domingo, 2 de novembro de 2014

A publicidade das mulheres frágeis - e o seu silêncio

Há mais de dez anos eu li artigos de feministas questionando a propaganda de marcas que ilustravam mulheres em posições de submissão, fragilizadas, ou em situações de completa inutilidade, algumas imagens sugerindo que haviam sofrido violações, ou que estavam em posição de presas, ou mesmo em situação de inanição. A lista é longa, mas a noção é uma só: a mulher na propaganda, naquela época, era um ser objetificado, inútil, que apenas servia de manequim, para vestir roupas, usar jóias e sapatos.

O homem, em contrapartida, já era ilustrado como um ser arrojado no trabalho, com a família, em romances, no seu carro. De lá para cá eu observava isso por todo o lado. Se hoje isso mudou um centímetro, ainda continua pairando a mesma mensagem idiota: a mulher quer ser esse lustre de cristal.
Muitas mulheres acreditaram nisso, se iludiram, foram levadas a tal. Existe uma pressão mercantilista muito forte nessas campanhas. E fora delas, na sociedade inteira, silenciosa, o tempo todo. Mas, não vamos culpar os outros vida afora. Vamos nos responsabilizar um pouco. E, depois de adultas, nós mesmos podemos nos educar para a tomada de posição. Não é fácil e, eu mesma sinto as dores do peso de sair fora do padrão.
Ontem eu vi um out door com uma imagem de lascar! Uma mulher com as duas mãos na cara, tapando o rosto, de uma forma perturbadora. Para exibir as jóias.

Eu me pergunto: Em que situação da vida de uma mulher, é necessário fazer uma coisa dessas?
É muito bizarro. Os exemplos de propagandas em que modelos aparecem de pernas abertas, em posições ridículas, olhares meio retardados, são lugar comum. E o pior, essas 'inovações' também se estendem em propagandas infantis - e só para meninas. É de se perguntar qual é o projeto perverso dessa intenção?

Meninas/crianças, de meia calça, bunda de fora, perninhas abertas, calcinhas a mostras e outras situações em momentos inadequados, ilustrando brinquedos, roupas infantis. E mães infantilizadas não são capazes de abrir o bocão e se manifestar. Acham tudo a maior fofura.
Eu já ouvi de um homem a observação de que essas fotografias de caixinhas de meia-calça infantis são eróticas demais para serem expostas nas prateleiras de supermercados.

A última dos místicos dos produtos de beleza, é a polêmica propaganda da modelo passeando com sua bunda (como se fosse a bolsa nova) e os macharedo observando a retaguarda, quando ela olha e lhes pergunta: você sabe por que eu sou feliz?
Não é por nada que a colunista da rádio que eu ouço definiu tudo numa ótima pergunta: Oi? Agora a felicidade mora na bunda?

E enquanto você continuar achando que isso tudo é exagero, as mulheres continuarão a ganhar menos, enfiar todo o seu dinheiro no rabo dos grandes empresários, vendedores de ilusão para rejuvenescimento e casamento/felicidade e lixo para enganar trouxas, e os disparates entre os sexos continuarão cada vez mais evidentes.
As últimas listas de diferenças salariais estão cada vez mais gritantes no país. Não vou detalhar aqui. O estudo saiu essa semana, procurem!
O índice de estudo entre mulheres e homens estão cada vez mais desiguais e pasmem, quem estuda mais (mulher), ganha menos. Quem estuda menos (homem), ganha mais, segundo o estudo recente. Está na hora de abrir a boca e pedir aumento! Está na hora de apoiar a outra. E não silenciar.

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