntimo, das coisas que eu tenho em meu pensamento.
Como é diferente a minha cor, dos tons que guardo em meu inconsciente.


Um lençol branco imenso

cobria pedras com rachaduras profundas, meus pés eram tão frágeis, pois sei, quase sempre não tenho chão.

Eu via aquela criança, de camiseta branca, sentada a me olhar.

A dor antiga, impossível resgate. A doçura infantil espelhada num disfarce.
Ao meu lado, tentando me fazer lembrar.
E estava sentado, sobre as pedras, como alguém que simplesmente tenta oferecer ajuda.
A inocente infantil tentativa.
Como sou. Senti o carinho dentro de mim, sentimentos de uma mulher morta.
Mas o menino ficou para trás, quando acordei.

Buscava recolher todas as coisas. Objetos do chão, símbolos oníricos.
Fecho meus olhos. Ignoro o que guardo em mim.

Só podia dizer aquelas palavras.

A figura inquietante, a me torturar,
O irmão, a criança.
E a lembrança, a cor que persiste em cada sonho.


Ellen Augusta

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