segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Era tudo teatro

O cara fica velho e vai 'comprando' todo o pacote. Vai ficando reaça, vai te criticando, vai te rotulando prontamente, etc, etc....
Ou seja - o cérebro vai congelando e virando uma pedra.
Você não pode escrever uma linha fora do lugar, nem desamarrar o sapato.
Os roqueiros dos anos oitenta: alguns estão mais reaças que os velhos militares,
provocando vergonha e desprezo em quem no mínimo esperava respeito à música e ao
rock.
Mas a tristeza dessa época não se limita a eles:
Quem sempre foi de questionar, hoje, só sabe encher a cara.
Quem sempre foi de escrever, hoje só sabe apontar e julgar.
Os livros estão na estante e não mais nos olhos.
Há uma resistência ao novo. Uma resistência tão forte que eu chego a sentir à longa
distância, pois percebo sensivelmente quando alguém, sem entender, se recusa a
conhecer.
Toda aquela pose de conhecimento, as roupas 'diferentes', os livros que todos liam, as
músicas que todos ouviam, era tudo teatro? Ou acabou a cachaça? Talvez estivesse escuro demais. A noite torna tudo mais bonito. Quem é rasteiro pensa que futilidade é filosofia.
Vendo o excelente filme sobre Raul Seixas, O Início, O Fim e O Meio, pude perceber que até mesmo
hoje, as letras de Raul Seixas e Paulo Coelho ainda são subversivas e atuais.
Mas é uma pena que hoje, músicos do rock dos anos 80 sem carreira ou com carreiras decadentes, andem espalhando declarações vexatórias na imprensa, provando que a cabeça deles esvaziou, ou que ali nunca teve nada.
Ao pé da letra - 'radicalmente', uso a vida como caminho, levando livros para todos, escrevendo e lendo, pois a poesia precisa andar  - a letra no Pé.
Triste é quem fez aquele teatro todo de gente bonita e intelectual, leu os livros certos e usou as roupas legais, mas não colocou a cabeça para funcionar e esqueceu das pessoas.
Hoje só sabe enfiar o dedão no celular, é conservador e preconceituoso. As roupas não significam nada, nunca importaram, pois o que sempre valeu levamos dentro.
Quem é verdadeiramente perfumado pela literatura, quem verdadeiramente pensa, pensará sempre, terá a mente refrescada pela capacidade de repensar e ser flexível.
Ser amigo é a melhor coisa do mundo.
Isso vale mais do que a melhor roupa e a melhor pose. E um dia a casa cai para essa gente que se faz de entendido em coisa alguma, porque eu percebo de longe e, aliás, detesto teatro.

Um comentário:

  1. Passei pra dar uma assuntada ... gostei ... A imagem do cérebro congelado e as reações às mudanças me remeteram a "como nossos pais" , do Belchior ... "na parede da memória, esse é o quadro que dói mais " ...

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