terça-feira, 28 de julho de 2015

Um sonho endemoniado

Na estação desconhecida
Não podia descrever
A quem me levava e não sabia
Palavra alguma me dizer

Profanações no silêncio, sua voz saia muda
O ambiente frívolo, uma curva de estrada
Me carregava, como um demônio.

Implorava por saber.

{Meu amor não estava lá, não poderia me dizer
Como eu faria para retornar
ao estado de lucidez.}

Presa desta forma, acorrentada
Ao telefone, a um toque destas mãos
Só confiava:
Em que meu corpo deixaria-me em paz
de que minha alma entregaria-me
à própria natureza, se eu pudesse livrar-me

Do inferno deste sonho.

{Senhoras ao meu redor sabiam, mas apenas me condenavam
Cercavam minha alma de não-sei}

O que sei: conheci a índole triste e doce de seu coração
Embora pareça, sei lá, embora seja, engano meu.

Meu desejo era de acordar, mas meus pés descem, descem...
O corpo flutua, só quer ficar.
Mas as lágrimas, negras lágrimas encantadas
Falsas, fantasias que acordam amanhã.

Ellen Augusta

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