domingo, 6 de julho de 2014

O coveiro

Aquele que queria ser coveiro. Profissão para homens. O cemitério sempre fica em lugares altos e ermos. Ela sempre foi lá sozinha. Havia quem conhecia, e os estranhos. Estes gostava mais, pois traziam o mistério do anonimato. A morte para todos, sem nomes.
Ainda vivo, ninguém o enxergava. Só os fantasmas sabem de sua função, especialmente no final da tarde, quando o Sol é o que  já sabemos, mas os mortos, estes não conhecemos.
Ele vaga pelas sepulturas, ela nunca o encontrava, mas o conhecia.
Nos seus olhos, o meu desejo.
O transcendente desejo de sumir.
Eu sofria, porque também não o via. Amo os cemitérios, mas o coveiro nunca está.
Um dia

Houve rumores de que tirou-se a vida...
Esse assunto incômodo.
Ninguém fala. As religiões só ameaçam. "O castigo é duro".
O desespero bate em tantas portas. Fechadas. Os números não param de crescer. Foi mais um? Se a mídia e as entidades tratassem desse assunto de forma madura? Há só um silêncio na sociedade.
Todos querem esconder, por medo de uma semente, plantada em si mesmos.
Mais uma vida se perdeu por causa do preconceito.
Por causa do silêncio dele, ou nosso.
O já invisível desapareceu!
Nunca se disse uma só palavra.
A curiosidade mórbida de quem não se importa, fez saber que ele não trabalhava mais lá.
E ainda estava entre os mortos.
Ellen Augusta

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