sábado, 25 de julho de 2015

As santas do interior

 Este é meu arquivo de simbologia da Serra Gaúcha, algumas fotografias de símbolos sagrados que capturo quando viajo para o interior.
 Toda vez que escapo para a Serra ou cada vez que vejo um lugar como este eu sempre faço algumas imagens. Visito disfarçadamente, como uma fiel, cada recinto, sagradamente, em busca de uma descoberta.
E eu me sinto parte de um mundo incrível. Ou melhor, cheio de pessoas que creem nele.



Sou sinceramente apaixonada por estes símbolos e passeio pela cidade a procura destes objetos.
Nesta cidade em particular, existem diversas grutas, pequenos santuários com santas onde se acendem velas, levam-se flores e outros objetos de devoção.

Observem a composição da foto acima: essas duas cruzes semelhantes à cruz pagã, cruz de Malta, o Disco Solar, como queiram, e essa vassoura colocada bem no meio desse armário. Até hoje é praticamente impossível esconder as tradições antigas!
Estes lugares são repletos de pequenos museus, pois sabem guardar estas relíquias, objetos históricos do lugar. As cidades investem grana nas atividades de uma religião específica. Vivemos num Estado laico, mas ninguém se importa. E no interior a séculos apenas uma religião existia. Agora a coisa está mudando um pouco.

Nos dias em que fui fazer trabalho voluntário em uma das cidades da região, tirei alguns dias para conhecer os cemitérios e esses lugares sagrados. E vi muitos desses pequenos museus.
Porém o que mais gosto, são os chamados "capitéis", são pequenas capelinhas de beira de estrada, feitas para orações, pelos moradores locais.

 Este é um armazém colonial com muitos artefatos religiosos e antigos.
 Eu fotografei tudo, pois é muito bonito e tem a ver com a cultura italiana local.
 Eles enchem a casa de símbolos religiosos. Eu acho legal, na verdade, mesmo não crendo em nada disso.
Aqui é uma casa decorada para turista, mas há muitos lugares preservados, com móveis realmente antigos. É muito bonito.

 Há um armazém cheio de rádios antigos. Tenho as fotos, mas não sei onde estão.
Coleciono as imagens, guardo a beleza das figuras, pois a crença eu já perdi. Ou melhor, nunca cheguei a ter. Algumas coisas até acho meio cafona. Prefiro a beleza mexicana do exagero. Adoro tudo que é demais e muito colorido.
Mas também entendo o jeito dos gringos de decorar.
Afinal, minha mãe era de origem italiana. E eu entendia o jeito dela de arrumar as coisas. Essa forma de lidar com a religiosidade, acho que tem muito a ver com a forma de decorar. Ajeitar as flores, acender velas.
Ela ia mil vezes no cemitério limpar o túmulo, fazer toda a ritualística da dor.

Porque é preciso querer arrumar.  E eu acho que nesses rituais estão o mais bonito de suas crenças. O mais me abstenho de comentar, pois hoje não estou a fim.

Minha fé está na destruição, quero arrumar destruindo o que é nocivo, por isso não creio em mentiras.

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