quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Sintoma é quando ignoram o mais importante

Publicado no site De Olhos e Ouvidos, a homenagem a Flávio Tavares e o comentário sobre o silêncio da mídia logo a seguir.
Agora eu me pergunto, o que leva a esse silêncio brutal, essa mania de puxar saco de uns e outros...mas silenciar quando alguém merece ser reconhecido, lembrado, lido?
E as mulheres onde estão? Por que elas não abrem o bico, não levantam as saias, não constroem as 'bases'? Ai não tem nada a ver com o assunto? ãHã. Tamo sabendo do trabalho feito por Maria do Rosário lá, nos Direitos Humanos, e antes, caçando os abusadores de crianças, etc, um ótimo trabalho! E de como tentaram minimizar seu discurso e diminuí-la com atitudes rasteiras e machistas.
Por que essa horda ditando o que todos devem fazer, ler, escrever, e pensar?
Que medo é esse? Não. Eu não quero saber a 'opinião' de ninguém. Quero mais ações, mais pensamentos e um bom tanto de revolta, sim senhorAs.
Flávio Tavares recebe Título de Cidadão de Porto Alegre

Foi também o homem que 'matou Dom Vicente Scherer' no mais célebre trote jornalístico do rádio que se tem noticia (Olides)

Vereador Pedro Ruas - proponente da homenagem

A Câmara Municipal concedeu, em Sessão Solene realizada nesta sexta-feira (26/9), o Título Honorífico de Cidadão de Porto Alegre ao jornalista Flávio Aristides Freitas Tavares. A proposta foi elaborada pelo vereador e presidente da sessão, Pedro Ruas (PSOL), que afirmou que a homenagem visa "dar reconhecimento a um dos nomes mais importantes do jornalismo gaúcho".

Pedro Ruas leu um trecho de um dos livros escritos por Flávio, intitulado Memórias do Esquecimento, e disse que jamais irá esquecer aquelas palavras: “O choque elétrico é a primeira dor profunda, mas a grande humilhação, símbolo da derrota e do ultraje, é despir-se. É o momento de mútua corrupção entre vítima e algoz”. O vereador explicou que Flávio sofreu na carne as técnicas usadas pela polícia para incriminar os inimigos do regime militar. "A tortura, os choques elétricos, o pau-de-arara e depois o exílio."

Segundo Ruas, Flávio sempre foi um cidadão do mundo, e agora está se tornando um cidadão de Porto Alegre. "Esta Casa se orgulha de oferecer ao Flávio o maior título que um representante gaúcho pode receber: o título da cidadania", afirmou o vereador, que comparou a homenagem a eventos históricos realizados pela Câmara, como a Abolição da Escravatura antecipadamente à abolição nacional, em 1884, e a restituição de mandatos de vereadores de Porto Alegre cassados pela ditadura Militar.

Militância e cidadania

Flávio Tavares descreveu a sua vida desde o momento em que veio para Porto Alegre, para complementar os seus estudos, até os dias atuais, narrando também os momentos históricos pelos quais passou durante a Campanha da Legalidade, em 1961, e o exílio durante a ditadura militar. "Por muito tempo não tive nacionalidade e, atualmente, tenho várias. É irônico mas este fato retrata os momentos em que eu não pude me apresentar como cidadão brasileiro", afirmou.

O jornalista ressaltou a importância da atuação militante e política dos jovens, pois, segundo ele, se este sentimento de manutenção da democracia plena se perder no horizonte deles, "desastres" como os golpes militares podem ocorrer novamente. "Fico feliz de ser considerado um cidadão de Porto Alegre e quero com isto levar as minhas histórias de militância política e jornalística a todos aqueles que acreditam que o exercício da cidadania é a única forma de assegurarmos que o Brasil seja uma país livre e democrático".

Trajetória

Flávio Tavares nasceu em 12 de junho de 1934, na cidade gaúcha de Lajeado. Em Porto Alegre, formou-se em direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs, em 1959. Naquela época, era reconhecidamente um militante político que buscava melhores condições de vida para a sociedade, organizando entidades estudantis, disputando comandos e formulando projetos de mudança social. Militante político no período da Legalidade, em 1961, tornou-se amigo do então governador do Estado gaúcho, Leonel Brizola, convivendo com ele no Brasil e no exílio e tornando-se um dos seus mais credenciados biógrafos.

No início dos anos 1960, Flávio foi um dos poucos jornalistas brasileiros a conviver com o guerrilheiro Ernesto Che Guevara, que, mais tarde, seria objeto de um de seus livros. Após o golpe militar de 1964, Flávio foi perseguido pelo regime que se instaurou no país, sendo exilado do Brasil, para onde retornou somente com a Lei da Anistia, de 1979.

Para o vereador Pedro Ruas, "a extraordinária experiência de Flávio Tavares teve intensa influência na sua atividade principal, o jornalismo, assim como esta teve influência em toda a sua maneira de ver e contar a realidade". O proponente lembra ainda que os trabalhos jornalísticos do homenageado são reconhecidos nacional e internacionalmente, servindo como referência literária os seus livros Memórias do Esquecimento e O Dia Em Que Getúlio Matou Allende.

Estiveram presentes na homenagem o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, e o procurador-geral de Justiça, Ivory Coelho Neto, além de familiares de Flávio Tavares.


VEREADORES E ZH IGNORAM HOMENAGEM A FLAVIO TAVARES

Olides, deste uma de jornalista preguiçoso. Sobre a homenagem que a Câmara Municipal prestou a Flávio Tavares, na semana passada, publicaste apenas o release oficial. Um bom repórter que lá estivesse teria registrado pelo menos dois fatos inusitados. Um único vereador esteve presente, Pedro Ruas, o proponente do título de cidadão de Porto Alegre. Os demais edis onde estariam? Provavelmente, em campanha eleitoral. Mas não faltaram antigos colegas e amigos, como Carlos Bastos, Ibsen Pinheiro, Batista Filho (presidente da ARI), Antônio Oliveira, Guido Moesch, Ayres Cerutti, os poetas Armindo Trevisan, Fernando Castro e Maria Carpi, mãe de Carpinejar. Outro fato que causou estranheza: nenhum representante da Zero Hora - um diretor, editor ou sequer um repórter - prestigiou o colunista que ocupa, todos os domingos, um espaço nobre do jornal.

ABs, AGoulart
Fonte: http://deolhoseouvidos.com.br/

3 comentários:

  1. Inacreditável, tanto descaso com um jornalista, escritor e acima de tudo militante como Flávio Tavares! Vi a participação dele junto ao filho no programa do Roberto D'Ávila, quando Camilo Tavares lançou O DIA QUE DUROU 21 ANOS. Poxa, depois de tudo que passou e já com idade avançada, é impressionante como sua memória ainda é precisa e sua fala clara e objetiva. O grande Saramago reconheceu o imenso valor da obra MEMÓRIAS DO ESQUECIMENTO. Pena que por aqui, o reconhecimento não seja o mesmo...

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    1. Olá, obrigada Ara por comentar, eu fico triste por que a mídia esqueceu do Flávio Tavares, ele é um grande homem, sofreu tortura e conta como até hoje tem pesadelos e que um dia até encontrou um de seus torturadores no supermercado, pois tudo ficou por isso mesmo... Mas pelo menos ele é lembrado na cidade e por seus admiradores e leitores. Seu trabalho é muito bom, e reconhecido no mundo... Mas a mídia aqui, tem o poder e controla o pensamento, ela é visual e pertence a poucas famílias, infelizmente isso vai demorar a acabar e eles fazem o que querem com a informação e com o povo... abraços e obrigada pela visita.. :)

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