segunda-feira, 22 de junho de 2015

As poucas luzes que existem vão se apagando pouco a pouco - um anjo que encontrei no centro

Nas minhas caminhadas cotidianas, encontrei esta linda homenagem ao Chaves no centro da cidade.
É uma das formas mais bonitas de se homenagear alguém, a de forma anônima. A beleza mais perfeita de não se identificar, de se fazer notar pela presença que só aquele que sabe, percebe.
Ser anônimo é ser presente no que importa. Pois eu ando pela cidade captando estas pequenas gentilezas de pessoas invisíveis, que se fazem presentes no meio desse lixo, que é viver. Isso é arte urbana.
 Só Chespirito merece essas asas de anjo, que eu nem mesmo creio que exista.
 Admiro quem criou e quem teve a coragem de sair por aí, pela cidade, no entorno do centro, colando estas figurinhas. Uma singela forma de dizer adeus.
 Depois que eu fiz essas fotos, voltei ao lugar algumas vezes e, como é de se esperar, só sobrou dois ou três das figuras, a maior parte foi arrancada de forma grotesca. Indicando que a pessoa não queria levar o desenho, queria mesmo pichar a figura - destruir a arte.
 As pessoas adoram lixo, se acostumam a ver as ruas imundas e sujas. São pacatas e monstruosamente silenciosas quando é para fazer alguma coisa a respeito, ligar quando alguém está em perigo, pegar um pano e ir lá e limpar, etc.
 Mas quando é arte urbana, não se furtam em pegar um telefone e ligar para os vigilantes da moral, não se incomodam de ficar de olhos bem abertos me cuidando enquanto eu fotografava estas cenas. Estão sempre atentos quando se trata de coisas belas em que possam destruir.
E vândalos, são os outros.
 O mundo fica mais triste quando as poucas luzes que existem vão se apagando pouco a pouco....
Frente ao comportamento indiferente e até mesmo sociopata das pessoas, estou sempre com os olhos nestes cantos da cidade - porque a maioria olha para o chão, como derrotados, ou com o nariz empinado, como tartufos - encontrando essas preciosidades. Como minha devoção está em muitas coisas, encontro-as em qualquer lugar.
 E só acredito em quem me faz sorrir.




Um comentário:

  1. Os anjos existem, viu? O pintor é o anjo (rsrsrs). Lindo o que você escreveu! Bjos

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