sexta-feira, 31 de julho de 2015

A lágrima que eu tentei segurar

Respirei e a segurei como pude
ao fechar os olhos
caiu

revelando minha dor.

Fecho a cortina escura do olhar
atrás da qual estão aquelas lembranças
o tempo morto através de meus olhos fechados.

E o presente no brilho da visão, que se nos toca.

A lágrima, um mar corre em mim
Odeio a vida porque te conheci.
e a cada correnteza, a cada ferida aberta
mais desejo morrer

para cerrar tantas portas e sepultar
o que tento tanto ocultar
A lágrima denuncia, denuncia o quê?
Um olhar denuncia, mas exatamente o quê?

Nenhuma resposta, visão líquida
Nenhuma resposta, coração indomado
A água salgada, escurecida pela maquiagem, corre pelo rosto
Leva algo, eu sempre soube. Hoje não mais.

Meu sonho revela, carrego a premonição em minhas mãos.
Todas as vezes, a vida inteira. E agora?
Os dedos pálidos sentem as palavras, que saem uma a uma detrás destes negros portais lacrimosos.
E agora?
Elas, lágrimas, já caíram e eu, que anseio tanto pelo fim,
ainda respiro.

Ellen Augusta


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