quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Rádios e livros - paixões com olhos, dedos e ouvidos

Na livraria Erico Verissimo encontrei rádios, livros e outras antiguidades.
Minha paixão são os rádios. Livros são apenas ferramentas para as palavras. Não tenho fetiche, não guardo nem compro. Apenas tenho os livros dos escritores, raros, que admiro e quero tê-los eternamente junto a mim. Prefiro dar livros do que emprestar. A pessoa lê quando quiser e não fica naquele compromisso. E raramente vi livro que eu emprestei voltar.
Passeando pela cidade, neste meu exercício de vagabundear, entrei nesta biblioteca com meu marido e nunca mais parei de olhar as coisas. Os livros eu conferi depois. Perguntei para a atendente que, super simpática, me auxiliou na busca de um livro de terror muito raro que procuro a anos... mas que ainda não encontrei.
A maldade dos adultos: quando eu era criança ouvia que eu mexia nas coisas com os dedos.
Hoje eu olho com os dedos. É um dedo no clique da câmera. Não no celular. Ainda estou no tempo do telefone de disco, como diz aquele que me acompanha, no mesmo bom ritmo. Mas estou muito à frente no que se refere ao contato. E isso é um progresso para quem ontem, estava em uma ilha.
Essas coisas antigas são lembranças para mim. Para quem guardou, significam um mundo de cuidado e capricho. Para quem chega e presencia, uma viagem no passado.
Uma balança de armazém - onde eu comprava doces com poucas moedas, como o Chaves do Oito.
 Eu tive essa máquina de escrever. Depois, quando ela já era obsoleta. Ganhei de presente, justamente por valorizar muito as coisas. É a velha diferença entre os muitos significados da palavra materialista, que para os reacionários, dominados pela moral cristã, só tem um sentido. Não é o meu. Não ligo. Sou livre. Valorizo.
A história da máquina que eu ganhei: ela foi comprada, trocada por vários jogos de mesas e cadeiras pois valia tanto, depois estava abandonada num galpão. Ganhei de presente. Usei-a para escrever poesias, cheguei a usar para realizar provas para meus alunos. Depois fazia cópias do papel original e eles adoravam. No fim dessa história essa máquina foi deixada para trás, por coisas do 'destino'. Destino que eu escolhi. Hoje eu não sei qual o seu paradeiro. Mas na minha mente ela está fotografada, com certeza.
Rádios. Estes sim são meus sonhos. Amo os antigos. Tenho os novos modernos. São coisas que as pessoas não valorizam. Quem hoje ouve rádio só ouve o bastantão. Mas há mais o que escutar. Amo Ondas Curtas, AM, etc, vou buscando conhecer este mundo.
Fiz esta foto para guardar a beleza das rosas e o icônico das imagens dos santos que me atrai. Estudo essas coisas, por me interessar por simbologia, semiótica, etc.

Nesta livraria encontrei diversos rádios antigos, alguns funcionando, outros não. Relógios de parede de todos os tipos, detalhes espalhados de forma delicada e organizada. Já visitei muitas livrarias, cada uma tem um jeito.
 É como a sala de alguém. Bagunçada, livre, cheia, vazia - particular.
O Transglobe é este rádio raro e lindo, que aparece nesta foto ao lado do quadro de mulher. Tenho a honra de ter ele aqui em casa. Foi presente da minha sogra que também ama rádio. Ele é tão raro que provoca suspiros quando é citado entre quem saca. O cara da eletrônica onde a sogra mandou para revisar fez mil propostas por ele. Mas ele já era meu! E funciona que é uma beleza.
Sinais: amo luzes, lamparinas, marcas de luz na escuridão. Adoro todo o tipo de lampadinhas de casa, aquelas escandalosas que piscam, coloridas... para os vizinhos verem também!
 Adoro espelhos, especialmente os antigos, os ovais, que minha mãe também adorava, e os de madeira. Quanto mais aparentarem aquele aspecto de velho, mais bonito e mais sombrio.
 As máquinas de costura lembram a minha mãe. Foi o que ela levou de casa quando se casou: uma máquina de costura Singer manual e uma panela de ferro. Carregou pesos nas costas a vida inteira, ao casar, não poderia ser diferente.
 E para terminar esta viagem a esta livraria, que de libros, quase não falei, deixo estes dois últimos rádios. Imaginem ele tocando, naquele tom de rádio antiga. Ainda existem rádios internacionais e até nacionais que funcionam neste mesmo padrão antigo. Aproveitem que o tempo é agora.
A livraria fica na Jerônimo Coelho, 377.
Ellen Augusta

Um comentário:

  1. Amo tudo que é antigo, acho que tenho uma alma meio velhinha. Quando eu era pequeno tínhamos um rádio gigantesco lá em casa com vitrola e tudo, adorava ele até minha mãe dá-lo embora porque era muito velho e muito grande =( e meu pai sempre ficou de me dar uma máquina de escrever, estou esperando sentado até hoje.
    Mew, amei seu blog *O*

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