quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Encontro entre escritoras

Não costumo ler escritores gaúchos. Por conta disso muita gente torce o nariz. Pode torcer. É trabalho dobrado. (Uma vez uma emissora me entrevistou na feira do livro, fui bem franca, e a câmera logicamente cortou na hora, ri muito. Nunca saiu o que eu disse...Por que será...)

Mas esta eu me encantei.
Abri o livro ao acaso. Li umas palavras. Fechei. Preciso ler o livro inteiro. Li o livro sentada na sacada.
O livro é um encanto cheio de contos, falando dos homens, das mulheres internas que todas temos, dos fantasmas transparentes que eu adoro.
Amei.
Chama-se De muros, de redes, de condes e de pacotes, de Anna Vera Boff http://wwwblogdaprofe.blogspot.com.br/2010/10/anna-vera-boff.html e é raro encontrar escritores brasileiros que me toquem. Sim, sou chata, mas me apaixono facilmente. Sou dada facilmente aos escritores que me cativam...
O livro tem um conto chamado O Grito, que fala de duas irmãs gêmeas, uma toda certinha. Nasceu antes, nunca ficou sozinha, não gostava da solidão. A outra era toda maluca, viveu a vida. E a irmã mais aventureira morreu e virou seu fantasma companheiro, a lhe ensinar tantas coisas... Leia por fim, se você quiser conhecer um estilo muito peculiar de falar de um fantasma lindo, que ensinou a esta mulher a não ser tão limitada, tão cheia de medos... e enfim a viver a vida, quando tudo parecia indicar a morte...
Essa escritora tem um modo de escrever muito lindo, o que admiro por se tratar de contos. Não é fácil colocar num conto tanto conteúdo. É muito mais complicado. Exige muita sensibilidade e vivência.
E por isso percebi algo na alma dessa escritora. Nos comunicamos, mesmo sem nunca termos trocado palavras. Ou sim? Pois escritores escrevem livros para comunicar?. E essas palavras nos tocam.
Achei esse seu estilo muito interessante e creio que outra escritora poderá apreciá-lo. A Maria Helena Sleutjes, poeta, escritora e tão sensível, que também coloca em pequenos espaços grandes sentimentos. Em palavras, lacunas, espaços do papel e também ausências de letras, o poeta faz com que  a alma possa vagar para outros mundos, possa morrer, mesmo viva. Possa desejar ir além desse corpo.
Que alma dessas nossas, pois nunca temos uma só, nunca desejou sair daqui? Pois a minha sim! Muitas vezes. Sempre que viu um cemitério, uma estrada vazia, um avião distante. Os livros fazem esse papel. Nos levam para longe. Não. Eu não quero fuga. Quem quer fuga busca a TV. Minha vida é perfeita e eu estou em mim.
É minha alma que anseia suas fugas e eu permito a ela que busque em seus poemas, que eu mesma escrevo, em suas prosas, em seus devaneios de morte.
Os meus admirados escritores são quem acompanho pela vida afora, como quem busca sempre o farol como inspiração para essa busca.

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