sexta-feira, 20 de novembro de 2015

As flores brancas

Sentido guardado
isolado.. em silêncio.
no ponto luminoso do farol
respiro o vento
quando traz o cheiro do mar, eu lembro.
meus cabelos crescem, eu os corto
no sonho vejo-os longos, as roupas de cores: azul, verde, violeta.
eu os corto, ainda não é  hora
uso o negro pois minha alma traz seu nome igual ao meu.

tenho nas mãos as marcas roxas do sono, as flores brancas do encanto
suspensas por todo o ar
como uma saudade que eu possa capturar
A chuva se aproximava e era de flores:

Por que estavam no ar, no meu corpo, na minha boca e por todo o lado que voltasse o olhar?

Por que brancas, sem em mim tudo é violáceo?
por quê? esses cruzamentos essa distância, esses pensamentos?
sonhos/ em que tudo são tormentos, guardam em si mesmos boas lembranças - porém!

Eu vivo como uma concha, tragando liberdades.
Cada pétala caída, cada flor colhida,
Morrem comigo, nas palavras, em um movimento de minhas mãos, covardes.

O medo, a solidão, esta flor branca , vive internamente.
Abre-se e chora.

Não consegue jamais desvencilhar-se
de uma condição.

Ellen Augusta

Um comentário:

  1. Belíssimo, Ellen! Como a poesia precisa ser - verdadeira no sentir e no dizer. Bjos

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